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Embrapa contribui para o quarto inventário nacional de emissões de gases de efeito estufa

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Até o final deste ano, o governo brasileiro deve submeter sua 4ª Comunicação Nacional à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). O relatório, publicado a cada quatro anos, apresenta um panorama sobre a implementação no País da chamada Convenção do Clima e tem como um dos principais componentes a revisão e atualização do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE) não Controlados pelo Protocolo de Montreal.

Sob a coordenação geral do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a Comunicação Nacional contou com aproximadamente 400 especialistas de diferentes instituições brasileiras. O pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Eduardo Assad é responsável pela coordenação técnico-científica do Inventário Nacional, por meio da Rede Clima. O documento final foi aprovado pelo comitê interministerial no último dia 9.

Além de um compromisso assumido pelo Brasil desde 1998, a partir da adesão à Convenção do Clima, a elaboração do inventário possibilita monitorar as ações para redução das emissões e adaptação às mudanças climáticas, apoiar a tomada de decisão e orientar programas e políticas públicas. “O inventário, que compõe a Comunicação Nacional, é a base de dados oficial do País e tem também papel fundamental nas discussões sobre as metas do Brasil para o Acordo do Clima de Paris, as chamadas NDCs ou Contribuições Nacionalmente Determinadas”, explica Assad.

A quarta edição do inventário abrange o período de 2011 a 2016 e contempla os dados oficiais das estimativas de emissões e remoções de GEE de cinco setores: Energia; Processos Industriais; Agropecuária; Resíduos; e Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas. Cada um deles possui ainda subsetores, categorias e subcategorias, contabilizando mais de 100 atividades. Exceto Indústria e Energia, a Embrapa colaborou diretamente em todos os demais setores.

Somente na agropecuária, a Empresa esteve à frente dos sete subsetores analisados: Fermentação Entérica, com o pesquisador Alexandre Berndt, chefe de P&D da Embrapa Pecuária Sudeste; Solos Manejados, Uso de Calcário e Aplicação de Ureia, com o pesquisador Bruno José Alves, da Embrapa Agrobiologia; Queima de Resíduos Agrícolas, com a pesquisadora Ana Paula Packer, chefe de TT da Embrapa Meio Ambiente; e Cultivo de Arroz, com a pesquisadora Walkyria Scivittaro, da Embrapa Clima Temperado. A coordenação técnica do setor é do professor do Instituto Federal de Alagoas Stoécio Maia. Os resultados do inventário para a agropecuária envolveram ainda a colaboração de pesquisadores da Embrapa Agrobiologia, Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Gado de Leite, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Solos e Embrapa Suínos e Aves.

A metodologia para as estimativas de emissão utilizou as diretrizes de 2006 do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Assad ressalta que com isso o Brasil ficou totalmente alinhado às metodologias dos outros países, podendo assim comparar as emissões. “Os fatores de emissão adotados na agropecuária foram todos ‘tropicalizados’. Essa foi uma das principais contribuições da Embrapa neste trabalho. Não utilizamos fatores de emissão estrangeiros ou default”, enfatiza. Todos os dados foram disponibilizados para consulta pública e verificados por especialistas antes da aprovação.

Segundo ele, em termos absolutos a agropecuária ainda tem a maior participação nas emissões do Brasil, mas o setor fez um grande esforço para redução e, entre 2011 e 2016, apresentou a menor variação nas estimativas de emissões, calculadas em toneladas de CO2 equivalente (CO2e). “Com a possibilidade de expandir a agricultura de baixa emissão de carbono e principalmente a fixação biológica de nitrogênio, as emissões da agropecuária podem reduzir ainda mais no próximo período a ser inventariado, diferente do setor de mudança de uso do solo, que deverá apresentar índices maiores devido ao aumento do desmatamento nos últimos anos”, opina.

No caso do setor de energia, de acordo com Assad, o potencial dos biocombustíveis no Brasil e o crescimento da adoção da energia solar e eólica são alternativas importantes para promover a redução das emissões.

A Comunicação Nacional é elaborada conforme orientação da Convenção do Clima e contempla, além do inventário, medidas previstas para implementação da convenção e estudos de impacto e vulnerabilidade à mudança do clima para subsidiar os esforços em adaptação. Sua elaboração é um trabalho interministerial e colaborativo, coordenado pelo MCTI, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio dos recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente.

Os resultados, planilhas detalhadas e relatórios do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE) não Controlados pelo Protocolo de Montreal serão disponibilizados até 31 de dezembro. Também poderão ser consultados no Sistema Nacional de Registro de Emissões (Sirene), plataforma on-line do MCTI.

Fonte: Embrapa

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Lavouras de grão-de-bico resistem a fortes geadas ocorridas no centro-sul do Brasil

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Plantas geralmente sensíveis a altas temperaturas ou a frio intenso, as hortaliças podem ter a sua evolução afetada quando expostas a essas ocorrências, umas mais outras menos, a depender da espécie cultivada e também de seu estágio de desenvolvimento. Entre as cultivares de grão-de-bico, desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), a BRS Aleppo, por exemplo, comprovou características importantes de tolerância a condições climáticas adversas, como as geadas que ocorreram recentemente nos estados do Paraná, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

Confira aqui vídeo disponível no site do Inmet com informações a respeito da onda de frio intenso no País nos próximos dias.

O pesquisador Oscar Fontão Jr., da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), explica que o florescimento e o progresso reprodutivo do grão-de-bico são influenciados principalmente por três fatores: disponibilidade de água, comprimento do dia e temperatura, sendo essa última considerada mais importante do que o fotoperíodo. E com relação a essa questão, conforme o pesquisador, as cultivares de grão-de-bico responderam com um bom nível de tolerância. “Em diversos locais do Mato Grosso do Sul, quando houve a ocorrência de geadas durante cinco dias, verificou-se uma perda inicial de flores e vagens, mas as plantas continuaram a florescer”, observa Fontão.

O bom comportamento do grão-de-bico frente a essas condições climáticas adversas também foi observado no Paraná, na região de Uraí, próxima à Londrina, Campo Mourão e Maringá, e surpreendeu o agrônomo Ademir Santini, da empresa SantiniAgro. Segundo ele, as geadas provocaram forte prejuízo na cultura do milho, principalmente, já que o trigo por estar ainda na fase vegetativa – entre a germinação e a floração – não sofreu danos, “e o único cultivo que permanece em condições de campo e não foi afetado pela mudança climática foi o de grão-de-bico”. “Ficou bastante evidente que o grão suportou bem a forte geada”, destaca Santini.

Também no Paraná, dessa vez no oeste do estado, o produtor Airton Cittolin também apontou a ocorrência de geadas bastante severas “como há muito tempo não acontecia na região”, e ressaltou o bom comportamento do grão-de-bico. “Plantamos o grão-de-bico e com 40 a 50 dias de germinação, e mesmo em fase de crescimento suportou bem as geadas”, atestou Cittolin, referindo-se à cultivar BRS Aleppo, que divide a área plantada com a cultivar BRS Toro, que mostrou menor tolerância.

Para o pesquisador e chefe-geral da Embrapa Hortaliças Warley Nascimento, que coordena as pesquisas de melhoramento genético com as leguminosas secas, as chamadas pulses (ervilha, lentilha e grão-de-bico), a resposta positiva da cultivar BRS Aleppo quando submetida a baixas temperaturas pode servir como “fonte para novas pesquisas de melhoramento”. “Podemos utilizar a BRS Aleppo para gerar outras cultivares, uma vez que ela é produtiva, resistente a fungos de solo e com mais essa característica comprovada de tolerância ao frio”, avalia Nascimento.

O pesquisador acrescenta que nessas localidades onde ocorreram fortes geadas, outras culturas que “competiriam” com o grão-de-bico como milho, feijão, gergelim e mesmo o trigo sofreram bastante com a geada, assim essa leguminosa seria uma boa opção entre essas culturas de inverno, com menores riscos. 

Zoneamento Climático

O grão-de-bico foi incluído no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) desenvolvido em conjunto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Embrapa. Até o final do ano, o programa vai apresentar os estudos sobre as culturas de canola, maçã, pêssego, café, abacaxi, grão-de-bico, cana, soja e milho.

Conforme dados divulgados pelo MAPA, o zoneamento tem como objetivo reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos ao possibilitar a identificação pelo produtor sobre a melhor época para o plantio, levando em consideração a região do País, a cultura e os diferentes tipos de solo. Com essas informações, será possível reduzir perdas provocadas por eventos meteorológicos adversos, como os que ocorreram em diversas regiões brasileiras.

Fonte: Embrapa

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