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Fitopatologia desencadeou controle biológico, método que mais cresce no Brasil

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Na edição do 42o Congresso Paulista de Fitopatologia na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), de 14 a 15 de setembro de 2022, será explorarado unicamente o tema controle biológico de doenças de plantas. A Fitopatologia, apesar de estar em grande evidência no mundo, surgiu em 1853, num período que foram descritos muitos agentes microbianos causadores de doenças de plantas, dentre eles o causador da requeima da batata, doença responsável pela epidemia de fome na Irlanda, que matou quase 2 milhões de pessoas e levou a emigração mais um milhão de irlandeses.  

Esse patógeno foi descrito pelo médico alemão Heinrich Anton de Bary, que também detalhou o seu ciclo e deu o nome Phytophthora infestans, cujo binômio é considerado até hoje. De acordo com Edson Luiz Furtado, professor de Fitopatologia da Unesp de Botucatu, por esse feito e pelo conjunto de sua obra é considerado o “Pai da Fitopatologia”. 

Furtado explica que essa descoberta foi antes da quebra da teoria da geração espontânea, feito grandioso levado a cabo por Pasteur, em suas pesquisas na França em 1860. Teoria essa que constituía um forte empecilho ao desenvolvimento da medicina e também da fitopatologia. Outro evento grandioso desta época foi a descoberta das bactérias causando doenças em plantas.

No Brasil, em 1869, o alemão Draenert descobriu uma doença em cana-de-açúcar, na Bahia, causada por bactéria. Por ultimo, foram descobertos os vírus, considerados como contagium vivum fluidum ou fluído vivo contagioso, por Beijerinck, em 1898, na Holanda, e ganharam forma e puderam ser desvendados em sua morfologia e constituição somente após o advento do microscópio eletrônico de transmissão, em 1936, na Alemanha. 

Ainda de acordo com Furtado, o controle químico das doenças de plantas foi descoberto na França, por Millardet, em 1882, com a calda bordalesa. Desta forma, os primeiros fitopatologistas formaram escolas em diferentes lugares e seus discípulos e os discípulos destes que formaram outros, propagaram este conhecimento aos quatro cantos da Terra.

“Mais recentemente, o controle biológico de doenças de plantas passou a ser desenvolvido e, atualmente, é o método de controle que mais cresce no Brasil, destaca Wagner Bettiol pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, do 42o Congresso Paulista de Fitopatologia.

No Brasil, estes conhecimentos chegaram com a vinda de pesquisadores americanos e europeus, como Averna-Sacca, Edwin Honey e Albert Miller para lecionarem nas escolas de Agronomia, em 1929, e ou trabalharem nos Institutos de Pesquisa. Em 1966 foi criada a Sociedade Brasileira de Fitopatologia e em seguida o Grupo Paulista de Fitopatologia (presidido atualmente por Furtado), com seus congressos e os periódicos (Fitopatologia Brasileira, atual Tropical Plant Pathology, e Summa Phytopathologica, editadas até hoje).

Desta forma, as técnicas de diagnose, aliadas às descrições e estudos do agente etiológico, formas de manejo e sua aplicação são os passos principais para a redução dos danos provocados pelas doenças em diferentes setores agrícolas e florestais. Os danos causados são da ordem de 30%, em média, nas diferentes culturas, afirma Edson Furtado. Ou seja, quase um terço da produção mundial de alimentos seria perdida sem chegar à mesa dos consumidores, se não fosse essa ciência. Desta época até os dias de hoje não dá para enumerar as descobertas, nas diferentes áreas desta ciência: etiologia, epidemiologia, controle e manejo em diferentes patossistemas.

Diante da expansão da fronteira agrícola brasileira, comércio de forma globalizada, extensão de nossas divisas, diversidade agrícola, monocultivo e as mudanças climáticas, novos microrganismos patogênicos às lavouras estão adentrando no país, explica Furtado. 

Além disso, com as modificações do clima e o uso larga escala do controle químico, assistimos eventos de patógenos secundários se tornarem importantes e danosos, comenta Bettiol.

No 42o Congresso Paulista de Fitopatologia você terá oportunidade de participar de uma ampla discussão sobre controle biológico de doenças de plantas.

As inscrições podem ser feitas no site.

Fonte: Embrapa

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Manejo adequado pode evitar a mela do sorgo

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Nesta safra, muitos produtores de sorgo enfrentaram problemas com a doença conhecida como ergot, mela ou doença açucarada. Essa doença, que ocorre muito em condições mais frias, tem medidas de controle estabelecidas, conforme recomendam pesquisadores .

“Vários relatos da ocorrência da mela têm sido feitos por agricultores que estão iniciando o cultivo de sorgo em áreas onde pouco se conhece a cultura. Em muitas delas, o sorgo tem entrado como opção ao milho safrinha, por causa das altas perdas por enfezamentos”, diz a pesquisadora Dagma Dionísia da Silva, da Embrapa Milho e Sorgo.

Apesar de seu potencial de perdas, essa doença pode ser evitada pelos agricultores com o uso de práticas adequadas de manejo antes da semeadura e durante a fase de florescimento do sorgo. “Usar cultivares adaptadas à região e semear na época mais adequada são práticas que ajudam a evitar a doença açucarada do sorgo. Isso porque a severidade da doença é favorecida por temperaturas mínimas de ± 13 °C a 19 °C e umidade relativa de 76% a 84% e por condições desfavoráveis ao fornecimento de pólen”, explica a pesquisadora.

“É recomendado fazer a remoção das plantas remanescentes de sorgo e das plantas hospedeiras secundárias do patógeno (Tabela 1). Além disso, deve-se adequar a proporção de linhagens macho-estéreis e restauradoras em campos de produção de sementes para garantir uma boa disponibilidade de pólen, uma vez que a infecção não ocorre em flores fertilizadas. E para uma rápida fertilização o agricultor deve programar o plantio para que haja boa coincidência de florescimento entre as linhagens macho e fêmea”.

Outro detalhe a ser observado é se há nas sementes formação de estruturas de sobrevivência dos fungos, chamadas de escleródios. “Nesse caso, pode-se colocar as sementes de molho em solução de cloreto de sódio a 5%, para que os resíduos flutuem e sejam eliminados do lote”, ensina Silva.

Para a aplicação de fungicidas precisam ser escolhidos os produtos registrados no Agrofit/Mapa. “As aplicações devem se iniciar já na emissão da folha bandeira e continuar de cinco em cinco dias até a finalização do florescimento. Atualmente, vinte produtos comerciais estão disponíveis no Mapa para controle da mela (Tabela 2). Vale ressaltar que sempre é importante realizar a rotação entre os princípios ativos/grupos químicos para evitar pressão de seleção sobre o fungo e perda desses princípios ativos”, pontua.

A pesquisadora esclarece também que “não há riscos, apesar de haver uma grande preocupação dos produtores sobre a possibilidade de toxicidade da mela do sorgo para consumo de grãos ou silagem, por parte de humanos e de animais, diferentemente do que ocorre com outras espécies desse gênero de fungos”.

Como reconhecer a mela

O sorgo é uma cultura que se adapta a diferentes condições edafoclimáticas do Brasil, mas pode ser afetada por diversas doenças.  No Brasil, a mela foi constatada pela primeira vez em 1995, em toda a região Centro-Sul do País, com ocorrência generalizada em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Santa Catarina.

“A doença, também chamada de ergot ou doença açucarada, é causada pelo fungo Sphacelia sorghi. Ela é reconhecida na planta pela presença de gotas açucaradas de coloração rosa a castanha, espessas, que saem das inflorescências. Essas gotas açucaradas contêm os conídios do fungo, que são dispersos por meio de insetos, atraídos pelos açúcares. Também são formas de dispersão o vento e respingos de água. Em fases mais avançadas, pode haver formação de escleródios esbranquiçados (estruturas de sobrevivência de fungos) que são contaminantes de lotes de sementes”, explica a pesquisadora Dagma Silva.

“A mela causa perdas quantitativas e qualitativas no sorgo, principalmente na produção de sementes de híbridos, quando se usam linhagens macho-estéreis, que são altamente suscetíveis ao fungo S. sorghi. O fungo coloniza o ovário não fertilizado e por esse motivo, nas flores infectadas, não ocorre a produção dos grãos. Dessa forma, ocorrem grandes perdas.”, salienta.

“Já as perdas qualitativas acontecem porque as gotas açucaradas atraem fungos oportunistas.  Esses fungos colonizam as gotas, dando aspecto escurecido similar a um carvão.  Além disso, a gota açucarada cai sobre as folhas e sobre os grãos que porventura foram produzidos, dificultando a colheita, já que eles ficam grudados uns aos outros”, complementa Silva.

Fonte: Embrapa

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