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Fala desconexa

Publicado

Lício Malheiros

Nosso país vive hoje, momento preocupante e de extrema cautela, tendo em vista a sobreposição de poderes, sequenciados por falas comprometedoras e desconexas, proferidas por pessoas, que supostamente deveriam ter o mínimo de bom senso e discernimento ao proteger, tanto as instituições públicas como as  privadas.

Esta narrativa tem como epicentro, um pronunciamento proferido pelo ministro da Suprema Corte (STF), Gilmar Mendes, natural da pacata e ordeira cidade de Diamantino (MT).  O mesmo, profere fala desconexa e desnecessária em uma live em que  participava, fazendo a seguinte narrativa,  “Que o Exército estava se associando a um “genocídio” ao aceitar fazer parte da condução das políticas públicas desastrosas de enfrentamento à Covid-19 no alto escalão do governo”. “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso, por fim a isso”, disse o ministro na ocasião.

Sabemos que a maioria dos leitores, já ouviu exaustivamente a palavra “genocídio”, porém existem aqueles,  que não sabem a sua definição, vamos lá, genocídio (extermínio   deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sociopolíticas).

Obviamente, diante desta colocação feita pelo nobre ministro Gilmar Mendes, no mínimo inapropriada e inconsistente; era de se esperar por parte das Forças Armadas, uma resposta à altura, fazendo valer a lei da física ação e reação, a terceira lei de Newton, afirma que a toda ação corresponde a uma ração de igual ou maior intensidade.

Essa resposta foi dada à altura pelo Ministério da Defesa, através de uma nota afirmando repudiar “veementemente” a fala de Gilmar Mendes. “Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e, sobretudo leviana”. “Na atual pandemia, as Forças Armadas, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea, estão completamente empenhadas justamente em preservar vidas”.

Como vivemos em um país democrático, respeitando o Estado Democrático de Direito, que permite ao nobre ministro Gilmar Mendes, amplo direito de defesa, por sua fala proferida a uma das instituições, que representa e defende a soberania nacional, as Forças Armadas.

Gilmar Mendes, diz “Não ter atingido a honra das Forças Armadas, e que a respeita, ele diz ter criticado a formulação de políticas públicas  de saúde por militares, em meio à pandemia de Covid-19”. Continua, “Vivemos um ponto de inflexão na história republicana em que, além do espírito de solidariedade, devemos nos cercar de um juízo crítico sobre o papel atribuído às instituições de Estado no enfrentamento da maior crise sanitária e social do nosso tempo”, assim disse o ministro.

O nobre ministro Gilmar Mendes, age de forma paradoxal, ao justificar  sua fala,  reafirmando, ter dito e feito menção ao Exército brasileiro dizendo “Que o mesmo estaria se associando a um “genocídio”, e que  não teria falado das Forças Armadas”. Como não nobre ministro,  se as Forças Armadas do Brasil, são constituídas pela Marinha, Exército e Força Aérea, que tem como missão constitucional zelar pela defesa da pátria. Nobre ministro, com todo respeito, não subestime  nossa capacidade de inteligência.

Pare o mundo, quero descer!

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

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A mensagem de Ulysses Guimarães

Publicado

Por Diogo Botelho

No dia 5 de outubro de 1988, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a Constituição exortou a nação: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.” (pág. 14.381). 

É com base nesta mensagem que não tenho as mínimas condições de anuir com o símbolo nacional da corrupção. Não há precedente no mundo civilizado de candidato filmado naquelas circunstâncias ser consagrado, legitimado e justificado pelo voto popular! 

Aliás, caro leitor, o que se debate nas consciências livres e republicanas é que em Cuiabá, não estamos a lidar com a corrupção em sentido genérico. Corrupção houve até nas hostes celestiais (que o diga o anjo de luz). Porém, o paletó só há em Cuiabá! 

Transparência, ética, probidade e respeito com a coisa pública são os primeiros e comezinhos valores republicanos que jamais devem ser negociados. É o colostro que o cidadão deve ser nutrido para que possamos consolidar o sonho democrático.

 Os meios de contenção a violência contra a mulher, a homofobia, raça, religião, de defesa da criança, do idoso e das pessoas com deficiência, ou seja, de proteção das minorias, somente serão viabilizadas se os primeiros valores republicanos forem preservados. Fora disso, é retórica populista! 

É por isso que a mensagem de Ulysses Guimarães não foi um exercício de retórica, mas, sim, de pura lógica republicana e democrática. 

Ulysses já tinha a exata compressão de que as promessas constitucionais serão em vão e só serão cumpridas se os gestores tiverem compromisso ético com a coisa pública, a República! 

Assim, a prática ética antecede a qualquer formulação política, de maneira que o episódio do paletó, o símbolo nacional do fiel retrato da corrupção, uma vez chancelado pela soberana vontade popular é uma ameaça letal a Cuiabá, importando em precedente que irá corroer como ácido as nossas frágeis estruturas democráticas. 

O paletó é uma ameaça a democracia. É a pior forma de autoritarismo. É a ditadura da corrupção.

Portanto, digo não a Emanuel, e sim a Abílio. 

Como dizia o sábio Ulysses: Excelências, eis a realidade. 

Diogo Botelho é advogado.

 

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