TECNOLOGIA

É mulher e gosta de futebol? Para o Google, há grandes chances de você ser homem

Publicados

em


source
Google utiliza algoritmo com viés para definir gênero dos usuários
Unsplash/Solen Feyissa

Google utiliza algoritmo com viés para definir gênero dos usuários



O Google utiliza um algoritmo, digamos, tendencioso para definir o gênero de seus usuários. O sistema da gigante de tecnologia que estima se uma pessoa é homem ou mulher para gerar anúncios reproduz preconceitos produzidos pela sociedade, como os que dizem que só homem gosta de  tecnologiafutebol  ou que só  mulheres gostam de cozinhar.

A descoberta foi feita pela reportagem do iG, ao perceber que a página de anúncios de uma mulher dizia que ela era, na verdade, um homem. Dentre as preferências da usuária, estavam tecnologia , videogames, celulares e aparelhos eletrônicos.

Como funciona a preferência de anúncios

O Google mantém uma página de personalização de anúncios . Ao acessá-la, qualquer usuário consegue ver em quais interesses estão baseadas as propagandas direcionadas que ele recebe. “Os anúncios são baseados nas informações pessoais que você adicionou à sua Conta do Google, em dados de anunciantes que têm parceria com o Google e na estimativa do Google dos seus interesses”, diz a página. Essa estimativa é feita “com base nas atividades nos Serviços [do Google] ou na Rede de Display [grupo de mais de dois milhões de websites, vídeos e aplicativos onde anúncios do Google Ads podem ser exibidos]”, respondeu o Google à reportagem.

Nessa página, também é possível modificar preferências que o algoritmo do Google possa ter entendido errado sobre um usuário. Por exemplo, se estiver um item dizendo que há interesse em animais de estimação mas a pessoa, na verdade, não gosta de pets, ela pode desativar essa preferência, parando de receber anúncios direcionados sobre esse tema.

Além dessas informações que o Google estima sobre cada pessoa, existem também aquelas que os usuários informam quando criam uma conta na gigante de tecnologia, como idade, gênero e idioma.

No que diz respeito ao gênero, se uma pessoa não estiver conectada à sua conta Google ou não tiver dado essa informação na hora de criar sua conta, o algoritmo vai estimar se ela é um homem ou uma mulher. E essa estimativa é feita com base nos interesses pessoais, comparando-os com os de outros usuários dos serviços da empresa.

“O hobby favorito de Sara é a jardinagem. A maioria dos leitores de muitos sites e blogs de jardinagem da Rede de Display que ela visita é do sexo feminino. Com base nisso, o navegador de Sara (quando ela não fez login com a Conta do Google) pode ser adicionado à categoria demográfica ‘sexo feminino’. Consequentemente, o Google pode exibir para Sara publicidade de anunciantes que optaram por exibir anúncios para mulheres”, exemplifica o Google.

Mulher não gosta de futebol e homem não gosta de cozinhar?

O que o algoritmo do Google faz, portanto, é reproduzir falsos estereótipos vigentes na sociedade. Além do exemplo da mulher que gosta de tecnologia e é vista como homem pelo sistema, a reportagem realizou dois outros testes.

Duas novas contas Google foram criadas e, em ambas, na hora de preencher o gênero, a opção selecionada foi “prefiro não dizer”. Logo após a criação, a página de anúncios de ambas se mostrava baseada apenas em duas preferências, que são impossíveis de esconder na hora de criar uma conta: idade e idioma.

A partir disso, foram executadas buscas diferentes em cada uma das contas. Na primeira, foram feitas pesquisas relacionadas à culinária, como “receita de pão”, “como fazer torta de limão” ou “dicas de cozinha”. Em cada resultado, houve também interação, clicando em sites e acessando outras páginas dentro deles. Depois de apenas sete buscas diferentes, o algoritmo do Google cravou: trata-se de uma mulher.

Na segunda conta, o caminho foi o mesmo: buscas e interações com resultados. Desta vez, porém, o assunto era outro, com pesquisas sobre esportes, sobretudo o futebol. Termos como “tabela do paulista”, “quando serão as Olimpíadas”, “Neymar”, “Fórmula 1” e “Cristiano Ronaldo” foram procurados. Depois de nove buscas diferentes, o resultado: trata-se de um homem.

Você viu?

É interessante notar que, além do gênero , o algoritmo também estimou outras preferências sobre as duas contas. No caso da primeira, foram 77 no total; na segunda, 24. Além de preferências relacionadas às buscas, como “futebol” e “culinária e molho”, outras também chamam a atenção.

  • Perfil 1 (pesquisou sobre receitas): em um relacionamento, renda famíliar média baixa, não tem filhos e trabalha no setor hoteleiro.
  • Perfil 2 (pesquisou sobre esportes): solteiro, renda familiar média alta, não tem filhos e se interessa por construção e manutenção.

Vale ressaltar que o Google só estima o gênero de um usuário caso ele não o tenha informado, como aconteceu nos testes realizados pela reportagem, ou caso esteja deslogado. Se uma usuária, ao criar sua conta, informou que é mulher, ela pode demonstrar interesse por futebol, por exemplo, que suas preferências demográficas de gênero não serão alteradas.

Preconceitos: reproduzi-los ou eliminá-los?

Como explicado, o que o algoritmo de estimativa do Google faz é se basear no comportamento de outros usuários. Se a maioria das pessoas que acessam sites de notícias de futebol são homens, pronto: qualquer um que acesse esses sites também é considerado homem.

O que parece simples, na verdade, reforça falsos estereótipos . E isso não acontece só nesse caso. Um algoritmo que reproduz o sexismo da sociedade caminha na mesma linha que um algoritmo racista que exclui pessoas negras de fotos , como aconteceu no ano passado com o Twitter .

O problema vem do banco de dados que a inteligência artificial processa. No caso de um reconhecimento facial como o do Twitter , se o banco de imagens só tiver rostos brancos, um negro jamais será reconhecido. No caso do Google , se o banco de dados é apenas o da sociedade, que já vem cheio de preconceitos, isso vai ser passado adiante.

Para Ciranda de Morais, fundadora do She’s Tech, movimento que visa incluir mulheres no setor de tecnologia, a falta de representatividade feminina na indústria também é responsável por esse tipo de sistema que carrega viés. “O que tem que ser feito é corrigir esse viés que está vindo embutido”, afirma ela.

No Brasil , apenas 26% das vagas no setor são ocupadas por mulheres , de acordo com um levantamento feito pelo InfoJobs. De todas as que trabalham com tecnologia , apenas 2% estão em cargos de diretoria – a maior parte, 66%, nem passa do cargo de analista.

Um consenso entre movimentos como o She’s Tech é o de que mais diversidade nas empresas de tecnologia é capaz de fazer com que as soluções tecnológicas sejam mais diversas também. E as próprias empresas vêm entendendo isso, garante Ciranda. “Mas ainda temos um caminho muito grande para percorrer”, afirma.

E não é apenas sobre uma publicidade direcionada de forma equivocada por conta de um algoritmo que reproduz falsos estereótipos. O problema é maior, cultural e atinge toda a indústria de tecnologia.

“Por exemplo, soluções que a gente vê sendo criadas pelas startups . Se a gente for pensar em quem está criando as soluções, são os homens brancos do Vale do Silício , com perfil de 25 a 34 anos. Eles vão criar soluções para aquele público e com aquele olhar. Até quando vão ser criados, por exemplo, mais aplicativos sobre como melhorar a fila da balada? Todas as soluções tecnológicas vêm de um problema. Quem são as pessoas que estão criando soluções? As pessoas que têm esse tipo de problema. Então, como que eles vão conseguir pensar em uma solução para algum problema, por exemplo, de comunidades periféricas, se eles não são afetados?”, questiona Ciranda.

A empreendedora acredita que, havendo um esforço da indústria, é possível que a inteligência artificial seja usada para mudar a sociedade, trazendo uma desconstrução de preconceitos , e não os reforçando.

“Eu acho que entender como desenvolver esses algoritmos preditivos sem esses viéses seria talvez uma das formas mais importantes de como a inteligência artificial aplicada poderia ajudar a gente a construir um futuro com mais equidade . De todos os benefícios que eu vejo na inteligência artificial, acho que esse seria o que tem maior potencial para mudar o curso da história. É remover o preconceito dos algoritmos “, opina.

Comentários Facebook
Propaganda

TECNOLOGIA

7 RPG de ação estilo Diablo para jogar no PC e consoles

Publicados

em


source
Confira a lista de jogos RPG
Reprodução

Confira a lista de jogos RPG

A franquia Diablo tem mais de 20 anos, se contarmos a partir do primeiro jogo, e se tornou muito popular com Diablo II e sua expansão Lord of Destruction. De lá para cá e especialmente depois do hiato de um novo jogo desde Diablo III, vários outros games se inspiraram no DNA da série, ou seja, recursos como visão isométrica, looting, “farmar” XP para melhorar habilidades e hordas de inimigos. Se você gosta de jogos estilo Diablo, então dá uma olhada na lista abaixo.

1. Path of Exile

Path of Exile traz uma verdadeira teia de possibilidades de personalização do seu personagem. Inclusive, ao olhar a rede de skills desbloqueáveis para seu char, realmente parece uma teia de aranha de tanta coisa interligada. O jogo evoluiu de tal forma, ao longo dos anos, que passou de mais um jogo inspirado em Diablo a um concorrente de peso para o jogo da Blizzard.

O game traz uma atmosfera sombria e, com isso, resgata um pouco da sensação de jogar um Diablo II, especialmente para os fãs mais nostálgicos. Além dessa questão visual, os mapas são bem diversos, há modos de jogo variados, um sistema interessante e bem útil (mas um pouco complexo, no início) de runas para despertar poderes extras em armas e armaduras e o jogo é constantemente atualizado.

Path of Exile, apesar de precisar que o jogador esteja conectado a internet para jogar, não chega a ser um MMO em si. É possível ver outros jogadores nas cidades, mas eles apenas poderão fazer parte da sua aventura se você permitir. O game é totalmente gratuito e só se gasta dinheiro real caso queira comprar itens cosméticos para seus personagens.

Dica: se ficar perdido(a) no mar de possibilidades de personalização do seu herói, a própria comunidade do jogo mantém várias wikis e fóruns dando dicas de builds.

2. Grim Dawn

Além da atmosfera gótica e apocalíptica, Grim Dawn traz um sistema híbrido de classes muito interessante. Como todo ARPG, você começa normalmente escolhendo seu personagem e classe, mas no decorrer da campanha, será possível fundir classes e customizar ainda mais seu gameplay. 

Há várias possibilidades de combinações e, inclusive, a própria comunidade do jogo se ajuda muito, compartilhando builds e dando dicas para outros jogadores, de acordo com o estilo que pretendem montar para o seu char.

Fora isso, os mapas do jogo são quase sempre repletos de elementos e passagens, e ficar perdido é uma possibilidade. Fazer backtracking será necessário também em alguns momentos, especialmente se optar resolver algumas missões secundárias e desafios. Essas sidequests podem ser obtidas durante a exploração, ao passar por algum NPC, ou mesmo nas cidades. Por isso, conversar com as pessoas é importante.

3. Torchlight 2

Torchlight 2 leva o dungeon crawler de uma forma muito divertida ao seu RPG de ação de visual colorido. O jogo condensa alguns dos pontos positivos da série Diablo e ainda acrescenta um sistema de pets que podem vender seus itens na cidade mais próxima, sem que você precise sair do seu local atual. Na época do seu lançamento, este era um dos recursos mais queridos pelos jogadores.

O título talvez possa ser considerado uma boa indicação de “jogo tipo Diablo” para quem nunca jogou nada do tipo, pois ao contrário dos outros exemplos desta lista, ele não é tão complexo de se entender com sistemas de árvores de habilidades, runas e classes híbridas. Vale dar uma chance ao primeiro Torchlight também. Há um terceiro jogo, mas ele não evoluiu tanto em relação ao 2.

4. Titan Quest

Titan Quest veste a mitologia grega no seu gameplay e aposta forte no sistema de looting e trituração de monstros mitológicos, como hidras e ciclopes. Há uma versão de aniversário do jogo, lançada em 2016, que dá uma melhorada nos visuais tanto dos cenários quanto das armas e armaduras. 

Titan Quest é um ARPG relativamente simples, você não precisará consultar extensas wikis para se entender com seu personagem, mas é um jogo interessante de testar dentro deste estilo também.

5. Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr

Warhammer 40,000: Inquisitor – Martyr talvez seja o game da franquia que mais se aproxima da fórmula Diablo por trazer uma visão isométrica (com a câmera na parte superior do cenário), loot e build para os personagens. 

O jogo se passa dentro do universo Warhammer 40k, então o jogador pode esperar um gameplay com armas e outros equipamentos característicos da série e, claro, Space Marines. Você pode escolher entre três diferentes classes e também dar uma olhada na expansão standalone Prophecy, caso curta a campanha principal do game.

6. The Incredible Adventures of Van Helsing

The Incredible Adventures of Van Helsing leva o RPG de ação para um período de tempo diferente da fantasia medieval, bem comum para este gênero. Agora, você está numa espécie era Vitoriana e o jogador, como é possível deduzir, controla o famoso caçador de monstros Van Helsing no início da carreira, digamos assim.

Pelo jogo ser inspirado em Drácula, de Bram Stoker, o grande vilão da história não é um demônio (o Diablo, por exemplo), mas sim um vampirão mesmo. Outro ponto diferente deste título é que como você joga com Van Helsing, não há escolha de classes, mas vale testar o game em diferentes dificuldades para experimentar novos desafios.

7. Book of Demons

Book of Demons é o jogo estilo Diablo mais “fora da curva” desta lista. É também um dos que mais ousou trazer algo diferente para a mesa do ARPG. A começar pelo seu design que foi construído de forma a parecer que se está abrindo um livro de histórias, daqueles que as figuras saltam da página.

Outro ponto interessante a se notar é que o combate é uma mistura do hack and slash conhecido de Diablo só que combinado a um sistema de deck building. Com isso, você terá que jogar cartas para ativar algumas ações, ao invés de recorrer a sua barra de atalhos. E ao contrário de Diablo, no lugar de coletar loot com armas, armaduras e outros itens, você precisará conseguir cartas para deixar seu deck cada vez mais poderoso.

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana