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Há 80 anos nascia Ary Leite de Campos

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Por Wilson Pires

Filho de família tradicional mato-grossense, o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (assim gostava de ser chamado) Ary Leite de Campos, não tinha papas na língua e sempre dizia o que pensava. Mesmo afastado das disputas eleitorais há algum tempo, ele acompanhava o cotidiano da política em Várzea Grande.

Ary Leite de Campos nasceu em Várzea Grande, em 12 de Julho de 1940. Filho de Gonçalo Domingos de Campos e dona Dirce Leite de Campos é de uma família de oito irmãos: Terezinha Catarina de Campos Monteiro, Gonçalo Domingos de Campos de Campos Filho, Atair de Leite Campos, Maria Nazarello Campos, Antoninha Leite de Campos, Marise Leite e João Nazarello de Campos.

De 1960 a 1967, exerceu o cargo de inspetor de menores e tinha diploma de perito contador, formado pela Escola João Pompeo de Campos Sobrinho. Foi presidente do Clube Operário em 1963, e era radicado nos meios empresariais de Várzea Grande, onde possui propriedades e goza de grande circulo de amizades. Casado com a professora Nilda Godoy de Campos, teve três filhos, Gonçalo Domingos de Campos Neto, Lise Laura Campos Bianchini e Naíse Godoy de Campos Freire e sempre residiu em seu município.

Ingressou na política em 1969, quando se elegeu prefeito de Várzea Grande. Inicialmente, a campanha à Prefeitura de Várzea Grande, parecia ter poucas chances de vitória, pois disputava com o prestígio político da família Baracat.

Eleito no pleito de 15 de novembro de 1969 assumiu o cargo de Prefeito Municipal de Várzea Grande em 31 de janeiro de 1970 até 31 de janeiro de 1973 e foi o décimo segundo prefeito da Cidade Industrial. Na ocasião elegeu-se vice-prefeito o ex-vereador Idio Nemésio de Barros.

Durante três meses a sede da administração foi o prédio próprio, construído em 1968, na gestão da prefeita Sarita Baracat de Arruda. Infelizmente, em maio de 1970, o novo prefeito recebeu ordem urgente para desocupar o aludido Paço Municipal, sob alegação de achar-se o mesmo na faixa de segurança de pouso e decolagem da pista do Aeroporto Marechal Rondon. Tratando-se de ordem expressa do Ministério da Aeronáutica foi, de imediato, providenciada a mudança e o prédio demolido.

Durante a administração Ary Leite de Campos foi recapeado o asfaltamento da Avenida Couto Magalhães, sendo agilizada a doação de terras a indústrias, incentivando esse setor de atividades. Foi essa medida muito proveitosa, pois as áreas vazias de Várzea Grande passaram a se valorizar.

1970 foram adquiridos veículos automotores para os serviços da prefeitura (motoniveladora, pá carregadeira, trator, perua e caminhonete). Pela Lei nº 436 de 30 de abril de 1971, a área da Colônia União recebeu o nome de Bairro Cristo Rei e vários loteamentos foram implantados ali. Em 1972, o Ministério da Aeronáutica, em virtude do crescimento evidente, de aviões de passageiros no Aeroporto Marechal Rondon, resolveu fechar a área, solicitando apoio da Prefeitura de Várzea Grande, pois ali estavam residindo mais de cem famílias de trabalhadores humildes. O prefeito Ary entregou a missão ao Secretário Municipal de Obras Públicas, o tenente-coronel Ubaldo Monteiro, que loteou a área vizinha denominada Roção, e 202 lotes foram doados aos que ocupavam terrenos no Campo de Aviação. Três meses depois o patrimônio estava evacuado e o fechamento do Campo de Aviação se processou.

Em 1972 foi construído o primeiro Centro Educacional na cidade, que recebeu o nome de Licínio Monteiro da Silva, instalado em Janeiro de 1973. O Clube Esportivo Operário Várzea-grandense recebeu auxilio diversos, inclusive para a construção da sede.

Na gestão do então prefeito Ary Leite de Campos, foi construída a Feira Livre, mictório público e loteado a área da Ponte Nova.

Ary Leite de Campos fez uma administração muito boa para a época, pois sendo seu mandato de três anos, empenhou esforços maiores na área Industrial, na de loteamentos e, em especial, na assistência aos carentes, com atendimentos médicos e farmacêuticos. É reconhecido como um dos grandes responsáveis pela expansão e incentivo as indústrias e loteamentos de áreas vazias para compor moradias a grande número de migrantes para Várzea Grande.

Em 1974 foi eleito deputado estadual, cuja cadeira renovou nas eleições de 1978 e 1982, nesta última obtendo o primeiro lugar em votação no Estado de Mato Grosso.

Como deputado, foi vice-presidente e presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa, foi segundo Secretário da Mesa Diretora da mesma Casa de Leis e membro da Comissão Especial de Revisão Territorial e da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Em virtude dos serviços ao Estado, recebeu o título de Membro do Quadro Geral da Ordem do Mérito de Mato Grosso, no Grau de Oficial, e Membro do Quadro Oficial da Ordem do Mérito Legislativo, além dos títulos de Cidadão Honorário de Rosário Oeste, Nobres, D. Aquino, Arenápolis, Jangada e Campo Verde.

Em 13 de maio de 1986, Ary deixou a Assembléia Legislativa e foi para o Tribunal de Contas do Estado, quando foi nomeado pelo então governador, Engenheiro Júlio José de Campos.

Em 1992 foi eleito o 38º (trigésimo oitavo presidente do TCE) com mandato até 03 de janeiro de 1994, onde imprimiu dinamismo e fluidez à solução dos milhares de processos que, obrigatoriamente e anualmente, tramitam pela Corte de Contas mato-grossense.

O conselheiro Ary Leite de Campos, após 23 anos de serviços prestados ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, aposentou-se, dia 18 de maio de 2009.

O grande Ary Leite de Campos morreu no dia 14 de outubro de 2013.

Wilson Pires de Andrade é Jornalista profissional em Mato Grosso

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Como identificar alergia a camarão?

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Por Juliano Coelho Philippi 

Como sei se sou alérgico a camarão? Tenho familiares alérgicos, isso quer dizer que também serei? Sei que tenho alergia a camarão, posso fazer exames com contraste? O que fazer em caso de reação grave por alergia alimentar? Estas são as principais dúvidas que os pacientes têm levado ao meu consultório ultimamente.

Antes de responder a esses questionamentos, é importante explicar que os frutos do mar são uma das principais causas de alergia alimentar imediata em adultos e que os casos vêm aumentando ano após ano, tendo o camarão como o principal causador.

Alergia imediata é aquela em que os sintomas aparecem nas primeiras duas horas após a ingestão. Os sintomas mais comuns são coceira, placas avermelhadas e inchaços, principalmente no rosto. Em situações mais graves pode haver náuseas, vômitos, vontade de defecar, tosse, falta de ar, tontura e desmaio. Nestes casos, se a alergia não for tratada a tempo pode levar à morte.

Para realizar o diagnóstico, é necessário buscar os indícios, ainda que leves, de uma reação alérgica. Para tanto, é preciso atenção em fatores associados, como outros alimentos, condimentos utilizados e risco de contaminação do prato com outros alérgenos, o que é comum em restaurantes. Atividades físicas e alguns medicamentos antes do consumo também precisam ser investigados.

Somente após essa investigação, os exames laboratoriais e teste alérgicos poderão ser indicados e seus resultados interpretados. Com isso afirmo: um exame positivo para camarão não é suficiente para dar o diagnóstico de alergia a este alimento. Por outro lado, o diagnóstico dessa alergia pode indicar alergia a outros frutos do mar, e essa condição deve ser identificada.

Vale ressaltar que o desenvolvimento da alergia alimentar é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e principalmente fatores ambientais, como a frequência com que se tem contato com o alimento. Sendo assim, o fato de alguém na família ser alérgico, não indica que você também será. Por outro lado, o fato de você já ter ingerido camarão sem apresentar reação no passado não afasta totalmente o risco de você desenvolver alergia. Normalmente, ninguém nasce com alergia, elas são desenvolvidas ao longo da vida.

Outra informação muito difundida, inclusive entre profissionais de saúde, é a relação entre alergia a camarão e contrastes iodados. Isso é um mito, e essa relação não existe. Quando for realizar um exame e te perguntarem se você é alérgico ao contraste, você só deve responder que sim se apresentou algum sintoma em exame anterior. Em caso de dúvida, converse com o médico responsável pelo procedimento e se certifique de que o local está preparado para tratar uma reação, caso ela ocorra pela primeira vez. Esse preparo é obrigatório.

Finalmente, numa situação em que sinta ou presencie alguém apresentando sinais de reação alérgica grave, com aparecimento de náuseas, vômitos, falta de ar, turvação visual, tontura e ou desmaio, é fundamental a busca de um atendimento médico o mais rápido possível. Nestes casos, eventos fatais só poderão ser prevenidos com o uso de adrenalina ou epinefrina injetável, medicações essa que no Brasil só temos disponíveis para uso hospitalar.

Caso você tenha se identificado com alguma das situações acima, ou conheça alguém que se enquadra, é importante procurar um médico alergista para esclarecer a situação e receber as orientações necessárias.

 Juliano Coelho Philippi é médico alergista e imunologista –[email protected]

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