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Fome: ONU alerta para níveis recordes de insegurança alimentar

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Em 2021, a ONU declarou estado de Carestia no Sudão do Sul
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Em 2021, a ONU declarou estado de Carestia no Sudão do Sul

Nesta quarta-feira (18), o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, fez um alerta para um “novo recorde” nos níveis globais de fome e para o alto número de pessoas em insegurança alimentar severa, que duplicou de 135 milhões, no período pré-pandemia, para 276 milhões nos dias de hoje.

A guerra na Ucrânia agravou o que já estava sendo considerada uma difícil situação, já que o conflito impossibilitou o escoamento adequado da grande produção de grãos no país do Leste Europeu e interrompeu cadeias de distribuição.

Guterres disse que está em “intenso contato” com Rússia, Ucrânia, Turquia, Estados Unidos e União Europeia, em um esforço para restaurar as exportações de grãos ucranianos à medida que a crise alimentar global aumenta.

“Estou esperançoso, mas ainda há um caminho a percorrer”, afirmou Guterres, que visitou Moscou e Kiev no final de abril. “As complexas implicações de segurança, econômicas e financeiras exigem boa vontade de todos os lados”.

Ainda na quarta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) já havia emitido um alerta para o número crescente de crianças sob risco de morrer de desnutrição severa.

Em reunião sobre segurança alimentar organizada pelos EUA, em Nova York, Guterres apelou à Rússia para permitir “a exportação segura de grãos armazenados nos portos ucranianos” e para que alimentos e fertilizantes russos, bem como os de Belarus, “tenham acesso total e irrestrito aos mercados mundiais”.

O conflito russo-ucraniano gerou um aumento disparado nos preços globais de grãos, óleos de cozinha, combustível e fertilizantes. Segundo Guterres, isso piorará a crise alimentar, energética e econômica nos países pobres.

“Ameaça levar dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar, seguida de desnutrição e fome em massa e escassez de alimentos, em uma crise que pode durar anos”, disse.

De acordo com o secretário-geral, essa espiral de problemas terá um impacto devastador sobre as sociedades, como em crianças que podem sofrer os efeitos da malnutrição ao longo da vida, em “meninas que serão retiradas das escolas e forçadas a trabalhar ou a casar” e em “famílias que terão de embarcar em perigosas viagens continentais, apenas para sobreviver”.

Pedido a Putin

Antes da invasão, a Ucrânia costumava exportar a maioria de seus produtos por meio de portos marítimos. Desde o início do conflito, o país foi forçado a escoar sua safra por trem ou por meio de pequenos portos no rio Danúbio.

“Se você tem algum coração, por favor, abra esses portos” , apelou o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, David Beasley, ao presidente russo, Vladimir Putin.

O Programa liderado por Beasley envia mantimentos a 125 milhões de pessoas e compra 50% de seus grãos da Ucrânia.

“Não se trata apenas da Ucrânia. Trata-se dos mais pobres dos pobres que estão à beira da fome enquanto falamos”, Beasley.

Unidas, Rússia e Ucrânia são responsáveis por quase um terço da oferta global de trigo. A Ucrânia também é um grande exportador de milho, cevada, óleo de girassol e óleo de canola, enquanto a Rússia e Belarus — que apoia Moscou em sua guerra na Ucrânia — respondem por mais de 40% das exportações globais de potássio, um nutriente necessário na atividade agrícola.

Anfitrião do evento, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a Rússia deve trabalhar na criação de corredores para que alimentos e outros suprimentos vitais sejam exportados da Ucrânia com segurança por terra ou mar.

“Há uma estimativa de 22 milhões de toneladas de grãos em silos na Ucrânia neste momento. Alimentos que podem ser imediatamente destinados a ajudar os necessitados se puderem simplesmente sair do país”, destacou Blinken.

De acordo com a ONU, 36 países contam com a Rússia e a Ucrânia para mais da metade de suas importações de trigo, incluindo alguns dos mais pobres e vulneráveis ​​do mundo, como Líbano, Síria, Iêmen, Somália e República Democrática do Congo.

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Fonte: IG Mundo

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Delegado da Polícia Federal pede apreensão do celular de Aras e Guedes

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Procurador-geral da República, Augusto Aras
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Procurador-geral da República, Augusto Aras

Responsável por inquéritos sensíveis ao governo de Jair Bolsonaro, o delegado de  Polícia Federal Bruno Calandrini solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) duas medidas que geraram mal-estar em integrantes da corporação. 

A primeira foi um pedido de busca e apreensão do telefone celular do procurador-geral da República Augusto Aras e do ministro da Economia Paulo Guedes, já negado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que não viu elementos para justicar tais ações. 

A segunda foram diligências contra a própria cúpula da PF, que está sob análise da ministra Carmen Lúcia.

O pedido de diligências contra a cúpula da PF foi revelado no sábado pelo portal “Metrópoles” e seria motivado por suspeitas de interferência de diretores da PF na investigação sobre o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Os alvos dessas diligências e o teor estão mantidos sob sigilo.

O caso deflagrou uma crise interna na atual gestão do diretor-geral Marcio Nunes de Oliveira. A avaliação entre integrantes do órgão é que foi uma tentativa do delegado Bruno Calandrini para se blindar da sindicância aberta após ele acusar que houve interferência na investigação do ex-ministro Milton Ribeiro.

Calandrini foi notificado para prestar depoimento sobre o caso, mas até agora não compareceu. Segundo interlocutores, há um receio do delegado que a sindicância seja usada para puni-lo pela atuação no caso.

O delegado Calandrini chegou a escrever, em mensagem a seus colegas, que houve interferência para impedir a transferência do ex-ministro para Brasília após sua prisão. Mas a direção da PF argumentou que não houve tempo nem disponibilidade de aeronave para realizar o deslocamento.

No pedido de busca e apreensão contra Aras e Guedes, Calandrini também havia pedido medidas contra o advogado do ministro, Ticiano Figueiredo.

O requerimento tinha como base a divulgação de um diálogo entre Aras e Ticiano no qual o advogado pedia que o procurador-geral intercedesse para suspender um depoimento de Guedes à PF em uma investigação sobre desvios no fundo de pensão dos Correios, o Postalis. Guedes havia sido citado em um depoimento. Barroso, entretanto, considerou que não havia elementos para autorizar a medida e arquivou o pedido.

Os pedidos provocaram descontentamento na PF. Os delegados que integram a atual gestão avaliam que havia poucos elementos para justificar as medidas. Calandrini não consultou seus superiores ao apresentar os pedidos e os protocolou diretamente no STF.

Procurada, a PF não comentou. A assessoria de Aras afirmou que não iria se manifestar porque o caso já havia sido arquivado.

O advogado Ticiano Figueiredo, que defende o ministro Paulo Guedes, afirmou em nota: “Se isso for verdade mesmo, esse é um ato que se revela autoritário, odioso e destoa do trabalho relevante dos delegados da Polícia Federal. Causa perplexidade, já que exercer, de forma plena, o direito de defesa dos clientes, é um dos pilares do Estado Democrático de Direito e não pode, jamais, ser criminalizado por quem quer que seja”.

Também procurado, Calandrini não respondeu aos contatos da reportagem.

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Fonte: IG Nacional

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