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Fim do auxílio emergencial afeta mercado de lácteos

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A média nacional de preços do litro de leite pago ao produtor, que em outubro de 2020 atingiu R$2,16 chega em fevereiro a R$2,03, segundo dados do Cepea. “Essa redução está vinculada a maior produção no período de safra e a uma diminuição geral na demanda por produtos lácteos pela população”, diz o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, João César Resende. Ele lembra ainda que o auxílio emergencial, pago aos mais carentes devido à pandemia, foi essencial para manter à demanda aquecida em 2020 e os preços mais elevados para os produtores. Após dezembro, com os sinais de redução desta renda por parte do Governo estão forçando para baixo as compras de derivados do leite pela população e dificultando as vendas no varejo.

Denis Rocha, analista da Embrapa Gado de Leite, vê desafios para que o bom momento pelo qual o setor atravessou no ano passado se repita em 2021. “Ainda que o auxílio emergencial seja retomado pelo governo, o valor deverá ser menor e menos pessoas irão recebê-lo”. Segundo o analista, um novo aquecimento de demanda dependerá da retomada econômica. Além da redução de demanda, o que tem preocupado o setor são os custos de produção, que estão em alta. Glauco Carvalho, também pesquisador da instituição, informa que, em relação a 2019, a alta média no custo de produção atingiu 10,7%. Nos últimos dois anos, esse índice chega a 24,6%.

O que tem puxado os custos é, principalmente, a alimentação à base de concentrados para o rebanho. Durante a reunião mensal de conjuntura do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, realizada na segunda semana de fevereiro, pesquisadores e analistas apontaram que o custo do saco de 60 quilos da mistura milho/soja (70% de milho e 30% de farelo de soja) mais que dobrou em dois anos: em janeiro de 2019, era vendido a R$50,37, chegando a R$ 115,79 no mesmo mês, em 2021. “O custo do concentrado acompanha as cotações do milho e da soja nos mercados nacional e internacional. Como os dois estão em elevação e sem sinais de que vão retroceder neste ano, os custos para se produzir o leite nas fazendas vão continuar elevados e penalizando a rentabilidade dos produtores até o final do ano”, diz Resende.

No atacado de São Paulo, os preços dos principais produtos lácteos recuaram. O leite UHT, vendido a R$ 3,67 em agosto, foi negociado no dia cinco de fevereiro a R$2,90. A muçarela, o derivado que mais se valorizou durante a pandemia, chegando a ser vendida a R$ 29,69, no início deste mês estava a R$ 22,38. O leite em pó fracionado, que chegou a ser vendido a R$ 25,27 no início de outubro, fechou em R$21,73 no dia cinco de fevereiro. No mercado spot (leite comercializado entre as indústrias), que apresentou grande valorização no ano passado, com a maior cotação a R$2,75/litro, era vendido no início de fevereiro a R$1,95/litro, segundo dados do Cepea/OCB.

A notícia positiva para o setor vem do clima. A crise hídrica, que atrasou o início da safra em outubro, não deve ser uma preocupação para os próximos meses. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Ricardo Guimarães de Andrade, a previsão para o trimestre FMA (projeções CPTEC-INPE/INMET), numa escala macro, é de precipitação acumulada próxima da média em boa parte das bacias leiteiras nos territórios de Minas e Goiás. No entanto, volumes acumulados entre a média e um pouco acima da média são esperados para a maior parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. “Embora algumas localidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul apresentem chuvas abaixo da média, o armazenamento de água no solo deve ficar acima dos 70%, o suficiente para manter a produtividade média das pastagens, sem comprometer a produção oriunda das principais regiões produtoras de leite, neste e no próximo mês”, diz Andrade.

Balança comercial

Outra notícia para os produtores que se preocupam com a concorrência externa é a queda no volume de importações de leite (caíram cerca de 18%, em janeiro, na comparação com dezembro de 2020).  Entretanto, os volumes importados continuam em patamares elevados, sendo 82% superior a janeiro de 2020. Na reunião da Câmara Setorial do Leite, ocorrida no dia cinco de fevereiro, a Abraleite e outras lideranças do setor, reivindicaram junto à ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “a suspensão imediata das importações de lácteos da Argentina e do Uruguai, até que os setores produtivos do Brasil e dos países vizinhos estabeleçam tratativas de convivência mútua.” A Abraleite sugere tributar os lácteos importados, da mesma forma que o açúcar brasileiro é tributado para ser vendido nos países do Mercosul. Em 2020, o Brasil importou 1,35 bilhão de litros equivalentes de leite e exportou 101 milhões de litros equivalentes.

Fonte: Embrapa

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Embrapa Cocais, secretarias de estado e Conecta Brasil assinam acordo de cooperação técnica para inovação social

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Nesta segunda, 1 de março, às 10h, será realizada cerimônia de assinatura de termo de cooperação técnica entre Embrapa Cocais, Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular e a startup Conecta Brasil 360. O acordo tem o objetivo de desenvolver metodologia de implantação, monitoramento e avaliação de estratégia de inovação social no estado do Maranhão. O evento será transmito online pelo you tube da Embrapa e da Secti Maranhão. 
 
A iniciativa se espelhou no negócio Delícias do Babassu, gerido por quebradeiras de coco babaçu quilombolas da Comunidade de Pedrinhas Clube de Mães de Anajatuba – MA. A Embrapa Cocais buscou a Conecta Brasil 360 para construir curso virtual para as quebradeiras de coco da comunidade e proporcionar visibilidade, conexão e estruturação de negócios para os produtos oriundos do coco babaçu. O curso está vinculado ao Projeto Bem Diverso, na atividade “Novos Processos Alimentícios com Babaçu. 
 
Segundo a pesquisadora Guilhermina Cayres, o curso está sendo realizado desde junho, totalmente online por conta da pandemia, para manter os contatos neste momento de distanciamento social e promover processo de capacitação em gestão de empreendimento coletivo, identificando e agregando valor aos seus produtos e desenvolvimento pessoal e profissional para autonomia e empoderamento às quebradeiras de coco. “O curso tem propiciado também criar espaços significativos de aprendizagem e troca de experiências e apoiar no planejamento das atividades do grupo, contribuindo para o protagonismo das quebradeiras de coco nesse processo de maturidade do grupo, o que vai repercutir no produto final do trabalho delas e na cadeia de valor do coco babaçu”, completa Guilhermina.
Fonte: Embrapa

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