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Direitos Existenciais Originários

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Por Emanuel Filartiga

Sim! Nada vive muito tempo, só a terra e as montanhas …

A vontade de descaracterizar, reduzir, desfigurar, esbulhar, extinguir os primários e naturais senhores da terra de PindoramaIlha de Vera Cruz e hoje Brasil, é obstinada. Vejam o que resta das gentes indígenas.

Cláudio Villas Bôas, ao tentar “salvar” um dos povos indígenas, disse que há uma coisa deles que morre para sempre assim que a gente encosta.

Já foram denominados e rotulados bárbaros, selvagens, primitivos e subdesenvolvidos. Sofreram muitas formas de supressão física e étnica. Chamados de “entraves ao desenvolvimento”; “atrasados”; “preguiçosos”. Alguns caracterizados como “não índios de verdade”. Foram amputados como sujeitos históricos, sempre vistos como não sujeitos; às vezes como vítimas, por alguns.

Mandu Ladino, Ajuricaba, Nheçu  e muitos outros que a história não escreveu, já que foi escrita por um sólado (“o outro não é considerado para si mesmo. Mal se olha para ele. Olha-se a si mesmo nele”), lutaram contra essa expropriação existencial. Preferiram o arco e a cuia à espingarda e ao prato.

Essa história descaracterizadora do Brasil de antanho, e de hoje, começa com “o descobrimento”. São os “descobridores” que a inauguram… E eles ainda querem mais e maismais terrasmais minérios… mais “desenvolvimento”.Há um vazio no ser humano, grande como a fome”.

E o que vemos hoje são fragmentos, reminiscências de um mundo, muito maior; muito mais complexo e abrangente, provavelmente cobria todo o nosso território. Até onde a vista não alcança, com urucum e jenipapo já pintavam o corpo; a mandioca e o cará já estavam pela terra.

Do que parece dos livros que li, das pessoas que ouvi, do que senti, com o meu corpo todo, não se trata de um dolo direto de extermínio, vontade e consciência de aniquilação dos povos originários e sua cultura. Sim motivos mesquinhos, egoísticos, presentes até hoje. Basta olhar Brasília e suas discussões, todos os outros Estados também, mas mais Brasília por ser o centro das decisões. Mirem e vejam!

Povos e povos, gentes e gentes indígenas desapareceram principalmente por ganância, cobiça e ambição, chamadas também de desenvolvimento, globalização, capitalismo, dentre outros nomes, por alguns (nem ficam vermelhos, os caras pálidas).

Há tempos aconteceu o suposto “descobrimento”, “o encontro do mundo antigo com o novo mundo”. Mas até agora, vistos como estrangeiro na própria terra, tratados como estrangeiros nativos, estranhos semelhantes; o outro não foi encontrado ou descoberto.

Ora amiga leitora! A descoberta e o encontro começam pela “revolução do olhar”. “Ela implica um descentramento radical, uma ruptura com a ideia de que existe um “centro do mundo”, e, correlativamente, uma ampliação do saber e uma mutação de si mesmo.” Como escreveu Roger Bastide em sua Anatomia de André Gide: “Eu sou mil possíveis em mim; mas não posso me resignar a querer apenas um deles”.

A descoberta do outro. A saída de nosso pequeno território, deixar de rejeitar o presumido diferente, é medida que se impõe.

Para os viajantes desse mar imenso, quando descobrirem e encontrarem o outro diferente, deixe de lado as perguntas sempre perguntadas: aqueles que acabaram de ser descobertos pertencem à humanidade? Eles (o outro) têm uma alma? E passamos a nos questionar: eu pertenço à humanidade? Eu tenho uma alma?

Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso

 

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O bom relacionamento e a transparência com fornecedores garantiram hospitais abastecidos

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Por Lucas Morato Batbuta

Os efeitos causados pela pandemia em nossas vidas só estarão suficientemente claros daqui uns anos, mas já é possível antecipar algumas hipóteses. O novo coronavírus expôs que toda nossa experiência acumulada não nos preparou para este momento. Em contraponto, também mostrou uma enorme capacidade de resiliência e superação.

Foi e está sendo assim em qualquer atividade humana. Na área da saúde, porém, esse contexto alcançou significados éticos ainda mais importantes quando se teve diante de si o atendimento direto aos doentes e o desafio de preservar a vida das pessoas.

A pandemia chegou com a força de um tsunami e alterou dramaticamente a rotina dos milhares de profissionais que atuam na cadeia de suprimentos para hospitais.

Na Pró-Saúde, uma das maiores gestoras de serviços hospitalares do país, o cenário também foi desafiador. Para se ter uma ideia, nas 28 unidades de saúde sob nossa responsabilidade passam, aproximadamente, mais de 1 milhão de pacientes todos os meses.

Do dia para a noite, tivemos que nos ajustar à uma realidade que envolvia a escassez de produtos, a gangorra diária dos preços de insumos e equipamentos e a inteligência logística necessária para garantir abastecimento aos hospitais que administramos.

Peculiar está o fato de nossa capilaridade exigir expertise ampla, pois gerenciamos unidades de saúde que vivem realidades bem distantes — de grandes centros metropolitanos a regiões do Brasil remoto, condição que nos exigiu criar soluções absolutamente inéditas.

Neste ambiente caótico e extremamente complexo, tivemos que lidar com aspectos ligados à judicialização para o risco de não cumprimento contratual, questões relativas à oferta e demanda, impacto orçamentário e, não menos importante, a nova realidade da equipe de profissionais compradores que, em decorrência da pandemia, começou a cumprir expediente remoto.

Felizmente, passamos pelo pico das duas ondas de Covid-19 sem nenhum fechamento de leito ou mesmo necessidade de transferência de paciente por falta de condições de atendimento. Nenhuma unidade gerenciada pela Pró-Saúde enfrentou desabastecimento. Não significa que ficamos isentos de dificuldades. Ao contrário.

Contudo, a pandemia mostrou para todos nós, profissionais de área de compras, algumas condições importantes.

Ter recursos financeiros à disposição não é tudo. Mais do que orçamento para grandes volumes de compras, o fator determinante na relação com os fornecedores foi a transparência, o histórico de parceria e o rigor nos processos internos.

Em qualquer situação, é possível atender à emergência do momento preservando o modelo de governança e integridade. Sempre. Todos os nossos processos (e foram muitos ao longo desse período) seguiram rigorosamente o nosso modelo de governança. Essa foi uma condição que contribuiu muito na relação com os fornecedores.

Mesmo diante de um ambiente propício ao individualismo, o que prevaleceu entre os profissionais de compras de hospitais foi a solidariedade. Muitos ajudaram e foram ajudados, indicando fornecedores; e compartilhando soluções. Nós também: ajudamos e fomos ajudados.

E, por fim — e sobretudo tão importante quanto —, foi possível manter uma equipe engajada e ciente da responsabilidade humanitária que tinha (e continua tendo) diante de si. Cada item comprado ajudou a salvar vidas. Não houve dia, nem noite e nem local (muitos trabalharam de casa) sem que essa dimensão fosse tirada de perspectiva.

Trata-se de uma realidade que, embora pareça particular, provavelmente fora vivenciada em muitas instituições que atuam no Brasil. Desta pandemia, ficam aos profissionais compradores a lição de que atuar com propósito e resiliência faz a diferença; e que essa condição é estratégica para a instituição.

A todos os profissionais de Compras da Pró-Saúde e do país, o nosso muito obrigado e parabéns!

Lucas Morato Batbuta é graduado em Administração e gerente corporativo de Suprimentos da Pró-Saúde.

 

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