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É preciso transparência florestal para descarbonizar

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Por Alberto Scaloppe

Depois da Covid-19, a década de 2020 será marcada pela descarbonização. A corrida que países e empresas estão fazendo para evitar a piora dos impactos das mudanças climáticas. A meta é bastante ousada. Diminuir pela metade as emissões de gás carbônico até 2030 e zerar as emissões em termos líquidos até 2050 segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC.

Para se chegar a essa redução drástica de emissão de CO2, a economia precisa passar pela descarbonização. Em termos práticos, países da Europa Ocidental e o Japão, por exemplo, já decretaram o fim dos carros a combustão. Somente carros elétricos na próxima década. Outros países, como o Brasil, apostam no etanol e no biodiesel provenientes da cana-de-açúcar, milho, soja, algodão e outras commodities.

A Agricultura, enquanto negócio e enquanto política governamental, já olha para além do Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono – e a palavra da vez “descarbonização” já foi incorporada ao vocabulário. Das startups às multinacionais. Diante desta cobrança econômica internacional dos setores público e privado, até mesmo o governo federal buscou regular o fomento de investimentos sustentáveis a partir do Dec. nº 9.578/18.

O decreto regulou o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.114, de 9 de dezembro de 2009), e a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187, de 29 de dezembro de 2009) assegurando recursos para apoiar projetos e financiar empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação à mudança do clima. Desta forma abriu-se perspectivas para serviços ambientais como sistemas agroflorestais, recuperação de áreas degradadas e restauração florestal. Para as áreas urbanas também houve uma série de possibilidades.

Pena que as boas notícias param por aí. As metas irrisórias e condicionadas ao aporte financeiro externo e a falta de transparência podem colocar o país na mesma situação vexatória em que nos encontramos no combate à pandemia.

E desde que o ministro Ricardo Salles decidiu passar a boiada nada foi feito na direção contrária. Vale registrar que quando falamos em descarbonizar, mais do que reduzir a emissão de poluentes nos veículos e nas fábricas, estamos nos referindo também a frear o desmatamento ilegal e as queimadas. E, mais do que isso, recuperar áreas degradadas.

Recentemente a revista Science deu nome aos bois no artigo “As maçãs podres do agronegócio brasileiro” em que é constatado que 2% das propriedades rurais no Brasil são responsáveis por 60% do desmatamento da Amazônia e Cerrado. E que 20% da soja e 17% da carne bovina exportada podem estar ligadas a este desmatamento.

Em outras palavras: graças ao avanço da tecnologia com satélites de alta precisão e um bom georreferenciamento, é fácil saber o CPF e o CNPJ de quem desmatou ilegalmente e para quem vai o produto do crime ambiental. Entidades do terceiro setor, como o Instituto Centro de Vida – ICV, em Mato Grosso, e o Imazon, no Pará, já fazem um mapeamento complementar aos estados onde atuam.

Falta o governo federal retomar a ideia da transparência dos dados e disponibilizar os dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, para o público, incluindo a imprensa e pesquisadores. Esse obscurantismo favorece quem atua de forma ilegal, mas pune as empresas e produtores rurais que seguem à legislação à risca.

Com sigilos sobre dados que deveriam ser públicos e com metas acanhadas para reduzir a emissão de gás carbônico, o país perde na geração de empregos, no crescimento da economia, além de afastar negociações internacionais.

Estudo recente da WRI Brasil e da New Climate Economy estima que o Brasil pode incrementar R$ 2,8 trilhões ao PIB até 2030 e gerar 2 milhões de empregos se apostar na economia sustentável. Recusar a somar nessa equação irá provocar perdas irreparáveis à biodiversidade, a economia nacional, atrapalhar os planos mundiais de redução da emissão dos gases do efeito estufa e possivelmente prejudicar nossas commodities.

Se isso acontecer, quem vai pagar a conta?

Alberto Scaloppe é advogado em Cuiabá, do escritório Scaloppe Advogados Associados

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A regra dos 20 segundos

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Por Francisney Liberato

Abuse dos meios que facilitam a obtenção do autocontrole.

Shawn Achor é um escritor norte-americano e palestrante conhecido por sua defesa da psicologia positiva. Autor de vários livros, tais como: “O Jeito Harvard de ser feliz”, “Grande potencial: cinco estratégias para você chegar mais longe desenvolvendo as pessoas ao seu redor”, “Por trás da felicidade”, dentre outros.

De maneira geral, o nosso cérebro quer se livrar dos grandes desafios, além de economizar energia mental. A mudança de hábito requer um grande consumo de energia a qual não estamos dispostos a gastar.

Buscar os bons hábitos é vital para desenvolvermos autocontrole. Porém, conseguir ter hábitos saudáveis requer muita atenção, dedicação e esforço.

Quantas vezes nós já prometemos iniciar bons hábitos, como fazer uma atividade física, praticar a leitura, ter uma alimentação saudável etc. que no início até conseguimos, mas passados poucos dias, ou quem sabe horas, desistimos dessas escolhas.

O psicólogo americano supracitado apresenta um estudo relevante denominado regra dos 20 segundos, constante de seu livro “O Jeito Harvard de ser feliz”. A ideia do escritor é que todo hábito, não importando se é bom ou ruim, deve ser submetido à regra que consiste em estimular que você se livre de qualquer hábito que esteja obstruindo o seu sucesso e o seu progresso. A regra facilita ao máximo a execução de novos hábitos e a criar empecilhos e dificuldades para os hábitos ruins.

Exemplos: se as redes sociais estão lhe impedindo de estudar, você deve deixar o celular a 20 segundos de distância. Se a televisão te impede de trabalhar mais, você deve colocar o controle da TV a 20 segundos de distância. Se você desejar praticar atividade física, leve a sua roupa em uma mochila para o trabalho, depois, vá direto para a academia, do contrário, se for passar em casa, é provável que a tentação em desistir será muito grande. Para eliminar o excesso de consumo de sobremesa, é melhor não comprar esses tipos de produtos, pois, caso haja a necessidade incontrolável de consumi-los, haverá dificuldades de controlá-los. Se houver um obstáculo, como sair da residência para comprar esses produtos, é provável que você desistirá de comer os doces.

Indico que você faça um levantamento de todos os bons hábitos que deseja adquirir e dos hábitos que deseja eliminar ou reduzir a sua constância; em seguida, aplique a regra dos 20 segundos. A técnica agirá como se fosse um filtro para concretização da iniciativa.

O nosso cérebro tem a tendência de trocar as recompensas rápidas pelas recompensas duradouras, por isso devemos utilizar a regra dos 20 segundos.

É necessário implementar a utilização de bons hábitos a 20 segundos de distância, assim como dificultar os maus hábitos a 20 segundos de distância.

Quando nos referimos a um hábito, quer dizer que são aquelas atitudes que fazemos automaticamente, sem nenhum esforço. Por outro lado, para adicionar um novo hábito em nossa vida é preciso muita dedicação, autocontrole e tempo.

Assim, elimine as etapas para os bons hábitos e crie as etapas e barreiras para os maus hábitos. Lembre-se de utilizar a regra dos 20 segundos.

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor, Palestrante, Professor, Coach e Mentor. Mestre em Educação pela University of Florida. Doutor em Filosofia Universal Ph.I. Honoris Causa. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz”, “Singularidade”, “Autocontrole”, “Fenomenal” ,”Reinvente sua vida”, “Como passar em concursos – vol. 1″ e Como passar em concursos – vol. 2”.

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