AGRO & NEGÓCIO

Desenvolvedores contam com a plataforma AgroAPI para criar soluções para o campo

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  • Interface de programação de aplicativos é voltada a startups, desenvolvedores de aplicativos, instituições públicas e empresas de TI.

  • Aplicações estarão abertas para testes durante 90 dias, com limite máximo de três mil solicitações.

  • Sistema pode ser utilizado para uso comercial, mediante contrato.

  • Intuito é apoiar os setores produtivo e público no desenvolvimento de soluções para a agropecuária digital, conhecida como agro 4.0.

  • Futuras ferramentas podem envolver sistemas de controle e manejo agropecuário, administração e previsão da produção agrícola, previsão climática, gerenciamento de risco de crédito e seguro rural e previsão e controle de pragas, por exemplo.

  • Empresas já estão usando plataforma para desenvolver modelos preditivos para crédito rural, identificar novos clientes e inspirar a criação de novas soluções.

Com o intuito de estimular a criação de soluções tecnológicas para o setor agro, a Embrapa está oferecendo acesso à plataforma AgroAPI. A Empresa conta com milhares de informações e modelos agropecuários que já podem ser acessados on-line, de forma ágil e confiável, por empresas, instituições públicas, startups e desenvolvedores de softwares, aplicativos e serviços web, para testes ou uso comercial mediante um contrato de prestação de serviços.

A sigla API significa Interface de Programação de Aplicativos, que vem do termo em inglês Application Programming Interface, e consiste em um conjunto de códigos e padrões de programação acessíveis por aplicativos de software ou plataformas computacionais baseadas na internet. Por meio das APIs, os aplicativos, criados por desenvolvedores de software, se comunicam de forma automática e podem ser usados em diversas áreas. Alguns exemplos são os sistemas de pagamentos on-line e de geolocalização por GPS.

“Esses conjuntos de dados, validados pela Embrapa, são úteis para geração de produtos que ajudem a melhorar a tomada de decisão no campo”, destaca Isaque Vacari, supervisor do Núcleo de Garantia da Qualidade da Embrapa Informática Agropecuária (SP). Cada vez mais ao alcance dos produtores, as tecnologias digitais são as grandes aliadas para apoiar a transformação brasileira rumo à agricultura digital, ou agro 4.0, já que agregam informações fundamentais para gerenciar a atividade agropecuária.

As soluções digitais têm potencial de causar um forte impacto na produtividade e na rentabilidade agrícola, pois trazem informações, muitas vezes em tempo real, e permitem monitorar a produção. Desde a escolha da cultivar até a comercialização dos produtos agrícolas, passando pela definição da melhor época de plantio, acompanhamento das condições agrometeorológicas e monitoramento da vegetação, por exemplo, essas ferramentas são aplicáveis a todas as etapas do processo produtivo.

Na plataforma AgroAPI já estão disponíveis a API SATVeg, a API Agritec e a API PlantAnnot (detalhes no quadro abaixo), geradas com resultados de pesquisas da Embrapa e instituições parceiras. As aplicações estão com acesso aberto para realização de testes, por um período de 90 dias, com o máximo de três mil requisições, sendo que as duas primeiras podem ser contratadas por meio de um plano com custo fixo mensal limitado ao uso de um número específico de requisições.

O consumo de 20 mil APIs por mês custa R$ 250,00; e paga-se mais R$ 1,50 para cada conjunto de 100 novas requisições. A contratação é feita por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). “Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected]“, orienta a pesquisadora Luciana Alvim Santos Romani, supervisora do Setor de Gestão da Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.

Desafio

Traive, que atua na área de crédito agrícola, é uma das empresas que recentemente assinou contrato de prestação de serviços para usar a AgroAPI. “Compartilhamos a visão de que todos deveriam prosperar no agronegócio, incluindo os pequenos e médios produtores. O grande desafio são as limitações atuais no acesso aos serviços financeiros como crédito e seguro”, informa Maurício Quintella, COO (diretor operacional) da empresa.

Para Quintella, a solução pode vir com dados e novas tecnologias como o machine learning, o aprendizado de máquina. “O que nos permite fazer isso somente agora é justamente a disponibilidade de dados. A AgroAPI é um excelente exemplo. Por meio dos dados históricos e dinâmicos, ela nos permite criar modelos preditivos que ajudam nossos clientes como revendas, cooperativas e tradings, a tomarem decisões na concessão de crédito, e tornarem a gestão de risco mais simples e uma vantagem competitiva de seus negócios. Isso também se aplica ao mercado de capitais: com os dados da AgroAPI e a visão analítica sobre o risco, conseguimos construir e adequar portfólios conforme o perfil desses investidores”, avalia o COO.

A CNH Industrial (CNHi), multinacional fabricante de equipamentos agrícolas, também vai usar a plataforma. “Somos usuários do serviço SATVeg na plataforma AgroAPI. Com esses dados queremos extrair padrões para poder identificar as culturas de clientes e não clientes da CNHi. Esperamos cruzar esse big data com nossas fontes de dados internas e obter insights poderosos para o nosso negócio”, adianta o especialista em dados do Departamento Digital da empresa.

API Agritec, API SATVeg e API PlantAnnot

A API do Sistema WebAgritec – API Agritec, disponível na plataforma, reúne informações voltadas ao planejamento, monitoramento e gerenciamento da produção agrícola. Contempla a oferta de dados e modelos relativos às condições climáticas antes e durante a safra, estimativa de produtividade e indicação de adubação e correção de solo, a partir de resultado prévio de análise de solo, para as culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo.

Também permite consulta às datas de plantio para dezenas de culturas estabelecidas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e à relação de cultivares mais aptas para as culturas de arroz, algodão, amendoim, cevada, feijão, feijão-caupi, girassol, mamona, milho, soja, sorgo e trigo. Os dados podem beneficiar agricultores, técnicos de cooperativas e de empresas de assistência técnica e extensão rural, além de agentes ligados ao setor bancário e a seguradoras.

Já a API SATVeg oferece consultas ao banco de dados geográficos do Sistema de Análise Temporal da Vegetação (SATVeg) e permite identificar tipos de cultivos, processos de intensificação do uso da terra, comprovação de perdas no âmbito do seguro agrícola e supressão da vegetação natural. Assim, também contribui para apoiar as atividades de gestão territorial e de monitoramento agrícola e ambiental.

O sistema destina-se à observação e análise de perfis temporais de índices vegetativos por diferença normalizada e de realce da vegetação (NDVI e EVI) para a América do Sul, gerados a partir de imagens dos satélites Terra e Aqua, da Nasa, fornecidas pelo sensor Modis, contemplando dados produzidos a partir de 2000, com resolução temporal de 16 dias e resolução espacial de 250 metros.

Esses índices apresentam correlação com variáveis biofísicas da vegetação, como área foliar e biomassa verde, capazes de indicar a presença e o vigor vegetal em uma determinada área de interesse. As séries temporais desses índices vegetativos permitem que se acompanhe, ao longo do tempo, o comportamento da vegetação nesses locais.

As informações são úteis na elaboração de políticas públicas ambientais e agrícolas e oferece dados importantes a pesquisadores, estudantes, técnicos de geoprocessamento, gestores públicos, consultores e outros usuários do setor produtivo sobre o uso e cobertura da terra, como áreas florestais, culturas agrícolas anuais, culturas agrícolas perenes e semiperenes, pastagens, entre outros, e suas transições ao longo do tempo.

Na área de bioinformática, a Embrapa coloca à disposição a API PlantAnnot, que possibilita acesso a informações sobre dados genômicos, como genes, transcritos e proteínas, de mais de 50 espécies de plantas armazenadas no banco de dados do sistema PlantAnnot. O sistema foi desenvolvido para encontrar proteínas que não têm função atribuída e podem estar relacionadas a mecanismos moleculares ligados a estresses abióticos em plantas.

Essas informações são usadas nas pesquisas conduzidas pelo Laboratório Multiusuário de Bioinformática (LMB) da Embrapa e pela Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (UMiP GenClima), parceira da Empresa com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A API tem potencial para ajudar em pesquisas voltadas à geração de novas variedades de plantas geneticamente modificadas, mais resistentes às mudanças climáticas, de acordo com o pesquisador da Embrapa Mauricio de Alvarenga Mudadu.

Modelo de negócios e relacionamento empresarial

Esse modelo de negócios, definido com apoio da Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) e da Gerência de Assuntos Jurídicos e de Contratos da Embrapa, estabelece um novo tipo de relacionamento com a Empresa e estimula a criação de uma série de tecnologias. “Com isso, aumenta a possibilidade de parcerias com empresas de diferentes ramos e permite à Embrapa dedicar-se mais ao desenvolvimento de pesquisas, que é o seu foco de atuação”, explica Carlos Meira, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.

“A plataforma AgroAPI representa um marco importante para a estratégia digital da Embrapa e para os nossos parceiros, por meio da oferta de informações úteis para o gerenciamento da produção de culturas agrícolas e para monitoramento agrícola e ambiental. Além disso, a plataforma pode ter um papel fundamental em sistemas de controle e manejo agropecuário, gerenciamento e previsão da produção agrícola, previsão climática, gerenciamento de risco de crédito e seguro rural, previsão e controle de pragas e doenças”, declara Ricardo Fonseca Araújo, coordenador de Inovação Digital da SIN.

“Para que essa plataforma possa ofertar o devido valor aos parceiros, com um retorno de investimento para a Embrapa, fez-se necessário o desenvolvimento de um modelo de negócios atualizado aos padrões e necessidades do mercado, adaptado às particularidades jurídicas de uma empresa pública. Ainda assim, vamos trabalhar continuamente na atualização e melhoria desse modelo, de forma a sempre gerar valor e facilidade aos parceiros”, ressalta o coordenador.

Segundo Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, “a AgroAPI inaugura um novo modelo e uma forma concreta de fomentar o ecossistema de PD&I [Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação] em agricultura digital no País, posicionando a Embrapa como uma grande facilitadora junto às empresas privadas, startups, universidades e outras instituições públicas”.

Exemplos de quem já usa as APIs Embrapa

Zarc – Plantio Certo, aplicativo gratuito lançado pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em junho do ano passado durante o anúncio do Plano Safra 2019/2020, é um exemplo de tecnologia criada com recursos da API Agritec. A ferramenta, voltada aos produtores e agentes atuantes na cadeia de crédito e seguro agrícola, serve de apoio à gestão de riscos e ao planejamento da produção.

Desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), conta com mais de nove mil usuários da versão para celulares com o sistema operacional Android. No fim de setembro de 2020, o ministério lançou a versão para iOS, motivado pelo forte interesse dos produtores nessa solução tecnológica.

O app auxilia produtores e agentes da cadeia do agronegócio, por meio da disponibilização das informações oficiais do Zarc, em uma interface de fácil compreensão. A consulta ao Zarc – Plantio Certo permite que o produtor receba a indicação das diferentes taxas de riscos (20%, 30% e 40%) de perdas agrícolas por eventos meteorológicos adversos, atrelados às suas respectivas épocas de plantio, abrangendo 43 culturas e todos os municípios do território nacional.

“Os produtores nos procuram para realizar o projeto técnico para acessarem o crédito rural agrícola nas agências bancárias”, conta Alan Pacifico Pereira, técnico em agropecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio Grande do Sul (Emater-RS), que presta assistência a produtores de grãos e pecuaristas de gado de leite. “O app nos auxilia na tomada de decisão para a semeadura de soja, milho, trigo, cevada, canola e aveia, indicando a época mais adequada para semear e poder gerar o maior rendimento das culturas para o ano agrícola”, explica.

Uma das primeiras empresas a utilizar a AgroAPI foi a Gira, Gestão Integrada de Recebíveis do Agronegócio. Por meio de um contrato de cooperação técnica assinado com a Embrapa em 2019, a startup teve acesso aos modelos de produtividade de culturas agrícolas e à série temporal de dados orbitais para monitoramento da vegetação, com o objetivo de incorporar esses indicadores agronômicos à sua plataforma tecnológica de apoio a operações de crédito agrícola.

A plataforma Gira utiliza ferramentas de análise de capacidade produtiva, aliadas à mentoria agronômica, vistorias presenciais, monitoramento via satélite, relatórios de acompanhamento e outros recursos tecnológicos, para apoiar as concessões de crédito. “Os métodos e protocolos de aferição do desempenho agronômico trouxeram muito mais segurança para a ponta de cessão de crédito da cadeia, que teve acesso a informações sobre os produtores”, diz Gianpaolo Zambiazi, CEO e fundador da fintech de agronegócio.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) também possui um convênio de cooperação técnica com a Embrapa Informática Agropecuária para uso da AgroAPI no Programa Emater 4.0. A instituição acessa as informações sobre cultivares, época de plantio com menores riscos climáticos, previsão e monitoramento para cinco culturas agrícolas. Os dados são integrados à plataforma digital Deméter – Extensionista, usada por técnicos para orientar os produtores rurais do estado no planejamento e na condução dos plantios.

“O Programa Emater 4.0 é um conjunto de ações que vêm sendo desenvolvidas pela Emater-MG, com vistas à internalização da cultura da inovação na empresa e à transformação digital na sua prestação de serviço. Todas as ações, naturalmente, têm como foco o atendimento mais ágil e mais eficiente ao produtor rural”, informa o diretor-técnico Feliciano Nogueira. “Também será desenvolvida a plataforma Deméter – Produtor rural, para estabelecer uma interface direta com os produtores, possibilitando o atendimento de suas necessidades de forma digital, em tempo oportuno e antecipando soluções”, completa.

 

Fonte: Embrapa

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Mercado de alimentos à base de vegetais é tema de workshop promovido pelo Mapa

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realiza no dia 8 de dezembro, a partir das 14 horas, um workshop para tratar sobre mercado, conceitos, pesquisas em desenvolvimento e marco regulatório do segmento de produtos plant-based (à base de vegetais) no Brasil. O evento será on-line e transmitido pelo canal da Embrapa no Youtube, no endereço eletrônico https://www.youtube.com/watch?v=a8qA2yvCG3g.

Participam das discussões a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), o Departamento de Apoio à Inovação para Agropecuária (Diagro), o The Good Food Institute (GFI) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

A demanda por alimentos à base de vegetais tem crescido e, segundo informações do GFI, estima-se que o mercado global desse segmento atinja entre US$ 100 bilhões e US$ 370 bilhões até 2035. Em 2020, a categoria cresceu de forma expressiva no mercado brasileiro com a entrada dos chamados “análogos”, aqueles alimentos plant-based que buscam mimetizar a experiência propiciada pelos produtos de origem animal em aparência, sabor, textura e aroma. Em geral, esses alimentos são produzidos a partir de proteínas vegetais texturizadas, muitas vezes vindas de grãos como soja, ervilha, grão-de-bico ou feijão.

Para uma futura normatização específica ao tema, o Mapa tem buscado levantar informações junto ao setor que possam embasar a análise de impacto regulatório. “O Ministério reconhece a crescente demanda em relação a produtos plant-based e, por isso, busca um diagnóstico inicial associado aos cenários prospectivos para implementar um possível marco regulatório, tendo como objetivo a parametrização da produção e comércio destes produtos, de forma a alinhar as diferentes expectativas envolvidas em um ambiente regulatório salutar tanto aos agentes econômicos quanto aos consumidores”, destaca o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Glauco Bertoldo.

O secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Bruno Brasil, observa que o aumento da demanda por produtos plant-based é reflexo de megatendências observadas para o agro brasileiro, como o protagonismo do consumidor e a agregação de valor. “O consumidor, cada vez mais, interfere no modo de produção de alimentos em busca de novas características relacionadas ao sabor, nutrição, sustentabilidade, dentre outras”, finaliza.

Serviço

Workshop: Percepções sobre o segmento de plant-based products no Brasil
Data e horário: dia 8 de dezembro às 14 horas
Transmissão pelo canal da Embrapa no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=a8qA2yvCG3g.

 

Fonte: Embrapa

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