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João Carlos Ferreira lança livro que conta a história da corrupção no Brasil

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Escritor João Carlos Vicente Ferreira

Por Luiz Fernando | A Gazeta

O escritor João Carlos Vicente Ferreira, do Instituto Histórico e Geográfico de MT e da Academia Mato-Grossense de Letras está com um novo livro no mercado. Trata-se de “QUID PRO QUO – Dois Dedos de História do Brasil, com a corrupção e o jeitinho brasileiro como base”.

Nesta obra o autor nos relata fatos relacionados à história do Brasil desde os primeiros tempos do Brasil Colônia até os escandalosos governos da década de 1990 para cá.

A Transparência Internacional, organismo não-governamental criado em 1993, com mais de 100 seções espalhadas em diversos países, e com sede em Berlim, oferece anualmente o ranking dos países mais e menos corruptos no mundo, com notas que vão de 0 a 100. Baseado nessa pontuação pode-se concluir que nenhum país é idôneo o suficiente em relação ao combate à corrupção, e, que esse fenômeno, não ocorre somente em países pobres ou em desenvolvimento. 

É certo que economias também avançadas apresentam escandalosos casos de corrupção. Exemplo dessa afirmativa é um caso ocorrido na Suécia, em 2013, país reconhecido por sua impoluta reputação, envolvendo a gigante de telecomunicações Ericsson, que foi obrigada a pagar multa de mais de 1 bilhão de dólares, após condenação por corrupção em vários países. 

Em 23 de janeiro de 2020, período em que a pandemia do Coronavírus ou Covid-19, passou a dominar as principais manchetes da mídia mundial, com mortes e casos positivos distribuídos por todos os continentes, a Transparência Internacional apresentou, à imprensa, na cidade de São Paulo, a posição de 180 países no quesito corrupção. O Brasil ganhou nota 35 (pontos) em pesquisa que mede a percepção da sociedade sobre a corrupção, com referência ao ano de 2019, basicamente a mesma pontuação de 2018, passando a ocupar a 106ª posição, dentre os países pesquisados. Tratava-se de uma posição vexatória para o país que, em 2016, ostentava o 6º lugar de maior economia do mundo. Esse índice é o pior da série histórica, onde quanto melhor a posição no ranking, que chega a 100 pontos, menos o país é considerado corrupto. Para se ter ideia do disparate da pontuação brasileira, os países que alcançaram a nota máxima foram Dinamarca e Nova Zelândia, com 87 pontos cada. 

A nota brasileira, sem desmerecer nenhuma destas nações, é a mesma de Albânia, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Macedônia e Mongólia. Entre os países sul-americanos nosso país, que galgou o posto de sexta economia mundial, ficou atrás de Argentina, Chile e Uruguai. Á frente, ficou apenas de Bolívia, Paraguai e Venezuela.

Em 2021, a imprensa brasileira oferece números sobre a evolução de casos de corrupção em nosso país, a Transparência Internacional conclui em suas falas e anotações, dentre outras, a Operação Favorito, em etapa da Lava Jato, ocorrida no dia 14 de maio de 2020. 

O vergonhoso desta feita, com inúmeras prisões, alardeadas pela imprensa nacional, inclusive do ex-deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, Paulo Melo, do empresário Mário Peixoto e outras pessoas, é que o possível foco da corrupção estava em desvios de dinheiro e negócios com hospitais de campanha, montados para tentar conter a ferocidade do coronavirus na Cidade Maravilhosa. 

Porém, o arrombo de cofres públicos se deu em escala estratosférica, em vários estados brasileiros, por causa da pandemia, abrindo, desta feita, portas e janelas para a corrupção desenfreada. Os fatores que levaram à facilitação de negociatas foram edições de centenas de Atos normativos relacionados à Covid-19, com flexibilização de regras relacionadas à administração pública. Para tentar conter a ânsia corruptiva e a incomplexidade nas licitações para a aquisição de bens e serviços para o enfrentamento da emergência de saúde pública, diversas operações foram deflagradas pela Polícia Federal em estados da federação. Certamente, devido ao desamor pela vida humana e a ganância destrambelhada de alguns gestores públicos pela propina covídica, vamos dedicar um capítulo especial sobre a corrupção na pandemia.

A corrupção, a vantagem e o jeitinho, fios condutores da obra de Ferreira, existem não por causa de fatores únicos, mas como resultado da ação humana consciente, aí, então, vem a pergunta em tom de inveja de dinamarqueses e de neozelandeses, será possível eliminá-los, quase que nas raízes? Para uns, sim! Se bem que para isso duas ações básicas teriam que ocorrer: abster-se de dar e receber suborno, porém, é quase impossível disso ocorrer. Chegaríamos nós, brasileiros, a ser uma nação comprometida com este propósito? Para outros, não! Consideram que o fenômeno da corrupção é quase eterno, impossível de ser arrancado do seio de uma sociedade onde muitos apreciam a lei da reciprocidade, o toma-lá-dá-cá. 

O termo quid pro quo, que ilustra a capa desta obra vem do latim arcaico e significa, segundo o Dicionário de Cambridge, “isso por aquilo”, ou, ainda, “algo dado a uma pessoa em troca de outra coisa”. Em outras palavras, um favor esperado em troca de você fazer algo. Se eu fizer algo por você, posso esperar com razão que você retribuirá o favor por mim. 

A corrupção não é um desenvolvimento novo para a humanidade, desde que existem relatos antigos registrados, há histórias de negociação enganosa, traição por ganho pessoal, e corrupção em formas variadas: sim, o quid pro quo sempre esteve presente na vida do homem. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) define corrupção como o abuso da função pública em benefício privado, violando padrões ou expectativas associadas à administração pública, por meio de atos como pagamento de obras inexistentes, superfaturamentos, direcionamento de licitações, celebração de convênios irregulares, subornos, propinas e distorções decorrentes de negociações realizadas com recursos públicos, que deixam em segundo plano o benefício social.

Na política brasileira a engrenagem que gira a grande roda sempre foi untada com óleo sujo da corrupção, desde os primeiros acórdãos. E a corrupção é, de certa forma, a base de nosso sistema político-administrativo. No começo de 2019, mais de 70% das ações que tramitavam no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo autoridades com prerrogativa de foro – como parlamentares, ministros e governadores – estavam relacionadas à corrupção. Naquele período havia 95 ações penais e 439 inquéritos no STF; e 72 ações penais, 101 inquéritos e 54 sindicâncias no STJ – onde a Corte Especial era a responsável por analisar casos de governadores e conselheiros de Tribunais de Contas, por exemplo. A quase totalidade de ações, inquéritos e sindicâncias, muito provavelmente, resultam em nada e acabam arquivados. 

As eventuais punições, prisões etc., sempre se limitam a políticos que eventualmente tenham “caído em desgraça” diante da mídia e serão usados emblematicamente. Ou, a opositores, que precisam ser retirados do caminho. E, isso, não é um fato isolado, e, nem ao menos, um momento da história. Isso acontece porque ser político no Brasil, salvo exceções, logicamente, é ser corrupto, infelizmente. 

Não há como, com o sistema político brasileiro, montado ao longo dos séculos, atuar-se completamente isento, honesto, limpo e transparente. Infelizmente, isso não é possível. 

Portanto, é disso que trata esta obra: corrupção. Nela o autor busca atuar como espécie de despertador algazarrento, ou de um remédio que se toma para controlar, de forma sistemática, alguma doença que possuímos. A ideia que ele quer repassar é a de que somos um país de corruptos e, mesmo que seja através de uma cortina de fumaça, imaginarmos que o escritor Ivan Lessa estava errado ao imortalizar a frase: “A cada quinze anos, o Brasil esquece os últimos quinze anos”, dita porque os brasileiros esquecem de quase tudo que aconteceu por aqui nos últimos tempos.  

 

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“80 Anos de Música” narra trajetória do maestro e pianista João Carlos Martins

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Maestro João Carlos Martins e Jorge Takla
Luiz França/Divulgação

Maestro João Carlos Martins e Jorge Takla

No mês em que o  aclamado regente da Bachiana Filarmônica Sesi-SP comemora seus 81 anos, o Centro Cultural Fiesp inaugura a exposição inédita “João Carlos Martins: 80 Anos de Música”. Para o curador e diretor Jorge Takla, habilidoso em lidar com elencos numerosos, a grande surpresa no decorrer do trabalho foi descobrir uma quantidade extraordinária de material no exterior, como “artigos, comentários e críticas elogiosíssimas”.

Logo no início da galeria, o som de uma orquestra afinando seus instrumentos prepara para a imersão. A partir daí, prêmios e fotos da sua carreira artística estão por toda parte, divididos em duas fases: a primeira delas, o Pianista — com corredores pictóricos, que conduzem a uma viagem entre 1940 e 2003 —, e a segunda, o Maestro — onde o público tem contato com a determinação de um ser humano em uma síntese de múltiplas leituras.

O público pode conferir tudo a partir do dia 16 de junho, com entrada gratuita
Luiz França/Divulgação

O público pode conferir tudo a partir do dia 16 de junho, com entrada gratuita

Outros pontos altos são a Sala do Piano, em que uma holografia de Martins conversa com visitantes e toca grandes clássicos, a da Orquestra, que dá a oportunidade de todos regerem uma sinfonia, em uma brincadeira interativa, além dos ambientes menores de projeção, com passagens de suas apresentações, depoimentos de várias celebridades e entrevistas nacionais e internacionais.

A atuação nas áreas social e educacional também tem vez na apresentação, assim como a forte ligação com a ciência e a saúde, já que enfrentou as consequências de uma distonia focal, enfermidade neurológica que altera as funções musculares. E não poderia faltar o samba — ele foi homenageado no enredo “A Música Venceu”, que deu o título de campeã à Vai-Vai, em 2011 — e o futebol, por meio de seu envolvimento com o time da Portuguesa.

Fonte: IG GENTE

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