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Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna: um compromisso com a vida das mulheres
Por Giovana Fortunato
O dia 28 de maio marca o Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, uma data que convida a sociedade, os profissionais de saúde e os gestores públicos a refletirem sobre um problema que ainda representa um grande desafio para o Brasil: mulheres continuam morrendo durante a gestação, no parto ou no pós-parto por causas que, na maioria das vezes, poderiam ser evitadas.
A mortalidade materna é considerada um dos principais indicadores de qualidade da assistência em saúde. Quando uma mulher perde a vida em decorrência de complicações da gravidez ou do parto, isso revela falhas que podem envolver desde dificuldades de acesso ao pré-natal até atrasos no diagnóstico, na transferência hospitalar ou no tratamento adequado.
No Brasil, os números ainda preocupam. Dados preliminares apontam que a razão de mortalidade materna no país permanece acima de 50 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, índice superior à meta recomendada internacionalmente.
Em Mato Grosso, o cenário também exige atenção. Boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde mostrou que o estado registrou, em 2023, uma razão de mortalidade materna de 64,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos, acima da média nacional, colocando Mato Grosso entre os estados com maiores índices do país. Entre os anos de 2000 e 2023, foram contabilizados 888 óbitos maternos no estado.
As principais causas dessas mortes são conhecidas e, em grande parte, evitáveis. Entre elas estão a hipertensão gestacional, especialmente os casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, hemorragias graves, infecções, complicações no parto e abortamentos inseguros.
Além das questões clínicas, é impossível discutir a mortalidade materna sem abordar as desigualdades sociais. Mulheres em situação de vulnerabilidade, moradoras de áreas distantes, indígenas, negras e com menor acesso à informação enfrentam maiores dificuldades para receber assistência adequada durante a gravidez. Em estados com grandes extensões territoriais, como Mato Grosso, os desafios logísticos também impactam diretamente o acesso rápido aos serviços especializados.
Reduzir a mortalidade materna exige uma atuação integrada e contínua. O primeiro passo é fortalecer a atenção básica, garantindo um pré-natal de qualidade, com exames realizados no tempo correto, acompanhamento multiprofissional e identificação precoce de fatores de risco.
Também é fundamental ampliar o acesso das gestantes a maternidades estruturadas, equipes capacitadas e atendimento humanizado. Muitas complicações obstétricas evoluem rapidamente e dependem de resposta imediata. Por isso, uma rede organizada, com fluxo eficiente entre unidades de saúde e hospitais de referência, pode ser decisiva para salvar vidas.
Outro ponto essencial é investir em educação em saúde. A mulher precisa ser orientada sobre os sinais de alerta durante a gestação e o pós-parto, como pressão alta, dores intensas, sangramentos, falta de ar, febre e redução dos movimentos do bebê. Reconhecer precocemente esses sintomas pode evitar desfechos graves.
As políticas públicas também têm papel central nesse enfrentamento. É necessário ampliar investimentos em saúde materno-infantil, fortalecer os comitês de investigação de óbitos maternos e garantir assistência qualificada em todas as regiões, inclusive nas áreas mais remotas do estado.
A mortalidade materna não é apenas um indicador estatístico. Cada número representa uma mulher, uma mãe, uma família marcada por uma perda que, muitas vezes, poderia ter sido evitada. Por isso, falar sobre prevenção, acesso e qualidade da assistência é também falar sobre dignidade, cuidado e compromisso com a vida das mulheres.
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A construção civil precisa parar de normalizar atrasos
Por Leandro Guimarães
A construção civil brasileira segue demonstrando resiliência mesmo diante de um cenário econômico desafiador. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor em 2026, impulsionado principalmente pelo crédito imobiliário e pelos investimentos em infraestrutura. Nesse ambiente cada vez mais competitivo, um problema ainda persiste: os atrasos tratados como normalidade.
Em Mato Grosso, por exemplo, onde o crescimento econômico acelerou a demanda por moradia, eficiência operacional deixou de ser apenas diferencial competitivo. Passou a ser necessidade estratégica.
O avanço do setor acompanha um mercado imobiliário em expansão. Em Cuiabá, o segmento movimentou R$ 5,7 bilhões em 2025, segundo dados do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT). Ao mesmo tempo, aumentaram as cobranças por previsibilidade, capacidade de entrega e controle de custos.
Durante décadas, consolidou-se no setor a ideia de que uma obra possui data para começar, mas não necessariamente para terminar. Esse modelo, porém, já não se sustenta em um ambiente que exige produtividade, planejamento e gestão eficiente.
Existe uma percepção equivocada de que processos tornam as operações mais burocráticas e lentas. Na prática, acontece justamente o contrário. Empresas que investem em padronização, acompanhamento técnico e integração operacional conseguem reduzir desperdícios, minimizar retrabalho e aumentar produtividade sem comprometer a qualidade.
Velocidade não significa correria. Velocidade é consequência de organização. Obras excessivamente longas quase sempre revelam falhas ocultas, ausência de planejamento, desalinhamento entre equipes, baixa integração operacional e dificuldade na tomada de decisão. Já operações estruturadas conseguem manter ritmo produtivo elevado com previsibilidade e estabilidade.
E existe um fator central nessa discussão. O tempo também representa o resultado financeiro. Na construção civil, reduzir o ciclo de execução impacta diretamente a liquidez e a sustentabilidade das empresas. Quanto maior a eficiência operacional, menor tende a ser a exposição a custos indiretos, oscilações econômicas e aumentos sucessivos de insumos.
Esse cenário ganhou ainda mais peso nos últimos anos. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acumulou alta de 6,28% em 12 meses, refletindo a pressão sobre materiais, logística, combustíveis e mão de obra.
Em um ambiente de custos elevados, obras demoradas deixam de representar apenas atraso operacional e passam a comprometer competitividade. Por isso, eficiência operacional não deve ser tratada apenas como pauta técnica da engenharia. Trata-se de estratégia de negócio.
A construção civil vive uma necessária evolução nos métodos executivos, nos sistemas construtivos e nos modelos de gestão. A busca por industrialização, inovação e novas tecnologias deixou de ser tendência e passou a ser requisito para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
A construção civil possui papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do país. E quanto mais eficiente e preparada ela for, maior será sua capacidade de entregar não apenas empreendimentos, mas confiança e estabilidade para milhares de famílias.
No fim, construir vai muito além da execução de uma obra. Construir é transformar planejamento em realidade, e isso só acontece de forma consistente quando existe excelência operacional sustentando cada etapa do processo.
Leandro Guimarães é diretor operacional da GRF Incorporadora, empresa mato-grossense que constrói moradias populares no Brasil e tem como um dos pilares de valor a agilidade.
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