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Homenagem à população negra abre programação do Festival Cultura em Casa

Além de estilos musicais como o samba e o maracatu, a abertura do maior festival online da cultura do Estado traz apresentações, exibições audiovisuais, debates, palestras e oficinas sobre costumes, religiões e tradições que ajudaram a dar origem à identidade brasileira. 

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Apesar da Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil há 132 anos, não ter garantido a ex-escravos condições reais de participação na sociedade, o dia 13 de maio entrou para o calendário da história do país. Para celebrar a data considerada como mais um dia que marca a luta contra o racismo e a exclusão, a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) dá início ao Festival Cultura em Casa com uma programação dedicada a mostrar a importância da população negra na história do Brasil e de Mato Grosso.

Além de estilos musicais como o samba e o maracatu, a abertura do maior festival online da cultura do Estado traz apresentações, exibições audiovisuais, debates, palestras e oficinas sobre costumes, religiões e tradições que ajudaram a dar origem à identidade brasileira.

Para o Coletivo Audiovisual Negro Quariterê, a iniciativa da Secel demonstra uma preocupação do Governo do Estado com os profissionais da área da cultura afetados economicamente pelo isolamento social.

“Essa é uma medida de extrema importância, que vai amparar muitos artistas que dependem exclusivamente de apresentações artísticas. Além disso, ressalta que os artistas negros são elementares para a cultura mato-grossense e nacional, por isso, este suporte é um meio de valorizar e reconhecer esses profissionais”, declara Luiza Raquel, uma das integrantes do grupo que homenageia o quilombo Quariterê, fundado na década de 1740 e que teve como líderes José Piolho e sua esposa, Teresa de Benguela, primeira mulher a liderar um quilombo na história do país.

Programação

A abertura oficial do Festival Cultura em Casa nesta quarta-feira (13.05), às 19h, no instagram da Secel (@secelmt), com a participação do titular da pasta, Allan Kardec. Mas já durante a tarde ocorrem oficinas nas redes sociais dos artistas.

Às 15h, o músico Virgilinho Batukada oferece uma vídeo-aula sobre música popular inserida na percussão. Às 17h, a ilustradora Hiasmyn Lorraynne apresenta várias formas de aplicação de lambe-lambe na intervenção urbana. Logo em seguida, às 17h30, o capoeirista do município de Sorriso (MT), Hugo Muzenza, transmite a oficina de capoeira, trazendo os movimentos, os rituais da roda e as filosofias da mistura de dança e luta criada pelos escravos.

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Às 18h, percussão, canto e poesia serão as linguagens artísticas no show Quilombo de Quintal, do Núcleo Hip Hop em Ação.  No mesmo horário, as integrantes da Coletiva Slam do Capim Xeroso, Sol e Ananás, exibem a apresentação Poemargens: Tecituras de Poemas à Margem.

A partir das 18h30, o Coletivo Audiovisual Negro Quariterê apresenta  “Afroceia – a cultura alimentar quilombola como estratégia de sobrevivência em tempos de crise sanitária”. Unindo a exibição de trechos do documentário “A Grande Ceia Quilombola” e debates sobre o livro “Afro Paladar: nutrindo a cultura”, a transmissão destaca a partilha, a comunhão e os rituais culinários como determinantes para a qualidade da alimentação.

Também às 18h30 inicia o show “DZ6 Maneiras”, em que o rapper Breno DZ6 executa musicas autorais intercaladas com causos do Hip Hop mato-grossenses. Às 19h, o sertanejo se junta ao Kompa – ritmo musical haitiano, na apresentação da banda Sertakompa.

Com a performance “O auto dos corações do mar”,  Vinicíus Brasilino apresenta, às 19h30, canções em Yorubá e do Cancioneiro popular brasileiro, poesias autorais e trechos de poemas de Castro Alves.  A organização inédita vai expressar a dor, as angústias e a fé dos negros escravizados africanos traficados para o Brasil.

Às 20h, acontecem as transmissões do monólogo teatral de Oz Ferreira “Janelas e histórias em encruzilhadas”, do show Mc Machel e ainda da oficina Afrohouse, em que o artista Nhantumbo’space traz ensinamentos básicos de dança afro.

Músicas da cultura africana, cantadas em Changana, Nômade e Machopé, línguas maternas de Moçambique, estarão no Show Black, transmitido às 21h. Na live, a artista Shirley Black também apresenta músicas de sua autoria e do ator e poeta Vini Hoffmann.

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Também às 21h, a cantora e compositora Mariana Borealis une samba e baião para homenagear a musicalidade ancestral do povo negro, com o show Sambaião.  No mesmo horário, o videoclipe Lucrar, do MC Ahgave, enfatiza o direito a uma alimentação sem agrotóxicos e à demarcação de terras de povos originários, como quilombolas e ribeirinhos.

A programação em homenagem ao povo afro-descendente prossegue na quinta-feira (14.05), com o show “Omo Oyá”, uma mistura de rap com maracatu da artista Pacha Ana.  A apresentação, que será feita às 19h, faz um resgate histórico da ancestralidade com músicas do primeiro disco de rap feminino de Mato Grosso.

Todas as transmissões acontecem diretamente das mídias sociais dos artistas. Confira.

Quarta-feira (13.05)

15h: Oficina Percussão Popular Brasileira  
YouTube/ Virgilinho Batukada  | facebook/@virgilinho.batukada

17h: Oficina Lambe-Lambe Intervenção Urbana
Instagram/ @magianaagulha

17h30: Oficina de capoeira 
Facebook/@hugo.c.dossantos.5    |  YouTube/@hyugahugo

18h: Show Quilombo de Quintal
Instagram/ @raullazaro102

18h: Poemargens: Tecituras de Poemas à Margem
Instagram/@ananax666 / @solpoetao

18h30: Afroceia 
Facebook/@coletivoquaritere

18h30: show DZ6 Maneiras
Facebook/@brenodz6  |  Instagram/@brenodz6

20h: Oficina Afrohouse 
Facebook/@herminio.nhantumbo.7

19h: Show Sertakompa 
Facebook/@sertakompa |  Instagram/@sertakompa  | YouTube/ @DucksonJacques

19h30: O Auto dos Corações do Mar
Facebook/@viniciusfernandes09 |  Instagram/@viniciusbrasilino

20h: Janelas e Histórias em Encruzilhadas 
Facebook/@ozferreira8

20h: Show Mc Machel 
Instagram/@machelmtcrew

21h: Show Black 
Facebook/@eushirleyy  | Instagram/@eushirleyy  |  YouTube/@ShirleyBlack

21h: Show Sambaião 
Facebook/@mariana.borealis  |   Instagram/@borealismariana

21h: Videoclipe Lucrar 
Instagram/ @ahgave | YouTube/ @ahgavemc

Quinta-feira (14.05) 
19h: Show “Omo Oyá”
Facebook/@PachaAna  |   Instagram/@pachaana  | Youtube/@pachaana

Mais informações nos sites:  www.festivalculturaemcasa.com.br e www.cultura.mt.gov.br (no menu Cultura em Casa)

Fonte: GOV MT

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Conheça a Lei de Emergência Cultural aprovada na Câmara Federal

Publicado

A Câmara Federal aprovou na terça-feira (26.05), o projeto de lei (PL 1075/20) que destina R$ 3 bilhões para ações emergenciais de ajuda ao setor cultural durante a pandemia da Covid-19. Chamado de Lei de Emergência Cultural, o texto aprovado traz as fontes de financiamento e prevê a descentralização dos recursos a estados e municípios para fortalecer o Sistema Nacional de Cultura. A proposta segue agora para aprovação do Senado Federal.

Para o titular da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT), Allan Kardec, a Lei vai ajudar muito a classe artística de Mato Grosso e irá refletir diretamente nas ações da pasta, a exemplo de outros projetos já realizados nesse período, como o Festival Cultura em Casa e o Cachê Solidário.

“Comemoramos a primeira etapa de aprovação, e esperamos que seja rápida também a aprovação no Senado. É uma maneira de fazer com que nossa economia da cultura não pare, que pais de família, que homens e mulheres, que fazem a cultura por vocação e profissão, sejam respaldados nesse momento de isolamento social, uma vez que foi o segmento mais afetado”, complementa o secretário.

O projeto de lei, de autoria da deputada federal Benedita da Silva, foi aperfeiçoado com propostas de outros deputados que tramitaram apensados, sendo aprovado na forma do substitutivo.  A relatora do projeto, a deputada Jandira Feghali, sugeriu ainda que a lei seja chamada de “Aldir Blanc”, homenagem ao artista vitimado pelo novo coronavírus.

Entre outros pontos, a proposta garante um auxílio emergencial de R$ 600 mensais aos trabalhadores do setor, subsídios a espaços artísticos e culturais, criação de linhas de crédito, e prorrogação de prazos para aplicação de recursos de projetos já aprovados pelo Executivo. Os recursos também poderão aplicados em instrumentos de incentivo à cultura, como editais, chamadas públicas e prêmios.

Repassamos abaixo mais informações da Lei de Emergência Cultural “Aldir Blanc” (Fonte: Agência Câmara de Notícias).

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Descentralização

Os recursos serão repassados pelo governo federal aos demais entes federados em até 15 dias da publicação da lei e serão aplicados utilizando os fundos de cultura.

O dinheiro será dividido pelo seguinte critério: metade do valor (R$ 1,5 bilhão) ficará com os estados e o DF, sendo 80% de acordo com a população e 20% pelos índices de rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

A outra metade ficará com o DF e os municípios, seguindo os mesmos critérios: 80% segundo a população e 20% segundo o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Auxílio a trabalhadores

O texto prevê auxílio emergencial de R$ 600, pagos em três parcelas, para trabalhadores da área cultural com atividades suspensas por conta da pandemia. Esse benefício contempla artistas, produtores, técnicos, curadores, oficineiros e professores de escolas de arte. O auxílio poderá ser prorrogado no mesmo prazo do auxílio emergencial do governo federal aos informais.

Para receber a renda emergencial, os trabalhadores devem cumprir vários requisitos, como limite de renda anual e mensal; comprovação de atuação no setor cultural nos últimos dois anos; ausência de emprego formal; e não ter recebido o auxílio governamental dos informais.

O auxílio não será concedido a quem receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou valores de programas de transferência de renda federal, exceto o Bolsa Família.

O recebimento dessa renda emergencial está limitado a dois membros da mesma unidade familiar. A mulher provedora de família monoparental receberá duas cotas (R$ 1,2 mil).

Subsídios a espaços culturais
Os governos poderão repassar entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais para manter espaços artísticos e culturais, micro e pequenas empresas culturais, cooperativas e instituições e organizações culturais comunitárias que tiveram as suas atividades interrompidas por força das medidas de isolamento social.

Poderão receber essa ajuda aqueles inscritos em cadastros estaduais, municipais ou distrital, em cadastros de pontos e pontões de cultura, no Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (Sniic) ou no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab).

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Podem ter acesso também aqueles com projetos culturais apoiados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) nos 24 meses anteriores contados da data de publicação da futura lei.

Exemplos de espaços culturais

O substitutivo lista 25 exemplos de espaços culturais aptos a pleitear o subsídio mensal, tais como teatros independentes; escolas de música, dança, capoeira e artes; circos; centros culturais; museus comunitários; espaços de comunidades indígenas ou quilombolas; festas populares, inclusive a cadeia produtiva do Carnaval; e livrarias.

Entretanto, não poderão receber o auxílio aqueles vinculados à administração pública ou criados ou mantidos por grupos de empresas ou geridos pelos serviços sociais do Sistema S.

Em contrapartida, o substitutivo prevê a obrigação de realizar, gratuitamente, uma atividade cultural por mês para alunos de escolas públicas ou em espaços públicos de sua comunidade.

Fomento

O substitutivo direciona 20% dos recursos totais repassados para iniciativas vinculadas à compra de bens e serviços para o setor cultural, a prêmios e outros gastos voltados à manutenção de agentes, espaços, iniciativas, cursos, produções e desenvolvimento de atividades de economia criativa e solidária.

Crédito

O texto autoriza a criação de linhas de crédito de instituições financeiras para fomento de atividades, aquisição de equipamentos e renegociação de dívidas. Também serão prorrogados por um ano os prazos para aplicação de recursos no setor em projetos culturais já aprovados pelo Executivo.

Enquanto durar a calamidade e a pandemia, o Programa Nacional de Apoio à Cultura e outros programas de apoio à cultura devem priorizar atividades que possam ser transmitidas pela internet.

Fonte: GOV MT

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