AGRO & NEGÓCIO

Famato Embrapa Show integra ciência e prática

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Ciência e prática em um mesmo ambiente, pesquisadores e produtores rurais trocando experiências durante três dias. Assim foi o Famato Embrapa Show, evento que reuniu cerca 1.500 pessoas em Cuiabá (MT) entre 22 e 24 de junho.

“Estou muito feliz com o resultado do evento, que foi postergado por causa da pandemia, e agora está muito melhor do que idealizamos. É também uma retribuição à Embrapa e a tudo que ela fez pelos produtores rurais, porque a pesquisa nos trouxe até aqui”, disse Normando Corral, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

Mais de 97% dos participantes consideraram o evento excelente, de acordo com pesquisa realizada em tempo real no auditório do evento pela comissão organizadora. A maioria dos produtores rurais entrevistados também disse que o Famato Embrapa Show trouxe novos conhecimentos e mais de 87,2% recomendariam o evento para amigos e familiares.

É o caso de Matheus Fabrizio, produtor rural e agrônomo de Chapada dos Guimarães.

“O evento foi muito produtivo, mostrou novas tecnologias, aplicativos interessantes, e as palestras somaram muito para mim. Depois do período de pandemia, é bom voltar a ter um ciclo de palestras para reciclar os conhecimentos”, disse.

O estudante Vinícius Cezário Ribeiro, da Escola Agrícola Ranchão, de Nova Mutum, veio para o evento com uma turma de 47 colegas.

“Conhecemos diferentes tipos de tecnologias e de produção agropecuária, e isso é muito importante para o nosso aprendizado”, afirmou.

O tema do Famato Embrapa Show que mais interessou aos participantes, segundo a pesquisa, foi sistemas integrados de produção. O pecuarista Múcio Gerônimo Albernaz Júnior concorda que o assunto é relevante para a produção em Mato Grosso.

“Antigamente, a pecuária era separada da agricultura em Mato Grosso. Isso mudou. O foco agora é lavouras consorciadas, e isso me abriu uma visão diferente, porque eu não valorizava o pasto em todo seu potencial”, contou.

A divulgação dos trabalhos da Embrapa e o acesso aos produtores rurais foram os objetivos do evento. E o saldo final é de que ambos foram alcançados, segundo a chefe geral da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop-MT), Laurimar Gonçalves Vendrusculo.

“Tivemos um público diferenciado, interessado na adoção de tecnologias que certamente acrescentarão não só produtividade, mas também sustentabilidade, porque todas versam sobre conservar os recursos hídricos, a saúde do solo e fertilidade”, observou.

O contato próximo entre pesquisadores e analistas da Embrapa e os produtores rurais foi uma via de mão dupla positiva, na opinião do produtor rural de Sorriso, Rodrigo Pozzobon.

“Tem muitas tecnologias que eu já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha visto pessoalmente, como a máquina de classificação de grãos. Conversei com os pesquisadores, aproveitei para falar sobre o nosso dia a dia em relação a isso e essa aproximação faz com que os produtos fiquem mais adequados ao que precisamos na prática”, contou.

Para a gestora do Núcleo Técnico da Famato, Lucélia Avi, o evento foi excelente.

“Tivemos a participação de produtores rurais e técnicos e casa cheia até o final. Superou todas as expectativas de público com palestras e apresentações tecnológicas de alto nível”, disse.

Evento

Idealizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e construído em parceria com a Embrapa Agrossilvipastoril e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), o Famato Embrapa Show contou com quatro painéis, 24 palestras e mais de 60 ativos tecnológicos desenvolvidos por 14 Unidades da Embrapa de todas as regiões do país.

Fonte: Embrapa

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AGRO & NEGÓCIO

Manejo nutricional estratégico reduz perdas na seca

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Pesquisadores recomendam práticas com bons resultados para bovinos

Durante o período seco, com menor disponibilidade de forragem de qualidade, o que impacta na perda de peso dos animais e no enfraquecimento do rebanho, é hora de colocar em prática estratégias para manter os índices a níveis satisfatórios. Terminação intensiva, bezerro turbinado pós-desmama, conservação de volumosos e produção de forragem estão entre elas. 

Em experimentos realizados pela Embrapa em parceria com a Connan, em Campo Grande-MS, foi possível conseguir 2,[email protected] a mais por animal, quando comparado à suplementação proteico-energética de 1,5 kg de ração/dia. A técnica chamada terminação intensiva a pasto (TIP) consiste em fornecer 90% do que o animal precisa no cocho e 10% no pasto, o que equivale a 2% de peso vivo em ração, ou aproximadamente 8 kg de ração concentrada por cabeça/dia. 

O objetivo, segundo os idealizadores, é obter um ganho médio de 600 a 900 g de carcaça/dia, no período de 90 dias. Na estação das chuvas e para machos castrados, a recomendação é a de se oferecer 1,5% do peso vivo em ração concentrada.

“O TIP mensura o ganho em carcaça e isso é lucro. Começamos com 0,5% de peso vivo até chegarmos aos índices atuais, tornando a solução viável e de fácil uso”, afirma Leopoldo Pepiliasco, zootecnista da Connan. A tecnologia é testada pelas empresas desde 2012 e permite que o pecuarista utilize a estrutura já existente na propriedade e invista somente em ração e suplementos para a engorda do boi.

O especialista comenta que analisaram alternativas presentes no mercado, antes da TIP, como o confinamento, que apresenta altos custos de implementação, estrutura, mão-de-obra capacitada e outras condicionantes; e sistemas como o uso de grão inteiro, que resulta em uma dieta de risco elevado, pelas condições fisiológicas do bovino, dentre outros fatores.

Bezerros e desmama – Outra opção para o produtor rural é ‘turbinar’ o bezerro na fase pós-desmama. Essa fase estressante para o animal aliada a pastagens com baixo valor nutritivo é um ponto de preocupação. A técnica, validada por pesquisadores da Embrapa, baseia-se em fornecer maior suplementação proteico-energética ao animal. 

O pesquisador Rodrigo Gomes explica que é recomendável uma dieta com aproximadamente 25% de proteína bruta, palatável e rica em minerais. O bezerro recebe o equivalente a 5 gramas por quilograma do peso vivo. 

“É estratégico aumentar o consumo de suplemento, consumir mais energia, proteína, mineiras, vincular aditivos, assim se obtém melhor desempenho no momento de estresse, que é a desmama”, frisa o zootecnista. A dieta deve ser mantida até o final da seca e o animal entra nas águas em boas condições. 

Manejo de pastagens – A manutenção do pasto, com o devido manejo, é também uma estratégia para enfrentar o período. Especialista no assunto, o pesquisador da Embrapa Ademir Zimmer enumera ajuste de lotação, adubação e diferimento de pastagens, e produção de volumoso e suplementos como opções para o produtor.

Em pesquisas da Embrapa Gado de Corte (MS), por exemplo, mediu-se a eficiência produtiva e financeira da adubação do capim-marandu, em diferentes alturas de pastejo. Em 15 cm, o ganho de peso vivo (kg/ha) foi de 276, com saldo por kg de adubo, de R$ 2,25 reais. Já em 45 cm de altura, o ganho foi de 524 kg/ha, com um saldo de R$ 8,75 reais. Um aumento de 290% em relação a 15 cm. 

Nos valores médios de 2022, os ganhos em produção (direto), em 45 cm, foram de R$ 1,8 mil (R$/ha/ano); os por redução nos gastos (indireto), R$ 80 reais; os ganhos por liberação de área (indireto), R$ 150 reais; há ainda os ganhos por antecipação receita (indireto), que somam R$ 40 reais. O benefício total em 200 hectares (R$/mês), a uma altura de 45 cm, ultrapassa os R$ 34,5 mil reais, sempre tendo como altura de referência 15 cm.  

Zimmer enfatiza que adubar o pasto custa caro sim, “mas vale a pena, desde que o manejo seja adequado, trabalhando as suplementações para que valha o investimento”.  

Conservação de volumoso – A pastagem precisa de fatores fundamentais para o seu crescimento, porém, na seca, há limitação de luz e água, e consequentemente os animais, seja de corte ou leite, não suprem suas exigências completamente. 

As alternativas para conservação de forragem são diversas “não há a melhor, cada propriedade tem circunstâncias ou realidades que contribuem para a tomada de decisão”, alerta o pesquisador Vitor Oliveira da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer-MS). 

Uso de capim elefante, feno-em-pé, silagem (milho, cana-de-açúcar, capim, parte aérea da mandioca) e silagem de pré-secados são algumas escolhas à disposição do pecuarista. Independente da opção assinalada, Oliveira destaca que é necessário obter todo o potencial da tecnologia escolhida, durante a estação das águas, e assim utilizá-la na seca. 

Os especialistas da Embrapa, Connan e Agraer reforçam que o planejamento sempre começa na fase anterior, que a seca haverá todos os anos, dessa forma, é cuidar do pasto e da nutrição do rebanho nas águas para não se ter perdas na seca. 

Fonte: Embrapa

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