AGRO & NEGÓCIO

Embrapa difunde pesquisas para fruticultura brasileira em simpósio online

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Em parceria com setor produtivo, universidades e outras organizações, evento oferece mais de 50 palestras com os principais especialistas e produtores destacados dessa cadeia produtiva

O presidente Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Celso Luiz Moretti, fará a conferência de abertura do Simpósio Online de Fruticultura (SOFruto). O evento, que começa nesta segunda, 19, é uma iniciativa conjunta da Sociedade Brasileira de Fruticultura (SBF) e da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA), com o apoio da Embrapa. Esse ano a SBF comemora 50 anos de sua fundação. 

Moretti vai falar sobre o tema “Ciência e fruticultura: a percepção da pesquisa”. Sua palestra versará, fundamentalmente, como a pesquisa pública agropecuária, liderada pela Embrapa, tem alavancado a cadeia produtiva da fruticultura, com uma rede de centros de pesquisa espalhada em todo o território brasileiro com mais de 40 unidades, sendo que, quase a metade realiza pesquisas com fruteiras. 

Ricardo Elesbão Alves, presidente da SBF e pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios, diz que a ideia desse simpósio foi chamar personalidades na área governamental, de ensino e pesquisa, e do setor produtivo para a realização de um evento mais técnico, acessível ao público-alvo do evento, ou seja, produtores rurais, agentes dos serviços de Assistência Técnica Rural e gestores públicos envolvidos na organização de cadeias de produção, principalmente aqueles que trabalham com a organização da produção para exportação. 

Essa semana, por exemplo, a estatal anunciou mais uma novidade: A Embrapa Semiárido apresentou a cultivar de uva de mesa BRS Tainá, a primeira totalmente desenvolvida no Nordeste Brasileiro. Voltada para a produção no polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, a uva exibe coloração branca, sabor neutro e agradável, além de ser uma variedade sem semente, uma das mais importantes características exigidas pelo mercado.

Entre agosto e outubro a Embrapa Alimentos e Territórios realizou, com diversos parceiros de universidades públicas, setor produtivo e organizações não-governamentais, uma série de quatro webinários sobre a cadeia produtiva e de valorização do umbu e de outras spondias.

Recentemente o radiofônico Prosa Rural, produzido pela Embrapa, exibiu uma edição totalmente dedicada sobre a uma nova cultivar de melão amarelo, a BRS Anton, adaptada às condições do Vale do Rio São Francisco. Desenvolvida pela estatal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ela tem polpa doce e firme. Seu principal diferencial dessa é a qualidade dos frutos, como a resistência na pós-colheita, com maior rugosidade e a espessura da casca, que minimizam os danos externos que podem alterar a qualidade sensorial da polpa.

Programação

No dia 19, a programação de palestras técnicas começa com a pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Áurea Fabiana Apolinário de Albuquerque Gerum, que vai apresentar um panorama sobre a fruticultura tropical, seus potenciais riscos e seus impactos. Em seguida, Jorge Luis de Souza, diretor da Attivo Consultoria & Treinamentos e Gerente de Projetos da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), abordará as perspectivas para a fruticultura de exportação.

Com produção de 79,4 milhões toneladas em 2019, o Brasil é um dos três maiores produtores de frutas do mundo, atrás apenas da Índia e da China. As exportações superaram um milhão de toneladas, volume 14,7% superior ao registrado em 2018, gerando divisas de US$ 24,4 milhões e um avanço de 19,1%. 

Outra palestra interessante vai ser a da pesquisadora Fernanda Vidigal Duarte Souza, curadora do Banco de Germoplasma de Abacaxi localizado na Embrapa Mandioca e Fruticultura, que vai falar sobre fruticultura ornamental. Já Glauco Bertoldo, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA, vai apresentar os mais novos aspectos sobre políticas e programas de inspeção de produtos de origem vegetal para fruticultura.

O evento traz ainda a questão da segurança sanitária, com palestra de Carlos Alexandre Gomes, gerente Geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). E Elisangeles Baptista de Souza, assessora técnica do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), tem palestra agendada com o tema “Estratégia nacional para suporte fitossanitário para minor crops em fruticultura”.

Vitarque Lucas Paes Coelho, da Coordenação Geral de Sistemas Produtivos e Inovadores na Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional do Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), traz um panorama atualizado sobre a Rota da Integração Nacional da Fruticultura. Adriana Brondani, fundadora da Biofocus Hub, encerra o dia com a palestra “Hortifruti saber e saúde: Conectando consumidores e produtores de frutas”. 

Dia 20, a psicóloga Claudia Vivacqua de Figueiredo abre os trabalhos com o tema “Comunidade que sustenta a agricultura (CSA): Da cultura do preço para a cultura do apreço”. Em seguida, Denise Cardoso, presidenta da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), fala sobre “Organização para produção e comercialização de frutas nativas do Semiárido”.

Um modelo de sustentabilidade para pequenos viticultores é o tema de Eudayr Alves Moreira Junior, presidente da Associação dos Produtores de Uva e Vinho Teresense (APRUVIT), de Santa Teresa (ES). E Diego Moure Oliveira, da iniciativa Agrobee, tem palestra com o tema “Conectando criadores de abelhas e agricultores, polinização para aumento da produtividade”.

O professor do Instituto Federal de Educação do Espírito Santo, Gustavo Haddad, vai falar sobre a fruticultura 4.0, com enfoque no uso de imagens termais aplicadas ao monitoramento do status hídrico das plantas. E a indicação geográfica no Vale dos Vinhedos será o assunto da palestra de Jorge Tonietto, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.

Na sequência, o engenheiro de alimentos, Philipe dos Santos, da empresa Rubian, fala sobre compostos bioativos obtidos com fluídos pressurizados e aplicações. Eder Dutra de Resende, professor-associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense, vai abordar o tema “potencial da pectina da casca do maracujá”. Já a extração de óleos de sementes de frutas será o tema de Adilson Manzano, fundador da empresa Ecirtec Equipamentos e Acessórios.

Na quarta, 21, a primeira palestra é com Richard Bryan Charity, presidente da Associação Biodinâmica do Nordeste, Conselheiro do Instituto Brasil Orgânico e diretor do Sertão Verde – Consultoria e Projetos Ltda. Ele vai mostrar “Como criar a assinatura do local (‘terroir’) através de métodos orgânicos/biodinâmicos de produção de frutas”. Em seguida, o pesquisador da Embrapa Agrobiologia, Raul Castro Carriello Rosa, vai expor sobre a produção orgânica de abacaxi e maracujá. 

Domingo Haroldo Reinhardt, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, fará palestra sobre o tema  “Abacaxi: variedades, aspectos da produção e mercado”. Abel Rebouças São José, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), falará sobre “Abacate: variedades, produção e mercado”. Edson Perito Amorim, apresenta a palestra “Melhoramento genético de banana no Brasil: história, atualidades e perspectivas”.

Logo em seguida será a vez de Francisco de Paula Durão Costa, diretor técnico da associação dos produtores de cacau de linhares (ACAL), vai trazer uma discussão sobre a indicação geográfica como estratégia de mercado. Já o presidente do Instituto Caju Brasil, Vitor Hugo de Oliveira, vai falar sobre “O agronegócio caju no Brasil: desafios e oportunidades”.

Sobre citricultura, Marcos Fava Neves, professor visitante da Purdue University (Indiana), da Universidade de Buenos Aires e da Universidade de Pretoria, fará palestra sobre a situação atual e oportunidades de mercado, e Eduardo Augusto Girardi, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, traz um panorama sobre cultivares de citros. Tem ainda Renato Beozzo Bassanezi, pesquisador científico do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que traz o tema “Desafios fitossanitários na citricultura”.

A programação do dia 22 começa com uma palestra de Maria do Carmo Bassols Raseira, com o tema “Melhoramento de espécies frutíferas de caroço: desafios, avanços e perspectivas”. Em seguida, Luís Eduardo Corrêa Antunes, falará sobre “Frutas vermelhas: produção e oportunidades de mercado”. Ambos são pesquisadores da Embrapa Clima Temperado. Cultivares de maçãs é outro assunto do simpósio, com palestra de Marcus Vinicius Kvitschal, pesquisador no Programa de Melhoramento Genético de Macieira da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). 

O panorama da produção do mamoeiro no Brasil serpa tema da palestra de Valmir Zuffo, Mestre, expert no planejamento e à produção agropecuária no Espírito Santo. Já Francisco Pinheiro Lima Neto, pesquisador da Embrapa Semiárido, vai mostrar o panorama do melhoramento genético, variedades e do mercado da mangueira. Ainda sobre a manga, Maria Aparecida do Carmo Mouco, trará uma palestra sobre seus sistemas de produção.

O professor Henrique Belmonte Petry, do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave), de Santa Catarina, vai apresentar novidades sobre “Maracujá-azedo: indicações para o cultivo anual em clima subtropical”. O maracujá terá ainda palestra do pesquisador da Embrapa Cerrados, Fábio Gelape Faleiro, que vai falar sobre “maracujás: melhoramento genético, novas cultivares, sistemas de produção e mercado”. Para encerrar a programação do dia, Fernando Antonio Souza de Aragão, fala sobre melhoramento genético, variedades e mercado do melão. 

No último dia do evento os trabalhos serão abertos por Ricardo Elesbão Alves, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios, cuja palestra enfocará a valoração, usos e oportunidades de mercado para frutas nativas. Em seguida, Paulo Manoel Pontes Lins, superintendente agrícola da Sococo S. A. Agroindústrias da Amazônia, fala sobre variedades, produção e mercado do coco brasileiro.

Patricia Ritschel, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho, vai traçar um panorama detalhado sobre os 43 anos do programa de melhoramento genético Uvas do Brasil, que desenvolve novas cultivares de videira. Paulo Roberto Coelho Lopes, pesquisador da Embrapa Semiárido, tem palestra agenda abordando o tema “Produção de fruteiras temperadas em clima tropical” e Osvaldo Kiyoshi Yamanishi, professor da Universidade de Brasília (UnB), encerra o ciclo de palestras virtuais com o tema “O ouro azul (mirtilo) que pode mudar o panorama da fruticultura brasileira”.

A partir das 15 horas, ocorre a mesa redonda “La Experiencia de Países de Latinoamerica en el Acceso y Exportación de Mercados de Frutas”, com Ana Maria Costa (Brasil), Cristian Dolorier Orellana (Peru), Marisol Parra (Colômbia), Claudia Ramirez Sandoval (Colômbia) e Reginaldo Báez (México).

“A importância na produção agrícola brasileira e a variedade de frutas existentes no nosso país, devido ao seu clima tropical, fazem com que o conhecimento seja um dos ingredientes muito importantes para o sucesso de empreendimentos que envolvem a produção e a comercialização de frutas. Para que as últimas tecnologias na área da fruticultura sejam repassadas ao setor produtivo é que estamos realizando esse evento”, diz o presidente da SBF, Ricardo Elesbão Alves.

“Ciência e fruticultura precisam caminhar sempre juntas. Com foco no aporte científico e tecnologia a cadeia produtiva da fruticultura vai continuar avançando. As palestras envolvem instituições públicas de ensino, pesquisa e extensão, assim como o setor produtivo e agroindustrial, que apresentam os principais avanços tecnológicos associados a consolidação do país como um dos principais produtores de frutas do mundo. Fruticultura esta, baseada em rígidos padrões de mercado, ancorada na produção sustentável e na qualidade e segurança para o consumo do exigente consumidor da atualidade”, afirma Elesbão.

O evento contará também com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Anvisa, do Ministério do Desenvolvimento Regional, empresas do agro brasileiro, consultores, professores e pesquisadores. “Os inscritos para a modalidade de acesso premium também poderão assistir todo o evento quando e onde quiser, além de garantir o seu certificado de 50 horas. Essa modalidade também permite acesso ilimitado a todas as palestras e à mesa redonda por seis meses, a partir da data de realização do evento. Vão receber ainda um e-book com resumos expandidos de todas as palestras apresentadas”, informa a presidente do simpósio, Ana Maria Costa, pesquisadora da Embrapa Cerrados. 
 

Fonte: Embrapa

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MILHO/CEPEA: Indicador supera R$ 80/sc e atinge recorde real da série do Cepea

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Cepea, 28/10/2020 – O Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) está em alta consecutiva há 20 dias e, nessa terça-feira, 27, atingiu R$ 81,48/saca de 60 kg, recorde real da série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em agosto de 2004 (os valores diários foram deflacionados pelo IGP-DI de setembro/2020).

 

No acumulado de 2020, o Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) acumula alta de 67,7%, em termos nominais. Na parcial de outubro (até dia 27), a média é de R$ 71,11/sc, valor 45,6% superior ao do mesmo período do ano passado, em termos reais.

 

Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso tem vindo principalmente da elevação dos valores nos portos – diante da maior paridade de exportação, por conta das valorizações internacionais e do dólar. Além disso, as aquecidas demandas doméstica e externa também influenciam os preços no Brasil. Atentos à baixa disponibilidade do cereal e aos possíveis impactos do clima sobre a próxima safra, vendedores limitam novas ofertas e sustentam o movimento de alta.

 

Muitos compradores consultados pelo Cepea já demostram dificuldades em encontrar novos lotes de milho no spot e também indicam ter margens comprometidas diante do atual preço. Com isso, no último dia 16, o governo anunciou a suspensão temporária das tarifas de importação de milho e também de soja. Contudo, ao avaliarem a viabilidade das importações, demandantes se esbarram nas dificuldades logísticas e no dólar elevado.

 

PORTOS – Enquanto a importação é facilitada, o milho brasileiro segue atrativo ao mercado internacional, contexto quem mantém firme as exportações. Nos primeiros 16 dias úteis de outubro, a Secex aponta que foram embarcadas 4,3 milhões de toneladas do cereal. Quanto aos preços, levantamento do Cepea mostra que, no acumulado da parcial de outubro (até o dia 27), as cotações do cereal subiram 21% em Paranaguá (PR) e 19% em Santos (SP).

 

REGIÕES – Os preços do milho estão em alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, mas as valorizações mais intensas são verificadas nas consumidoras, como São Paulo e Santa Catarina, devido a dificuldades em encontrar o cereal para negociar. Também há relatos de baixa disponibilidade de cereal no spot do Rio Grande do Sul, fazendo com que compradores busquem novos lotes de Mato Grosso do Sul, do Paraná e, até mesmo, de países vizinhos. No Paraná, apesar de a colheita da segunda safra ter sido finalizada há poucos dias, produtores consultados pelo Cepea limitam as ofertas e se concentram nos trabalhos de campo.

 

Quanto ao Centro-Oeste brasileiro, pesquisadores do Cepea indicam que a colheita foi elevada neste ano, mas produtores, aproveitando os altos preços, já comercializaram boa parte da produção, mantendo armazenado o volume restante, à espera de novas valorizações. No Nordeste, nem mesmo a colheita regional em estados como Sergipe limitou o avanço nas cotações.

 

Outras informações sobre as pesquisas do Cepea a respeito do mercado de milho aqui e por meio da Comunicação do Cepea e com o prof. Lucilio Rogerio Alves: [email protected] 

Fonte: CEPEA

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