Saúde

CoronaVac é a vacina em teste mais segura contra covid-19

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O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse hoje (19) que, dentre todas as vacinas que estão em desenvolvimento e que estão sendo testadas contra o novo coronavírus, a vacina chinesa, chamada de CoronaVac, é a que se mostrou mais segura. Isso significa que ela não vem apresentando efeitos colaterais graves.

“A vacina Butantan é a mais segura em termos de efeitos colaterais. É a vacina mais segura neste momento não só no Brasil, mas no mundo”, disse Dimas Covas.

Estudos feitos no Brasil com 9 mil voluntários da área da saúde, com idades entre 18 e 59 anos, vem comprovando os resultados de segurança que já haviam sido registrados em testes de fases 1 e 2 na China. No Brasil, apenas 35% desses 9 mil voluntários tiveram reações adversas leves após a aplicação da vacina, tais como dor no local da aplicação ou dor de cabeça. Não houve qualquer registro de efeito colateral grave durante a testagem.

As reações mais comuns entre os participantes do estudo, após a primeira dose, foram dor no local da aplicação (19%) e dor de cabeça (15%). Na segunda dose da vacina, as reações adversas mais comuns foram dor no local da aplicação (19%), dor de cabeça (10%) e fadiga (4%). Febre baixa foi registrada em apenas 0,1% dos participantes e não há nenhum relato de reação adversa grave à vacina até o momento. “Das demais vacinas, nenhuma foi inferior a 70%. Todas, com exceção da vacina do Butantan, tiveram efeitos colaterais de grau 3, os efeitos mais importantes quando se avalia uma vacina. A vacina do Butantan não teve efeito colateral de grau 3”, disse Dimas Covas.

Os estudos de fases 1 e 2 feitos na China com 50.027 voluntários chineses, entre eles, funcionários da própria Sinovac, já haviam demonstrado que apenas 5,36% das pessoas vacinadas apresentaram efeitos colaterais, todos sem gravidade: dor no local da aplicação (caso constatado em 3,08% dos voluntários), fadiga (1,53%) e febre leve (0,21%). Efeitos um pouco mais graves foram observados em 0,03% dos voluntários, tais como perda de apetite, dor de cabeça, fadiga e febre.

Os resultados de eficácia, que são investigados nessa fase 3 de estudos, ainda não foram finalizados. Para tentar antecipar os resultados desses testes, o governo de São Paulo solicitou para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e teve aprovada, a inclusão de mais 4 mil voluntários. A expectativa do governo é de que esses novos voluntários possam ser vacinados até dezembro deste ano. Nessa ampliação do número de voluntários muda também o perfil dos voluntários. Desta vez, idosos, portadores de comorbidades e gestantes também poderão ser vacinados.

Eficácia

Segundo Dimas Covas, os resultados de eficácia ainda não foram finalizados porque eles dependem da ocorrência de um número mínimo de infecções por covid-19 [doença provocada pelo novo coronavírus] entre os voluntários. Para a CoronaVac, o número mínimo estipulado para uma primeira análise é de 61 infecções. Isso, segundo ele, só deverá ser atingido entre os meses de novembro ou dezembro.

De acordo com o diretor do Butantan,  Dimas Covas, não é possível hoje saber quantos dos voluntários dessa vacina já apresentaram infecção pela doença. Os dados, segundo ele, são sigilosos e analisados por um comitê internacional.

“O estudo é duplo cego [metade dos voluntários recebe a vacina e metade o placebo] e controlado por organismos internacionais, é esse comitê que avalia os dados que são remetidos diariamente. E é esse comitê que abrirá os estudos quando atingirmos 61 casos”, disse ele.

Devido os voluntários serem profissionais da área da saúde, com mais exposição ao vírus, Dimas Covas acredita que esses resultados de eficácia possam acontecer entre novembro e dezembro. “É possível que tenhamos esse número muito rapidamente. Mas na perspectiva de acontecer entre novembro e dezembro. Isso é possível, mas é evento que não controlamos”, esclareceu.

“Como a incidência no Brasil e no estado de São Paulo está caindo, é possível que isso tenha algum efeito na velocidade com que esses dados apareçam. A epidemia está em outra fase e isso pode ter impacto nessa velocidade. Por isso aumentamos o número de voluntários. E esse número de voluntários será aumentado, se necessário, para permitir que esses 61 casos iniciais apareçam o mais rapidamente possível”, disse Dimas Covas.

A vacina

O governo paulista, por meio do Instituto Butantan, tem uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac para a vacina CoronaVac. Por meio desse acordo, o governo vai receber 46 milhões de doses da vacina até dezembro deste ano. O acordo também prevê transferência de tecnologia para o Butantan.

A CoronaVac está na fase 3 de testes com voluntários brasileiros desde julho deste ano. Na fase 3 é avaliada a eficácia da vacina, ou seja, se ela protege contra o novo coronavírus. Caso os testes de fase 3 comprovem que ela é uma vacina eficaz, a CoronaVac precisa de ser aprovada pela Anvisa para iniciar a vacinação. O governo paulista previa o início da vacinação a partir de 15 de dezembro deste ano, mas com o atraso no estudo de eficácia, essa data deve ser adiada.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Estado do Rio inicia testagem para covid-19 agendada por aplicativo

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O estado do Rio de Janeiro começa nesta sexta-feira (4) a testagem para covid-19 a partir de um novo procedimento: o agendamento por meio de um aplicativo para celular. Não se trata, porém, de realização de exames em massa, pois o usuário precisará preencher um questionário e só será convocado para o exame caso as respostas indiquem possibilidade de infecção. Em um primeiro momento, a iniciativa está sendo implantada nas cidades de São Gonçalo e Volta Redonda.

Conforme estimativa da Secretaria de Estado da Saúde, será possível oferecer por dia até 1,5 mil exames RT-PCR, que identificam as pessoas que estão com o novo coronavírus ativo em seu organismo. Em São Gonçalo, os testes agendados serão realizados no Hospital Estadual Alberto Torres e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Colubandê. Em Volta Redonda, o procedimento será concentrado no Hospital Regional do Médio Paraíba Dra. Zilda Arns Neumann.

A inciativa é fruto de uma parceria firmada com o aplicativo Dados do Bem, desenvolvido sem fins lucrativos pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e  pela empresa Zoox. A ferramenta, cedida gratuitamente ao estado, está disponível para celulares que usam os sistemas Android ou iOS. O site do aplicativo fornece instruções para a instalação.

As pessoas convocadas para a testagem receberão no celular um QR Code, que funcionará como voucher de confirmação. Sua apresentação, juntamente com a carteira de identidade, será obrigatória para ter acesso ao local do exame. O resultado fica pronto em até 72 horas e também é disponibilizado pelo aplicativo. Caso seja positivo, o paciente poderá indicar até cinco pessoas com quem teve contato para também serem submetidos ao teste.

Além de permitir o agendamento do exame, o aplicativo possibilita mapear, em tempo real, a distribuição da covid-19 nos centros urbanos e gerar dados para serem estudados. Por essa razão, ao iniciar o seu uso, o cidadão precisará primeiramente concordar com o envolvimento voluntário na pesquisa. De acordo com os desenvolvedores, o anonimato de todos os participantes é preservado e as informações coletadas não serão usadas para fins comerciais. 

Aumento de casos

A parceria com o aplicativo Dados do Bem foi divulgada pelo governo fluminense entre as medidas adotadas para tentar conter o avanço dos casos de covid-19, observado no estado nas últimas semanas. Também foi anunciada a abertura de 348 novos leitos, exclusivos para pacientes com covid-19, até o dia 15 de dezembro. Em todo o estado, são mais 360 mil casos e 22 mil mortes. 

De acordo com a Secretaria estadual da Saúde, o agendamento da testagem por meio do aplicativo será em breve expandido para outros municípios. A escolha das primeiras cidades levou em conta a evolução do número de infectados e o quadro atual da oferta de exames RT-PCR.

São Gonçalo é a terceira cidade do estado em número de ocorrências confirmadas: 16.567 pessoas já foram diagnosticadas com covid-19, segundo os dados do governo fluminense. Desses, 863 não resistiram à doença e morreram. Em Volta Redonda, são 9.089 casos e 257 óbitos. O município é o nono com maior número de ocorrências no estado.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Saúde

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