economia

Campos Neto pede “esforço fiscal e corte de gastos” ao governo

Publicados

em


source
Roberto Campos Neto
José Cruz/Agência Brasil

Roberto Campos Neto

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que para diminuir a percepção de risco no Brasil, o que auxiliaria em manter os juros mais baixos, seria “importante” que o governo desse um sinal de esforço fiscal e de “algum corte de gastos”.

“Tem uma parte que nós precisamos fazer um esforço fiscal e eu acho que ter algum nível de equilíbrio nos gastos seria muito importante, acenar com algum corte de gastos, alguma coisa nesse sentido. Eu entendo a dificuldade e entendo que o mundo político gera sua limitações nesse sentido”, disse no 9º Fórum Jurídico de Lisboa.

A percepção fiscal do mercado vem se deteriorando nas últimas semanas após a decisão do governo de pagar parte do Auxílio Brasil fora da regra do teto de gastos. Essa mudança recentemente obrigou o próprio Banco Central a elevar os juros acima do que havia sinalizado anteriormente, para 7,75% ao ano.

O presidente do BC ressalta que os números fiscais estão melhores do que anteriormente esperado, com a dívida pública em 83% do PIB, mas a percepção para o futuro pesa. Campos Neto destaca os “questionamentos” ao arcabouço fiscal do país.

“Esse questionamento veio primeiro por uma demora na solução da equação fiscal, uma percepção de interligação entre a reforma tributária, o tema de precatórios e como equacionar a continuação dos programas de auxílio e amparo às consequências da pandemia”, disse.

Campos Neto também afirmou que há um fator que é a dúvida sobre a capacidade do país crescer e por isso também o esforço fiscal seria importante.

Leia Também

“Se eu tenho o mesmo modelo de equilíbrio fiscal com crescimento de 2,5%, 3%, com taxa de juros de 7% e eu mudo o crescimento para 1% e passo a uma taxa de juros de 8%, eu deixo de ter uma coisa insustentável para uma coisa explosiva”, destacou.

Segundo Campos Neto, a inflação deste ano foi alimentada pela desvalorização cambial e as altas na energia elétrica e nos combustíveis, além do cenário de deterioração fiscal.

“O número de inflação acelerou e teve uma piora tanto quantitativa quanto qualitativa em todos os aspectos. É muito importante ser realista e entender o quão disseminada está a inflação e quão difícil será o trabalho do BC neste ponto”, afirmou.

O relatório Focus , que reúne as expectativas do mercado, vê a inflação em 9,77% este ano, enquanto o teto da meta é de 5,25%. Para 2022, a expectativa subiu pela 17ª semana seguida e chegou a 4,79%, próximo ao teto da meta de 5%.

Comentários Facebook
Propaganda

economia

Brasil reduzirá IOF de transações com moeda estrangeira ainda este ano

Publicados

em


source
Brasil reduzirá IOF de transações com moeda estrangeira ainda este ano
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Brasil reduzirá IOF de transações com moeda estrangeira ainda este ano

As operações com moeda estrangeira terão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) reduzido gradualmente até ser zerado em 2029, confirmou hoje (28) o Ministério da Economia. O imposto começará a ser reduzido ainda este ano, para operações de entrada e saída de recursos estrangeiros de curto prazo, em até 180 dias.

O corte do imposto abrangerá quatro faixas de incidência do IOF cambial, com reduções graduais para cada faixa. O primeiro grupo envolverá as operações de curto prazo. O segundo abrangerá transações com cartões de crédito ou débito, cheques de viagem e cartões pré-pagos internacionais. O terceiro englobará operações de câmbio para compra de moeda estrangeira à vista no Brasil e para transferência de residentes no país para contas em seu nome no exterior. O quarto grupo, por fim, envolverá as demais operações de câmbio.

A medida foi exigida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)  para a entrada do Brasil ao grupo, que reúne as economias mais industrializadas do mundo. Nesta semana, a organização internacional  formalizou o convite para o início do processo de adesão do país, abrindo caminho para um processo que durará anos.

As reduções de alíquotas do IOF serão estabelecidas por meio de decreto presidencial. A mudança é uma das obrigações a serem cumpridas pelo Brasil para adesão aos Códigos de Liberalização de Movimentação de Capitais e de Operações Invisíveis, instrumento exigido para os países que integram a OCDE.

Leia Também

De acordo com a Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, a eliminação do IOF sobre transações com o exterior tem o objetivo de acabar com a prática de “câmbios múltiplos”, em que a taxa efetiva de câmbio varia conforme o tipo de operação. Essa multiplicidade, explicou a pasta, favorece determinados tipos de transação em detrimento de outros e discrimina agentes econômicos que desejam operar no país, sendo condenada tanto pela OCDE como pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o Ministério da Economia, o Brasil está em estágio avançado de convergência com a OCDE, tendo aderido a 104 dos 251 instrumentos normativos do organismo internacional. O processo de adesão está mais acelerado que em outros países convidados a integrar o grupo ou que atuam como parceiros-chave, como Argentina (51 instrumentos), Romênia (53), Peru (45), Bulgária (32) e Croácia (28).

A adesão mais recente ocorreu ontem (27), quando o Brasil se comprometeu a adotar as recomendações da OCDE no tema “Crianças no ambiente digital”. Fundada em 1961, em Paris, a OCDE funciona como um organismo que avalia e recomenda práticas e políticas que promovam prosperidade, igualdade, oportunidade e bem-estar global. Com 38 países-membros, a organização reúne 61% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana