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Embrapa ajuda produtores a controlarem as doenças do feijão-de-metro

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O feijão-de-metro é uma das mais importantes hortaliças da Amazônia, mas ainda vulnerável ao ataque de fungos e vírus que causam prejuízo aos produtores, em sua maioria agricultores familiares. Para promover a saúde das plantas e evitar perdas nessa lavoura, a Embrapa divulga estudo para otimizar as ações de prevenção e controle das doenças da espécie.  

Os principais problemas detectados estão descritos na circular técnica Doenças de feijão-de-metro no Pará, que reúne dicas sobre a identificação dos sintomas do adoecimento, inclusive com fotos,  e o manejo preventivo para evitar a contaminação e propagação das doenças. Fonte de consulta muito útil e prática para produtores rurais, técnicos da extensão, estudantes, professores e demais interessados no tema, pode ser acessada diretamente aqui.

“Como no momento só existe uma cultivar registrada no Brasil, denominada De Metro, mas suscetível a contaminações, e por não haver defensivos agrícolas registrados para a cultura pelo Ministério da Agricultura, saber reconhecer os sintomas na planta e agir preventivamente é alternativa indispensável para fazer do feijão-de-metro um cultivo contínuo e bem-sucedido”, enfatiza a autora Alessandra de Jesus Boari, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA).

Chamado de feijão-verde no Pará, a leguminosa feijão-de-metro, caracterizada por vagens longas e finas, é da mesma espécie que o feijão-caupi (Vigna unguiculata), havendo doenças comuns a ambos e modos semelhantes de lidar com elas. Fonte de proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio e potássio, além de vitaminas dos complexos A e B (tiamina e niacina), no Norte do Brasil é muito apreciado como alimento substituto do feijão-vagem, de outra espécie: o feijão comum (Phaseolus vulgaris), este pouco resistente às condições ambientais amazônicas (altos índices de temperatura e umidade).

Doenças causadas por fungos

Na obra Doenças de feijão-de-metro no Pará, a circular técnica lançada pela Embrapa, são citadas nove doenças do feijão-de-metro causadas por fungo. A mela é a principal delas: com grande incidência durante o período chuvoso (janeiro a maio), progride rápido nas condições quentes e úmidas do Pará. “Bastam sete dias para as folhas ficarem completamente destruídas”, alerta a pesquisadora Alessandra Boari.

Kátia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e também autora da publicação, explica que a mela é doença comum na Amazônia devido a fatores ambientais, já tendo sido relatada em várias culturas de importância econômica e social na região. “Um dos principais desafios é o controlá-la, uma vez que o fungo causador da mela, Rhizoctonia solani, consegue sobreviver no solo por vários anos e tem vários hospedeiros”, relata, lembrando que o patógeno foi detectado pela primeira vez em plantios do Pará no ano de 2016, quando causou amplo impacto negativo aos produtores.

De acordo com a pesquisadora Kátia Nechet, a mela é doença de difícil controle e várias práticas culturais são recomendadas para evitar a perda total do plantio, por exemplo: usar sementes sadias e certificadas, além de plantar em épocas desfavoráveis ao desenvolvimento da mela são formas de tornar o manejo mais efetivo.

O clima típico da região amazônica, com temperaturas altas e chuvas frequentes, contribui para a disseminação de vários outros micro-organismos, entre eles os causadores da cercosporiose.  Estes patógenos são disseminados principalmente por sementes e o controle indicado se inicia por aí: com o uso de sementes sadias, aliás válido como boa prática sempre. 

A antracnose ou mancha-café não é exclusiva do feijão-de-metro, sendo comum entre as principais culturas econômicas em todo o mundo. O oídio, que, ao contrário da mela, ocorre no período mais seco do ano, pode ser combatido com o uso de leite cru e de óleo de nim.

Para a murcha de fusário, que causa grandes perdas em culturas de importância econômica, a recomendação técnica é a adoção de manejo integrado, como a escolha da área isenta do patógeno e sem encharcamento, uso de sementes sadias e certificadas, rotação de cultura e destruição das plantas doentes para eliminação de fonte de inóculo.

Para a mancha-alvo, que realmente parece o desenho de um alvo rodeado por círculos, mesmo sendo de menor expressão recomenda-se, em caso de surto, o uso de sementes sadias e rotação de cultura. A podridão cinzenta do caule, comum em algodão, mandioca, feijão comum, soja e feijão-caupi (este conhecido no Pará por feijão-da-colônia), faz a planta murchar e morrer. Existe também a podridão úmida das vagens, mas de pouca ocorrência.

Já o tombamento e podridão de raízes podem provocar grandes danos na cultura em períodos quentes e chuvosos, especialmente em solos argilosos, que são favoráveis ao acúmulo de água. Esses sintomas são causados por patógenos disseminados pelo solo, vento, água de chuva ou irrigação e implementos agrícolas.

Doenças causadas por vírus

A publicação Doenças de feijão-de-metro no Pará informa que não existe composto químico para controle de vírus em planta. Também não existe, até o momento, cultivar resistente a vírus causadores das duas doenças citadas no documento: o mosaico-severo e o mosaico-foliar. Da mesma forma que para os fungos, a recomendação da Embrapa é fazer o manejo de viroses e insetos vetores por meio de medidas preventivas e culturais.

No caso de vírus, as boas práticas recomendadas são: “uso de sementes sadias e certificadas; uso de barreiras vivas, que consistem em proteger o plantio de feijão-de-metro com três a quatro fileiras bem adensadas de milho ou sorgos plantadas um mês antes do plantio do feijão-de-metro; evitar proximidade com plantas doentes com sintomas de viroses e eliminar as plântulas de feijão-de-metro apresentando mosaico e clorose nas folhas primárias, assim como plantas hospedeiras de vírus”.

Para baixar a circular técnica, acesse aqui a Infoteca-e, repositório de publicações técnico-científicas da Embrapa. Assinam a publicação as pesquisadoras da Embrapa Alessandra de Jesus Boari e Katia de Lima Nechet, as engenheiras-agrônomas Ayane Fernanda Ferreira Quadros e Izabel Cristina Alves Batista, doutorandas na Universidade Federal de Viçosa (MG) e Caterynne Melo Kauffmann, doutoranda na Universidade Nacional de Brasília (Distrito Federal). 

Fonte: Embrapa

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Artigo – O clima em Dourados em 2021: relato de um ano atípico

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O ano de 2021 foi difícil para a grande maioria das pessoas. Entre tantas dificuldades enfrentadas, sem dúvida, podemos também incluir a questão climática. Foi o caso do clima em Dourados, MS, que em 2021 apresentou comportamento totalmente atípico, com estiagens, chuvas mal distribuídas, períodos muito quentes e inverno frio. Grande parte desse comportamento atípico pode ser atribuído à influência de La Niña, fenômeno climático, ativo de janeiro a maio e de agosto a dezembro, ou seja, praticamente todo ano de 2021. Analisando-se os Boletins Agrometeorológicos mensais do sistema Guia Clima , podemos verificar como foi o comportamento do clima em Dourados no transcorrer de 2021.

O ano iniciou com muita chuva. Janeiro de 2021 foi o mais chuvoso da série meteorológica de 43 anos da Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados. Choveu 345 mm; mais que o dobro da média.

No entanto, após a esse janeiro extremamente chuvoso, iniciou a primeira estiagem do ano, um período de quatro meses, com chuvas escassas e mal distribuídas.

Em fevereiro choveu apenas 47 mm em Dourados e em março 40 mm, 30% da média desses meses. A estiagem continuou em abril e maio, meses em que choveu, respectivamente, apenas 37 mm e 36 mm, ou seja 35% e 34% da média histórica.

Com base na série histórica, de fevereiro a maio é esperado que chova em torno de 500 mm. No entanto, em 2021 choveu apenas 160 mm, ou seja, um terço do esperado. De 17 de fevereiro a 31 de maio, durante 120 dias, os solos de Dourados estiveram com níveis insatisfatórios de umidade.

Após essa estiagem, as chuvas voltaram em junho. Concentradas no primeiro decêndio do mês, as chuvas totalizaram 133 mm, quase o dobro da média.

O mês de junho iniciou com temperaturas altas, mas com a entrada na região de uma massa polar, ocorreram temperaturas muito baixas. Nos últimos dois dias do mês houve formação de geadas.

Julho de 2021 foi o mais frio dos últimos 14 anos em Dourados. O frio intenso foi causado pela entrada de três massas polares na região. Em seis dias houve formação de geadas. Além disso, não ocorreram chuvas no mês de julho.

Agosto, ao contrário de julho, apresentou temperaturas muito altas. Foi o mês de agosto mais quente dos últimos seis anos. As chuvas ocorreram somente no final do mês e totalizaram 46 mm, praticamente igual à média.

As temperaturas altas continuaram e setembro de 2021 foi o mês de setembro mais quente da série histórica de 43 anos. Além disso, as chuvas foram escassas, totalizando 49 mm, metade da média.

Nos meses de julho, agosto e setembro, normalmente, há redução do volume das chuvas, uma das características do inverno seco da região. Mas em 2021 essa redução das chuvas foi ainda maior. É esperado que chova nesses três meses, em torno de 200 mm. No entanto, em 2021 choveu apenas 95 mm, menos da metade do esperado. Nesse período de 92 dias, os solos de Dourados permaneceram 80 dias com níveis insatisfatórios de umidade.

Após a segunda estiagem do ano, ocorreram chuvas expressivas em outubro. Choveu mais de 100 mm acima da média do mês e, devido às chuvas frequentes, as temperaturas foram mais amenas.

No entanto, assim como ocorreu na maioria dos meses anteriores, as chuvas foram escassas em novembro. Em 2021 ocorreu o mês de novembro com o menor índice pluviométrico da série histórica. Choveu apenas 47 mm, 30% da média.

Finalizando 2021, ocorreu em Dourados o mês de dezembro mais quente dos últimos 36 anos. As chuvas continuaram escassas e mal distribuídas. Choveu apenas 68 mm em dezembro, 39% da média

Em novembro e dezembro, final de primavera e início de verão, são esperadas chuvas expressivas, próximas a 330 mm. Mas em 2021 ocorreu a terceira estiagem do ano. Choveu somente 115 mm, aproximadamente um terço do esperado. Nos 61 dias dos meses de novembro e dezembro, os solos permaneceram 53 dias com níveis insatisfatórios de umidade.

Houve predominância de temperaturas acima das médias em 2021 em Dourados, apesar da ocorrência de alguns períodos de frio intenso nos meses de junho e, principalmente, julho. Como consequência, a temperatura anual média em 2021 foi 23,4 °C, três décimos de grau superior à média histórica, que é 23,1 °C.

A chuva anual média em Dourados é de 1400 mm. Em 2021 choveu apenas 1109 mm, quase 300 mm a menos que a média. Foi o ano com o menor volume de chuvas desde 2001. Chama à atenção que nos últimos três anos, desde 2019, o total anual de chuvas está sendo inferior à média histórica.

Fonte: Embrapa

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