Saúde

Demanda por home care aumenta 35% no tratamento de pacientes pós-Covid

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A pandemia mudou o cenário da atenção domiciliar em todo o país, que passou a atuar na reabilitação de pacientes com sequelas causadas pela Covid-19. Segundo o Núcleo Nacional de Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead), o número de pacientes atendidos no sistema de home care aumentou 35% desde o início da crise sanitária.

Após a fase crítica da doença, é possível que ainda ocorram quadros de fraqueza, distúrbios cardiovasculares, dores, perda muscular e falta de ar, entre outras sequelas. Pacientes que tiveram internados com quadro grave da Covid-19 buscam o atendimento domiciliar por traçar as melhores estratégias para auxiliar na recuperação, com conforto e seguindo os protocolos de biossegurança.

É o caso de Juliano Teodoro da Silva, de 70 anos, morador de Cáceres. Ele ficou internado cerca de 40 dias com Covid e quando saiu do hospital recebeu a assistência domiciliar da Hiper Care, com fisioterapia e nutrição. “Eu saí do hospital irreconhecível. Não conseguia fazer quase nada sozinho. Os profissionais da home care foram maravilhosos e hoje estou trabalhando, totalmente recuperado”, conta. 

O Programa de Assistência Domiciliar (PAD), desenvolvido pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, está sendo executado pela Hiper Care, que desde abril deste ano, já atendeu 142 pacientes nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres e Sinop.

A coordenadora Geral do Serviço de Atenção Domiciliar da Hiper Care, Tavylla Bezerra dos Santos, explica que atuam no home care técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. 

O serviço de transporte conta com ambulâncias na modalidade avançada e completamente equipadas para um atendimento de urgência e emergência e locomoções agendadas. 

Tavylla comenta que a fisioterapia home care se caracteriza por um atendimento mais humanizado e individualizado. “A assistência e os cuidados fisioterápicos são realizados na casa do paciente, permitindo uma avaliação profissional quanto à realidade e dificuldades dele”. 

A responsável técnica da Fisioterapia da Hiper Care, Talita Souza, explica que o fisioterapeuta desenvolve atividades que promovam o tratamento da doença ou sequelas nos sistemas esquelético, locomotor, respiratório e cardíaco, dentre vários outros. 

“O objetivo é reabilitar, reeducar e prevenir futuras lesões tanto de cunho motor quanto respiratório, devolvendo esse paciente o quanto antes para suas atividades de vida diária”, completa. Além disso, a fisioterapia home care ajuda a promover inclusão, melhorar a qualidade de vida e preservar e recuperar a saúde do paciente.

Avaliação Nutricional 

Os pacientes pós-covid em alta hospitalar passam a ter os cuidados nutricionais em casa. A nutricionista do home care é de extrema importância neste momento. A primeira conduta é a avaliação nutricional, buscando também informações sobre o estado do paciente anterior à doença. 

“Corrigimos o déficit nutricional com uma dieta apropriada para o paciente, levando em consideração as doenças relacionadas, como diabetes, hipertensão e hiperlipidemia. Verifica-se o funcionamento intestinal e a deglutição”, destaca Laura Guimarães, nutricionista da Hiper Care, com formação em Clínica Hospitalar. 

Caso a alimentação por via oral esteja impossibilitada de receber o alimento, ela explica que opta-se pela via enteral ou gastroenteral. “A suplementação oral deve ser feita. Os pacientes perdem muito peso, massa muscular e estão enfraquecidos, com necessidade de reabilitação. A dieta é atrativa, caseira e balanceada, subdividida em seis ou até oito refeições diárias, sempre respeitando os hábitos alimentares”, acrescenta.  

O Hiper Care ainda possui psicólogos e fonoaudiólogos. “Estamos tendo bons resultados e os pacientes conseguem retomar a sua rotina”, lembra a coordenadora Tavylla Bezerra dos Santos.

Cristiane Ávila, terapeuta de Práticas Integrativas e Complementares, utilizou recentemente os cuidados da Hiper Care para sete pessoas contaminadas pela Covid. “O trabalho da home care facilitou muito, com a atuação de uma equipe multidisciplinar. Achei o suporte maravilhoso, tendo em vista a necessidade do paciente, já idoso, ter que se deslocar de casa até o hospital para fazer exames e teste”, destacou. 

Cuidados Continuados 

Os serviços de assistência pós Covid-19 foram indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde que alertaram para a necessidade de cuidados continuados e prolongados para pessoas que tiveram sequelas da Covid-19. De acordo com as entidades, a cada dez pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2, uma sofre com problemas de saúde que persistem por até 12 semanas

Silas Augusto, um dos médicos que atuam na Hiper Care, explica que presenciou de perto a fragilidade emocional dos pacientes, seja por sofrimento pessoal ou físico, por internação prolongada, intubação ou traqueostomia. Ele diz que são pacientes muito fragilizados e que precisam de ajuda. 

“O Programa de Assistência Domiciliar é muito importante, por atender, na grande maioria, pessoas carentes financeiramente e de estrutura familiar, e que podem ter a dedicação de uma equipe multidisciplinar, bem qualificada”, relata Silas. 

Ele conta que viu casos de pacientes muito debilitados nutricionalmente e que a equipe de nutrição fez um trabalho exemplar e dedicado. “Assim como a equipe de psicologia, que muitas vezes teve o desafio de não só tratar o paciente, mas toda a família”, diz o médico, ao comentar sobre a luta diária que teve na fase crítica da Covid para salvar vidas. 

“Presenciei de perto famílias destruídas por essa doença, tristes pela perda de alguns entes e felizes pelos pacientes que estavam no nosso serviço de home care. Quero agradecer a toda equipe”, conclui o médico. 

Em Mato Grosso, a supervisão da estrutura para a viabilização do atendimento é feita pela Superintendência de Regulação do Estado. A indicação para o tratamento em home care é realizada pelo médico responsável pelo tratamento do paciente. 

A Resolução RDC nº 11/2006, do Ministério da Saúde/Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dispõe sobre o regulamento técnico de funcionamento de serviços que prestam atenção domiciliar. 

A ABEMID (Associação Brasileira de Empresas de Medicina Domiciliar) e a NEAD são utilizadas para classificar a complexidade para a possível internação em home care.

 

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Covid: pacientes podem ficar com sintomas neurológicos por 2 anos

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Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos
Rovena Rosa/Agência Brasil 10.03.2022

Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos

Um novo estudo realizado com pacientes que contraíram a  Covid-19 indica que os sintomas neurológicos, como psicose, demência, névoa mental e convulsões, podem perdurar por mais de dois anos.

A conclusão veio em uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford publicado na revista “The Lancet Psychiatry”.

“Desde as primeiras fases da pandemia, é conhecido que a Covid-19 está associada a um aumentado risco de muitas sequelas neurológicas e psiquiátricas. Todavia, mais de dois anos do diagnóstico do primeiro caso, três importantes perguntas permanecem sem respostas: primeiro, não sabemos se ou quando os riscos de diversos problemas pós-Covid voltam para os valores padrão; em segundo lugar, o perfil de risco nas diversas faixas etárias; e em terceiro se os perfis de risco mudaram com o aparecimento de tantas variantes”, informam os pesquisadores.

Por isso, os especialistas analisaram os dados de 1,25 milhão de pacientes para verificar se já existe alguma resposta a essas questões principais.

O estudo mostrou que, entre os adultos, 640 pessoas a cada 10 mil ainda relatavam “névoa cerebral” após mais de dois anos de cura. O risco, porém, era mais do que o dobro naqueles que tinham mais de 65 anos – com 1.540 casos a cada 10 mil.

Nos outros problemas apontados, os números também eram o dobro entre os idosos: 450 em cada 10 mil sofriam com demência; e 85 em cada 10 mil relataram surtos psicóticos.

Os pesquisadores relatam que esse tipo de problema também ocorre com outras infecções respiratórias graves, mas que os números pré-pandemia eram muito menores.

Os problemas neurológicos e psiquiátricos da chamada “Covid longa” resultaram muito mais raros nas crianças, mas não ausentes: 260 em cada 10 mil sofriam ainda com convulsões – o dobro do grupo de controle – e 18 em cada 10 mil tinham distúrbios psicóticos (em relação aos 6 a cada 10 mil no controle).

Entre as variantes, o estudo da Oxford confirmou que a variante Delta é muito mais severa para quase todos os sintomas de longo prazo da Alfa, a primeira das mutações. Porém, os especialistas apontam que há indicativos de que a variante Ômicron, que se dissemina de forma intensa desde o fim do ano passado, tenha as mesmas características de longo prazo de sua antecessora – apesar dos sintomas mais leves.

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Fonte: IG SAÚDE

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