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Estudantes e professores do Amazonas falam sobre suspensão do Enem

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Medo e desânimo são os sentimentos relatados por estudantes que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 no Amazonas. As provas, que começariam a ser aplicadas neste fim de semana, foram suspensas em todo o estado devido ao estado de calamidade no qual o Amazonas se encontra, com falta de leitos e insumos para lidar com o aumento de casos de covid-19. 

“Estou bem assustada, minha vida psicológica piorou por conta disso. A gente está vendo que tem falta de oxigênio nos hospitais e que aqui não vão aplicar a prova, o que me deixa mais aflita porque não sei quando vou entrar na faculdade”, diz a estudante Karen Eduarda Prestes, 18 anos, que mora em Barreirinha (AM).

Karen concluiu o ensino médio em 2020, em meio a pandemia. Ela teve as aulas presenciais suspensas e nem chegou a conhecer pessoalmente os professores, porque antes do fechamento da escola por conta da pandemia, ela estava fechada para reforma, no início do ano. Transpor as aulas para meios remotos foi complicado. No município, ela diz que a internet é precária e que é difícil o acesso. Ela ainda não recebeu as notas finais da escola, mas também não está tendo mais aulas. Sem contato com os professores, a insegurança é ainda maior.  

“Está tudo muito incerto. Às vezes eu penso em assistir a videoaulas, mas o meu ânimo acabou”, diz a estudante, que pretende ser professora de português. “Não tenho mais aquela vontade, mais pelo medo de tentar alguma coisa. Eu e milhares de estudantes estávamos esperando pela prova para dar continuidade aos estudos em uma universidade. O que está acontecendo no nosso estado abalou e tenho medo mesmo de tentar alguma coisa”. 

Em Parintins (AM), o estudante Matheus de Freitas, 19 anos, também está aflito. “Eu me preparei, estou preparado para fazer a prova. Estou calmo em relação à prova, em relação às questões e a redação. Mas a pandemia atrapalha muito. Os leitos dos hospitais estão cheios e a situação é de calamidade”, diz. “Quando recebi a notícia do adiamento, fiquei um pouco aliviado, pela situação em que se encontra nosso estado”. 

O maior medo de Freitas é se contaminar no dia do exame e trazer a doença para dentro de casa, para a família. “Não são só os alunos que vão sofrer com a doença. A partir do momento que entram em contato com alguém que tenha [covid-19], vão levar para as casas e, mesmo mantendo divisão de materiais como copo, talher, mesmo com limpeza, podem muito bem contaminar uma mãe, um pai. Está difícil. Não dá para chegar e fazer a prova, por medo e insegurança”, diz. 

Busca de sanidade 

No cursinho Aprova Parintins, em Parintins, o professor de química Francisco Braga tenta acalmar os alunos. “O que eu aconselho é manter a calma, buscar o pouquinho de sanidade que ainda nos resta. Há algumas semanas, não tenho mais falado de química nas aulas. As interações com os alunos têm sido para acalmá-los, para dizer que isso vai passar”, diz. 

Braga diz que recebeu a notícia da suspensão do exame no estado com certo alívio. “A situação que estamos é muito delicada. Não nos sentimos seguros para a realização das provas. Falo com aplicador – serei um dos aplicadores do Enem – e como responsável de certa forma pelos alunos”. 

Neste ano, Braga precisou migrar as aulas presenciais para um modelo híbrido, com turmas presenciais reduzidas e turmas online e precisou desacelerar. O ritmo do cursinho, segundo ele, é mais rápido do que as aulas regulares. Esse ano, foi preciso estar atento ao que os alunos estavam aprendendo e às dificuldades que eles estavam tendo, tanto na vida acadêmica, quanto na pessoal. 

“Não dá para aprender alguma coisa se está preocupado com pai ou a mãe doente. Temos alunos que perderam entes queridos. As palavras de luto têm se tornado frequentes. Não sabemos mais o que dizer, acabaram-se os repertórios”, diz o professor. 

Agora, diante de tantas incertezas, ele tem aconselhado os estudantes a não ficarem apenas vendo as notícias, mas a buscarem distrações, a verem filmes e a lerem livros. “Esse momento vai passar. Acredito que a vacina vai mudar esse cenário em que estamos”.  

Suspensão do Enem 

A prefeitura de Manaus foi a primeira a anunciar a suspensão da aplicação do Enem em escolas municipais. Posteriormente, o governo do Amazonas publicou, na noite de ontem (14), um decreto que suspende a realização do Enem no estado, em razão da calamidade provocada pela pandemia de covid-19. 

Além das decisões dos governos, há uma disputa judicial. Esta semana também a Justiça Federal suspendeu a realização do Enem no estado do Amazonas, em função do avanço da pandemia de covid-19. Pela decisão liminar (provisória) do juiz Ricardo Augusto de Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, a realização do Enem no Amazonas deve ficar suspensa enquanto durar o estado de calamidade pública decretado pelo governo estadual. Na semana passada, o governador Wilson Lima publicou decreto que estende o estado de calamidade por mais 180 dias.  

A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão, em nome do Ministério da Educação, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou hoje (15) o pedido e manteve a decisão de suspender as provas no Amazonas. O TRF autorizou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a aplicar a prova nos dias 23 e 24 de fevereiro. 

Diante do avanço da pandemia, a Defensoria Pública da União (DPU) solicitou, na semana passada, o adiamento do Enem em todo o país. Nesta terça-feira (12), a Justiça Federal de São Paulo negou o pedido. Na decisão, contudo, a juíza federal Marisa Claudia Gonçalves Cucio ressalvou que a imposição de medidas de isolamento mais severas por autoridades sanitárias locais e regionais seria um impedimento para a realização da prova. Nesses casos, “ficará o Inep obrigado à reaplicação do exame diante da situação específica”, ordenou a magistrada.  

Enem 2020 

As provas do Enem serão aplicadas nos próximos dois domingos, dias 17 e 24 de janeiro, na versão impressa, e nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro, na versão digital. De acordo com dados do Inep, há 5,78 milhões de inscritos para realizar as provas presenciais do Enem em todo o Brasil. No total, 160,5 mil estudantes estão inscritos para fazer o exame no Amazonas. 

As medidas de segurança adotadas em relação à pandemia do novo coronavírus serão as mesmas tanto no Enem impresso quanto no digital. Haverá, por exemplo, um número reduzido de estudantes por sala, para garantir o distanciamento entre os participantes. Durante todo o tempo de realização da prova, os candidatos estarão obrigados a usar máscaras de proteção da forma correta, tapando o nariz e a boca, sob pena de serem eliminados do exame. Além disso, o álcool em gel estará disponível em todos os locais de aplicação.

Quem for diagnosticado com covid-19, ou apresentar sintomas dessa ou de outras doenças infectocontagiosas até a data do exame, não deverá comparecer ao local de prova e sim entrar em contato com o Inep pela Página do Participante,  ou pelo telefone 0800-616161, e terá direito a fazer a prova na data de reaplicação do Enem, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Edição: Aline Leal

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MEC divulga resultado preliminar do Censo Escolar da Educação Básica

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O Ministério da Educação (MEC) divulgou, hoje (22), os resultados preliminares do Censo Escolar da Educação Básica de 2021. Os dados estão em portaria publicada no Diário Oficial da União.

Os resultados referem-se à matrícula inicial na creche, pré-escola, ensinos fundamental e médio (incluindo o médio integrado e normal magistério), no ensino regular e na educação de jovens e adultos (EJA) presencial fundamental e médio (incluindo a EJA integrada à educação profissional). Os dados incluem as redes estaduais e municipais, urbanas e rurais em tempo parcial e integral e o total de matrículas nessas redes de ensino.

A coleta de dados aconteceu entre os dias 18 de junho e 23 de agosto, por meio do sistema Educacenso.

A partir de agora, com a publicação dos resultados preliminares, os gestores estaduais e municipais têm 30 dias para conferência, ratificação e eventual retificação das informações. No dia 7 de outubro, o instituto realizará uma live em seu canal do YouTube para orientar os gestores das escolas e redes sobre esses procedimentos.

Durante este período, as escolas também poderão complementar as informações com dados que não foram informados no período de coleta da matrícula inicial, desde que as informações tenham como base a data de referência do Censo Escolar 2021, que é 26 de maio de 2021.

Em caso de dúvidas sobre os procedimentos de conferência dos dados, os gestores podem enviar os questionamentos para o Inep até 29 setembro, por meio de um formulário eletrônico. As principais perguntas serão selecionadas e esclarecidas durante a live.

Os resultados finais da primeira etapa serão divulgados em 31 de janeiro de 2022. No dia seguinte, em 1º de fevereiro de 2022, começa a segunda etapa. O Educacenso ficará disponível até 17 de março para as escolas declararem os dados referentes à situação do aluno. Também haverá um período de conferência das informações e o encerramento ocorre com a divulgação dos indicadores de rendimento escolar, no dia 19 de maio de 2022, no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O Censo Escolar é coordenado pelo Inep e realizado, em regime de colaboração, entre as secretarias estaduais e municipais de Educação, com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país. Ele é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica e a mais importante pesquisa estatística educacional brasileira.

As matrículas e os dados escolares coletados servem de base para o repasse de recursos do governo federal e para acompanhar a efetividade das políticas públicas. O Censo Escolar subsidia a produção de um conjunto amplo de indicadores, que possibilitam monitorar o desenvolvimento da educação brasileira, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (ldeb), as taxas de rendimento e de fluxo escolar, a distorção idade-série, entre outros.

Edição: Valéria Aguiar

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