Saúde

Estudo detecta variante inglesa do coronavírus em 8 estados do Brasil

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A variante do novo coronavírus detectada no Reino Unido já está presente em, pelo menos, 16 cidades de oito estados brasileiros. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Rede Corona-Ômica, uma sub-divisão da Rede Vírus, comitê criado em março do ano passado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) dedicado em reunir especialistas e centros de pesquisa em iniciativas de combate ao covid-19 e outras viroses emergentes.

A pesquisa, cujo resultado foi divulgado hoje (24), teve ainda a colaboração do laboratório Instituto Hermes Pardini e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram sequenciados 25 genomas pertencentes à variante originária do Reino Unido, conhecida como linhagem B.1.1.7. O levantamento foi realizado a partir de amostras de um banco de dados composto por 740 mil exames disponibilizados pelo Instituto Hermes Pardini.

As cidades onde a variante foi encontrada são: Belo Horizonte (MG), Betim (MG), Araxá (MG), Barbacena (MG), Rio de Janeiro (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Cuiabá (MT), Primavera do Leste (MT), Aracajú (SE), São Paulo (SP), Americana (SP), Santos (SP), Valinhos (SP), São Sebastião do Passe (BA) e Barra do São Francisco (ES).

A variante inglesa foi identificada em dezembro do ano passado por autoridades sanitárias do Reino Unido e é considerada mais contagiosa do que a versão original do novo coronavírus. Ela já se disseminou por 60 países, segundo informa recente da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Há outras duas variantes em circulação que tem mobilizado a atenção de especialistas, uma delas originada no Brasil, na cidade de Manaus. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde revelou que, até o último sábado (20), já foram detectados 184 casos de infecção envolvendo essa linhagem, distribuídos por todas as regiões do país. Uma nova cepa detectada na África do Sul também tem sido motivo de preocupação internacional.

Um teste com o protocolo PT-PCR capaz de apontar se a pessoa foi contaminada por uma das três variantes que geram preocupação foi desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição científica vinculada ao Ministério da Saúde. O Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) já firmou acordo para ser o primeiro a usar o produto.

Edição: Claudia Felczak

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Rio: secretário de Saúde pede agilidade na transferência de pacientes

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O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Chaves, cobrou hoje (13) mais agilidade na transferência de pacientes com covid-19 que precisem de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

Segundo o secretário, o trabalho em algumas unidades de pronto atendimento (UPAs) tem deixado a desejar, causando demora na liberação de doentes que já têm vaga reservada em outro estabelecimento de saúde. “Sabemos quais são as unidades hospitalares e UPAs que estão fazendo isso. Não são todas. Aquelas que estão fazendo serão penalizadas. Não há tempo para brincadeira. Estamos em uma guerra”, disse Chaves.

O secretário fez a cobrança durante entrevista coletiva organizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) para apresentar dados e ações em desenvolvimento em meio à pandemia. Conforme o balanço, em março, o tempo médio decorrido entre a reserva do leito de UTI e a internação de pacientes com covid-19 foi de oito horas. Em janeiro, o cenário era pior: a média de espera era de 11 horas.

Os números são similares para os leitos de enfermaria. No mês passado, a média de tempo entre a reserva da vaga e a internação também foi de oito horas. Em janeiro, era de 10 horas.

“Nosso trabalho atual, dia e noite, é acelerar a saída da unidade. Você não pode deixar o doente, já com a vaga certa, esperando oito horas para chegar em outra unidade. Tem que ter cobranças na ponta. Este é o mea culpa [admissão de culpa] que estamos fazendo”, afirmou o secretário.

Para Chaves, o tempo de transferência entre diferentes unidades tem sido um dos fatores que levam ao agravamento dos casos. Ele pediu que os municípios disponibilizem mais ambulâncias. “Em oito horas, o [quadro do] doente [se] agrava. O doente chega para a enfermaria e já dá precisa dar entrada na UTI.”

A subsecretária de unidades próprias da SES-RJ, Mayla Marçal Portela, infiomou que a pasta está entrando em contato com as unidades que têm registrado demora. “Isso não deveria ser um papel nosso. O paciente deveria estar pronto para ser transferido. Mesmo assim, estamos incansavelmente trabalhando em cima disso para poder otimizar esse tempo”, afirmou.

Questionado sobre o papel do comitê científico instituído por meio de decreto publicado ontem (12) pelo governador interino Cláudio Castro, o secretário disse que sequer sabia que a estrutura seria criada e que esta não terá papel na SES-RJ. De acordo com o decreto, dez profissionais da saúde vão atuar na elaboração de recomendações, na avaliação do desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) e no desenvolvimento de relatórios.

“Não tive nenhuma participação e nem sabia. Não tenho vínculo com ninguém” disse Carlos Alberto Chaves. “Eu sou técnico e não me envolvi nisso. Não tive tempo, estava levando as vacinas. Não tenho tempo para isso. Tenho tempo para salvar vidas”, acrescentou o secretário.

Regulação

Dados sobre a disponibilidade de leitos também foram apresentados. Segundo a última atualização, feita ontem (12), 462 pessoas com covid-19 aguardam vagas de UTI, número que representa uma queda de 31% em sete dias. 

Segundo a SES-RJ, desde o dia 15 de março, foram criados 280 novos leitos nos hospitais estaduais e 156 nos hospitais federais localizados no estado. Os estabelecimentos de saúde de ambos os níveis somam atualmente 711 vagas de UTI e 548 de enfermaria. Esses números não incluem a rede privada e as unidades municipais.

Uma questão tratada na apresentação da SES-RJ foram os desafios envolvendo a regulação do acesso, isto é, a organização, o controle e o gerenciamento dos fluxos no âmbito do SUS. Por meio da regulação, podem ser identificados vazios sanitários e lacunas assistenciais, elementos que devem ser levados em conta na elaboração de estratégias e políticas públicas.

Entre os problemas que a pasta busca enfrentar estão a ausência de sistema informatizado que interligue o complexo regulatório em tempo real, a falta de protocolos pactuados entre todas as secretarias municipais de saúde, a inexistência de normas comuns para que se eliminem regulações paralelas de leitos e as falhas de comunicação entre as esferas federal, municipal, universitária e estadual.

A secretaria prestou ainda informações sobre o Hospital Modular de Nova Iguaçu, inaugurado há 10 dias. O hospital está funcionando com 150 leitos, sendo 60 de enfermaria e 90 de UTI. As vagas serão expandidas gradativamente. A capacidade máxima é de 300 leitos. A unidade não atenderá demanda espontânea, apenas pacientes com covid-19 encaminhados pelo sistema de regulação. Será dada prioridade aos que estão internados em UPAs e unidades pré-hospitalares.

As obras do Hospital Modular terminaram em junho de 2020 e custaram R$ 62 milhões. Uma série de imbróglios e questionamentos adiaram três vezes a inauguração. As atividades tiveram início no dia 3 deste mês abril. A unidade foi batizada Dr. Ricardo Cruz, em homenagem a um reconhecido cirurgião que morreu com covid-19 em dezembro do ano passado.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

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