Saúde

Brasil está relaxando medidas de isolamento além do razoável, alerta cientista

Publicado


source

BBC News Brasil

Pessoas sentadas em bancos e praticando lutas no calçadão do Rio

Reuters/Sergio Moraes
Orla do Rio de Janeiro; para especialistas, medidas de afrouxamento de quarentena devem ser tomadas a partir do momento em que o país reduz a taxa de transmissão do novo coronavírus

Enquanto o Brasil enfrenta  média diária de mais de mil mortes por Covid-19 e tem sucessivos recordes de novas infecções pelo novo coronavírus, diversas regiões flexibilizaram a quarentena.


Cenas de bares e restaurantes lotados, praias cheias e lojas com muitos clientes se tornaram comuns nas últimas semanas.

A flexibilização do isolamento social no país não se restringe às cidades que atualmente têm queda de casos de Covid-19 ou apresentam números estáveis, como São Paulo (SP) e Manaus (AM).

Ela também ocorre em municípios com crescimento de números de mortes e novas infecções pelo novo coronavírus , como cidades do interior.

Especialistas de todo o mundo apontam que um risco da flexibilização é o fato de que muitas pessoas podem pensar que a situação da pandemia está contornada.

Desta forma, podem ter a falsa impressão de que a vida pode voltar a ser como era antes da propagação do Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus.

Na Europa, por exemplo, os casos voltaram a subir recentemente em diversos países, após o fim da quarentena. Por lá, autoridades apontam um número crescente de regiões com surtos localizados de Covid-19. Em razão disso, governantes locais pediram mais cautela aos cidadãos.

Em meio à flexibilização da quarentena no Brasil, a microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP), considera que muitas pessoas “não entenderam que a pandemia continua no seu auge no país”.

Natalia Pasternak sorri para foto

Divulgação
Microbiologista Natalia Pasternak aponta que há riscos de aumento de casos em diversas regiões após afrouxamento da quarentena

“Talvez essas pessoas sejam movidas pela falsa impressão de platô e de que as coisas se estabilizaram. Mas elas não percebem que a gente estabilizou no alto, com mais de mil mortes por dia. Isso não é normal. Por isso, não é desejável que normalizem isso e tudo bem viver assim”, afirma a especialista à BBC News Brasil.

O país já registrou mais de 95 mil mortes por Covid-19 e quase 3 milhões de casos. Apesar disso, cenas de pessoas que vivem como se nada estivesse acontecendo são frequentes. Em locais reabertos, há constantes situações de clientes sem máscaras ou sem adotar o distanciamento social , de ao menos 1,5 metro.

“As coisas não podem ser reabertas e parecer que liberou geral”, critica Pasternak.

A flexibilização

A OMS recomenda que uma região só flexibilize o isolamento social quando os casos se tornam esporádicos e concentrados em algumas localidades, em um nível que não sobrecarregue o sistema de saúde.

A entidade também aponta que esse afrouxamento da quarentena deve ser acompanhado de testes em massa para identificar os casos, isolá-los, tratá-los e monitorar os pacientes positivos e as pessoas com quem tiveram contato.

Ainda segundo a OMS, é recomendável que antes de flexibilizar o isolamento a região consiga proteger os mais vulneráveis a surtos, como em favelas, onde há grande concentração de pessoas em espaços pequenos.

A organização também orienta que sejam tomadas medidas para evitar transmissão do vírus em locais de trabalho e que a população seja conscientizada da importância de combater a pandemia.

Um dos principais critérios apontados por especialistas para que a reabertura de uma região aconteça com segurança é avaliar a taxa de reprodução do novo coronavírus, ou Rt, que deve ser menor que 1 — o número indica quantas pessoas podem ser contaminadas por quem está com o vírus.

Quando essa taxa é maior que um, significa que o infectado pode transmitir o vírus para mais de uma pessoa. Assim, representa que o número de casos pode aumentar exponencialmente. Muitos países esperaram esse índice ficar abaixo de um, indicando assim desaceleração de novos casos, para afrouxar as medidas de isolamento.

De acordo com o Imperial College, de Londres, a taxa atual de reprodução do vírus no Brasil é de 1,08, índice que representa que a transmissão continua descontrolada no país — há mais de três meses, esse número é superior a 1.

Mesmo sem seguir adequadamente as recomendações da OMS para reabertura da economia e com a taxa de reprodução do vírus acima de 1, diversos Estados brasileiros têm flexibilizado o isolamento social.

Em virtude da dimensão do Brasil, especialistas apontam que é difícil que haja uma mesma medida para todos os lugares. Desta forma, recomendam que cada autoridade local defina o melhor momento para a reabertura, com base em critérios como análise da curva de casos e mortes na região e a quantidade de leitos disponíveis em hospitais.

‘A cooperação das pessoas é fundamental’

Diversas pessoas de máscaras em loja de comércio popular

REUTERS/Amanda Perobelli
Mesmo com país batendo constantes recordes de novos casos e com média de mais de mil mortes diárias, diversas regiões estão reabrindo estabelecimentos

Para Natalia Pasternak, que é presidente do instituto de divulgação científica Questão de Ciência, uma das grandes dificuldades no Brasil é que muitas pessoas não perceberam que são as principais responsáveis pelo controle da epidemia.

“A cooperação de todos é fundamental. É preciso haver engajamento, porque o vírus não circula sozinho. Ele circula com as pessoas.”

“Tenho a impressão de que até hoje não conseguimos comunicar para as pessoas, de forma efetiva, que elas fazem parte da solução e que o comportamento delas vai dizer quando isso acaba”, acrescenta.

A especialista pontua que a flexibilização no Brasil ocorre após baixa adesão da quarentena no país e grande pressão econômica para a reabertura dos estabelecimentos.

“Decidiram flexibilizar muito mais pela exaustão de uma quarentena mal feita. Esse não é um fator ideal. Se fosse uma quarentena feita corretamente, com grande adesão, agora poderíamos estar reabrindo com mais segurança”, explica.

“Foi tudo difícil desde o começo. Nunca tivemos muito apoio da população para uma boa quarentena”, declara.

“Muita gente pensou que achatar a curva significaria que todos iriam contrair o vírus em algum momento e a pandemia aconteceria mais devagar, porém duraria para sempre. Mas não é verdade. A quarentena funciona, porque impede que o vírus encontre mais pessoas suscetíveis até reduzir a taxa de transmissão.”

Uma das grandes dificuldades para comunicar sobre a importância da quarentena, aponta Pasternak, foi causada pelo presidente Jair Bolsonaro, que por diversas vezes questionou os riscos da pandemia e foi contra o isolamento social.

“Se ele fosse uma pessoa sensata, poderia estar coordenando nacionalmente as diretrizes para reabertura (da economia) com segurança. Mas ele não é sensato, é a primeira pessoa a fazer bagunça com as informações. Não temos diretrizes do Governo Federal, que poderia colaborar no atual momento. Sequer temos um ministro da Saúde”, diz — atualmente, o Ministério da Saúde é comandado pelo general Eduardo Pazuello, ministro interino.

As consequências da flexibilização com mais de mil mortes diárias

Pasternak ressalta que a flexibilização da quarentena precisa ocorrer com segurança, com as pessoas usando máscaras e adotando o distanciamento físico, sem aglomerações.

“Mas não é o que está acontecendo em muitos locais. Falta entendimento para muitas pessoas, que se aglomeram em locais que não tinha necessidade de ir neste momento, como em lojas ou shoppings.”

Ela destaca que, com a reabertura da economia, o transporte público também fica cheio. “As pessoas precisam trabalhar e não é possível pedir isolamento nos ônibus ou metrôs. É uma situação que demonstra a falta de comunicação e logística nessa pandemia”, diz.

A cientista não descarta que a flexibilização da quarentena cause uma segunda onda, nos locais em que os casos de novo coronavírus estabilizaram ou diminuíram, ou piore a situação de lugares que enfrentam a primeira onda de Sars-Cov-2.

“É difícil prever. Mas pode, sim, acontecer uma segunda onda bastante elevada ou piorar a atual situação de alguns lugares, pois estamos relaxando as medidas além do razoável. As pessoas estão se aglomerando em um período que o vírus ainda está em grande circulação”, diz.

“O Brasil é muito grande. Há locais que já saíram da primeira onda, como Manaus e São Paulo, mas em outras regiões, como no Sul e no Centro-Oeste, os casos estão aumentando agora. Por conta do tamanho do país, as regiões serão atingidas em tempos e intensidades diferentes”, explica Pasternak.

O aumento de casos após a reabertura de uma região é natural, segundo Pasternak. “O vírus não foi a lugar nenhum e dificilmente vai ser erradicado. O que temos que fazer é controlar a transmissão dele, vigiar e controlar novos casos e surtos que podem se tornar novos focos da epidemia”, declara.

“Por isso, o ideal é que a reabertura aconteça somente quando a taxa de transmissão do vírus estiver abaixo de um. Somente assim, cada vez menos haverá pessoas suscetíveis a infectar os outros”, afirma a cientista.

A especialista frisa que a decisão de reabertura de uma cidade tem que ser tomada por uma equipe multidisciplinar, que inclui diversos especialistas da área da saúde, e não pode se restringir a atender os interesses da economia.

“É preciso avaliar se os números, ao menos, estão caindo com frequência. Também é necessário analisar a capacidade de leitos de UTI nos hospitais da região. Tudo isso precisa influenciar a decisão de um gestor”, detalha a cientista.

Restaurante com mesas e cadeiras vazias em Barcelona

EPA/Marta Perez
Restaurante vazio em área turística de Barcelona; na Europa, países que encerraram a quarentena viram casos aumentarem em alguns locais e lançaram alertas para a população

“Acredito que os gestores são pressionados por vários setores da economia, que estão atuando no desespero. Claro que a economia foi prejudicada. Mas é preciso que um comitê interdisciplinar avalie essa situação. Abrir com segurança é o que todos queremos. Ninguém aguenta mais ficar em casa, mas é preciso avaliar corretamente e tomar os cuidados necessários”, ressalta.

Ela considera, por exemplo, que é equivocado reabrir estabelecimentos como bares, restaurantes e academias em regiões que enfrentam alta de casos de Covid-19.

“Nenhum gestor vai reabrir imaginando que aquilo vai prejudicar a população. Mas isso é falta de compreensão da gravidade, é acreditar que a situação já está melhorando mesmo com os números crescendo. São apostas ruins, que confundem esperança com realidade”, declara a especialista.

‘Quarentena não é castigo’

Pasternak afirma que a quarentena não pode ser vista como um castigo. “Ela deve ser colaborativa, as pessoas precisam se sentir parte da solução e não pensar que estão sendo proibidas de algo. É preciso que todos tenham essa consciência, para que possamos nos sair da melhor forma”, declara.

Ela lamenta o fato de que muitas pessoas não entenderam a importância da quarentena no Brasil. “Não conseguimos uma adesão maciça, uma quarentena com 70% da população, por conta dessa dificuldade de comunicação com a sociedade. Ao falharmos nisso, ficamos nessa quarentena meia-boca. E, assim, as pessoas engajadas sentem que estão se sacrificando à toa.”

Um estudo feito no Brasil, publicado recentemente pela revista Science, apontou que o país não tem, atualmente, medidas suficientes em vigor para conter a disseminação do novo coronavírus.

O estudo revelou que, apesar de insuficiente para conter a expansão do novo coronavírus, o fechamento do comércio e de escolas em São Paulo e no Rio de Janeiro após o início da pandemia reduziu a taxa de transmissão do vírus para até um terço do identificado antes das medidas.

Os cientistas que participaram do estudo afirmaram que existe a necessidade urgente de que o Brasil adote medidas como testagem em massa, mapeamento de contatos entre pessoas contaminadas e alternativas de distanciamento social.

“Até vacinas e medicamentos estarem disponíveis, as medidas sociais de distanciamento são essenciais para reduzir o número de infecções e salvar vidas”, disse o cientista Nuno Rodrigues Faria, professor do Imperial College e da Universidade Oxford e um dos autores do estudo, em entrevista à BBC News Brasil no mês passado.

Para Pasternak, ainda há tempo para que as pessoas entendam a importância de adotar medidas para se proteger do novo coronavírus.

“A gente precisa encontrar maneiras de fazer as pessoas entenderem a necessidade do isolamento social, de usar as máscaras quando saem nas ruas e do distanciamento. Se não fizermos isso, vamos continuar com essa quarentena pela metade e esse platô no alto, com muitas mortes e novos casos por dia”, afirma a especialista.

Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook
publicidade

Saúde

Dia do idoso: pandemia, saúde mental e física são desafios

Publicado


.

Antes da pandemia, a ex-bordadeira de richelieu Dirce de Souza Rodrigues, de 64 anos, ia toda semana dançar no forró do Clube da Terceira Idade, na cidade de Muriaé, interior de Minas Gerais. Ela diz que gosta muito de dançar e se manter ativa, por isso também frequenta os passeios, as atividades do clube e ainda as aulas de ginástica cerebral em uma escola especializada em cursos para melhorar as habilidades como concentração, raciocínio e memória.

“Também faço hidroginástica e caminhada, procuro evitar carboidratos, gordura e açúcar, vou aos médicos, sempre meço minha pressão. Acho que estou sabendo administrar minha vida nessa minha idade, estou achando uma etapa maravilhosa, porque eu levo uma vida ativa. Minha expectativa de vida é que, aos 90 anos, eu quero estar bem e lúcida, se Deus quiser me dar vida e oportunidade de estar nesta terra”, disse Dirce, que é viúva, mãe de um filho e avó de três netos.

Assim como Dirce, a aposentada Neusa Pereira de Souza, de 80 anos, diz que a vida mudou muito depois dos 60 anos, mas que ela tenta se manter ativa. “Vou muito na igreja, faço caminhada todo dia de manhã, e o serviço da casa, não paro, vou fazendo devagar e acho melhor. A gente tem que ter uma coisa para fazer, se você parar acho que aí fica doente, velho não pode parar não!”, brinca.

Ela disse que, se chegar aos 90 anos, quer estar bem esperta. “Minha mãe morreu com 100 anos, e ela sempre foi esperta, não quero viver 100 anos. Mas, até os 90 anos, acho que vai dar!”, acredita a aposentada, que também é viúva, mãe de dois filhos e avó de três netos.

Dirce e Neusa fazem parte dos 28 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, número que representa 13% da população do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IBGE, esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População, divulgada em 2018 pelo órgão.

Neste domingo, 27 de setembro, é comemorado no Brasil o Dia do Idoso, data criada para valorizar a vida depois dos 60 anos, uma fase em que é cada vez mais comum manter uma rotina ativa, com atividades físicas, intelectuais e de diversão, como fazem Neusa e Dirce.

Mas, é também nesse período da vida que surge uma das principais preocupações dos idosos e de seus parentes: como fica a capacidade de raciocínio, a memória e a clareza mental de quem já passou dos 60 anos.

Doença de Alzheimer

Aos primeiros sinais de lapso de memória ou de falha nas capacidades cognitivas, muitas pessoas passam a temer o diagnóstico da Doença de Alzheimer, um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades diárias e alterações comportamentais.

No entanto, a confusão mental pode ter outras causas, explica o professor da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná, o médico geriatra Rubens de Fraga Júnior. “Efeitos colaterais de medicamentos podem causar sintomas semelhantes à Doença de Alzheimer. Doenças como depressão e hipotireoidismo podem também causar confusão mental em idosos”.

O neurologista do Hospital 9 de Julho, Diogo Haddad completa que sempre é importante diferenciar entre quadros confusionais agudos ou lentos e progressivos. “Quadros agudos muitas vezes são associados ao que chamamos de delirium e as principais causas são infecciosas e metabólicas. Já quadros como déficits cognitivos, que se instalam lentamente, devem ser investigados para doenças neurodegenerativas, mas, sempre excluindo causas como déficits de vitaminas (b12 principalmente), hipotireoidismo e mesmo infecções tardias como sífilis”.

Fraga Junior explica que, para a Doença de Alzheimer, um novo exame de sangue mostra grande promessa no diagnóstico da doença. “Em pessoas com risco genético conhecido podem ser capazes de detectar a doença 20 anos antes do início da deficiência cognitiva, de acordo com um grande estudo internacional publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA)”.

“Estamos vivendo um novo boom de pesquisas em medicações para tratamento de Alzheimer”, completa Haddad. “A perspectiva é que nos próximos dez anos teremos inúmeros tratamentos voltados a própria fisiopatologia da doença, como drogas que agem nas proteínas beta amiloides e proteína tau”.

Por enquanto, a Doença de Alzheimer não tem uma forma de prevenção específica, mas um bom estilo de vida, iniciada durante a juventude, pode ajudar no tratamento desta doença e de outras comuns para os idosos. “O jovem pode cuidar de si, assumindo um estilo de vida saudável: alimentação sadia, atividade física regular, controlar o estresse, não fumar e não beber. E, durante o confinamento procurar ter uma rotina no seu dia a dia”, aconselha o professor.

Pandemia e terceira idade

A pandemia impôs um confinamento bem rigoroso aos idosos, já que a faixa etária após os 60 anos é classificada como grupo de risco para a covid-19, doença do novo coronavírus.  Por isso, muitos idosos deixaram de procurar os atendimentos médicos, disse o neurologista do Hospital 9 de Julho, Diogo Haddad. “Idosos são um grupo de risco para a covid-19, e por isso necessitam de maiores cuidados, principalmente voltados ao isolamento, porém muitos deixaram de acompanhar doenças crônicas por medo e, neste momento, estão procurando atendimento de urgências por descontrole de suas doenças crônicas”.

Ele ainda destaca que, o isolamento aumentou os sintomas de ansiedade nesta faixa etária. “É um grupo que tende a ter poucas atividades externas e nesse momento o isolamento não permite essas interações e atividades sociais, o que também tem provocado um aumento importante de sintomas ansiosos nesta população”.

Apesar das inseguranças, a Dirce confia que logo uma vacina virá. “A pandemia ainda está ameaçando. Enquanto a gente não tiver uma vacina, não vamos ficar tranquilos. Tomara que venha a vacina logo e em grande quantidade para todo mundo”, disse. Ela conta ainda que a pandemia tem sido uma lição de vida para todos.  

“O isolamento social foi preciso, então eu, na idade de risco, fiquei muito preocupada, me isolei em casa; e como moro sozinha, só saio se necessário, com máscara e álcool em gel. Por este lado, a pandemia foi boa porque mudamos os costumes de higiene e porque ajudamos muitas pessoas. Então o incentivo da solidariedade falou mais alto ainda nessa hora da pandemia”.

Ao falar ainda um pouco mais de si, disse que gostou da própria companhia durante o isolamento. “Eu descobri uma coisa muito importante, que eu sou uma ótima companhia para mim mesma, faço minhas tarefas e até me acostumei a ficar em casa. Está sendo uma lição de vida essa pandemia, a gente está aprendendo a ter mais higiene, quantos micróbios a gente mata com este álcool gel, com a limpeza da casa”.

Para a Dona Neusa, a pandemia está sendo horrível. “A gente fica dentro de casa. Se você não morre da doença, morre de tédio, pois não pode estar em qualquer lugar…apesar que eu vou ao médico, no mercado, mas eu me cuido, com a máscara, não fico batendo papo no meio das pessoas, mas parou né, a gente fica muito triste, não vejo a hora disso aí ir embora!”, disse se referindo à covid-19. 

Saúde mental

Uma pesquisa da American Association of Geriatric Psychiatry indicou que 20% da população, acima dos 55 anos, têm algum tipo de problema de sua saúde mental. Os mais frequentes são comprometimento cognitivo severo e transtornos de humor, como depressão, ansiedade e bipolaridade.

Mas, segundo Fraga Junior, é possível tratá-las e preveni-las. “O médico geriatra, o psiquiatra e o psicólogo são profissionais aptos a tratar as doenças mentais em idosos. A prevenção está na adoção de um estilo de vida saudável, mantendo contato social (durante a pandemia através de meios digitais como Zoom e WhatsApp) e realizando atividades ocupacionais que estimulem um propósito de vida”.

Suicídio na terceira idade

O Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio e pretende conscientizar sobre a importância de discutir o tema. Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2018, apontam para a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A taxa média nacional é 5,5 por 100 mil.

“Devemos analisar que esses valores têm relação direta com o aumento de doenças como ansiedade e depressão nessa idade e que muitas vezes são negligenciadas por familiares e pelos próprios pacientes, que apresentam muita resistência em procurar ajuda. Fica o alerta para que alterações comportamentais e dificuldades cognitivas novas devam ser encaminhadas para a avaliação de um profissional competente e não encarnadas como parte de um envelhecimento normal”, alerta Haddad, que concorda com seu colega Fraga Junior no que diz respeito a hábitos a juventude para um envelhecimento saudável.

“Um estilo de vida saudável para que se tenha um envelhecimento saudável deve compreender boa alimentação (com menor consumo de produtos industrializados), atividade física regular (em média 30 a 60 minutos todos os dias), boa qualidade de sono,  ter momentos de relaxamento assim como objetivos e metas, além de evitar cigarro e consumo excessivo de álcool”, disse.

Edição: Aécio Amado

Fonte: EBC Saúde

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Agronegocio

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana