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Covid-19: 4 problemas que explicam por que a Europa está atrasada na imunização

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Vacinas contra covid: 4 problemas que explicam por que a União Europeia está atrasada na imunização
Fernanda Paúl – BBC News Mundo

Vacinas contra covid: 4 problemas que explicam por que a União Europeia está atrasada na imunização

A União Europeia tem sido amplamente criticada pela lentidão de sua campanha de vacinação contra o coronavírus.

Dados do Our World in Data apontam que, até 26 de fevereiro, o bloco havia administrado apenas 6,8 doses de vacinas por 100 pessoas. Em contraste, o Reino Unido administrou 29 para cada 100 habitantes e os Estados Unidos, 20,6.

Isso acontece apesar de a União Europeia ter fechado acordos no ano passado com seis fabricantes de vacinas —BioNTech/Pfizer, Moderna, AstraZeneca, CureVac, Johnson & Johnson e Sanofi-GSK—, garantindo mais de 2 bilhões de doses, mais que suficiente para os 450 milhões de habitantes dos 27 países membros.

No entanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu que o bloco “não está onde queria” com o seu programa de imunização, e disse que agora os esforços deveriam ser para “acelerar” este processo tanto quanto possível.

O que explica o atraso na vacinação em uma região do mundo onde mais de meio milhão de pessoas morreram devido à covid-19?

1. Produção e distribuição

Graves problemas logísticos atrasaram a campanha de vacinação na Europa.

Embora a União Européia tenha assinado um acordo para receber 300 milhões de doses da vacina Pfizer-BioNTech em dezembro, houve obstáculos na produção dessa vacina.

O consórcio não conseguiu entregar às 12,5 milhões de vacinas prometidas até o final de 2020. O chefe da BioNTech, Uğur Şahin, explicou que o atraso se deve ao fato de a União Europeia ter erroneamente suposto que várias vacinas diferentes estariam prontas de uma vez só e, portanto, repartiu seus pedidos.

Além disso, a vacinação em algumas áreas da Europa foi interrompida depois que a Pfizer suspendeu temporariamente as entregas para aumentar a capacidade de produção nas fábricas na Bélgica.

A distribuição da vacina Moderna, por sua vez, também teve problemas. Itália e França estão recebendo menos vacinas do que o esperado: 20% menos doses no caso da Itália e 25% menos no caso da França.

vacinas

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Fabricantes de vacinas tiveram que superar vários problemas de produção e distribuição para o bloco; na foto, o membro da Comissão Europeia, Thierry Breton, com caixa de vacinas Pfizer-BioNtech

A vacina Oxford-AstraZeneca também é escassa na União Europeia por problemas de produção em fábricas na Bélgica e na Holanda. Além disso, vários países do bloco, como França e Alemanha, aprovaram seu uso, mas apenas para pessoas com menos de 65 anos, impedindo a inoculação dessas doses em grupos prioritários.

Quanto à vacina Johnson & Johnson, o bloco ainda não aprovou seu uso, mas deve fazer isso no início de março.

Assim, atualmente, a maioria dos países da União Europeia está inoculando apenas pessoas com mais de 65 anos com as vacinas Pfizer e Moderna, apesar das intensas negociações com diferentes laboratórios durante meses.

“A aposta que a União Europeia fez no início foi muito boa. Mas depois o bloco não foi muito agressivo na obtenção dos contratos de entrega e não entregaram a quantidade de doses inicialmente acordada”, diz o imunologista alemão Carsten Watzl à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Ursula von der Leyen disse que o bloco “demorou” em autorizar o uso de certas vacinas.

“Estávamos muito otimistas sobre a produção em massa e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria entregue no prazo”, disse ela no início de fevereiro.

2. Ceticismo

Além dos problemas logísticos, vários países da União Europeia enfrentam um problema maior: o ceticismo. Seja devido a teorias da conspiração, medo ou desinformação, a verdade é que muitos europeus expressaram dúvidas sobre a inoculação.

A situação só piorou quando, em janeiro, várias autoridades (inclusive de países como França, Alemanha e Itália) recomendaram aos maiores de 65 anos que não tomassem a vacina Oxford-AstraZeneca, apesar de a Agência Europeia de Medicamentos já ter aprovado seu uso para todas as faixas etárias.

O presidente francês Emmanuel Macron disse que a vacina era “quase ineficaz” para pessoas com mais de 65 anos, alegação que foi posteriormente negada pelo governo do Reino Unido e por médicos britânicos.

Macron

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Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a vacina Oxford-AstraZeneca era “quase ineficaz” para pessoas com mais de 65 anos

As palavras de Macron também foram criticadas por Steven Van Gucht, diretor de doenças virais do Instituto Belga de Saúde. Só em 1º de março o governo francês anunciou que idosos com doenças pré-existentes já podem receber a vacina.

Mas, para alguns especialistas, como Van Gucht, a avaliação é que “o estrago já foi feito”.

O problema é enorme se considerarmos também que o número de doses da vacina AstraZeneca na União Europeia é o segundo maior, depois da fabricada pela BioNTech-Pfizer.

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3. Doses não utilizadas

Altos níveis de ceticismo significam que várias centenas de milhares de doses de AstraZeneca não estão sendo usadas. É o caso da Alemanha, onde o ministro da Saúde, Jens Spahn, reconheceu que apenas 15% das doses disponíveis foram administradas.

A razão? A resistência dos alemães a uma vacina que consideram menos eficaz.

frasco de vacina

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Altos níveis de ceticismo resultam em centenas de milhares de doses da vacina sem propósito

Segundo Carsten Watzl, a vacina AstraZeneca tem um “problema de relações públicas” em seu país.

“Houve sinais contraditórios. E nós, cientistas, não podemos fazer muito a respeito… A comissão alemã, que autoriza as vacinas, já anunciou que vai reverter essa decisão (de não inocular maiores de 65 anos com AstraZeneca) devido aos dados que saíram na Escócia, que mostram uma boa eficácia desta vacina também em idosos”, disse à BBC News Mundo.

Watzl diz que houve tentativas de inocular os profissionais de saúde com a vacina AstraZeneca, mas que, em muitos casos, eles se recusaram a receber a dose.

“Eles se perguntam: por que estamos recebendo uma vacina de segunda classe se outras pessoas estão recebendo a boa? E então, no dia, dizem: ‘Não, vou esperar’. Isso cria o tremendo problema de ter essas doses e não poder dá-las às pessoas com rapidez suficiente”, diz.

O imunologista defende que, nesse ponto, é necessário que uma autoridade como a chanceler Angela Merkel tome essa vacina para convencer as pessoas de que ela é segura e eficaz.

Merkel

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Porta-voz da chanceler Angela Merkel teve que dizer publicamente que a vacina AstraZeneca é “segura” e “eficaz”

Mas o que está por trás do ceticismo europeu sobre as vacinas?

Uma pesquisa da Comissão Europeia realizada em 2019 lança luz sobre isso.

De acordo com o relatório, 38% dos entrevistados acreditam que as vacinas podem causar a doença contra a qual protegem, enquanto 48% dizem que as vacinas produzem efeitos colaterais. Além disso, 31% indicaram acreditar que as vacinas enfraquecem o sistema imunológico.

4. Burocracia no esquema de vacinação

O esquema de vacinação do bloco, estabelecido em junho de 2020, permite que a União Europeia negocie a compra de vacinas em nome de seus estados membros. Segundo Bruxelas, isso permite reduzir custos e evitar a competição entre eles.

No entanto, isso também pode levar a problemas burocráticos.

“A compra de doses deve ser uma decisão centralizada na União Europeia. E, é claro, há mais burocracia do que em um país pequeno como Israel”, explica Watzl.

Embora os estados membros não sejam obrigados a aderir ao esquema, todos os 27 países do bloco decidiram fazê-lo.

vacina

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Países podem negociar separadamente com os fabricantes de vacinas com os quais a União Europeia não tem um acordo

Ainda assim, eles podem negociar separadamente com os fabricantes de vacinas com os quais a União Europeia não tem um acordo.

A Hungria é um exemplo disso: recebeu mais de 100 mil doses da vacina russa Sputnik-V e usou o medicamento chinês Sinopharm, dois produtos não autorizados pelo bloco.

Para Carsten Watzl, “não vai ajudar” que a União Europeia faça acordos neste momento com a Rússia ou a China para obter mais doses.

“Se olharmos para o número de doses de vacina que a União Europeia solicitou a seis fabricantes, temos 4 doses por pessoa, o dobro do que precisamos”, explica.

Resta, assim, esperar que as doses cheguem, que sejam corretamente distribuídas e que os europeus se convençam a tomar as vacinas que já têm.

A julgar pelo que aconteceu até agora, a tarefa não será fácil.


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Fonte: IG SAÚDE

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Covid-19: os riscos de não tomar a segunda dose da vacina; confira

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Covid-19: os riscos de não tomar a segunda dose da vacina
André Biernath – Da BBC News Brasil em São Paulo

Covid-19: os riscos de não tomar a segunda dose da vacina

Num café da manhã com jornalistas realizado na última terça-feira (13/04) em Brasília, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram aos postos de saúde para receber a segunda dose da vacina contra a covid-19.

De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o estado com o pior índice, com mais de 343 mil atrasados. Na sequência, aparecem Bahia (148 mil) e Rio de Janeiro (143 mil).

Queiroga disse que pretende reforçar as campanhas para que todos completem o esquema vacinal. Para isso, vai contar com o apoio do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

A informação do ministro foi complementada pela coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato.

A especialista pediu que todos aqueles que tomaram a primeira dose e já esperaram o intervalo mínimo necessário retornem até o local de vacinação mais próximo para completar o esquema preconizado.

Esse intervalo, vale reforçar, varia de acordo com o imunizante aplicado. No caso da CoronaVac, da Sinovac e Instituto Butantan, o tempo entre a primeira e a segunda dose é de 14 a 28 dias.

Já na AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz, o período de espera é de 3 meses.

Mas quais são os riscos que esses 1,5 milhão de brasileiros estão correndo ao não tomarem a segunda dose?

Resguardo duvidos o

A maioria das vacinas contra a covid-19 testadas e já aprovadas necessitam de duas doses para conferir uma taxa de proteção aceitável.

Isso vale para os produtos desenvolvidos por Pfizer, Moderna, Instituto Gamaleya e os dois que são usados atualmente na campanha brasileira: a CoronaVac e a AZD1222, como explicado nos parágrafos anteriores.

Por ora, a única exceção da lista é o imunizante de Johnson e Johnson, que já fornece uma boa resposta com a aplicação de apenas uma dose.

O ministro da saúde, Marcelo Queiroga

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O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, divulgou a informação de que 1,5 milhão de brasileiros não voltaram para receber a segunda dose da vacina numa conversa com jornalistas

Esses esquemas vacinais foram avaliados e definidos nos estudos clínicos das vacinas, que envolveram dezenas de milhares de voluntários e serviram para determinar a segurança e a eficácia das candidatas.

Portanto, se alguém tomar apenas a primeira dose de CoronaVac ou AZD1222 e se esquecer da segunda, não estará devidamente protegido.

“Os dados que temos mostram que a pessoa fica resguardada com duas doses. Se ela toma só uma, não completou o esquema e não está vacinada adequadamente”, explica a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Por mais que a primeira dose já dê um pouco de proteção, essa taxa não está dentro dos parâmetros estabelecidos pelos especialistas e pelas instituições que definem as regras do setor, como a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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Outro ponto perigoso: ao receber a primeira dose (e não retornar para completar o esquema vacinal), o indivíduo corre o risco de ficar com uma falsa sensação de segurança.

Ele pode até achar, de forma absolutamente equivocada, que já está imune ao coronavírus e seguir a vida normalmente, sem os cuidados básicos contra a covid-19.

As recomendações, porém, continuam as mesmas para quem recebeu duas, uma ou nenhuma dose de vacina: todos precisam manter distanciamento físico, usar máscaras, lavar as mãos e cuidar da circulação de ar nos ambientes.

Começar de novo?

Ainda não se sabe ao certo como fica a situação de quem não completou as duas doses: esses indivíduos precisam recomeçar o esquema vacinal do zero ou podem tomar a segunda a qualquer momento?

Isso vai depender do tempo de atraso, especulam os especialistas.

“Se o prazo para receber a segunda dose passou demais, pode ser necessário recomeçar o regime vacinal, pois todos os dados de eficácia que temos são baseados num protocolo. Se fugirmos disso, não temos como garantir a imunização”, diz a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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Reuters
É importante tomar a primeira e a segunda dose do mesmo fabricante: a recomendação é começar e terminar o esquema vacinal com CoronaVac ou AZD1222

Num cenário de escassez de vacinas, isso pode comprometer ainda mais nossos estoques e deixar na mão um monte de gente que ainda precisa se imunizar.

Em todo caso, vale seguir a recomendação do Ministério da Saúde e visitar o posto de vacinação mais próximo de sua casa o quanto antes para completar a proteção contra a covid-19.

“As pessoas não devem atrasar, mas, se porventura tiverem algum imprevisto, é importante receber a segunda dose assim que possível para obter uma boa resposta imune”, reforça Ballalai.

Bonorino, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia, acredita que o governo deveria investir em campanhas de comunicação para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de seguir direitinho os protocolos de imunização do país.

“Precisamos dessas informações sendo veiculadas na televisão, nas redes sociais e em todos os meios, para que a população não se esqueça de tomar a segunda dose da vacina nas datas indicadas”, destaca.

E é importante lembrar que a primeira e a segunda dose devem ser do mesmo fabricante, sem nunca misturar os produtos: tem que começar e terminar com a CoronaVac ou com a AZD1222.

De acordo com as últimas informações do Ministério da Saúde, até o momento o Brasil vacinou um total de 27 milhões de pessoas contra a covid-19.

O número corresponde a pouco mais de 12% da população do país.

Fonte: IG SAÚDE

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