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Embrapa Solos comemora 45 anos com live no YouTube

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Você sabe qual a importância do solo para a sua vida? Com essa indagação, a live no YouTube que comemorou os 45 anos da Embrapa Solos (RJ), na quinta-feira (28/5), reuniu especialistas para abordar de forma leve e didática a influência que esse recurso natural exerce sobre a vida. Em pauta, aspectos ligados à agropecuária, responsável pela produção de alimentos, fibras e energia, e temas como mudanças climáticas, produção de água, escassez hídrica nas cidades, zoneamento urbano e saúde humana.

O papo na quarentena, que teve duração de 90 minutos e gerou boa interação com os espectadores, foi mediado pelo consultor criativo Fabrício de Martino e reuniu a chefe-geral da Embrapa Solos, Petula Nascimento, o pesquisador da Unidade José Carlos Polidoro e o comunicador José Luiz Tejon, uma das maiores autoridades brasileiras em marketing do agronegócio. O ilustrador Dudu Rosa e a artista plástica Milena Pagliacci participaram com a realização de ilustrações e de um mapa mental sobre o bate-papo, respctivamente – baixe os desenhos ao final da matéria.

 

Assista vídeo completo

 

Polidoro introduziu dessa maneira o assunto: “O solo é um recurso natural renovável, porém não indestrutível. Ele precisa ser muito bem cuidado. Metade de sua composição é de minerais provenientes de rochas, outros cerca de 45% de água e ar e até 5% de matéria orgânica, onde está a atividade microbiana tão importante para nós. E a nossa relação com o solo vai além muito da produção de alimentos. O chão em que pisamos é o solo, sem o conhecimento dele as cidades e suas edificações não poderiam ser construídas. E pode-se dizer que a nossa saúde foi salva pelo solo! Alexander Fleming, um dos primeiros microbiologistas do mundo, descobriu que um fungo do solo, o Penicillium [notatum], produzia uma substância que combatia bactérias, chamada por ele de penicilina, de grande importância no combate a infecções”, disse, acrescentando que o solo é também o grande filtro e reservatório da água que consumimos.

Tejon ressaltou a importância da preservação dos solos, não apenas para a produtividade do agronegócio, como também para garantir o abastecimento de água para a população. “Nós sabemos, pelos estudos que vocês realizam, da importância que é para o produtor ser um gestor do seu micro-bioma. E para isso ele precisa gerenciar essas duas coisas sagradas. Se não houver solo, não haverá água.”

“Muitos produtores ainda não dão a devida importância para a análise de solo. É preciso conhecer bem o seu solo, para que tudo isso aconteça”, acrescentou Petula. “Essa contribuição da ciência precisa ser cada vez mais divulgada e utilizada, pois somente assim é possível fazer uma boa gestão da propriedade.”

Saúde humana      

Os impactos do solo na saúde humana também foram discutidos durante a live. Polidoro destacou que a crise provocada pela pandemia da Covid-19 pode ser uma oportunidade para que a população reveja seus hábitos alimentares, dando mais importância aos alimentos minimamente processados ou mais próximos da sua condição natural. “Se estamos relacionando o solo e a água com a qualidade do alimento, é preciso entender que nossa saúde está ligada ao consumo de um alimento mais próximo do natural. Isso vai se refletir, como aconteceu em outros países, na pressão sobre o setor médico, por que teremos menos pessoas doentes.”   

Para Tejon, após a pandemia da Covid-19 haverá uma ênfase maior da produção agropecuária como sinônimo de saúde. “Creio que o agrônomo será visto como um agente da saúde humana, por que haverá uma grande conscientização de que a saúde que usufruímos na cidade é oriunda e originada no campo. E teremos muito mais consciência de que a saúde do solo obviamente impacta na qualidade do vegetal, e a partir daí impacta na qualidade dos alimentos dos animais, do leite, dos ovos. Teremos uma compreensão maior de saúde humana vinculada à originação de tudo o que a gente come e veste”, opinou.

Centros urbanos

O zoneamento é um instrumento utilizado para o planejar o ordenamento urbano de uso e ocupação do solo, que leva em consideração as potencialidades e vulnerabilidades ambientais de determinada região, especialmente do comportamento e das características do clima, do solo, da vegetação e da geomorfologia.

Para José Carlos Polidoro, trata-se da melhor ferramenta existente para ordenamento de ocupação de territórios. “Nos centros urbanos ele é muito importante. Vemos muitas tragédias em grandes e pequenas cidades, como enchentes e deslizamentos, que acabam custando muitas vidas. Isso acontece por que não se segue o zoneamento para realizar o ordenamento urbano”, disse Polidoro.  

Ele citou como exemplo positivo a cidade de Goiânia (GO), que possui uma lei baseada em seu zoneamento urbano. “São coisas simples que já fazem a diferença, como o limite de impermeabilização de áreas dos terrenos de casas e condomínios, para garantir uma área de recarga, como gramados.”

PronaSolos

Um dos destaque da live foi o Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos), que vai gerar, pelos próximos 30 anos, um enorme conjunto de dados e informações de solos, com diferentes graus de detalhamento, para elevar o conhecimento sobre a terra do Brasil. Com ele, pretende-se subsidiar políticas públicas e gestão territorial, promover a agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão de crédito agrícola, por exemplo.

“O PronaSolos é uma decisão que o Brasil tomou para cuidar do seu solo e da sua água. E vamos começar por conhecer melhor os nossos solos. Nós conhecemos adequadamente só 5% do território nacional. Isso significa que podemos melhorar muito a nossa eficiência na produção agropecuária. E ele irá impactar positivamente para além da agropecuária, como na construção de estradas e rodovias, projetos de telecomunicações, produção de água,  produção de fármacos a partir da biodiversidade dos solos”, explicou Polidoro.   

“O PronaSolos é um dos grandes desafios para o Brasil nos próximos anos e deve ter um impacto muito significativo na infraestrutura e na economia do País”, concluiu Petula.

Conservação

Os especialistas também debateram sobre boas práticas conservacionistas de solo e água, como o sistema de plantio direto e os sistemas integrados, e sobre o Plano ABC, que tem por finalidade promover a adoção de tecnologias sustentáveis que reduzam a emissão de gases de efeito estufa. Ações que fazem da agropecuária brasileira uma das mais sustentáveis do Planeta e que são muito eficazes, quando adotadas adequadamente, para a conservação do solo e da água.

É claro que o maior problema mundial em relação ao solo também foi tema do debate. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), a erosão é uma ameaça global à produção de alimentos, à disponibilidade futura de terras para a agricultura e à qualidade da água.

De acordo com Polidoro, estudos recentes apontam que o Brasil perde 1,2 bilhão de toneladas de solo por ano por causa dos efeitos da erosão, com prejuízos na ordem de U$ 16 bilhões considerando toda a cadeia produtiva. “Por causa principalmente do plantio direto, nós estamos melhores que a maioria dos países em relação aos problemas com a erosão. Mas os números ainda estão muito altos”, ponderou.

 

Clique nas ilustrações para baixar

Mapa mental de Milena Pagliacci

 

Ilustrações de Dudu Rosa

 

Fonte: Embrapa

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AGRO & NEGÓCIO

Embrapa apresenta a rede empresarial brasileira de ACV em reunião do Cosag – Fiesp

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O Chefe-Geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, participou na manhã de hoje, 30 de julho, da reunião conjunta do Conselho Superior do Agronegócio – COSAG e do Conselho Superior de Comércio Exterior – COSCEX, em formato digital, promovida pela Federação das Indústrias de Estado de São Paulo – Fiesp.

A reunião teve como pauta a agenda do Brasil para a COP26, apresentada pelo Ministro de Estado do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite e contou com a participação de conselheiros da Fiesp, representantes de diversos setores do empresariado nacional e de diversas esferas de governos.

Na oportunidade, o ministro destacou a importância de se estabelecer no país uma plataforma de obtenção de métricas de carbono robusta, baseadas na melhor ciência disponível e adequada para as condições tropicais do Brasil, citando o RenovaBio e sua contabilidade de créditos de descarbonização como um exemplo de ação do país neste sentido.

A mensagem foi reforçada pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas – FGV-EESP, que anunciou a criação do Observatório da Bioeconomia, que pretende reunir as expertises nacionais para o desenvolvimento de uma economia verde.

Em sua apresentação, Morandi conectou estes pontos, mostrando a importância crescente que a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) tem tido para as métricas ambientais em todos os setores da economia. Destacou que na agricultura a ACV tem ganhado relevância, especialmente para o Brasil, que tem no agronegócio um de seus pilares econômicos.

Morandi também apresentou a iniciativa da Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV), destacando a importância da adesão das empresas, instituições de pesquisa e das instâncias governamentais na construção e aplicação do pensamento de ciclo de vida, que segundo ele, pode trazer ganhos imensos ao país, “ao permitir adequar as métricas com padrões adequados ao ambiente tropical e, com isso, minimizar riscos de barreiras não-tarifárias, permitir o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais e promover a agropecuária sustentável e de baixa emissão de carbono”.

Para a Secretária Executiva da Rede ACV, Sonia Chapman, a apresentação de hoje para o Cosag representa uma oportunidade ímpar de dar visibilidade às propostas em andamento, “firmando a Rede ACV como ambiente relevante para alcançar o necessário consenso global nestes temas e, principalmente, compreender as oportunidades de contribuição às pautas estratégicas do Cosag, órgão de extrema relevância e representatividade do agro no Brasil,” disse.

A atuação da Embrapa nas métricas de carbono na agricultura

A Embrapa tem uma atuação de destaque no cenário nacional no desenvolvimento de processos e produtos de baixa emissão de carbono em diversas cadeias, como a da carne, leite, soja, cana-de-açúcar, café e outras. Além dos sistemas de produção, a Embrapa tem se dedicado ao aprimoramento das metodologias e inventários de produtos, de forma a tropicalizar e contabilizar de forma adequada as particularidades da nossa agricultura.

Neste sentido, recentemente a Diretoria Executiva de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa propôs a criação de um Grupo de Trabalho (GT) de especialistas para harmonizar os conceitos e abordagens, além de promover a capacitação das diferentes Unidades da Embrapa na temática “Contabilidade de Carbono”, com o intuito de atender às oportunidades e demandas crescentes que a economia de baixo carbono traz.

Segundo Morandi, que coordena a formação do grupo, é necessário o alinhamento dos conceitos e a construção de uma base científica vigorosa “para alcançarmos os diferentes objetivos de redução, ou até neutralização, de carbono na agricultura brasileira”.
A reunião de kick-off do GT Carbono aconteceu ontem.

Como destaca Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, especialista em avaliação de Ciclo de Vida e conselheira da Rede ACV, a correta contabilidade e comunicação de impactos ambientais potenciais, em especial o referente às Mudanças Climáticas, são uma forte demanda do governo, como deixou claro em sua fala o atual Ministro do Meio Ambiente, assim como do setor produtivo, fortemente representado na reunião da Cosag. “A Pegada de Carbono de produtos, informação contabilizada pela técnica da ACV, é demandada em relações comerciais internacionais e pode garantir o acesso dos produtos agrícolas brasileiros a mercados mais exigentes. Outros impactos medidos pela ACV, como a Pegada Hídrica e a Pegada Ambiental de produtos, são também assuntos prementes,” ressaltou a pesquisadora.

O que é a rede empresarial ACV

A Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV) foi lançada em 2013 com a Missão de mobilizar as empresas, articular governos e educar o consumidor, visando incorporar a ACV como uma ferramenta para determinar a sustentabilidade dos produtos. Para isso, ela visa criar um ambiente de cooperação para o uso de ACV no Brasil; educar e capacitar a sociedade sobre este conceito, sua aplicação e benefícios; disponibilizar e disseminar para diversos públicos informações sobre ACV no Brasil e colaborar e apoiar o governo brasileiro na consolidação do Banco Nacional de Inventários do Ciclo de Vida.

O Cosag

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) é um órgão técnico estratégico da Fiesp, coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen (IRS), que tem por objetivo debater, realizar estudos e propor políticas na área do agronegócio, promovendo permanente interação das entidades ligadas ao tema. Propõe estudos e atividades, atuando como painel de ideias para apreciação da conjuntura atual. O Conselho se reune ordinariamente, uma vez por mês, com participação dos conselheiros eleitos e de lideranças e representantes de instituições públicas e privadas que atuam na área do agronegócio. Juntamente com o Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), são importantes fóruns de discussões com possibilidades de cooperação e parceria, especialmente com o setor produtivo. Atuam de maneira conjunta e em articulação, dando suporte às demandas dos setores do agronegócio, a partir da elaboração de propostas para temas estruturais que beneficiam as cadeias produtivas, impactando a competitividade do agronegócio no mercado nacional e internacional.

A Embrapa tem tido oportunidade de contribuir com a identificação destes desafios e oportunidades, fornecendo subsídios técnicos para elaboração de propostas e políticas públicas. A participação da Embrapa nos encontros do Cosag é relevante para prospectar demandas do setor produtivo, além de contribuir com debates e propostas de políticas públicas. Possibilita, ainda a interação com lideranças e fortalece a capacidade de contribuir com a formulação de políticas públicas alinhadas ao setor agro.

Fonte: Embrapa

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