AGRO & NEGÓCIO

Buchada e dobradinha chegarão pré-prontas aos supermercados das regiões Nordeste e Sudeste

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  • A Embrapa desenvolveu um método inovador para padronizar o preparo de buchada e dobradinha, duas iguarias nordestinas, que agradam também consumidores de outras regiões brasileiras.

  • Técnica será repassada a profissionais de abatedouros, frigoríficos e agroindústrias.

  • O objetivo é oferecer produtos pré-prontos aos consumidores nos supermercados das regiões Nordeste e Sudeste.

  • Além de facilitar o preparo, que é bastante trabalhoso, o novo processo garante mais higiene e aumenta o tempo de conservação dos produtos.

  • Testes realizados na Embrapa e na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) mostraram aceitação de 90% em relação ao aroma e sabor dos pratos, produzidos pelo novo método.

  • Tecnologia conseguiu ainda diminuir o teor de gordura dos alimentos, que já são muito proteicos. A ideia é ampliar o mercado para essas iguarias no Brasil.

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) desenvolveram um método para padronizar o preparo de buchada e dobradinha, pratos derivados de carne ovina típicos da Região Nordeste, garantindo o controle higiênico-sanitário dos produtos e aumentando do seu tempo de conservação.  A equipe chegou a uma formulação de preparo que possibilita a disponibilização desses alimentos pré-prontos nos mercados do Nordeste e Sudeste, onde identificaram existir uma demanda maior de consumidores. A metodologia está disponível em um comunicado técnico e será repassada a profissionais de abatedouros, frigoríficos e agroindústrias a partir de capacitações ao longo deste ano.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) Lisiane Dorneles, o aproveitamento das vísceras e órgãos dos ovinos agrega valor ao negócio e ajuda a reduzir o desperdício de matéria-prima, uma vez que o foco dos produtores é a carcaça (o animal abatido sem sangue, vísceras, órgãos internos e cabeça). “Na maioria das vezes esse material é tratado como resíduo industrial, sem valor comercial e causa problemas ambientais”, explica. 

Buchada e dobradinha são pratos bastante apreciados na Região Nordeste e também no Sudeste, onde chefs de cozinha as utilizam como pratos exóticos. “No entanto, mesmo entre os nordestinos mais jovens o consumo tem diminuído em função do preparo ser muito trabalhoso”, afirma Dorneles. “Diante disso, faz-se necessário incentivar o consumo e o desenvolvimento de produtos elaborados com vísceras, a partir de técnicas que facilitem o preparo, bem como a oferta de porções que sejam condizentes com as necessidades dos consumidores e que ofereçam garantia da qualidade higiênico-sanitária”, conclui a pesquisadora.

A funcionária pública Francisca Maria Pitombeira, acostumada a preparar as duas receitas, confirma que são simples, mas dão um certo trabalho e a maior dificuldade é fazer a limpeza das vísceras. “Essa etapa é fundamental para uma buchada e uma panelada de qualidade. Ela deve ser muito bem feita com a retirada total da gordura. Depois adicionando um bom tempero tradicional com sal, colorau, alho, cebola pimenta do reino e cebolinha e boa dosagem de amor fica perfeito”, ensina. 

Para a engenheira de alimentos e professora da UVA Ana Sancha Malveira, a carne ovina, apesar de muito nutritiva e saborosa, ainda é desperdiçada. “Quando o brasileiro perceber o ouro que é essa carne, ele vai dar um salto de qualidade de vida muito grande”, acredita. Como nordestina e consumidora desses pratos tradicionais desde a infância, Malveira afirma que os resultados alcançados pelo projeto podem colocar a carne ovina no patamar que ela merece e mostrar seu valor às outras regiões do País.

Testes mostram aceitação de 90% da nova forma de preparo 

Outro problema identificado é que a falta de padronização no processo de produção, particularmente na etapa de limpeza, gera insegurança nos consumidores devido à presença de elevada carga microbiana nas vísceras. A equipe do projeto fez avaliações em relação ao tempo, temperatura e adição de produtos na limpeza das vísceras brancas (estômago e intestinos) e as vísceras vermelhas foram tratadas de forma diferente, de acordo com a necessidade de cada parte. Tudo para garantir a qualidade sanitária sem perder os requisitos de sabor, aroma e aparência na avaliação sensorial dos pratos e oferecer alimentos mais seguros para os consumidores. 

Os testes de aceitação do sabor e intenção de compra da buchada e dobradinha pelo público foram realizados no Laboratório de Análises Sensoriais da Embrapa Caprinos e Ovinos e no Laboratório de Produtos Agropecuários da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também localizado em Sobral, Ceará. Na Embrapa Caprinos e Ovinos, envolveram um grupo de 63 pessoas com idade entre 20 e 70 anos. Já na UVA, contaram com 100 participantes entre 17 e 36 anos

A maioria dos provadores que participaram da análise (87%) aprovaram o aroma e a cor da buchada. Numa avaliação global do produto, os pesquisadores afirmam que os testes indicaram satisfação de 90% dos avaliadores em relação à qualidade da iguaria. Oitenta e quatro por cento deles afirmaram que consumiriam entre sempre e ocasionalmente o produto, caso estivesse disponível no mercado. 

O aroma da dobradinha foi aprovado por 86,15% dos participantes dos testes, enquanto 75,38% demonstraram satisfação com sua cor. Os pesquisadores avaliam que isso se deve à comparação com a cor mais intensa do produto disponibilizado hoje no mercado. O sabor foi bem aceito por 83,07%. Na avaliação global, 84,61% aprovaram a qualidade do prato. Mais de 90% dos avaliadores afirmaram que consumiriam o produto se estivesse disponível para compra. 

Protocolo assegura maior segurança microbiológica aos alimentos

A buchada e a dobradinha são pratos elaborados de forma artesanal, o que aumenta as possibilidades de contaminação microbiana. Por isso, atenção especial foi dada ao desenvolvimento de técnicas que tornem esses alimentos mais seguros para o consumidor final. A zootecnista Jaine de Sousa Santos, que faz parte da equipe do projeto, explica que os resultados das pesquisas mostraram que as vísceras submetidas ao processo de limpeza, utilizando água fervente com ácido acético apresentaram redução do número de coliformes totais e termotolerantes, além de redução da presença de Staphylococcus aureus (perigosa bactéria causadora de diversas infeções em seres humanos) quando comparadas com as vísceras que não receberam nenhum tipo de tratamento. “A contagem desses microrganismos é um indicador da eficiência da limpeza nas etapas de fabricação, da temperatura de conservação e da vida útil dos alimentos”, afirma.

A equipe de pesquisa utilizou ácido acético e água aquecida nos procedimentos de limpeza da matéria-prima, em temperaturas que variavam entre 55°C e 90°C.  Os resultados mais satisfatórios ocorreram com a temperatura de 65°C aplicada nos estômagos (para produção da buchada) e 80°C utilizada nos intestinos (para a confecção da dobradinha).

As más condições de higiene nos processos de abate, principalmente na etapa de evisceração, facilitam a disseminação de micro-organismos causadores de doenças e aumentam as perdas econômicas decorrentes da contaminação das vísceras e por reduzir ainda mais o tempo de prateleira dos produtos. Daí a importância de oferecer capacitação, inclusive sobre boas práticas de fabricação, para os trabalhadores dos frigoríficos e abatedouros. 

A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério explica que apesar de não existir o hábito de consumo desses pratos na Região Sul do Brasil, os frigoríficos que abatem ovinos têm interesse nas capacitações porque podem agregar valor às vísceras, produzindo buchada e dobradinha para vender aos mercados do Sudeste. “Identificamos na Região Sudeste um público consumidor potencial caso os produtos estejam disponíveis em estabelecimentos inspecionados, como supermercados”, explica a pesquisadora.  

Processo tecnológico pode ampliar mercados para as iguarias nordestinas

A buchada é típica da culinária nordestina, mas a dobradinha vem conquistando cada vez mais espaço na gastronomia das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul (onde é chamada de mondongo). Ambos os pratos são feitos à base de vísceras brancas (intestinos e estômagos) e vermelhas (coração, fígado, pulmões e rins). Na buchada, utilizam-se mais as vísceras vermelhas, que são picadas e cozidas em “sacos”, conhecidos como buchos, feitos com o estômago do animal. A dobradinha é feita com maior quantidade de vísceras brancas picadas e cozidas normalmente.

Os órgãos e vísceras de ovinos são uma importante fonte de proteína animal, com valor proteico de 21,92%. Os dois produtos apresentam um valor alto, o que os credencia como importante fonte de proteína na dieta humana. A gordura determinada na buchada e na dobradinha apresentou valores de 2,62% e 2,32%, respectivamente. “É importante ressaltar que o baixo teor de gordura determinado nos produtos está relacionado diretamente ao processo de produção, que além de retirar o excesso de gordura no procedimento de limpeza, dilui também parte da gordura no processo de cocção do caldo”, enfatiza Dorneles. 

“A amostragem dos produtos não utilizou o caldo, o que diminuiu a porcentagem de gordura dos produtos, tornando-os mais atraentes aos que buscam uma alimentação mais saudável”, explica a pesquisadora.

A equipe de pesquisa acredita que esse processo tecnológico de preparação da buchada e da dobradinha garante as características nutricionais, físicas e microbiológicas, atendendo às condições higiênicas adequadas, para não representar riscos à saúde do consumidor e aumentar a vida útil dos produtos. Isso pode favorecer o aumento do consumo dessas típicas iguarias nordestinas, com perspectivas de abertura de mercado para os grandes centros comerciais do País.

 

Fonte: Embrapa

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Ministério faz alerta para conter entrada de praga quarentenária da bananeira no Brasil

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Produtores de banana e demais envolvidos na cadeia produtiva da fruta, foram alertados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para reforçarem a atenção na ocorrência de sintomas de Fusarium oxysporum f. sp. cubense Raça 4 Tropical (Foc R4T), considerada a maior ameaça para a bananicultura mundial.  A doença já chegou à Colômbia e esta semana o Serviço Nacional de Sanidade Agrícola do Peru (Senasa) confirmou a ocorrência de foco da doença no país.

Diante da ameaça, o Mapa  emitiu alerta de emergência fitossanitária em todo o Brasil, reforçando a importância da realização das articulações necessárias junto aos órgãos estaduais de sanidade vegetal, associações de produtores, órgãos de assistência técnica, pesquisa e outros, visando evitar prejuízos aos bananicultores nacionais, no caso de sua eventual introdução no país. 

O governo recomenda a ampla divulgação do Comunicado Técnico nº 149 elaborado pela Embrapa Amazônia Ocidental, com a participação de técnicos do Ministério, onde constam orientações atualizadas sobre a praga, identificação dos sintomas, cuidados a serem observados durante o levantamento e as providências nas eventuais suspeitas de ocorrências no país.

Em caso de identificação de sintomas característicos da praga, os produtores, responsáveis técnicos, extensionistas ou pesquisadores devem comunicar imediatamente os Serviços de Sanidade Vegetal nas Superintendências Federais de Agricultura do Ministério da Agricultura ou nas Agências Estaduais de Defesa Agropecuária nos seus respectivos estados.

De acordo com o Mapa, apesar de identificada na província de Sullana, próximo à fronteira do Peru com o Equador e longe da fronteira com o Brasil, “é necessário reforço nas ações de vigilância e prevenção para impedir seu ingresso no país”.  Reconhecida como quarentenária, a praga consta na lista de prioridades do governo para a prevenção e vigilância fitossanitária.

O  Ministério a Agricultura informa, ainda, que já está realizando tratativas com os demais países integrantes do Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave), para tornar viáveis ações coordenadas em nível regional, e reforça a proibição do transporte de material vegetal (frutos, folhas, mudas de banana), solo e até mesmo material artesanal (bolsas, chapéus, entre outros) produzidos com folhas ou fibras de bananeira.

Cuidados redobrados – O Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) alerta aos bananicultores sobre a importância de que não sejam adquiridos materiais de propagação de banana de origem desconhecida, uma vez que essa tem sido uma importante via de disseminação da praga nos países em que ocorre atualmente.

O procedimento correto é contactar, o mais breve possível, a Superintendência Federal de Agricultura no estado que tomará providências como a coleta de amostras e envio ao laboratório oficialmente credenciado pelo Ministério da Agricultura para a identificação do agente e adotar medidas de mitigação para evitar a disseminação do patógeno para outros plantios.

Tendo em vista que não existem cultivares resistentes à raça tropical 4, os produtores devem atentar para a proibição de importação de mudas de bananeira e helicônia de países onde a praga ocorre, principalmente da Colômbia.

Uma vez que os agentes causais da murcha-de-Fusarium podem permanecer no solo por mais 30 anos, os produtores de banana só devem utilizar mudas de origem segura e comprovada, preferencialmente produzidas in vitro, visando minimizar os riscos de introdução de pragas na área de produção.

Caso durante os tratos culturais do plantio, o produtor observe sintomas que indiquem a presenta das pragas descritas no trabalho, ele não deve utilizar as ferramentas de manejo (facão, Lurdinha, ferro de cova etc.) em outras plantas antes de realizar a desinfestação dos apetrechos com hipoclorito de sódio.  

Fonte: Embrapa

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