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Embrapa Meio Ambiente perde Luiz Alexandre Sá

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Pesquisador deixa um legado importante na contribuição ao tema de controle biológico e pragas quarentenárias.

A ciência brasileira está de luto. Faleceu hoje (6), em Campinas, SP, o conceituado pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Luiz Alexandre Nogueira de Sá. Desde 1982 era pesquisador da Embrapa, onde atuou, de forma destacada, no tema controle biológico de pragas na agricultura. Era casado com Maria José e tinha duas filhas, Maria Lívia e Maria Clara.

Profissionalmente muito ativo, era entomologista (estudo dos insetos) na área do controle biológico clássico de pragas e sua pesquisa sempre esteve relacionada à área de defesa fitossanitária, na prevenção, introdução e quarentena de inimigos naturais exóticos no controle biológico de pragas também exóticas (de fora do País). Participou da equipe do único laboratório de quarentena para a importação de bioagentes exóticos de controle e outros fins, credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no País desde 1991 na área de Defesa Fitossanitária, situado em Jaguariúna, SP.

Foi um dos fundadores em 1991 do Laboratório de Quarentena “Costa Lima”, no qual dedicou grande parte da sua vida científica para a construção e a manutenção do nome “Costa Lima”, junto aos colegas Gilberto José de Moraes, Fernando Junqueira Tambasco, Franco Lucchini e tantos outros pesquisadores importantes, que, em 29 anos de trabalhos em controle biológico clássico, apoiaram e contribuíram com esta área de pesquisa, além dos colegas que em outros quarentenários existentes pelo mundo facilitaram as trocas e aprendizagens.
O Laboratório “Costa Lima” completou 29 anos de existência realizando intercâmbio de agentes de controle biológico clássico no País. Foram importadas 773 espécies de bioagentes para o controle de diversas pragas exóticas em diferentes culturas, provenientes de 27 países, atendendo mais de 15 estados brasileiros. Exportamos também 36 espécies benéficas para o controle biológico de pragas em 10 países.

Luiz Alexandre também participou como membro do Grupo Técnico de Controle Biológico do Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (Cosave-GTCB) junto aos países membros Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Peru; como vice-presidente do Cosave-GTCB sediado no Brasil entre 2015 e 2019, e posteriormente, como delegado brasileiro nas discussões referentes aos problemas fitossanitários, e ao controle biológico clássico de pragas  compartilhado entre estes países.

Antes de se aposentar, em junho de 2020, disse que “acreditava que esta minha missão no intercâmbio internacional de bioagentes exóticos para o controle de pragas no Brasil trouxe grandes aprendizados e possibilitou a produção de conhecimentos. Posso afirmar que a fundação do Laboratório “Costa Lima” possibilitou um grande reconhecimento do nosso País neste campo, uma vez que não tínhamos um sistema quarentenário nacional de bioagentes até 1990″.

“Perdemos um profissional e amigo comprometido com o controle biológico e com as pesquisas do Laboratório Costa Lima”, diz a amiga e pesquisadora Maria Conceição Pessoa.

O chefe de P&D da Embrapa Meio Ambiente, Rodrigo Mendes diz que sempre se lembrará alegremente de Luiz Alexandre por dois motivos. “O primeiro pela sua personalidade marcante. O Luiz era espirituoso e provocador do riso. E o segundo pela sua dedicação ao Laboratório de Quarentena “Costa Lima”. Durante décadas o Luiz apaixonadamente promoveu o trabalho da quarentena pelo Brasil e pelo mundo”.

“Trabalhei diretamente com o Luiz Alexandre nos meus primeiros 10 anos de Embrapa. Fomos vizinhos de sala, atuando no Laboratório de Quarentena “Costa Lima”, que era uma grande paixão do Luiz. Partilhamos também o trabalho no Cosave. Com sua personalidade e seu jeito único sempre trazia muita alegria ao trabalho. Sua defesa apaixonada pela quarentena até gerava conflitos às vezes, mas nos ensinou muito. Sentiremos muita falta desse grande colega que dedicou sua vida ao controle biológico no Brasil”, destaca o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi.

“Hoje perdi um grande amigo! Meu amigo, meu parceiro, meu companheiro, estivemos juntos 30 anos no mesmo laboratório. Perdi uma pessoa que gostava muito”, diz o assistente Roberto Aparecido Alves Pereira.

História de muito trabalho

Engenheiro agrônomo pela Unesp Campus de Jaboticabal formado em 1975, Luiz Alexandre de dedicou à Embrapa por 41 anos. Iniciou suas atividades na Embrapa em 1979, cursando mestrado na área de Ciências Biológicas, na Unicamp, junto à equipe do professor Crodowaldo Pavan, titular de Biociências da USP e da Unicamp. Trabalhou em um Projeto Nacional de Pesquisas (PNP) da Embrapa sobre cigarrinhas-das-pastagens, que infestava o território nacional provocando danos na produção de carne, leite e derivados e nos rebanhos bovinos. Estes estudos foram solicitados na época pela presença desta séria praga como um problema fitossanitário nacional nas pastagens.

Fez mestrado em Genética na Unicamp de 1979 a 1982; doutorado em Entomologia na Esalq/USP, Piracicaba, SP de 1988 a 1991 sob a orientação do professor José Roberto Postali Parra; e o pós-doutorado na Universidade Politécnica de Cartagena na Espanha de 2001 a 2002. Fez parte da Embrapa na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, com as equipes de profissionais, estudantes e técnicos de vários outros Centros de Pesquisa distribuídos pelo País, contribuindo para ampliação de conhecimentos teóricos e práticos na agropecuária. Trabalhou inicialmente em 1982 e 83 na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em Brasília, DF, no Laboratório de Controle Biológico de Pragas com criação e controle biológico das espécies de cigarrinhas-das-pastagens do Cerrado.

 

Fonte: Embrapa

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Acaba de ser lançado livro sobre uso de nanotecnologia na agricultura

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O livro “Nanopesticides  from research and development to mechanisms of action and sustainable use in agriculture” acaba de ser lançado pela Editora Springer. Os editores são Leonardo Fraceto da Unesp, Vera Castro da Embrapa Meio Ambiente, Renato Grillo da USP,  Daiana Ávila da Universidade Federal  do Pampa e Renata Lima da Universidade de Sorocaba. 

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Vera Castro, também participa do capítulo “Overview of Nanopesticide Environmental Safety Aspects and Regulatory Issues: The Case of Nanoatrazine“, de Felícia Pereira de Albuquerque, Ana Cristina Preisler, Leonardo Fraceto e Halley Caixeta Oliveira.

O trabalho é fruto de uma parceria com os pesquisadores envolvidos nessa área.

Os nanomateriais têm contribuído para a ciência e tecnologia agrícola em várias fases de produção e comercialização. O uso dos nanopesticidas pode auxiliar na redução dos efeitos nocivos ao meio ambiente. Seus benefícios podem incluir melhor estabilidade e maior eficácia do composto, permeabilidade e dispersão do ingrediente ativo, melhor direcionamento para espécies de pragas, redução de doses de aplicação, e aumento da segurança ambiental.

Contudo, atualmente ainda faltam dados mundiais sobre a eficácia dos nanopesticidas em comparação com os produtos convencionais e sobre seus efeitos ambientais. Assim, os editores acreditam que, apesar de seu uso promissor, é necessário estudar o possível impacto dos nanopesticidas no ambiente e nos organismos não-alvo e, conseqüentemente, na biodiversidade e na saúde humana.

A obra pretende contribuir para maior compreensão das características dos nanopesticidas,  avaliação de riscos, regulação, aplicação e marketing. O livro explora o desenvolvimento de nanopesticidas e de testes de sua atividade biológica contra organismos-alvo. Também abrange os efeitos dos nanopesticidas nos ambientes aquático e terrestre, juntamente com assuntos relacionados, incluindo destino, comportamento, mecanismos de ação e toxicidade. Além disso, analisa os riscos potenciais de nanopesticidas para organismos não-alvo, bem como questões regulatórias e perspectivas futuras.

Considerando esses fatos, foram discutidas algumas características recentes do desenvolvimento de nanopesticidas, aplicação e avaliação de toxicidade, organizados em 11 capítulos. Os capítulos 1-3 descrevem o uso de diferentes transportadoras para liberação de ingredientes ativos visando aplicações agrícolas. Os capítulos 4-6 descrevem alguns métodos usados para entender o destino e o comportamento dos nanopesticidas em plantas, solo e água. Os capítulos 3 e 6 discutem também sua potencial toxicidade e impactos no meio ambiente. Os capítulos 7 e 8 mostram potencial toxicidade de nanopesticidas e seus impactos no meio ambiente. Já os capítulos 9 e 10 fornecem uma visão geral dos aspectos de segurança ambiental e questões regulatórias. Finalmente, o capítulo 11 discute os aspectos comerciais dos nanopesticidas em produção agrícola.

O livro pode ser adquirido pelo link da editora.

 

Fonte: Embrapa

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