AGRO & NEGÓCIO

Como o uso do inverno pode suprir a demanda por alimento na produção animal

Publicados

em


Oportunidades e desafios foram discutidos em Passo Fundo, RS

  • Na safra 2020/2021, a área com cultivos no verão (soja, arroz e milho) foi de 7,8 milhões de hectares, enquanto no inverno (trigo, aveia-branca, cevada, triticale, centeio e canola) foram cultivados 1,6 milhão de hectares no RS. A produção prevista deverá chegar a 24,7 milhões de toneladas de grãos no verão e 4,3 milhões toneladas no inverno;

  • O crescimento na ocupação de áreas no inverno, em relação a área de verão, passou de 17% em 2020 para 21% 2021;

  • A indústria brasileira de proteína animal consome cerca de 800 mil toneladas de trigo para a elaboração de ração e 58 milhões de toneladas de milho;

  • Houve redução de abates de bovinos no RS em 10% de machos e em 40% de fêmeas entre janeiro e setembro de 2021;

  • No Paraná, a produção de suínos cresceu 230% e a de frangos cresceu 270%, enquanto a produção de milho cresceu 2%;
  • O déficit de milho para abastecer a indústria de proteína animal em SC e RS chegou a 7,8 milhões de toneladas em 2020;

Os números foram apresentados durante o Seminário Técnico Integração Lavoura-pecuária promovido pela Embrapa e Senar-RS, em parceria com a ABPA, Fecoagro-RS e Farsul. O evento foi realizado na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, nos dias 6 e 7/10 em formato híbrido, com palestras e tarde de campo, com o objetivo de discutir o potencial e os entraves no uso dos cereais de inverno na alimentação de bovinos, suínos e aves. O uso da terra no inverno também foi tema das discussões durante a CerealTec, realizada de 27 a 30/09 na vitrine de tecnologias da Embrapa Trigo.

“Um dos maiores riscos para qualquer negócio é a falta de clientes. Na produção de alimentos este risco não existe. A população mundial cresce a taxas assustadoras e precisamos ser mais eficientes para alimentar essa população a um custo cada vez menor”, afirmou o superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, na palestra “A ampliação da safra de inverno no Rio Grande do Sul e o papel das instituições”. Segundo ele, o Brasil pode ampliar a participação no mercado internacional de proteína animal, mas ainda falta alimento: “Nós temos alternativas para alimentar os rebanhos, promovendo a rentabilidade em diversos setores da economia, desde a compra de insumos, mão de obra, infraestrutura, até a comercialização, armazenagem, indústria de alimentos. Todo esse caminho depende, cada vez mais, da intensificação dos processos produtivos, caminhando junto com a inovação tecnológica, a assistência técnica e a abertura de mercados”.

Para o Presidente da Farsul, Gedeão Pereira, o Rio Grande do Sul já é um exportador de alimentos, mas a demanda crescente, dentro e fora do Brasil, exige ações rápidas: “O momento é agora, não podemos deixar que os concorrentes assumam o mercado tirando o protagonismo histórico do Rio Grande do Sul”.

Durante o evento, a Embrapa apresentou as soluções tecnológicas que a pesquisa tem à disposição do produtor para produzir grãos e forragens de forma rentável, principalmente durante o inverno: “A otimização do uso da terra no inverno é o pilar do projeto Duas Safras, que certamente vai dinamizar o Rio Grande do Sul, movimentando a economia de todo o País, com impactos na oferta de alimentos no Brasil e no mundo, já que o Brasil exporta alimentos para uma centena de países”, explicou o Chefe-Geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, destacando o envolvimento no projeto dos centros de pesquisa da Embrapa no RS e em SC (Trigo, Pecuária Sul, Suínos e Aves, Clima Temperado), além do apoio do setor cooperativo (Fecoagro RS e SC, RCT, UNICAFES), indústria (ABPA), cerealista (ACERGS), extensão rural (Emater/RS, Epagri/SC), Governo do Estado (RS e SC) e diversas outras empresas, entidades de classe, instituições de ensino e pesquisa.

Sustentabilidade na produção leiteira pode estar no inverno

O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite no Brasil, com um rebanho estimado em 1,3 milhão de vacas em lactação em 2020. O estado é líder em produtividade no Brasil, com 11,2 litros de leite por vaca/dia. Somente para alimentar a produção leiteira durante os meses frios, cerca de 180 dias, seriam necessários 1,3 milhão de hectares de forrageiras de inverno de boa qualidade. A metade norte do RS concentra 70% da bacia leiteira do Estado, onde também está concentrada a produção tritícola.

As informações foram apresentadas pelo médico veterinário e professor da Universidade de Passo Fundo, Carlos Bondan, que contou a sua experiência como produtor de leite na propriedade familiar em Sarandi, RS: “Sempre utilizamos os cereais de inverno na pecuária leiteira, mas acredito que podemos utilizar ainda mais e melhor, já que hoje contamos com genética e equipamentos cada vez mais adequados para os sistemas integrados”. Na gestão da propriedade, Bondan comparou o custo para fazer a silagem de milho com a silagem de trigo: com uma boa produtividade no milho, cerca de 17 toneladas por hectare de matéria-seca (t/MS/ha), o custo da silagem de milho ficou em R$ 0,24/kg; no trigo, com produção de 9 t/MS/ha na cultivar BRS Pastoreio, o custo foi de R$ 0,25/kg. “O valor é muito próximo, mostrando que a produção de silagem de milho nem sempre é a melhor estratégia”, avalia o produtor, que busca como meta utilizar o inverno para produzir todo o alimento que a vaca necessita ao longo do ano.

“A forma mais barata de alimentar o rebanho é a base de pasto, suplementada com grãos e forragens conservadas na forma de silagem, pré-secado, feno e até palha, compondo ração para vacas em lactação de elevado mérito genético”, acrescenta o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli.

Redução na pecuária de corte

Em 2020, o rebanho bovino brasileiro foi o maior do mundo, representando 14,3% do rebanho mundial, com 217 milhões de cabeças; em 2020 o Brasil foi o maior exportador de carne bovina do mundo, com 2,2 milhões de toneladas e 14,4% de participação no mercado internacional.

Na pecuária de corte, em 2019 o Rio Grande do Sul ocupava a 6ª posição em número de bovinos, com um rebanho de 12,4 milhões de animais. Em recente levantamento do Fundesa-RS, o número caiu para 10 milhões de cabeças em 2021. Ainda assim, para fornecer alimento à base de forragens a todo o rebanho durante o inverno seriam necessários 5 milhões de hectares de pastagens cultivadas.

O número de abates em bovinos no RS também reduziu neste ano comparado as médias de 2019 e 2020. Considerando o período de janeiro à setembro de 2021, o número de abates de fêmeas entre 25 e 36 meses foi  48,8% menor e em fêmeas com mais de 36 meses a queda foi de 17,6%. O abate de machos também foi reduzido em 10% no mesmo período.

Na avaliação de Eduardo Condorelli, superintendente do Senar-RS, a redução na pecuária gaúcha é reflexo do avanço da soja, especialmente na metade sul do Estado: “Estamos assistindo a uma transformação na identidade do produtor gaúcho que sempre esteve vinculada à pecuária. Agora o que predomina no Rio Grande do Sul é a monocultura da soja. Precisamos encontrar alternativas que tragam melhor retorno na atividade pecuária, com uma rentabilidade o mais próximo possível do cultivo de grãos. E a melhor eficiência na pecuária passa, obrigatoriamente, pela oferta de alimento barato e de qualidade”.

Para o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Danilo Sant’Anna, na integração lavoura-pecuária as duas atividades têm a mesma importância: “Precisamos parar de falar em ganho de peso ou quilos por hectare e passar a calcular a renda por hectare. A pecuária é parceira da produção de grãos. O pastejo adequado promove um melhor crescimento radicular nas plantas, além de promover o incremento na fertilidade das áreas que vão impactar positivamente nas culturas de grãos”.

Fazer agricultura com o menor custo possível e colher a maior produtividade possível é o foco do produtor Fauro da Rocha, de Santa Bárbara do Sul, RS. Durante o evento ele apresentou a experiência na integração lavoura-pecuária de corte: “Avaliamos o retorno no uso do trigo BRS Pastoreio em 2020. Nosso custo foi de R$ 1.100/ha. A receita com pastejo, pré-secado e colheita de grãos foi de R$ 6.918/ha. O lucro final de R$ 5.818/ha equivale à colheita de 36,4 sacos de soja/ha o que, num ano seco, não seria atingido no verão”, conta Fauro. Outra informação destacada pelo produtor foi a melhoria do solo com o uso de trigo forrageiro: “Separamos 1/3 da área para o trigo duplo propósito, 1/3 para mix de cobertura com aveia+centeio+nabo, e 1/3 para outros cultivos de inverno. Abrimos uma trincheira no solo e verificamos que na área de trigo as raízes foram mais profundas do que na área com mix de cobertura. A melhora do solo na área com trigo resultou em 105,7 sacos de soja/ha na safra de verão. Somados ao lucro do inverno, o valor equivale a 142 sacos de soja. Isso não seria possível apenas com a monocultura de verão”. Portanto, lembra Fauro da Rocha, o “empresário rural” deve avaliar o sistema de produção, incluindo as atividades de inverno e de verão em sistemas integrados que são mais complexos e desafiadores.

Crescimento na produção de suínos de aves

O Brasil possui o quarto maior rebanho de galináceos do mundo, totalizando 1,5 bilhão de cabeças em 2020; no ano que passou, o Brasil se tornou o maior exportador de carne de aves com 4,3 milhões de toneladas (20,9%). Ainda, o consumo per capita de ovos no Brasil aumentou 251 unidades em 2020 para 255 em 2021 e deverá chegar a 262 ovos/pessoa em 2022.

Com relação aos suínos, o Brasil, em 2020, alcançou a terceira posição mundial na produção, com 41 milhões de cabeças, ou seja, 4,4% do total.

Projeções do Sistema Farsul indicam crescimento na participação do Brasil no mercado internacional de proteína animal até 2030 para 41% na carne bovina, 59% na carne de frango e 14% em carne suína.

Por outro lado, de acordo com a Central de Inteligência da Embrapa Suínos e Aves, os custos de produção de frangos subiram 44,27% nos últimos 12 meses, e para suínos a alta foi de 41,17%. A nutrição, onde o milho é o principal ingrediente, foi o que mais pesou no aumento.

Hoje, o RS é o 3º produtor nacional de suínos e 3º produtor de frangos. Em 2020, o Estado gastou R$ 3,3 bilhões para comprar milho de outros estados e países. “A Região Sul está assistindo o crescimento da produção de suínos e aves do Centro-oeste, principalmente pela falta de alimento para compor a ração. O uso das áreas de inverno é o caminho para suportar esse crescimento na bovinocultura, suinocultura e avicultura dinamizando a economia do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, afirma o presidente do conselho consultivo da ABPA, Francisco Turra.

Segundo o diretor de suprimento de grãos da JBS, Arene Trevisan, o Rio Grande do Sul já tem exportado trigo para alimentação animal nos últimos anos, o que demonstra o potencial de uso dos cereais de inverno para a indústria de proteína animal: “Precisamos absorver esses grãos no mercado interno. Há um expressivo mercado para uso dos cereais de inverno na alimentação de suínos e aves no Brasil, mas ainda temos alguns desafios como a constância no abastecimento, deficiências na infraestrutura de armazenagem e a melhor articulação entre os agentes que movimentam o setor”.

Conforme as pesquisas da Embrapa Suínos e Aves, os cereais de inverno podem substituir parte do milho na composição da ração melhorando o resultado final do produto: “A composição da formulação com farelo de soja, cereais de inverno e milho torna a ração com melhor qualidade nutricional, mais equilibrada em aminoácidos, energia, proteínas e fibras”, explica a pesquisadora Terezinha Marisa Bertol, lembrando que os cereais de inverno podem compor, em média, 35% da ração em substituição ao milho, o que permite uma remuneração do trigo entre 97% a 110% do valor pago pelo milho.

Na Alibem, segunda maior empresa de suínos do RS, os cereais de inverno já têm sido utilizados na formulação de ração. “Já tivemos experiências muito boas com trigo, mas também momentos de dificuldade. Nos anos de escassez de milho, colocamos até 50% de trigo sem alterar a qualidade do produto final. Mas em anos de clima adverso, a contaminação com micotoxinas ainda é um desafio tanto no milho, quanto nos cereais de inverno. Este problema causa insegurança na indústria brasileira que não pode garantir o suprimento somente com produtos brasileiros em anos de frustração climática”, conta a nutricionista Lizandra Machado.

Do outro lado, o setor produtivo questiona o comprometimento da indústria em absorver os cereais de inverno: “Oportunidades para o crescimento dos cereais de inverno certamente existe, mas precisamos de um mercado organizado para absorver a produção retornando renda para o produtor. O produtor precisa produzir sabendo o quanto vai receber pela safra”, afirma o superintendente de produção agropecuária da Cotrijal, Gelson Melo.

“Acredito que toda essa movimentação ao longo da safra de inverno vai de fato impactar a produção agropecuária viabilizando o produtor, a indústria e o consumidor. Esse é o propósito do projeto Duas Safras que ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Sul, gerando renda no inverno e intensificando o sistema de produção como o melhor caminho para reduzir riscos em toda a cadeia”, conclui o Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Giovani Faé.

Confira o evento na íntegra no canal do Senar-RS no youtube.

Palestras em 07/10

https://www.youtube.com/watch?v=tBkpB1G8N58&t=10095s

Palestras em 06/10

https://www.youtube.com/watch?v=Z-vKP-HCYKw&t=5007s

Fonte: Embrapa

Comentários Facebook
Propaganda

AGRO & NEGÓCIO

Embrapa ajuda produtores a controlarem as doenças do feijão-de-metro

Publicados

em


O feijão-de-metro é uma das mais importantes hortaliças da Amazônia, mas ainda vulnerável ao ataque de fungos e vírus que causam prejuízo aos produtores, em sua maioria agricultores familiares. Para promover a saúde das plantas e evitar perdas nessa lavoura, a Embrapa divulga estudo para otimizar as ações de prevenção e controle das doenças da espécie.  

Os principais problemas detectados estão descritos na circular técnica Doenças de feijão-de-metro no Pará, que reúne dicas sobre a identificação dos sintomas do adoecimento, inclusive com fotos,  e o manejo preventivo para evitar a contaminação e propagação das doenças. Fonte de consulta muito útil e prática para produtores rurais, técnicos da extensão, estudantes, professores e demais interessados no tema, pode ser acessada diretamente aqui.

“Como no momento só existe uma cultivar registrada no Brasil, denominada De Metro, mas suscetível a contaminações, e por não haver defensivos agrícolas registrados para a cultura pelo Ministério da Agricultura, saber reconhecer os sintomas na planta e agir preventivamente é alternativa indispensável para fazer do feijão-de-metro um cultivo contínuo e bem-sucedido”, enfatiza a autora Alessandra de Jesus Boari, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA).

Chamado de feijão-verde no Pará, a leguminosa feijão-de-metro, caracterizada por vagens longas e finas, é da mesma espécie que o feijão-caupi (Vigna unguiculata), havendo doenças comuns a ambos e modos semelhantes de lidar com elas. Fonte de proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio e potássio, além de vitaminas dos complexos A e B (tiamina e niacina), no Norte do Brasil é muito apreciado como alimento substituto do feijão-vagem, de outra espécie: o feijão comum (Phaseolus vulgaris), este pouco resistente às condições ambientais amazônicas (altos índices de temperatura e umidade).

Doenças causadas por fungos

Na obra Doenças de feijão-de-metro no Pará, a circular técnica lançada pela Embrapa, são citadas nove doenças do feijão-de-metro causadas por fungo. A mela é a principal delas: com grande incidência durante o período chuvoso (janeiro a maio), progride rápido nas condições quentes e úmidas do Pará. “Bastam sete dias para as folhas ficarem completamente destruídas”, alerta a pesquisadora Alessandra Boari.

Kátia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e também autora da publicação, explica que a mela é doença comum na Amazônia devido a fatores ambientais, já tendo sido relatada em várias culturas de importância econômica e social na região. “Um dos principais desafios é o controlá-la, uma vez que o fungo causador da mela, Rhizoctonia solani, consegue sobreviver no solo por vários anos e tem vários hospedeiros”, relata, lembrando que o patógeno foi detectado pela primeira vez em plantios do Pará no ano de 2016, quando causou amplo impacto negativo aos produtores.

De acordo com a pesquisadora Kátia Nechet, a mela é doença de difícil controle e várias práticas culturais são recomendadas para evitar a perda total do plantio, por exemplo: usar sementes sadias e certificadas, além de plantar em épocas desfavoráveis ao desenvolvimento da mela são formas de tornar o manejo mais efetivo.

O clima típico da região amazônica, com temperaturas altas e chuvas frequentes, contribui para a disseminação de vários outros micro-organismos, entre eles os causadores da cercosporiose.  Estes patógenos são disseminados principalmente por sementes e o controle indicado se inicia por aí: com o uso de sementes sadias, aliás válido como boa prática sempre. 

A antracnose ou mancha-café não é exclusiva do feijão-de-metro, sendo comum entre as principais culturas econômicas em todo o mundo. O oídio, que, ao contrário da mela, ocorre no período mais seco do ano, pode ser combatido com o uso de leite cru e de óleo de nim.

Para a murcha de fusário, que causa grandes perdas em culturas de importância econômica, a recomendação técnica é a adoção de manejo integrado, como a escolha da área isenta do patógeno e sem encharcamento, uso de sementes sadias e certificadas, rotação de cultura e destruição das plantas doentes para eliminação de fonte de inóculo.

Para a mancha-alvo, que realmente parece o desenho de um alvo rodeado por círculos, mesmo sendo de menor expressão recomenda-se, em caso de surto, o uso de sementes sadias e rotação de cultura. A podridão cinzenta do caule, comum em algodão, mandioca, feijão comum, soja e feijão-caupi (este conhecido no Pará por feijão-da-colônia), faz a planta murchar e morrer. Existe também a podridão úmida das vagens, mas de pouca ocorrência.

Já o tombamento e podridão de raízes podem provocar grandes danos na cultura em períodos quentes e chuvosos, especialmente em solos argilosos, que são favoráveis ao acúmulo de água. Esses sintomas são causados por patógenos disseminados pelo solo, vento, água de chuva ou irrigação e implementos agrícolas.

Doenças causadas por vírus

A publicação Doenças de feijão-de-metro no Pará informa que não existe composto químico para controle de vírus em planta. Também não existe, até o momento, cultivar resistente a vírus causadores das duas doenças citadas no documento: o mosaico-severo e o mosaico-foliar. Da mesma forma que para os fungos, a recomendação da Embrapa é fazer o manejo de viroses e insetos vetores por meio de medidas preventivas e culturais.

No caso de vírus, as boas práticas recomendadas são: “uso de sementes sadias e certificadas; uso de barreiras vivas, que consistem em proteger o plantio de feijão-de-metro com três a quatro fileiras bem adensadas de milho ou sorgos plantadas um mês antes do plantio do feijão-de-metro; evitar proximidade com plantas doentes com sintomas de viroses e eliminar as plântulas de feijão-de-metro apresentando mosaico e clorose nas folhas primárias, assim como plantas hospedeiras de vírus”.

Para baixar a circular técnica, acesse aqui a Infoteca-e, repositório de publicações técnico-científicas da Embrapa. Assinam a publicação as pesquisadoras da Embrapa Alessandra de Jesus Boari e Katia de Lima Nechet, as engenheiras-agrônomas Ayane Fernanda Ferreira Quadros e Izabel Cristina Alves Batista, doutorandas na Universidade Federal de Viçosa (MG) e Caterynne Melo Kauffmann, doutoranda na Universidade Nacional de Brasília (Distrito Federal). 

Fonte: Embrapa

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana