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La Niña pode favorecer a ocorrência de geada em Mato Grosso do Sul

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A Embrapa Agropecuária Oeste, através do seu sistema de previsão de geada, alerta para o alto risco de ocorrer geada no mês de junho de 2021, na região sul de Mato Grosso do Sul. Os dados do modelo de previsão demonstram que a probabilidade de ocorrer ao menos uma geada é de 75%, podendo acontecer sob qualquer intensidade, desde fraca até forte (imagem abaixo).

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Danilton Flumignan, ressalta a importância dessa pesquisa, visto que as geadas representam um fator de risco à produtividade no campo, especialmente para as lavouras de milho safrinha.

A intensidade da geada leva em consideração a temperatura prevista e tem uma escala de categorização, apresentada na Tabela 1 (abaixo).

Impactos agrícolas – O milho safrinha é a principal cultura de outono-inverno em Mato Grosso do Sul e a maior parte dessas lavouras ficam na região sul. Nessa região também existem áreas expressivas cultivadas com cana-de-açúcar e com pastagens. As geadas são motivo de grande preocupação por parte dos produtores, especialmente se elas ocorrem cedo. O pesquisador Danilton exemplifica, “no caso do milho safrinha, se uma geada ocorrer em junho ela pode impactar significativamente a produção, já que o milho normalmente se encontra em uma fase ainda sensível”.

Ele salienta ainda que a extensão do prejuízo está associada à intensidade da geada e a fase de desenvolvimento do milho e acrescenta “é justamente por esse motivo que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) estabelece que, nesta região, a época limite para a semeadura do milho safrinha é o mês de março. A data mais apropriada depende do município, do tipo de solo e da cultivar utilizada”.

O pesquisador explica ainda que nessa safra 2020/2021, a semeadura da soja foi tardia em muitos municípios, por conta do atraso nas chuvas. Logo, a tendência natural é que a semeadura do milho safrinha seja também realizada tardiamente e ressalta “isso coloca esse outono-inverno em uma condição de alto risco para quem optar por cultivar milho na safrinha. Por isso, é importante buscar o apoio de técnicos capacitados e reforçar o planejamento de modo a buscar alternativas que minimizem os possíveis prejuízos que podem se tornar realidade se este cenário se confirmar. Para aqueles que decidirem pelo cultivo do milho, a utilização de híbridos mais precoces deverá ser fundamental”.

Rotação de culturas – O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, também aconselha os agricultores dessa região, especialmente em áreas onde a colheita da soja será mais tardia. Segundo ele, pode ser uma boa decisão diversificar a produção desse ano, tendo em vista as perdas possíveis de acontecerem em decorrência de uma geada. “O cultivo de cereais de inverno como trigo e aveia, pode ser uma alternativa viável, bem como a semeadura de espécies forrageiras para pastejo ou produção de palha”, explica o pesquisador.

Ele destaca ainda que a diversificação, oportunizada pela rotação de culturas pode ser uma boa estratégia. “Diante desse cenário climático, o produtor tem uma excelente oportunidade de transformar o risco em sucesso, fazendo a rotação de culturas em pelo menos uma parte da área, escapando assim da dobradinha soja-milho safrinha. Essa mudança pode beneficiar o sistema produtivo na melhoria do solo e na supressão de espécies de plantas daninhas, doenças e pragas que têm se tornado de difícil controle justamente por conta da falta de rotação”, explica Danilton.

La Niña – Segundo Flumignan, nesse ano de 2021, o mundo está sendo marcado pelo fenômeno conhecido por La Niña e explica “o fenômeno se constitui no resfriamento das águas do oceano pacífico equatorial. Quando isso acontece, dadas as fortes interações que existem entre o oceano e a atmosfera, as condições climáticas mundiais passam a ser influenciadas por esta realidade momentânea”.

O pesquisador fez uma análise do histórico climático da região sul de Mato Grosso do Sul em relação às outras vezes que esse fenômeno aconteceu. Ele destaca que as temperaturas mínimas registradas no mês de junho estiveram sempre iguais ou menores que 6 ºC, evidenciando a ocorrência de frio intenso na região e acrescenta “em 25% dos anos, as temperaturas ficaram entre 4 ºC e 6 ºC, condição considerada não favorável a formação de geadas, porém em 75% dos anos, as temperaturas atingiram níveis iguais ou abaixo de 4 ºC, culminando com a formação de condições favoráveis à ocorrência de geada na região”.

Como funciona o sistema de previsão? – Esse sistema foi desenvolvido em 2017 e é mantido pelos pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste. Fazem parte dessa equipe: Danilton Luiz Flumignan, Éder Comunello e Carlos Ricardo Fietz. Além deles, Rafaela Silva Santana, que na ocasião era estudante de Agronomia da UFGD, contribuiu com o trabalho de desenvolvimento do sistema.

O sistema usa dados de chuva medidos na estação agrometeorológica do Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste, e da temperatura da superfície do mar fornecidos pela agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

Com índice de confiança de 95%, o sistema é capaz de prever em dezembro, qual a temperatura mínima que deverá ocorrer em junho, no sul de Mato Grosso do Sul. Por meio da temperatura prevista e com base nos critérios do método é possível prever a probabilidade de ocorrer geada e qual a intensidade da mesma.

Danilton explica ainda que a previsão do ano seguinte pode ser divulgada em dezembro do ano anterior e, que, posteriormente, ela é monitorada até o mês de maio, pois as condições de temperatura da superfície do mar podem mudar até junho e, se essa mudança for significativa, a previsão precisa ser reavaliada e acrescente “não é normal ter que corrigir as previsões que são feitas em dezembro. Pode acontecer, mas o mais comum é confirmá-las”.

Fonte: Embrapa

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Artigo: Novas atitudes no manejo de sistemas de produção agropecuários

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Através das pesquisas já realizadas pela Embrapa, por instituições de ensino e outras instituições de pesquisa, não resta mais dúvida que a diversificação é melhor que a especialização dos sistemas de produção agropecuários. Isso é verdade, tanto sob o ponto de vista econômico, quanto ambiental. Durante muito anos, era frequente numa mesma propriedade o cultivo de uma única espécie, na maioria das vezes sem rotação de culturas. Esse modelo, com o tempo, mostrou-se não ser o mais adequado, principalmente por proporcionar rentabilidade abaixo daquela considerada como mínima, em função das baixas produtividades e do constante aumento do custo de produção.

Atualmente, graças aos avanços tecnológicos, está ficando bem frequente, especialmente na região central do Brasil, numa mesma unidade de produção, o cultivo de diferentes espécies vegetais em um mesmo período agrícola, seja na primavera – verão ou no outono-inverno. Assim, é possível encontrar propriedades onde se tem o cultivo de soja, de milho, de algodão e de pastagem no período primavera-verão.  É perceptível a tendência de diversificação e intensificação dos modelos de produção. Por meio da diversificação do sistema de produção e da integração de atividades, tem-se a maximização do uso do solo e dos diferentes fatores de produção, viabilizando também a diversificação das fontes de renda. Quando se lida com sistemas de produção e não com a ótica tradicionalista de olhar para o cultivo, mudam-se as práticas de manejo de adubação, de plantas daninhas, de pragas e de doenças. Em sistemas diversificados não se têm pragas da soja, por exemplo, e sim pragas do sistema. Quando numa mesma unidade de produção tem-se o cultivo de mais de uma espécie vegetal, é necessário que se tenha uma visão do sistema que seja sensível a interrelação que existe entre cada espécie, mesmo quando cultivadas de forma isolada.

A pesquisa agropecuária evidenciou que se fazendo o cultivo de diferentes espécies em consórcio, verifica-se no solo alterações de ordem biológica, diferentes e melhores do que aquelas verificadas quando cada espécie é cultivada de forma isolada. O cultivo de milho consorciado com braquiária é um exemplo de intensificação dos sistemas de produção (https://bit.ly/3qAik40). Além disso, os resultados de pesquisa também mostram que a alternância de espécies, em numa determinada área, proporciona redução na diversidade, na quantidade e na incidência e severidade de doenças. A diversificação de espécies vegetais numa determinada área contribui para aumentar o volume de solo explorado pelas raízes, bem como são observadas melhorias nos atributos físicos e químicos do solo.

Em sistemas intensivos, a adubação não deve ser analisada para uma espécie vegetal, mas sim para o sistema de produção.  O novo modelo de agricultura exige de todos os envolvidos com a produção agropecuária a mudança de conceitos, pois não há mais espaço para visões que hoje são tidas como reducionistas devido à sua simplicidade diante de algo tão complexo. Hoje se faz necessária uma abordagem muito mais holística, o que requer o desenvolvimento de novas habilidades. Por exemplo, sabemos que o cultivo de uma determinada espécie vegetal pode favorecer o estabelecimento de um determinado agente biológico capaz de causar dano econômico a outra espécie. Esse é o caso da Crotalaria spectabilis, que ao ser cultivada em regiões favoráveis à ocorrência de mofo branco, especialmente em semeaduras tardias, pode predispor a cultura sucessora a danos causados pela referida doença. Por outro lado, o cultivo da mesma Crotalaria spectabilis é estratégico para o manejo de nematoides. Sendo assim, percebendo-se a complexidade que envolve os sistemas de produção, a tomada de decisão é fator chave para o sucesso do empreendimento e, logo, cada vez mais, faz-se necessário que o tomador da decisão entenda a complexidade envolvida e possa decidir o melhor para a sua realidade. As espécies antecessoras podem interferir na resposta da cultura sucessora à adubação química. A presença de determinadas espécies de plantas daninhas proporciona condições para alimentação de insetos polífagos como a Spodoptera frugiperda. Sistemas de produção intensivos exigem estratégias diferentes para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, daquelas utilizadas em sistemas com pouca diversidade.

Fica, portanto, evidente a necessidade de mudanças e, por conseguinte, de quebras de paradigmas por parte dos engenheiros agrônomos e produtores rurais para trabalhar como sistemas de produção agropecuários. Por mais diversificado que sejam os sistemas, este naturalmente tenderá a um equilíbrio com o tempo, tornando-os assim mais resilientes aos efeitos de fatores externos, sejam eles bióticos ou abióticos, mas que possam interferir negativamente na produtividade das espécies cultivadas. Sistemas de produção onde tem-se espécie de ciclo mais longo como são as forrageiras, podem ser considerados de média complexidade. No entanto, em sistemas que há espécies arbóreas entre os componentes, a complexidade aumenta significativamente e, por conseguinte, exigem muito mais atenção quando do seu planejamento. Sendo adequadamente planejado esses sistemas são extremamente interessantes, principalmente por proporcionarem diversificação de renda e, do ponto de vista ambiental, apresentam elevada capacidade de mitigar gases de efeito estufa contribuindo em favor do combate às mudanças climáticas.

Sob o ponto de vista nutricional, torna-se necessário conhecer a quantidade de nutrientes que são exportados pelos grãos, pela fibra, pelo colmo quando se tratar de cana-de-açúcar ou pela a planta inteira quando se tratar por exemplo de milho para a silagem. A partir do conhecimento daquilo que é exportado, mais aquilo que existe no solo, é possível se estabelecer um balanço e a partir daí, com base na estimativa de produção, fazer a adubação.

Os sistemas de produção devem ser manejados, considerando a diversidade deles. Sistemas mais diversificados são sustentáveis, no entanto, devem ser tratados de forma integrada.  

Fonte: Embrapa

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