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Especialistas recomendam atenção básica e telerreabilitação para atender complicações pós-Covid

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Iano Andrade / CNI
Saúde - médicos - telemedicina - teleconsulta - A médica do ambulatório da CNI, Alice Pimentel, realizando teleconsulta
Levantamento mostra que, após a internação em UTI, 71% dos pacientes pós-Covid apresentaram algum tipo de limitação

O aumento dos casos de pacientes com sequelas e outras complicações após superarem a Covid-19 levou médicos e gestores públicos a recomendarem o fortalecimento da rede de atenção básica à saúde e das modalidades de teleconsulta e telerreabilitação.

Em debate virtual nesta terça-feira (4) na Câmara dos Deputados, promovido pela Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19, especialistas manifestaram preocupação sobretudo com os casos de acidente vascular cerebral agravados pela própria Covid ou pelo isolamento social que atrapalha a prevenção e provoca demora no atendimento dos sintomas mais leves.

A vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Cristiane Pantaleão, cobra a formação de um grupo de trabalho no Ministério da Saúde a fim de reforçar a orientação dos profissionais da atenção básica diante do aumento da demanda.

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
A situação dos pacientes pós-AVC e pós- COVID. Vice-Presidente CONASEMS, Cristiane Martins Pantaleão
Cristiane Pantaleão: “O número de trombose vem aumentando de maneira exagerada”

“Se antes a gente já sabia que a atenção básica deve resolver 85% dos problemas, agora mais do que nunca. O número de trombose vem aumentando de maneira exagerada e o paciente, na maioria das vezes, já chega ao hospital em uma situação muito ruim. A gente tem muitos pacientes morrendo de parada cardíaca com complicações pós-Covid”, disse Cristiane Pantaleão.

O Conasems já elaborou um guia para auxiliar as prefeituras na manutenção da rede de atenção básica à saúde, mas admite a fragilização do trabalho diante dos profissionais contaminados com o coronavírus ou deslocados para outras unidades sobrecarregadas de pacientes com Covid-19.

Tecnologia
Outra estratégia defendida pelos especialistas é o uso da tecnologia para auxiliar na recuperação dos pacientes. Um levantamento do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) justifica a medida: nove meses após a internação em UTI, 71% dos pacientes pós-Covid apresentaram algum tipo de limitação nas atividades diárias, 52% continuaram a relatar dor e desconforto, 56% apresentaram ansiedade e depressão e 64% mantiveram quadro de dispneia, ou seja, dificuldade de respirar.

Professora de fisiatria na Faculdade Medicina da USP, Linamara Battistella mostrou como a telerreabilitação e o telemonitoramento podem ajudar na recuperação desses pacientes.

“Esse telemonitoramento envolve uma série de bases e aplicativos principalmente para os pacientes com maior risco de complicações e dificuldade de transporte. Com ele, a gente pode manter, com um cuidador a distância, as orientações que a equipe médica e multiprofissional fornece, dando o atendimento e o esclarecimento que mantêm o paciente acolhido, o que é muito importante”, disse.

Prevenção ao AVC
Em nome da eficácia da telerreabilitação, os especialistas defendem que as orientações sejam multiprofissionais, envolvendo médicos, nutricionistas e fisioterapeutas. A Rede Brasil AVC também reforça as estratégias de manutenção do atendimento hospitalar prioritário e de oferta de telereabilitação para prevenir o acidente vascular cerebral, segunda maior causa de mortes no país.

A neurologista na Clínica Neurológica de Joinville Carla Cabral Moro lembrou que o tratamento dos casos leves previne 80% do agravamento da doença. A campanha “#AVC, não fique em casa” reforça o recado de que, mesmo diante do necessário isolamento social, as pessoas devem procurar atendimento médico imediato diante dos primeiros sintomas.

Integrante da Associação Brasileira de Neurologia, Marcos Lange recomendou a “prevenção primária”, baseada no controle do tabagismo, da obesidade e da hipertensão.

Graves sequelas
Já o coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Ângelo Gonçalves, defendeu a teleconsulta e afirmou que, em nenhum momento, houve recomendação para a redução do atendimento na rede de atenção básica aos pacientes com AVC.

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
A situação dos pacientes pós-AVC e pós- COVID. Coordenador-Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência - CGSPD/DAET/SAES Ministério da Saúde, Angelo Roberto Gonçalves
Ângelo Gonçalves, do Ministério da Saúde, defendeu a teleconsulta

Quanto à Covid-19, Gonçalves citou estatística que aponta 80% de casos leves e moderados e 20% de casos graves, dos quais 15% com necessidade de suporte de oxigênio. Segundo ele, há um percentual considerável que apresenta graves sequelas pós-Covid.

“E 5% desenvolvem complicações como falência respiratória, choque, sepse, tromboembolismo e falência múltipla dos órgãos. Muitos desses pacientes acabaram entrando na nossa rede de dados da pessoa com deficiência, apresentando algumas características, como distúrbios respiratórios, cardiovasculares e neurológicos”, observou.

Regulamentação
No ano passado, Câmara e Senado aprovaram norma (Lei 13989/20) que permite a telemedicina no Brasil, mas somente durante a pandemia. Organizador do debate na Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19, o deputado Pedro Westphalen (PP-RS) defende uma regulamentação definitiva.

“Há uma convergência em relação à telemedicina e à telessaúde para se levar aos mais longínquos lugares do Brasil a experiência e o tratamento adequado dessa pandemia, da qual não sabemos nem 50% do que acontece no pós-pandemia. A telemedicina e a telessaúde a distância e com qualidade vieram para ficar. O importante agora é regulamentar para que sejam bem utilizadas”, disse.

Westphalen também anunciou que vai sugerir ao Ministério da Saúde a criação de um departamento específico para tratar da recuperação dos pacientes pós-Covid.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Roberto Seabra

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POLÍTICA NACIONAL

Ernesto Araújo presta depoimento à CPI da Pandemia nesta terça

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O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo prestará depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira (18), às 9h. Os requerimentos de convocação foram apresentados pelos senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que querem explicações sobre a condução da diplomacia brasileira durante a crise sanitária provocada pela covid-19. 

Marcos do Val argumenta que um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito é apurar ações e possíveis omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia, especialmente no agravamento dos casos no Amazonas, com a falta de oxigênio para os pacientes internados.

O parlamentar diz ainda que, no período como ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo “executou na política externa o negacionismo de Jair Bolsonaro na pandemia, o que teria feito o Brasil perder um tempo precioso nas negociações por vacinas e insumos para o combate à doença”.

Já Alessandro Vieira pretende obter informações sobre os exatos termos de atuação do ministério para trazer vacinas e insumos para o Brasil.

Requerimentos

Os membros da CPI também devem votar nesta terça requerimentos de convocação de autoridades como o coronel Antônio Elcio Franco Filho, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, e o presidente do Plenário da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), Hélio Angotti Neto.

Também deve ser analisado pedido de quebra de sigilo de empresas ligadas ao ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten, que foi ouvido pela CPI na  semana passada. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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