AGRO & NEGÓCIO

Estudo sobre evolução do eucalipto busca descobrir híbrido ideal

Publicados

em


Estudo feito por cientistas da Embrapa Meio Ambiente e da Esalq/USP se concentrou nas três principais seções de Symphyomyrtus, maior subgênero dos Eucalyptus, com cerca de 470 espécies, e onde estão localizadas as nove espécies mais plantadas do mundo, que representam mais de 90% dessa área. Buscou também entender os processos evolutivos das espécies com potencial para produzir híbridos de interesse comercial, já que esse subgênero é o mais plantado comercialmente.

Conforme Laerte Scanavaca Jr, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, os Eucalyptus são um gênero muito grande, mais de 700 espécies, onde a hibridação, isto é, o cruzamento entre duas espécies, é bastante comum e por isso, estão sendo reclassificados. “Mais importante que saber quem são os pais do híbrido, é saber qual a vantagem este híbrido terá num determinado ambiente em relação aos pais puros”, explica Laerte. 

O trabalho estudou os principais mecanismos evolutivos e adaptativos que levam as espécies hibridarem ou não. Existem barreiras endogâmicas, isto é, interações epistáticas negativas que vão se acumulando ao longo das gerações de modo que o híbrido que não apresente vantagem em relação a um dos pais acaba sucumbindo. 

O estudo também aborda os principais mecanismos evolutivos dentro de cada uma das Seções, subgrupo evolucionário dentro de um subgênero. A classificação geral das espécies utilizam sete níveis: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. 

Dentro de cada nível as espécies apresentam as mesmas características. Quanto mais baixo o nível, isto é, quanto mais próximo da Espécie, mais parecidas as espécies se tornam. A taxa básica, isto é, onde ainda é possível haver cruzamento entre as espécies, é no Gênero. 
“Existem vários exemplos de híbridos naturais pelo mundo, explica Laerte, que podem desaparecer se não apresentarem nenhuma vantagem em relação aos pais”.

Nos Eucalyptus, além destes níveis básicos, existem diversos agrupamentos entre gênero e espécies, em função da grande quantidade de espécies e também do processo evolutivo ser mais acelerado que na maioria das espécies conhecidas. 

“Nos Eucalyptus temos os subgêneros Blakella e Corymbia, que se uniram em função de características silviculturais e genéticas no gênero Corymbia, em 1995. Depois de subgênero vem Seção, depois série, depois subsérie e depois espécie, quanto mais nos aprofundamos mais parecidas ficam as espécies e mais fáceis os cruzamentos, por exemplo, o tempo de isolamento ou separação entre os subgêneros é estimado em 54 milhões de anos, enquanto que, de seção são 2 a 3 milhões de anos. Então espécies dentro da mesma Seção podem se cruzar, enquanto que espécies de subgêneros diferentes não se cruzam, explica o pesquisador.

Para José Nivaldo Garcia, da Esalq, o conhecimento destes processos é importante nas duas vias (hibridação ou isolamento), isto é, pode ser utilizado para o isolamento de uma espécie, se queremos produzir sementes por exemplo, fazendo um cordão de isolamento com espécies de outro subgênero, o que evitará ou dificultará a chegada de pólen de espécies indesejadas. “Ou, continua o pesquisador, se não temos nenhuma espécies bem adaptada a um determinado ambiente, plantamos espécies próximas do mesmo subgênero neste ambiente e o híbrido resultante pode ser mais bem adaptado”. 

O híbrido pode apresentar um genótipo intermediário, que pode lhe favorecer em relação aos pais puros, como é o caso entre o E. urophylla x E. grandis, muito comum no Brasil. Este hibrido apresenta as vantagens silviculturais do E. urophylla, lignotubérculo que permite boa produtividade na segunda rotação, mais adaptado à ambientes mais secos e quentes, maior resistência a pragas e doenças, entre outros, enquanto que os genes do E. grandis lhe confere maior adequação a fabricação de celulose e papel. 

Deste modo, o híbrido aproveita a adaptação silvicultural conferida pelo E. urophylla e a adaptação tecnológica fornecida pelo E. grandis e é uma excelente alternativa, ou a melhor alternativa para produção de celulose e papel de Minas Gerais para cima (Região Nordeste, Centro Oeste e Norte). 

Seções
Na Seção Exsertaria, as principais espécies são E. camaldulensis e E. tereticornis. Esta Seção, as espécies são adaptadas a climas mais secos e quentes. No Brasil, estão mais adaptadas as Regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e norte de Minas Gerais.

Na Seção Latoangulatae, as principais espécies são E. grandis, E. urophylla, E. saligna e E. pellita, onde as três primeiras são as mais plantadas no Brasil e no mundo. Apresentam alta produtividade e adequação para a fabricação de celulose e papel. O E. pellita é bastante utilizado em marcenaria, juntamente com o E. urophylla e E. resinifera.

Na Seção Maidenaria, as principais espécies são E. dunnii, E. globulus e E. nitens. São mais adaptados ao clima temperado. O E. globulus é a espécies mais plantada de clima temperado, mas não está bem adaptada ao Brasil. Na Região Sul do Brasil as espécies mais plantada são o E. dunnii, E. nitens, E. viminalis, E. badjensis e E. bentahmii. O E. globulus é a espécie mais plantada em Portugal, Espanha, Uruguai e Austrália.  

O estudo completo está aqui

Fonte: Embrapa

Comentários Facebook
Propaganda

AGRO & NEGÓCIO

Evento apresenta startups aceleradas pelo programa TechStart Agro Digital

Publicados

em


A Embrapa Informática Agropecuária e a Venture Hub realizam no dia 10 de agosto, a partir das 15 horas, o Demo Day da segunda edição do programa de aceleração de startups TechStart Agro Digital. No evento, seis agtechs serão graduadas e farão a demonstração de soluções digitais desenvolvidas para o setor agropecuário a um público formado por investidores, empresas, empreendedores e especialistas, com potencial para a promoção de novos negócios e parcerias. O evento será virtual e transmitido pelo canal da Embrapa no YouTube.

>> Inscreva-se aqui

O segundo ciclo do TechStart Agro Digital recebeu mais de 120 inscrições, de 15 estados brasileiros e 4 países diferentes. Devido à pandemia de covid-19, o programa foi realizado no formato virtual. Contou com uma etapa de pré-seleção (Warm Up), iniciada ainda em 2020, para a avaliação do estágio de cada proposta. Em seguida, as startups classificadas avançaram para a fase de aceleração.

Durante 21 semanas, os participantes receberam suporte tecnológico e de negócios por meio de treinamentos e mentorias para desenvolvimento e validação de produtos, vendas e acesso ao mercado, além de orientações nas áreas jurídica, de patentes e de propriedade intelectual. Ao longo do processo de aceleração, também tiveram oportunidades de conexão com outras Unidades da Embrapa, corporações e investidores.

As startups graduadas desenvolveram soluções que abrangem a aplicação de tecnologias digitais para estimativas de produtividade agrícola, gestão e manejo da produção, mapeamento da propriedade com drones, avaliação do imóvel rural e análise do solo. “O Demo Day é a coroação de toda a dedicação que as empresas tiveram nos desafios técnicos, mercadológicos e de comunicação que foram propostos durante todo o tempo do programa”, afirma Ariovaldo Luchiari Júnior, pesquisador da Embrapa e um dos mentores das AgTechs.

Apesar do momento de incertezas trazidas pela pandemia, a adaptação do programa para o mundo on-line ajudou a encurtar distâncias. Na avaliação de Pedro Pimentel, co-founder da Venture Hub, a mudança acabou facilitando a participação de startups e mentores de diversas regiões do Brasil e do mundo e o contato com potenciais clientes e parceiros. “Com essa realidade, também tivemos diversas novas oportunidades, novos modelos de interação, de validação, de desenvolvimento tecnológico e de negócios”, destaca.

Nesta edição, o TechStart Agro Digital atraiu o interesse de empresas de tecnologia e do agro como Airbus Defence and Space, Bayer e Google Cloud, que também participaram de atividades de mentoria e ofereceram às startups facilidades de acesso a ferramentas exclusivas. O programa contou ainda com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Sistema Faesp/Senar), do Sebrae-SP e da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Segundo Luchiari, baseado na experiência desta edição, Embrapa Informática Agropecuária e Venture Hub já estão planejando o terceiro batch do programa, que será lançado em breve. “Vamos levar o aprendizado acumulado e trabalharemos também os novos problemas e oportunidades esperados para o mundo pós-pandemia, com novos modelos de negócios, novas necessidades dos clientes e tecnologias”, completa Pimentel.

Conheça as startups graduadas

BIOME4ALL Agriculture – Utiliza genética e bioinformática para avaliação da microbiologia do solo, plantas e frutos para, por meio de um sistema, auxiliar na tomada de decisões e aumentar a eficiência e produtividade da lavoura com sustentabilidade.

Busca Terra – Aplica técnicas de big data para compilar, armazenar, padronizar e analisar dados disponíveis na web e aplicá-los na avaliação do imóvel rural.

Dronagro – Atua no mapeamento aéreo com drones para gerar soluções que auxiliam o agricultor na gestão técnica e econômica da empresa rural.

Edroponic – utiliza internet das coisas (IoT) para melhorar a gestão e o manejo, evitando perdas e quebras de produção em hidroponias.

Hortify – Oferece uma plataforma de gestão para o setor de hortifruticultura que gera recomendações ao produtor a partir de algoritmos inteligentes.

Mititech.agro – Por meio de redes neurais e dados de sensoriamento remoto, clima e solos, calibrados com dados de campo, gera dados precisos sobre a produtividade agrícola na propriedade.

Fonte: Embrapa

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana