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De segundo-cavalheiro a netos “TikTokers”: conheça as famílias de Biden e Kamala

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Famílias de Biden e Harris, que assumem presidência dos EUA nesta quarta, refletem mudanças no país

Substituição na Casa Branca: saem Donald e Melania Trump, chegam Joe e Jill Biden . No Observatório da Marinha, onde fica o lar do vice-presidente, Mike e Karen Pence abrem espaço para Kamala Harris e Doug Emhoff. Em ambos os casos, os novos moradores trazem consigo famílias extensas que são indissociáveis de suas trajetórias políticas.

Filhos e cônjuges são figurinhas carimbadas em campanhas eleitorais. Trump foi ainda além, pondo sua primogênita, Ivanka, e seu genro, Jared Kushner, como conselheiros de governo. Biden não aparenta ter pretensões nepotistas, mas sua trajetória política é inseparável  de sua vida familiar.

Poucas semanas após ser eleito senador pela primeira vez, em 1972, o futuro presidente perdeu sua mulher, Neilia, e sua bebê, Naomi, em um acidente de carro. Os dois filhos do casal, Beau e Hunter, ficaram gravemente feridos, mas sobreviveram.

Durante muito tempo Biden viajava diariamente entre Delaware e Washington (2h na ida e 2h na volta) para cuidar dos filhos, dando-lhes o crédito por fazê-lo seguir em frente. Três anos depois da morte da primeira mulher, ele conheceu Jill Jacobs, com quem está casado até hoje. Juntos, tiveram uma menina, Ashley.

Beau era tido como o herdeiro político natural do pai: serviu nas Forças Armadas e elegeu-se procurador-geral de Delaware. Planejava concorrer para governador, mas morreu em razão de um neuroblastoma, em 2015. A perda, na época, foi determinante para que o então vice-presidente decidisse não concorrer à Casa Branca no ano seguinte.

Luto e empatia

As tragédias da vida de Biden são chaves para entender a maneira como se relaciona com os outros e a empatia que desperta em americanos de todo espectro político. A convivência com o luto foi um pilar extraoficial de sua campanha durante a pandemia de Covid-19, que já matou 400 mil americanos. O presidente eleito toca no assunto com frequência e naturalidade.

Um dos momentos mais tensos do caótico primeiro debate presidencial foi quando Trump interrompeu a fala de Biden sobre Beau para atacar Hunter, um calcanhar de Aquiles da campanha democrata. O filho do meio do presidente eleito, que mantém um perfil relativamente privado, tem problemas com abuso de álcool e drogas e, em 2014, foi dispensado da Marinha após testar positivo para uso de cocaína.

Hunter também esteve no centro da controvérsia que culminou no primeiro julgamento de impeachment que Trump enfrentou. Buscando tirar proveito político, o presidente republicano pressionou a Ucrânia a investigar os negócios do filho de seu adversário, que atuava como conselheiro da empresa energética ucraniana Burisma. Hunter admite falta de discernimento, mas afirma não ter agido irregularmente. Investigações posteriores também não constataram má conduta.

Além do presidente, a figura mais proeminente da nova primeira família será a primeira-dama Jill Biden — ou ” Dr. Biden “, como prefere ser chamada. Enquanto criava sua família, ela obteve dois títulos de mestrado, além de um doutorado em Educação. Em paralelo, continuou a dar aulas para adolescentes em escolas, hospitais psiquiátricos e, posteriormente, em faculdades comunitárias.

Tradicionalmente, primeiras-damas têm papéis que se limitam ao cerimonial ou a plataformas políticas que não atrapalhem as agendas de seus maridos. Jill Biden não deverá fugir à regra, promovendo questões relacionadas à educação e ao acolhimento de famílias militares. Ela, no entanto, fará algo inédito: continuará a trabalhar enquanto seu marido estiver na Casa Branca , assim como fez quando ele esteve na Vice-Presidência.

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Inversão de papéis

A maior inversão de papéis pré-estabelecidos, contudo, cabe a Kamala  Harris. Ela será não apenas a primeira mulher,  como também a primeira pessoa negra e de ascendência indiana a ser vice-presidente . Consigo, a ex-senadora californiana traz para os holofotes uma dinâmica familiar cada vez mais comum.

Ela é filha de imigrantes, criada em meio às tradições hindus e cristãs: seu pai, Donald Harris, é jamaicano e professor emérito de economia de Stanford. Sua mãe, Shyamala Gopalan, cientista que estudava o câncer de mama, era indiana. O casal se separou quando Harris ainda era criança. Como era de praxe, ela e sua irmã, Maya, foram criadas principalmente pela mãe.

Harris tem ainda em um casamento birracial: já com quase 50 anos, em 2014, formalizou sua união com Emhoff , um homem branco criado na tradição judaica. O advogado de entretenimento trouxe consigo dois filhos de um casamento anterior, Cole e Ella, hoje jovens adultos.

Emhoff também navega por mares desconhecidos como segundo-cavalheiro , título modificado para se adequar ao gênero de seu novo ocupante. O papel que desempenhará ainda não está claro, mas, ao contrário de Jill Biden , pediu licença do trabalho — algo que, como a cientista política Laurel Elder disse ao New York Times, pode ser visto como “puramente conformista ou revolucionário”.

O risco de conflito de interesses, de fato, era grande, mas ainda assim se trata de um rompimento significativo dos moldes tradicionais: forte o suficiente para internautas afirmarem que ele estava sendo emasculado. Emhoff, no entanto, não demonstra quaisquer sinais de incômodo.

Ele foi parte ativa da campanha e já disse, em mais de uma ocasião, não ver qualquer problema em ser companheiro de uma mulher em posição de poder, e que seu papel é apoiá-la. Por meses, carregou em seu celular um adesivo que dizia “o lugar das mulheres é na Casa Branca “.

Nova geração

Harris não tem filhos biológicos, mas se refere aos enteados como “nossos”. Eles, por sua vez, a chamam de Momala — uma fusão de seu nome com “mom”, mãe em inglês. A relação da democrata com a primeira mulher de Emhoff, Kerstin, é tão boa que a produtora hollywoodiana já está em Washington para a cerimônia de posse.

Ella e Cole, tal qual os netos jovens de Biden, rapidamente viraram sensação nas redes sociais. Um TikTok de Ella dançando após a eleição, compartilhado pela sobrinha de Harris , Meena, acumula 2,4 milhões de visualizações. Sua conta no Instagram, onde compartilha seus projetos de tricô, ganhou algumas dezenas de milhares de seguidores em poucas semanas. 

@meena

5 days until we can officially say MADAM VICE PRESIDENT AUNTIE

♬ Buss It – Erica Banks

Entre as netas de Biden , a mais política é Naomi, de 26 anos. Advogada recém-formada, ela acumula mais de 220 mil seguidores no Twitter, onde compartilha fotos e memes do seu avô, mostrando o lado família do presidente eleito. Já sua irmã, Maisy, acumula mais de 2,4 milhões de likes no TikTok, onde compartilha dancinhas e vídeos engraçados com suas irmãs e primos.

O mais popular deles tem, sozinho, 1,8 milhões de visualizações. Postado no dia da eleição, o TikTok mostra a jovem com uma camisa estampada com o rosto de seu avô e com as palavras: ” Joe , o vice-presidente”. Com uma caneta, ela riscou o vice. A legenda do vídeo diz: “oi, oi, oi, tchau Trump “.

Fonte: IG Mundo

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Argentina amplia toque de recolher obrigatório

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O presidente argentino, Alberto Fernández, ampliou o horário do toque de recolher, anunciado uma semana antes, e suspendeu uma série de atividades, incluindo as aulas presenciais, até 30 de abril, para evitar a saturação de doentes com covid-19 nos hospitais.

“O que tentamos na semana passada foi pouco. Todo o esforço que fizemos até aqui parece insuficiente à luz de como aumentam os contágios na Argentina. Por isso, decidi que entre as 20h e as 6h ninguém poderá circular pelas ruas”, disse Fernández, em rede nacional de rádio e TV.

Há uma semana, Fernández tinha anunciado um toque de recolher entre a meia-noite e as seis da manhã. Além disso, tinha determinado que bares e restaurantes só funcionassem até as 23h, horário que também diminuiu em quatro horas.

“Todas as atividades comerciais só poderão ocorrer entre as 9h e as 19h. As atividades gastronômicas ficarão fechadas em horário noturno. Também suspendi todas as atividades recreativas, sociais, culturais, desportivas e religiosas em lugares fechados”, disse o presidente, incluindo na lista aquilo que o governo prometera que seria a última atividade a ser fechada: as escolas.

“Todas essas medidas incluem a suspensão de aulas, durante duas semanas, a partir de segunda-feira [19]. Alunos e professores não irão à escola. A educação será virtual, a distância. As demais medidas começaram a valer a partir da zero hora de sexta-feira e vão até o dia 30 de abril”, afirmou, acrescentando que as medidas visam a atingir dois objetivos: “não interromper a campanha de vacinação e evitar que o sistema de saúde fique saturado”.

Várias clínicas do sistema de saúde privado, onde 70% dos argentinos são atendidos, estão próximas da saturação, especialmente na área metropolitana de Buenos Aires. No sistema de saúde público, a ocupação de leitos de cuidados intensivos está em 70%.

“Há um mês, tínhamos 45.498 casos de contágios. Na semana passada, 122.468 casos. Nesta semana, o número será maior. Isso significa que multiplicamos por mais de duas a quantidade de contágios em apenas um mês”.

As medidas são destinadas à área metropolitana de Buenos Aires que abrange a capital argentina, onde vivem 3 milhões de habitantes, além de mais dez distritos com 13 milhões de pessoas.

Protestos

Logo após o anúncio das medidas, milhares de pessoas começaram um forte panelaço de protesto na maioria dos bairros de Buenos Aires. Primeiro pelas janelas, depois, pelas ruas. Em frente à residência presidencial, milhares de pessoas protestaram.

No ano passado, a Argentina manteve a mais prolongada quarentena do mundo, com 233 dias de isolamento, que provocou milhares de falências e uma queda de 10% no Produto Interno Bruto (PIB).

Em apenas um ano, a pandemia já deixou na Argentina quase o dobro de mortos: 58.542. Só nas últimas 24 horas foram registrados 368 óbitos.

Com 45 milhões de habitantes, o número de casos chega a 2,604 milhões, com 25.157 novos casos nas últimas 24 horas.

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