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Eleições na França: Macron amplia vantagem sobre Le Pen

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Le Pen e Macron disputam a Presidência da França
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Le Pen e Macron disputam a Presidência da França

A cinco dias do segundo turno que definirá quem governará a França pelos próximos cinco anos, o atual presidente, Emmanuel Macron, ampliou sua vantagem sobre a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen . Na quarta-feira, os dois se enfrentarão em um debate que promete ser decisivo, e integrantes do governo alertam que ainda é cedo para comemorar a reeleição.

De acordo com o instituto Opinion Way, Macron aparece com 56% dos votos, contra 44% de Le Pen, números similares aos da pesquisa Ipsos, que coloca o presidente, do centrista República em Marcha, com 56,5%, contra 43,5% da candidata ultraconservadora, do partido Reunião Nacional. Na média, Macron está cerca de três pontos acima do registrado nas pesquisas realizadas pouco antes do primeiro turno.

Apesar de lhe darem vantagem, os números também mostram o tamanho do desgaste que os cinco anos à frente do Palácio do Eliseu provocaram em sua imagem, além do próprio crescimento da extrema direita, hoje representada no segundo turno por Marine Le Pen. Em 2017, ele venceu a mesma rival com 66,1% dos votos válidos.

Neste cenário, Macron e Le Pen tentam conquistar o apoio de eleitores dos candidatos que ficaram de fora do segundo turno, em especial os simpatizantes do principal nome da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, do França Insubmissa. No primeiro turno, ele surpreendeu ao receber 21,95% dos votos, a menos de dois pontos percentuais de Le Pen, e pouco depois do anúncio dos resultados, disse, por quatro vezes, que não votaria na ultradireitista, mas evitou declarar seu apoio ao atual presidente.

Segundo uma pesquisa interna do França Insubmissa, 66% dos integrantes da sigla disseram que iriam se abster, enquanto 33% declararam apoio a Macron. Ao todo, mais de 215 mil pessoas participaram da sondagem. Nesta terça-feira, o Opinion Way revelou números similares, com 40% dos votos de Mélenchon indo para o atual presidente, mas com 26% destinados a Le Pen. Já a pesquisa da Ipsos mostra que 45% desses eleitores não devem comparecer às urnas ou anular seus votos.

Entre os que apoiaram demais candidatos derrotados, Macron deve receber a maior parte dos votos da conservadora Valerie Pécresse, do partido Os Republicanos, e de Yannick Jadot, dos Verdes — nenhum deles teve mais de 5% dos votos no primeiro turno. Já os apoiadores de Éric Zemmour, o ex-comentarista televisivo de extrema direita que se inspirou em Donald Trump, devem migrar em massa para a campanha de Le Pen — na votação do dia 10 de abril, ele recebeu 7,07% dos votos.

Duelo na TV Uma das últimas oportunidades para obter novos apoios está marcada para esta quarta-feira, quando Macron e Le Pen se enfrentam em um debate, e as lembranças do embate entre os dois na última campanha, em 2017, são favoráveis ao centrista.

Na ocasião, Macron se viu diante de uma Le Pen radical, que o chamou de “arrogante”, “mimado”, de estar em conluio com islamistas, de ser complacente com o terrorismo e de ter a intenção de “destroçar a França” para favorecer “grandes interesses econômicos”. O então candidato Macron, por sua vez, acusou sua rival de tratar os franceses “como imbecis” e de mentir para seus eleitores.

— Me perdoe, madame Le Pen: a França merece algo melhor do que você — disse, ao final de uma das intervenções.

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As pesquisas posteriores mostraram que Macron, que seria eleito três dias depois, se saiu bem melhor do que sua rival, apontada como “grosseira” e “despreparada” pelos entrevistados.

Agora, cinco anos depois, os dois sabem que as condições são diferentes, assim como o humor dos eleitores depois de cinco anos de um governo marcado por protestos — da esquerda e da direita —, uma impopular proposta de reforma da Previdência e a pandemia do novo coronavírus, onde a atuação do governo foi questionada por boa parte da sociedade.

Nesta reta final, Macron tentou se mostrar como o melhor nome para comandar a França, e sugeriu algumas concessões, como sobre a idade mínima para a aposentadoria, em um aceno à esquerda — pelo seu plano inicial, ela passaria de 62 para 65 anos, mas se disse disposto a fixar o patamar em 64 anos, além de adiar a implementação das mudanças. O presidente  apontou para o que vê como risco de um governo de extrema direita, e apelou para os eleitores que não planejam comparecer às urnas no domingo.

— Pensem no que diziam os cidadãos britânicos horas antes do Brexit, ou nos EUA antes da votação em [Donald] Trump, “não vou comparecer, qual o sentido?”. Posso dizer que se arrependeram no dia seguinte — afirmou, em entrevista ao canal France 5.

Le Pen, por sua vez, busca passar uma imagem “mais moderada”, e diz aos franceses que comandará o país “como uma mãe de família”. Na reta final da campanha, se encontrou com eleitores e está se preparando para o debate em sua casa, tentando não repetir o desempenho de 2017, reconhecido por ela mesma como um “erro estratégico”.

Para alguns aliados do presidente, os últimos dias até a abertura das seções eleitorais podem ser o período mais perigoso da campanha, mesmo com a vantagem de mais de 10 pontos percentuais.

— O jogo não está finalizado e certamente não podemos chegar a uma conclusão de que esta eleição já está decidida — declarou o primeiro-ministro, Jean Castex, em entrevista a uma rádio francesa. — Temos que convencer os franceses de que os programas de Emmanuel Macron são os melhores para a França e para eles. Emmanuel Macron e Marine Le Pen estão sendo colocados no mesmo patamar, mas há diferenças enormes entre eles.

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Outros aliados de Macron, como o ex-premier Édouard Philippe, e o ex-ministro da Justiça, François Bayrou, lembram que alguns eleitores mudam seus votos na última hora, enquanto o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, preferiu centrar suas palavras contra Le Pen, afirmando que ela “entregará a soberania francesa a Vadimir Putin” caso seja eleita — a candidata defende uma reaproximação entre a Russia e a Otan, a saída de Paris do comando estratégico da aliança e o fim de programas estratégicos com a Alemanha.


Fonte: IG Mundo

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MEC corta R$ 619 milhões de colégios e universidades federais

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Universidade Federal de Alagoas
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Universidade Federal de Alagoas

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) anunciaram nesta sexta-feira que as instituições federais de ensino perderam, juntas, mais de R$ 600 milhões do orçamento discriminado em junho.

As universidades federais tiveram um corte de R$ 217 milhões na última sexta-feira (24) e R$ 220 milhões no começo do mês. Metade desse dinheiro, segundo a Andifes, foi remanejado para o Programa de Garantia de Atividade Agropecuária. Já os colégios da rede federal perderam R$ 92 milhões agora e outros R$ 92 milhões no começo do mês. Juntos, os cortes somam R$ 619 milhões.


O Proagro é um programa do governo federal que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida por causa de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle. Ele tem como foco principalmente os pequenos e os médios produtores, mas pode ser utilizado por todos dentro do limite de cobertura.

“Nestas portarias, os valores das emendas do relator do orçamento, da rubrica RP9 (o chamado ‘orçamento secreto’), que somam aproximadamente R$ 17,2 milhões, não foram afetadas por nenhum remanejamento”, observa a Andifes, em nota.

Com isso, todo o orçamento das instituições que estavam bloqueados não serão recuperados. Isso significa que eles tiveram outras destinações e o contingenciamento virou, de fato, um corte.

O orçamento discriminado é aquele no qual o governo federal consegue cortar porque não são gastos obrigatórios — como salários e aposentadorias. No entanto, essa verba é fundamental para o funcionamento das universidades. É com ela que se paga contas de água, luz, segurança e manutenção, além de investimentos em pesquisa, bolsas e auxílios a estudantes carentes.

“Foram retirados recursos que impactam em todas as nossas ações. A manutenção das nossas escolas, a realização de atividades de pesquisa, de ensino, de extensão, de assistência estudantil que garanta a permanência e êxito dos nossos estudantes”, afirma Cláudio Alex Jorge da Rocha, presidente do Conif e reitor do IFPA.

Atualmente, são 618 campi de colégios federais espalhados pelo país, e inclui institutos federais (que possuem educação básica e superior), Cefets, escolas técnicas de ensino profissionalizante e os colégios Pedro II, no Rio.

Em 2015, o orçamento para os gastos discricionários era o dobro de 2021. Com isso, além das contas básicas, também ficam prejudicadas as compras de materiais para pesquisa, manutenção dos prédios e o pagamento de bolsas que garantem a permanência dos estudantes pobres.

O orçamento de assistência estudantil, que chegou a ser de R$ 1 bi em 2014, caiu para R$ 460 milhões em 2021. Enquanto isso, o número de estudantes mais do que dobrou: passou de 373 mil para 819 mil. Já a Andifes sinalizou, em nota, que se reuniu com representantes do MEC e foram informados dos detalhes técnicos da decisão tomada pela equipe econômica do governo.

“Os diretores da Andifes, inclusive fazendo menção a vários dos debates ocorridos na sessão do conselho pleno desta quinta-feira (23), deixaram clara a gravidade da situação e a inviabilidade do funcionamento das instituições sem a recomposição dos orçamentos. Novos movimentos e ações da Andifes em face desse gravíssimo deslocamento de recursos da educação pública superior serão em breve noticiados”, informou o grupo.

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