EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Fiesp lança hoje carta em resposta a Bolsonaro e se soma à USP com mais de 755 mil assinaturas

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Empresários de peso como Blairo Maggi são signatários da carta da FIESP

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) publica nesta sexta-feira (05.08) uma carta em defesa da democracia que reitera um compromisso com “a soberania do povo brasileiro expressa pelo voto”, a independência dos Poderes e a importância do Supremo Tribunal Federal (STF) como guardião das leis e da ordem democrática.

A carta que já tem adesão de centenas de entidades, políticos e empresários, unindo todas as vertentes políticas, da direita à esquerda, se soma à Carta da USP que tem mais de 755 mil assinaturas e representa uma dura resposta da sociedade civil organizada ao presidente Jair Bolsonaro.

Entre os signatários estão os principais políticos, magistrados, artistas e representantes dos maiores grupos econômicos do país de todos os setores da economia como o ex-ministro e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (representante do Grupo Amaggi e do agronegócio mato-grossense) , a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); 

Banco Alfa, 
Bayer, 
Bradesco, 
BRF, 
BTG Pactual, 
Carrefour, 
Cascione Pulino Boulos Advogados, 
CPFL Renováveis, 
Danone, 
Duratex, 
Eldorado Brasil Celulose S/A, 
Fazenda do Futuro, 
Gerdau, 
Grupo Boticário, 
Grupo Mulheres do Brasil, 
Itaú Unibanco, 
JBS, Kfuri Advogados, 
Klabin, 
Kaeté Investimentos, 
Machado Meyer Advogados, 
Marfrig Global Foods, 
Mauá Capital, 
Natura, 
Nestlé, 
Santander, 
Suzano, 
Transparência Internacional – Brasil, 
UBS, 
Unilever, 
Vale, 
Veracel e outras mais de 300 entidades.

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Sem citar o nome do presidente da república e frisando ser um movimento apartidário, a carta é uma resposta direta e dura às falas de Bolsonaro, que tem reiteradamente feito ataques à democracia, insinuando golpes e levantando suspeitas infundadas contra as urnas eletrônicas.

“Estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”, diz o documento da Fiesp será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ministérios, a integrantes do Congresso, embaixadas, bancos e instituições de desenvolvimento.

“São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional”, acrescenta em resposta à polêmica reunião do dia 18 de julho, quando o presidente reuniu embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada para atacar a credibilidade das urnas eletrônicas e desacreditar o sistema eleitoral. As ameaças golpistas e ataques a ministros do STF mobilizou a sociedade brasileira e deu origem à Carta da USP que pretendia ter 100 mil assinaturas e já passa de 755 mil.

“As entidades da sociedade civil e os cidadãos que subscrevem este ato destacam o papel do Judiciário brasileiro, em especial do Supremo Tribunal Federal, guardião último da Constituição, e do Tribunal Superior Eleitoral, que tem conduzido com plena segurança, eficiência e integridade nossas eleições respeitadas internacionalmente, e de todos os magistrados, reconhecendo o seu inestimável papel, ao longo de nossa história, como poder pacificador de desacordos e instância de proteção dos direitos fundamentais”, afirma o documento.

E conclui: “Ressaltamos que o processo eleitoral é inquestionável e imprescindível para toda e qualquer discussão que vise à prosperidade do país”, diz a carta. “Sem democracia não há desenvolvimento e sustentabilidade. Sem sustentabilidade não há futuro possível”.

Aqui, na íntegra, a carta da Fiesp:

Em defesa da democracia e da justiça

No ano do bicentenário da Independência, reiteramos nosso compromisso inarredável com a soberania do povo brasileiro expressa pelo voto e exercida em conformidade com a Constituição.

Quando do transcurso do centenário, os modernistas lançaram, com a Semana de 22, um movimento cultural que, apontando caminhos para uma arte com características brasileiras, ajudou a moldar uma identidade genuinamente nacional.

Hoje, mais uma vez, somos instigados a identificar caminhos que consolidem nossa jornada em direção à vontade de nossa gente, que é a independência suprema que uma nação pode alcançar. A estabilidade democrática, o respeito ao Estado de Direito e o desenvolvimento são condições indispensáveis para o Brasil superar os seus principais desafios. Esse é o sentido maior do 7 de Setembro neste ano.

Nossa democracia tem dado provas seguidas de robustez. Em menos de quatro décadas, enfrentou crises profundas, tanto econômicas, com períodos de recessão e hiperinflação, quanto políticas, superando essas mazelas pela força de nossas instituições.

Elas foram sólidas o suficiente para garantir a execução de governos de diferentes espectros políticos. Sem se abalarem com as litanias dos que ultrapassam os limites razoáveis das críticas construtivas, são as nossas instituições que continuam garantindo o avanço civilizatório da sociedade brasileira.

É importante que os Poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – promovam, de forma independente e harmônica, as mudanças essenciais para o desenvolvimento do Brasil.

As entidades da sociedade civil e os cidadãos que subscrevem este ato destacam o papel do Judiciário brasileiro, em especial do Supremo Tribunal Federal, guardião último da Constituição, e do Tribunal Superior Eleitoral, que tem conduzido com plena segurança, eficiência e integridade nossas eleições respeitadas internacionalmente, e de todos os magistrados, reconhecendo o seu inestimável papel, ao longo de nossa

história, como poder pacificador de desacordos e instância de proteção dos direitos fundamentais.

A todos que exercem a nobre função jurisdicional no país, prestamos nossas homenagens neste momento em que o destino nos cobra equilíbrio, tolerância, civilidade e visão de futuro.

Queremos um país próspero, justo e solidário, guiado pelos princípios republicanos expressos na Constituição, à qual todos nos curvamos, confiantes na vontade superior da democracia. Ela se fortalece com união, reformando o que exige reparos, não destruindo; somando as esperanças por um Brasil altivo e pacífico, não subtraindo-as com slogans e divisionismos que ameaçam a paz e o desenvolvimento almejados.

Todos os que subscrevem este ato reiteram seu compromisso inabalável com as instituições e as regras basilares do Estado Democrático de Direito, constitutivas da própria soberania do povo brasileiro que, na data simbólica da fundação dos cursos jurídicos no Brasil, em 11 de agosto, estamos a celebrar”.

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