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Covid-19: Saúde questionou Rio de Janeiro sobre vacinação de adolescentes

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Covid-19: Saúde questionou Rio de Janeiro sobre vacinação de adolescentes
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Covid-19: Saúde questionou Rio de Janeiro sobre vacinação de adolescentes

Apenas dois dias antes de rever a proibição da vacinação de adolescentes contra a Covid-19, o  Ministério da Saúde interpelou oficialmente a Secretaria estadual de Saúde (SES) do Rio de Janeiro sobre a imunização de menores de idade no estado, como mostra um ofício do órgão federal enviado à pasta.

O documento do dia 20 de setembro, classificado como “urgente”, citava o total de adolescentes fluminenses com registro de vacinação àquela altura (384 mil) e perguntava “quais os estudos técnicos utilizados para justificar a vacinação de adolescentes” e “quais as razões que levaram o ente federado a descumprir as orientações do PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19)”. A decisão do governo federal de suspender a vacinação de adolescentes foi reconsiderada na noite desta quarta-feira, dia 22.

O ofício, ao qual o Globo teve acesso, é assinado pela secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do ministério, Rosana Leite Melo, que também assinou a nota que suspendeu a vacinação de adolescentes sem comorbidades no último dia 16. O texto se baseia numa diretriz antiga da Saúde, segundo a qual o calendário a ser seguido na campanha “é de imunização da população de 18 anos ou mais”.

O documento destaca, contudo, que “há considerável volume de aplicação de doses de vacina na população de 12 a 17 anos” e que “foram ministradas doses de imunizantes não aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”.

Diante disso, o MS questionou a SES a respeito dos 384.449 adolescentes que foram vacinados no Rio até aquele dia, conforme os registros disponíveis no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).

O ministério perguntou, entre outras coisas, quando foram iniciadas as vacinações da população abaixo de 18 anos, quais os parâmetros adotados para escalonar a vacinação de adolescentes, quais os estudos técnicos utilizados para justificar a vacinação de adolescentes (trecho em que pediu à SES “menção específica para utilização da vacina de cada fabricante não autorizada para esta faixa etária pela Anvisa”) e, por fim, quais as razões que levaram o estado a “descumprir as orientações do PNO”.

O ofício chegou ao gabinete do secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, nesta terça-feira, um dia antes de o ministério voltar a recomendar a imunização dos adolescentes. Chieppe teve até o fim desta quinta para responder. O documento também teve versões enviadas a outros estados.

A maioria dos 384 mil adolescentes que receberam a primeira dose da vacina no Rio de Janeiro até o dia 20 de setembro se vacinou antes que o Ministério da Saúde suspendesse a vacinação dos menores sem comorbidades na semana passada. A decisão reconsiderava uma recomendação antiga do próprio ministério, disponível numa nota técnica enviada aos estados no dia 2 de setembro.

Naquele dia, o MS optou por “recomendar a ampliação da oferta da vacinação contra a Covid-19 para a população de 12 a 17 anos sem comorbidades, com início a partir de 15 de setembro de 2021”, com o imunizante da Pfizer, o único autorizado pela Anvisa para uso nesse público.

A nota técnica, também assinada por Rosana Leite de Melo, levava em conta “a previsão de que até o dia 15 de setembro de 2021 tenhamos concluído o envio de doses suficientes para vacinar 100% da população brasileira maior de 18 anos com pelo menos a primeira dose”, estágio a partir do qual a vacinação de adolescentes estaria liberada.

Àquela época, a ordem do ministério era vacinar os adolescentes sem comorbidades por último, priorizando os adolescentes com deficiência, os adolescentes com comorbidade, as adolescentes grávidas ou puérperas e os adolescentes privados de liberdade.

Muitos secretários de Saúde descumpriram a orientação, pois disseram ter doses suficientes para a vacinação desses públicos e não desejavam mantê-las em estoque. Nesta terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski determinou que cabe aos estados e municípios decidir sobre a vacinação de adolescentes.

A mudança de orientação do Ministério da Saúde sobre a vacinação de adolescentes ocorreu na última quinta-feira, quando o presidente Jair Bolsonaro tomou conhecimento da morte de uma jovem de 16 anos, sete dias depois de receber o imunizante contra a Covid-19 em São Bernardo do Campo (SP).

Gestores locais apontaram a falta de justificativa técnica para a decisão, e muitos deles, inclusive Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde da capital fluminense, anunciaram que continuariam vacinando menores de idade a despeito da ordem do governo.

No dia seguinte, o Estado de São Paulo concluiu que a vacina da Pfizer não foi a causa provável da morte da adolescente, e sim uma doença autoimune denominada Púrpura Trombótica Trombocitopênica (PPT). Diante disso, o governo federal recuou mais uma vez e decidiu liberar a vacinação contra a Covid-19 para adolescentes em todo o país.

Como revelou a colunista Malu Gaspar, a proposta da suspensão da vacinação de adolescentes não passou pelas equipes de especialistas do Programa Nacional de Imunização e da Câmara Técnica do Ministério da Saúde.

O anúncio da medida provocou uma crise entre o ministro Marcelo Queiroga e os técnicos da pasta, que chegaram a ameaçar uma demissão coletiva. O conflito foi mediado justamente por Rosana Leite de Melo, que ficou de levar as reclamações dos especialistas à apreciação do ministro.

Vacinas não autorizadas

O ofício enviado à Secretaria de Estado de Saúde na última quinta-feira (23) traz questionamentos sobre o uso de outras vacinas que não a da Pfizer em adolescentes, o que é proibido pela Anvisa. Por registros lançados no SI-PNI, um sistema alimentado pelos municípios, o Ministério da Saúde contabilizou 1.635 casos do tipo no Rio de Janeiro até o dia 20 de setembro.


Só na capital, foram 326 ocorrências até a última terça-feira, segundo o sistema de Informações em Saúde da Secretaria municipal de Saúde (SMS), o Tabnet municipal, uma outra fonte oficial. Os registros podem resultar de equívocos que aconteceram no momento do cadastro dos vacinados.

No entanto, em ao menos um caso o erro aconteceu de fato: uma adolescente puérpera foi vacinada com a CoronaVac no dia 23 no mês passado na cidade do Rio, como o GLOBO mostrou. A SMS admitiu o engano neste episódio específico, mas não respondeu sobre os outros 325 registros informados em seu sistema.

Fonte: IG SAÚDE

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Cariocas afirmam que não deixarão de utilizar máscaras em locais abertos

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Cariocas afirmam que não deixarão de utilizar máscaras em locais abertos
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Cariocas afirmam que não deixarão de utilizar máscaras em locais abertos

Mesmo após a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovar, na última terça-feira (26), o fim do  uso obrigatório de máscaras em ambientes abertos no estado, muitos cariocas ainda não se sentem seguros e vão continuar usando o equipamento de proteção na cidade.

O prefeito Eduardo Paes (PSD) e o secretário Daniel Soranz anunciaram a liberação da proteção facial, uma vez que a capital já alcançou o índice de 65% da população com o esquema vacinal completo contra a Covid-19, pré-requisito estabelecido pela prefeitura.

O projeto aprovado, de autoria do presidente da Casa, André Ceciliano (PT), dá autonomia ao estado e municípios a publicar decretos flexibilizando o uso da proteção facial. No caso da capital, além do avanço da imunização, a prefeitura se baseou nas quedas dos índices de casos graves e mortes.

Na tarde desta terça-feira, enquanto o texto ainda estava sendo votado pelos parlamentares, o Globo entrevistou pessoas em diferentes bairros da cidade. Mesmo já tendo completado seu esquema vacinal — inclusive com a dose de reforço — a aposentada Naíde Cruz, de 88 anos, se posicionou contra a flexibilização.

Acho que ainda falta vacinarem mais gente para que seja tomada uma medida assim. Enquanto eu me sentir insegura, vou continuar andando de máscara. Independente de lei aprovada, vou continuar me protegendo — afirmou a moradora de Laranjeiras, que diz nunca ter contraído a Covid-19. Filha da idosa, Marta Cruz compartilha da mesma opinião.

“Tomei as duas doses da vacina e, para mim, ainda não é momento para flexibilizar o uso da máscara. Essa deveria ser a última medida a ser tomada”, disse, enquanto caminhava com a mãe no Largo do Machado.

Elizeu da Silva tem 28 anos e ainda não se vacinou. Ainda assim, se diz contrário à liberação das máscaras enquanto, pelo menos, 90% da população não estiver vacinada.

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“Peguei Covid no ano passado, mas ainda não me vacinei por falta de tempo. Saio de casa de máscara e só estou sem ela agora porque aqui é um local bem aberto e arejado. Em breve, vou me vacinar, até porque uma hora vão me cobrar no trabalho. E mesmo com a liberação da máscara, vou continuar usando”, assumiu o promotor de vendas, na Praça Saens Pena, na Tijuca.

A poucos metros dali, sentado no banco da praça, o faturista Rodrigo Santos, de 42 anos, aproveitava o seu horário de almoço para descansar. Vacinado com as duas doses, ele estava de máscara.

“Eu sou a favor (da flexibilização) em lugares abertos, até porque o número de casos e mortes tem caído drasticamente. Particularmente, por trabalhar numa clínica de pneumologia, adquiri o costume de usar máscara o tempo todo”, alegou o morador do Alto da Boa Vista, que disse deixar a proteção facial de lado somente quando está em casa e no carro.

Problemas respiratórios

Enquanto descansava para retomar sua caminhada na orla de Copacabana, o morador do bairro Moacyr Branco se disse favorável à liberação das máscaras, apesar de já ter sido contaminado e apresentar sequelas até hoje.

“Sou a favor. Acho que já tem uma porcentagem boa da população vacinada. Muita gente já se contaminou e acabou ganhando uma certa imunidade também. Eu me encaixo nos dois casos: tomei a dose única em julho e, em setembro, fiquei seis dias internado no quarto do hospital por causa da Covid. Até hoje, minha respiração não voltou ao normal: tento correr, mas cansa muito. Estou melhorando aos poucos”, contou.


Também na orla de Copacabana, o aposentado Ricardo Albuquerque, de 76 anos, se disse contrário à liberação:

“Já peguei Covid, mas isso antes de tomar as minhas três doses da vacina. Felizmente, não precisei ser hospitalizado. Hoje, ando mais tranquilo na rua e até tiro a máscara quando vejo que não tem absolutamente ninguém por perto, mas acredito que estender a obrigação do uso por mais alguns meses seria o ideal. Achei essa medida meio precipitada.”

Fonte: IG SAÚDE

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