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Guerra entre Rússia e Ucrânia impacta diretamente o turismo na Europa

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Manifestantes unem vozes em prol da Ucrânia e contra a guerra capitaneada pela Rússia
Mathias Pr Reding/Pexels

Manifestantes unem vozes em prol da Ucrânia e contra a guerra capitaneada pela Rússia

A Comissão Europeia de Turismo (European Travel Commission – ETC) reuniu especialistas e entidades turísticas nesta semana para falar sobre os possíveis impactos que o turismo na Europa pode sofrer devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que completa um mês nesta quinta-feira (24). Entre as projeções estão preços mais altos e resistência de turistas em relação aos países do Leste Europeu.

De acordo com a diretora da ECT, Valentina Superti, o turismo representa 10% do PIB total da Europa e gera cerca de 23 milhões de empregos. O presidente do órgão, Luís Araújo, acrescenta que o setor turístico passou a ser considerado como um dos 14 ecossistemas econômicos da região.

Esses dados foram fortemente impactados nos últimos dois anos com a pandemia do coronavírus, que paralisou o setor em todo o mundo. No entanto, Superti afirma que uma melhora foi registrada após a retirada das restrições de segurança e da reabertura de alguns destinos. No entanto, esse progresso pode ser ameaçado.

“A situação geopolítica claramente nos causa muitas incertezas e muito mais desafios”, afirmou a diretora na abertura do webinar “Impacto da guerra na Ucrânia no turismo europeu”, na última quarta. “Esses fatores vão causar um recuo na retomada do turismo europeu. O conflito está causando um pico nos preços de energia, o que vai afetar diretamente nossa operação, o custo do transporte e dos serviços turísticos, além de ameaçar a confiança [dos turistas] de viajar para a Europa”, complementou Araújo.

Viagem mais cara

O impacto econômico deve se tornar um dos principais vilões para a retomada do turismo europeu. De acordo com David Goodger, líder da Tourism Economics, os três principais fatores que devem impactar diretamente nisto são:

  • Perda de espaço aéreo na Rússia, impactos no valor do Rublo russo e a perda de turistas russos em outros países do bloco;
  • Sentimento de receio por parte de turistas pode afetar interesse a longo prazo;
  • Impactos econômicos como aumento de inflação e aumento dos custos do petróleo.

Com a inflação maior, os preços dos alimentos vão encarecer e, consequentemente, o turista pode enfrentar preços de diárias mais altas em hotéis, por exemplo. No caso do combustível, o maior impacto será no preço das passagens de avião e o impedimento de que rotas mais longas sejam realizadas.

Do ponto de vista econômico do continente, estabelecimentos dentro do setor podem ser impactados pela falta de verba. “Não estamos vendo nenhum suporte até o momento. Precisamos falar com governos para conseguir crédito extra e ações coordenadas para dar apoio aos negócios”, aponta Goodger.

Sentimento de turistas

A maneira como turistas estão encarando as viagens para a Europa com o conflito em curso também conta. Olivier Henry-Biabaud, do monitorador Travelsat, aponta que há um sentimento de frustração e preocupações por parte dos viajantes. Os dados da empresa, que usa algoritmos nas redes sociais para mapear os sentimentos de turistas, aponta que cerca de ⅓ das conversas envolvendo turismo na Europa envolvem a guerra na Ucrânia.

A imagem do turismo na Europa foi mais impactada para viajantes norte-americanos: antes da invasão russa, o interesse de viagem ao continente marcava 28 pontos, em uma escala de 0 a 100. Após os ataques, a pontuação regrediu para 21, indicando uma queda de 17% no interesse.

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Além disso, o monitoramento registrou queda na polaridade de assuntos relacionados a viagens. A pontuação era de 49 e, após a guerra na Ucrânia, caiu para 28. No entanto, o cenário é visto com otimismo se comparado com a queda brusca registrada durante o início da pandemia, em que essa pontuação era de -43.

“É muito diferente comparar a situação da Covid porque naquele momento o inimigo era desconhecido e muito invisível. Há dois anos, decidir viajar era como rodar um dado, havia uma grande chance de ser exposto ao vírus. Hoje, há 0% de chance de que um turista vá para Helsinki ou Bratislava e seja abordado pelo exército russo. Hoje o inimigo tem um rosto, o que facilita mais para as pessoas. Há bastante impacto, mas não em tanta magnitude como em outras crises”, expressa Henry-Biabaud.

Popularidade de destinos

Países localizados no Leste Europeu, principalmente os situados mais próximos da Rússia, Ucrânia e Bielorússia, são os que tiveram a imagem mais abalada para turistas, que se sentem mais inseguros em investir viagens nestes locais no atual momento. Por isso, esses lugares podem ter impactos ainda mais severos do que o restante da Europa.

No entanto, países e territórios localizados mais distantes do Leste Europeu também estão na lista de preocupação dos turistas. De acordo com dados da Travelsat, os países que tiveram as reputações mais abaladas foram:

  • Estônia
  • Polônia
  • Lituânia
  • Romênia
  • Eslováquia
  • Cyprus
  • Sérvia
  • Finlândia
  • Hungria
  • Letônia
  • República Tcheca
  • Reino Unido
  • Bulgária
  • Suíça
  • Montenegro
  • Alemanha

“A boa notícia é que os principais países para o turismo, como França, Itália, Espanha e Grécia, por exemplo, atualmente sofrem menos impacto em suas reputações”, aponta Henry-Biabaud. Considerados destinos de verão no hemisfério norte, esses países estão no radar para a próxima temporada quente e, de acordo com o monitoramento, não há evidências de que os turistas cancelem viagens pré-programadas. “Os cancelamentos estão mais expostos em locais considerados geograficamente arriscados”.

Adiamentos e precauções

No entanto, o especialista afirma que as principais dúvidas de turistas com planos de viajar para a Europa em curto prazo estão relacionadas com adiamentos e a segurança da viagem.

Henry-Biabaud explica que as noções dos turistas podem ser equivocadas, já que um país pertencente à Europa pode estar longe do conflito entre Rússia e Ucrânia e, assim, não oferecer qualquer risco ao viajante. Por exemplo: alguns viajantes perguntam on-line se é seguro viajar para a Alemanha, apesar de o país estar a cerca de 1,7 mil km de distância do território onde a guerra acontece. Portanto, não há riscos.

Mesmo países localizados no Leste Europeu que não fazem fronteira com os territórios envolvidos no conflito podem ser considerados seguros – algo que, de acordo com o especialista, precisa ser reforçado aos turistas. “Precisamos informar ativamente, de forma clara e objetiva, para potenciais viajantes sobre possíveis fricções, logísticas, fronteiras e indicações geográficas”, diz.

Outra preocupação comum é se seria ético fazer uma viagem para o território europeu enquanto há uma guerra acontecendo, o que demonstraria mais maturidade por parte dos potenciais viajantes. No entanto, tanto o especialista como as respostas fornecidas a essas questões on-line apontam que não há problemas morais para viajar a outros países que não estejam em conflito.

Fonte: IG Turismo

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‘Medo dá, mas passa’, diz mochileiro que foi para mais de 200 cidades

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Tiago Pirrô terminou a faculdade de arquitetura e foi viajar pelo mundo
Arquivo pessoal 28.06.2022

Tiago Pirrô terminou a faculdade de arquitetura e foi viajar pelo mundo

A liberdade de viajar sem destino final, sem um porto ou compromisso poderia facilmente ser equiparada à autonomia de vivenciar as próprias escolhas sem amarras. A vida de Tiago Pirrô, de 35 anos, poderia ser olhada desse prisma. O arquiteto nasceu em Guarulhos, na Grande São Paulo, e se mudou para a Zona Leste de São Paulo, onde viveu até os 28 anos. Ali, ele se conheceu como pessoa, aprendeu a se identificar como um homem cis pansexual e descobriu a liberdade de ser quem é. 

A história poderia parar por aí, se não fosse um acontecimento trágico que abalou sua vida: uma grande amiga morreu ainda jovem, aos 25 anos, o que o fez pensar sobre que rumo tomar na vida. Mais tarde, a violência também bateu à sua porta quando foi assaltado em São Paulo, ao lado de um ex-namorado, que levou dois tiros; um ultrapassou o pulmão o outro se alojou a dois dedos do coração e não pôde ser retirado.

O trauma gerou em Tiago uma síndrome do pânico e, embora o então namorado tenha sobrevivido, ele diz que esse foi outro fator importante para adotar um novo estilo de vida, largar a carreira de arquiteto e viver livre, sem rumo e sem destino. O aventureiro primeiro foi para a Irlanda, onde morou por quatro anos, mas o desejo de viver na Espanha falava mais alto.

“Programar as coisas não faz muito parte da minha realidade. Mudo de um país para o outro muito rápido. Decidi ir para Espanha, eu larguei meu trabalho na área de arquitetura, em que ganhava muito bem, e fui para lá em menos de 48 horas. Entretanto, passei por perrengues durante a pandemia. Tive que ir para a Irlanda para ajudar minha família. Não desisti do meu sonho de morar na Espanha e, na primeira oportunidade, voltei para lá”, narra Tiago.

Ele também criou um canal no Youtube, “Tiago Pirrô Mundo Afora” para mostrar suas aventuras pelos estados brasileiros e países que visita. O nômade morou por três anos na Espanha e se apaixonou pelo novo: lugares desconhecidos, novas culturas, ideias e histórias de vida. “Elas sempre me fascinaram. Conheço cerca de 20 cidades do sul da Espanha e vivi em Málaga todo tempo em que morei lá”, adiciona.

Em seus roteiros pelo Brasil, ele já foi para São Paulo, Rio de Janeiro, em locais como Botafogo, Copacabana, Urca, Ipanema; em Minas Gerais já passou por Extrema, Guapé, Formiga, Ilicínea, Santa Rita, Pouso Alegre e Alfenas. Na Europa, ele conhece a Irlanda e Irlanda do Norte quase inteira. Além de já ter ido para Portugal, mais precisamente a Lisboa, Setúbal e Albufeira.

Além de já ter ido para o Reino Unido, onde conheceu Londres, Glasgow, também a Escócia e Gibraltar. Ele já morou também quatro meses na Itália. Enquanto estava em processo de adquirir a cidadania. Na Alemanha, Tiago foi para Colônia, Amsterdã, Bruxelas e entre outros destinos enriquecedores.

“Na Itália, tive o prazer de conhecer 18 cidades do norte. Morei dois meses em Pádua e os outros dois em Milão. Já fui em muitos lugares, sem dúvida, e o número de cidades que fui já passou de 200”, retoma.

Na Polônia, que acredita ser o destino mais longe em suas viagens, até agora pôde visitar a cidade de Poznán, onde relata que foi uma das melhores experiências que já teve.

“Conheço pessoas de vários países, culturas, idades, religiões e graças a Deus sempre fui admirado e respeitado por todos. Sou grato por jamais ter sofrido o preconceito na pele”, reflete.

Apoio familiar

O processo de anunciar a família a decisão de viver a vida sem um rumo certo não foi fácil. O aventureiro lembra que muitos integrantes ficaram com um pouco de medo, mas apoiaram.

“Hoje todos da família me olham com admiração e um exemplo a ser seguido, o que me enche de orgulho, pois também ajudei pessoas da minha família a correrem atrás dos próprios sonhos”, completa.

Todavia, nem tudo são flores, ele conta que para conseguir se manter, precisou aceitar diversos tipos de trabalhos, mas não vê isso como um grande mal, porque prefere enxergar o lado positivo.

“Não tenho tempo ruim para trabalho. Na Espanha fui garçom, fazia faxinas em casas e estabelecimentos comerciais, recepção de hostel e cuidei de alguns jardins e cuidei de cachorros e gatos”.

Recentemente, ele voltou para o Brasil para visitar sua família que não via há muito tempo. No dia dessa entrevista, Tiago estava em casa, com a família, e faz novos planos para seguir com o projeto de conhecer o mundo. O arquiteto está investindo em trabalhos on-line, pois dará a ele a mobilidade que precisa.

“Vou fazer meu perfil em sites para fazer tradução inglês-português, dar aulas com foco em conversação e vocabulário para iniciantes e intermediários, e agora que estou ficando melhor na edição de vídeos também vou oferecer esse serviço. O mundo é cheio de oportunidades, basta sabermos aproveitá-las. Medo e insegurança sempre existem, e se deu medo é porque estamos no caminho certo”, defende.

Comprar itens no mercado é também uma forma que ele utiliza para economizar, além disso, ele sempre opta em provar comida típica fora das áreas turísticas, porque é mais barato, e para ele é também mais gostosa: “Já trabalhei muito em restaurante em áreas turística e não turísticas. Onde os estrangeiros circulam, por ser sempre cheio e precisarem preparar rápido, a comida é sempre ruim e cara, têm só a aparência bonita. Restaurantes em destinos menos turísticos a comida é barata, sempre fresquinha e feita com muito amor e carinho”, divide o mochileiro experiente.

Além disso, ele aconselha que todos que desejam seguir esse estilo de vida, só basta ter a coragem de se jogar para o novo. Tiago garante que o medo vai surgir, mas salienta que é assim que alguém chega ao lugar que todo esse sentimento vai passar.

“O bicho-de-sete-cabeças só existe na nossa mente. Descobri isso quando fiz minha primeira viagem internacional, que foi meu intercâmbio na Irlanda. Não conhecia ninguém lá e não sabia o significado de ‘How are you?’ [‘Como você está?’, em português]. Perrengue existe em todo lugar, mas ser humano é justamente saber lidar com os perrengues. Eles são as melhores histórias da nossa vida”, argumenta Pirrô. 

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Fonte: IG Turismo

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