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Fórum florestal busca soluções para a sustentabilidade do setor madeireiro na Amazônia

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Iniciativa lançada nessa quarta-feira (16) chega oficialmente à região como um espaço de diálogo e engajamento do setor florestal para promover a governança e a construção coletiva de soluções inclusivas para o desenvolvimento sustentável e o bem-viver

O Fórum Florestal para a Amazônia Legal reúne instituições de pesquisa, ensino, empresas, comunidades e organizações não-governamentais em torno da promoção de ações efetivas associadas à produção florestal e da ampliação da escala dos esforços de conservação e restauração do meio ambiente. Ele resulta de ações no âmbito do Diálogo Florestal, iniciativa que conta com mais de 100 integrantes em cinco Fóruns regionais. 

 “Dar início ao Fórum Florestal da Amazônia, com uma missão, visão de futuro e um plano estratégico definidos é um marco importante na história do Diálogo Florestal no Brasil, que há 15 anos promove espaços seguros para construção coletiva de soluções para os problemas locais com ampla participação social, podendo colaborar em última análise, para o enfrentamento de grandes dilemas da sociedade, como a crise climática”, afirma a secretária executiva do Diálogo, Fernanda Rodrigues.

Mais de 40 instituições, entre academia, segmento empresarial, associações comunitárias e organizações não-governamentais, participaram do processo de planejamento e criação do fórum. De acordo com Fernanda Rodrigues, mais do que um espaço para se marcar posições, o Diálogo Florestal se baseia na análise crítica e responsável sobre os problemas abordados para a construção de soluções efetivas e concretas que superem os desafios apresentados para a sustentabilidade da atividade madeireira na Amazônia.

Gestão multissetorial

Sete princípios norteiam o Fórum Florestal para a região: integração, transparência, confiança, respeito à diversidade, não exclusão, proatividade e compromisso. Entretanto, a participação das instituições de pesquisa, empresas e comunidades é um compromisso mútuo em prol do bem comum. O pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Milton Kanashiro, líder do Portfólio Florestal da instituição complementa: “uma utopia possível para o uso, manejo, conservação e restauração das florestas, desenvolvimento local e regional para o bem viver da sociedade”.

Para o analista do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Alison Castilho, que é secretário executivo do Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF), esse modelo de gestão multisssetorial permite estabelecer um espaço relevante para o diálogo na Amazônia.  “O setor florestal da Amazônia é complexo e composto por múltiplos atores. Nesse sentido, espaços como o Fórum Florestal da Amazônia fortalecem a estratégia de articulação em rede, com o principal objetivo de instituir relações mais justas e equitativas em prol do desenvolvimento sustentável da região, respeitando o protagonismo e as especificidades de todos os envolvidos”, acredita Alison Castilho.

A gerente de responsabilidade socioambiental da empresa Agropalma, Helene Menu,  ressalta a importância de contribuir com a formação do Fórum da Amazônia dentro do Diálogo Florestal, iniciativa que para ela já traz soluções efetivas e inclusivas para o setor florestal em outros biomas. “O Fórum da Amazônia, formado por parceiros que conhecem profundamente a região com suas dificuldades, mas também seu alto potencial, vem com certeza para consolidar e apoiar a geração de ações construtivas e integradoras para uma agenda positiva”, afirma.

Como participar

A participação no Fórum Floresta da Amazônia é aberta a organizações da sociedade civil, incluindo associações e cooperativas, empresas, instituições de ensino e pesquisa e outras que tenham interesse em contribuir. Para saber como participar, pode ser realizada inscrição prévia por meio do formulário online https://forms.gle/ahU2y8Tn2W5KDkUK6.

Com a criação do Fórum, se formará uma secretaria executiva e o grupo passa a atuar de forma independente, alinhado aos princípios de funcionamento e em cooperação com o Diálogo Florestal nacional. Com o apoio do Diálogo Florestal nacional será realizada, em breve, a primeira reunião que entre outros temas debaterá os desafios para financiamento das atividades do novo Fórum.

Fazem parte do Conselho de Coordenação do Diálogo Florestal no Brasil as organizações da sociedade civil: Amda, Apremavi, Conservação Internacional, Instituto BVRIO e WWF. Por parte das empresas:  CMPC Celulose Riograndense, Cenibra, Klabin, Veracel e Suzano. O financiamento das ações no Brasil é realizado pelas empresas que compõem o Conselho de Coordenação e mais a Stora Enso do Brasil.

O processo de elaboração do planejamento estratégico foi viabilizado com o suporte da consultoria Matres Socioambiental e aporte financeiro da Agropalma via Conservação Internacional, Suzano S.A., Confloresta e do Diálogo Florestal.

Participantes do processo de planejamento estratégico do Fórum Florestal da Amazônia: Aliança pela restauração na Amazônia, Agropalma, AMDA (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal), Amigos da Terra Amazônia Brasileira, Associação Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais – CONFLORESTA, Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia-AGIR, Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, Associação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Rio Arimum – Porto de Moz, Associação Rondoniense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas – ARFLORA, Cikel – Grupo Keilla, Conservação Internacional Brasil – CI Brasil, Cooperativa Mista Agroextrativista Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Arimum, Cooperativa Mista da Flona do Tapajós – COOMFLONA, Cooperativa Ouro Verde, Diálogo Florestal, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Estuário Serviços Consultorias Socioambientais, Grupo RGL, Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon, Instituto Beraca, Instituto BVRio (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal), Instituto Federal do Amazonas, Instituto RioTerra, Klabin (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal), Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF), RADIX Investimentos Florestais, Rede Mulher Florestal, Sapopema, Suzano S.A., Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, Universidade Federal do Acre – UFAC, Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Universidade Rural da Amazônia – UFRA, Vale S.A., Veracel Celulose (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal) e WWF Brasil.

Fonte: Embrapa

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Embrapa apresenta a rede empresarial brasileira de ACV em reunião do Cosag – Fiesp

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O Chefe-Geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, participou na manhã de hoje, 30 de julho, da reunião conjunta do Conselho Superior do Agronegócio – COSAG e do Conselho Superior de Comércio Exterior – COSCEX, em formato digital, promovida pela Federação das Indústrias de Estado de São Paulo – Fiesp.

A reunião teve como pauta a agenda do Brasil para a COP26, apresentada pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite e contou com a participação de conselheiros da Fiesp, representantes de diversos setores do empresariado nacional e de diversas esferas de governos.

Na oportunidade, o ministro destacou a importância de se estabelecer no país uma plataforma de obtenção de métricas de carbono robusta, baseadas na melhor ciência disponível e adequada para as condições tropicais do Brasil, citando o RenovaBio e sua contabilidade de créditos de descarbonização como um exemplo de ação do país neste sentido.

A mensagem foi reforçada pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas – FGV-EESP, que anunciou a criação do Observatório da Bioeconomia, que pretende reunir as expertises nacionais para o desenvolvimento de uma economia verde.

Em sua apresentação, Morandi conectou estes pontos, mostrando a importância crescente que a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) tem tido para as métricas ambientais em todos os setores da economia. Destacou que na agricultura a ACV tem ganhado relevância, especialmente para o Brasil, que tem no agronegócio um de seus pilares econômicos.

Morandi também apresentou a iniciativa da Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV), destacando a importância da adesão das empresas, instituições de pesquisa e das instâncias governamentais na construção e aplicação do pensamento de ciclo de vida, que segundo ele, pode trazer ganhos imensos ao país, “ao permitir adequar as métricas com padrões adequados ao ambiente tropical e, com isso, minimizar riscos de barreiras não-tarifárias, permitir o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais e promover a agropecuária sustentável e de baixa emissão de carbono”.

Para a Secretária Executiva da Rede ACV, Sonia Chapman, a apresentação de hoje para o Cosag representa uma oportunidade ímpar de dar visibilidade às propostas em andamento, “firmando a Rede ACV como ambiente relevante para alcançar o necessário consenso global nestes temas e, principalmente, compreender as oportunidades de contribuição às pautas estratégicas do Cosag, órgão de extrema relevância e representatividade do agro no Brasil,” disse.

A atuação da Embrapa nas métricas de carbono na agricultura

A Embrapa tem uma atuação de destaque no cenário nacional no desenvolvimento de processos e produtos de baixa emissão de carbono em diversas cadeias, como a da carne, leite, soja, cana-de-açúcar, café e outras. Além dos sistemas de produção, a Embrapa tem se dedicado ao aprimoramento das metodologias e inventários de produtos, de forma a tropicalizar e contabilizar de forma adequada as particularidades da nossa agricultura.

Neste sentido, recentemente a Diretoria Executiva de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa propôs a criação de um Grupo de Trabalho (GT) de especialistas para harmonizar os conceitos e abordagens, além de promover a capacitação das diferentes Unidades da Embrapa na temática “Contabilidade de Carbono”, com o intuito de atender às oportunidades e demandas crescentes que a economia de baixo carbono traz.

Segundo Morandi, que coordena a formação do grupo, é necessário o alinhamento dos conceitos e a construção de uma base científica vigorosa “para alcançarmos os diferentes objetivos de redução, ou até neutralização, de carbono na agricultura brasileira”.
A reunião de kick-off do GT Carbono aconteceu ontem.

Como destaca Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, especialista em avaliação de Ciclo de Vida e conselheira da Rede ACV, a correta contabilidade e comunicação de impactos ambientais potenciais, em especial o referente às Mudanças Climáticas, são uma forte demanda do governo, como deixou claro em sua fala o atual Ministro do Meio Ambiente, assim como do setor produtivo, fortemente representado na reunião da Cosag. “A Pegada de Carbono de produtos, informação contabilizada pela técnica da ACV, é demandada em relações comerciais internacionais e pode garantir o acesso dos produtos agrícolas brasileiros a mercados mais exigentes. Outros impactos medidos pela ACV, como a Pegada Hídrica e a Pegada Ambiental de produtos, são também assuntos prementes,” ressaltou a pesquisadora.

O que é a rede empresarial ACV

A Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV) foi lançada em 2013 com a Missão de mobilizar as empresas, articular governos e educar o consumidor, visando incorporar a ACV como uma ferramenta para determinar a sustentabilidade dos produtos. Para isso, ela visa criar um ambiente de cooperação para o uso de ACV no Brasil; educar e capacitar a sociedade sobre este conceito, sua aplicação e benefícios; disponibilizar e disseminar para diversos públicos informações sobre ACV no Brasil e colaborar e apoiar o governo brasileiro na consolidação do Banco Nacional de Inventários do Ciclo de Vida.

O Cosag

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) é um órgão técnico estratégico da Fiesp, coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen (IRS), que tem por objetivo debater, realizar estudos e propor políticas na área do agronegócio, promovendo permanente interação das entidades ligadas ao tema. Propõe estudos e atividades, atuando como painel de ideias para apreciação da conjuntura atual. O Conselho se reune ordinariamente, uma vez por mês, com participação dos conselheiros eleitos e de lideranças e representantes de instituições públicas e privadas que atuam na área do agronegócio. Juntamente com o Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), são importantes fóruns de discussões com possibilidades de cooperação e parceria, especialmente com o setor produtivo. Atuam de maneira conjunta e em articulação, dando suporte às demandas dos setores do agronegócio, a partir da elaboração de propostas para temas estruturais que beneficiam as cadeias produtivas, impactando a competitividade do agronegócio no mercado nacional e internacional.

A Embrapa tem tido oportunidade de contribuir com a identificação destes desafios e oportunidades, fornecendo subsídios técnicos para elaboração de propostas e políticas públicas. A participação da Embrapa nos encontros do Cosag é relevante para prospectar demandas do setor produtivo, além de contribuir com debates e propostas de políticas públicas. Possibilita, ainda a interação com lideranças e fortalece a capacidade de contribuir com a formulação de políticas públicas alinhadas ao setor agro.

Fonte: Embrapa

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