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Bombeiros combatem fogo na Serra dos Órgãos pelo terceiro dia seguido

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O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro trabalha, pelo terceiro dia consecutivo, no combate a um incêndio florestal de grandes proporções que atinge o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), que tem 20.024 hectares protegidos nos municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim, na região serrana do estado.

Hoje (6), mais dez profissionais de juntaram aos 70, incluindo bombeiros militares, guarda-parques, brigadistas e agentes de órgãos externos que já atuavam ontem na operação de combate ao fogo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o trabalho é feito em duas frentes para extinguir as chamas na área de proteção ambiental. A operação contra com o apoio de 16 viaturas e um helicóptero que tem sido usado para jogar água nos locais atingidos.

Segundo os bombeiros, as causas do incêndio continuam desconhecidas, mas ontem havia suspeita de que o fogo pode ter começado com a queda de um balão. Participam da ação no Parnaso integrantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Defesa Civil e da Guarda Civil de Petrópolis.

Ontem a estimativa era de que cerca de 100 hectares tinham sido atingidos pelo incêndio. Hoje a área pode ter chegado a 200 hectares.

Parnaso

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é uma unidade de conservação federal de proteção integral, subordinada ao ICMBio, com a intenção de preservar amostras representativas dos ecossistemas nacionais.

Criado em 30 de novembro de 1939, o Parnaso é o terceiro parque mais antigo do país. É um local que costuma ser procurado para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada, e rapel e para visitas às cachoeiras. Conforme o ICMBio, o parque tem a maior rede de trilhas do Brasil, com mais de 200 quilômetros em todos os níveis de dificuldade: desde a trilha suspensa, acessível até a cadeirantes, à pesada Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 quilômetros de subidas e descidas pela parte alta das montanhas.

De acordo com o ICMBio, o parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas pela ciência, 462 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis, incluindo 130 animais ameaçados de extinção e muitas espécies endêmicas que só ocorrem no local.

O ICMBio informou que o incêndio foi detectado na manhã da terça-feira (4) na parte alta do parque na trilha da travessia Petrópolis X Teresópolis na área do Chapadão, próximo da Pedra do Morro do Açu.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Geral

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Estudo mostra presença de armas de fogo em escolas da América Latina

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O Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, o Desarme e o Desenvolvimento na América Latina e Caribe (Unlirec) apresentou nesta quarta-feira (30) um monitoramento dos casos divulgados pela imprensa dos casos de presença e o uso de armas de fogo em escolas nos países da América Latina e Caribe. No Brasil, a apresentação do estudo foi feita em um evento junto com o Instituto Sou da Paz.

No total, foram registrados 122 incidentes com armas em escolas entre junho de 2010 e julho de 2019. Argentina (30), México (28) e Brasil (13) aparecem como os países com o maior número de casos, concentrando 60% do total de incidentes reportados na imprensa neste período. O órgão fez um monitoramento similar entre 2000 e 2010 e registrou cerca de 50 ocorrências que foram reportadas nos meios de comunicação

“As escolas não estão isentas da presença e do problema da proliferação de armas e a violência armada que está afetando os diferentes países da região. Nos últimos anos, tem sido mais recorrentes notícias nos meios de comunicação sobre incidentes que envolvem armas e estudantes e a presença das armas nas escolas”, disse Walter Murcia, assessor de projetos da Unlirec.

Entre os tipos de incidentes, estão o encontro de armas de fogo dentro do ambiente escolar sem posse atribuída a alguém (7); porte de arma por estudante ou encontrada em seus pertences (64); e uso de armas de fogo com disparo ou uso para ameaçar, intimidar ou roubar (31). Em 66% dos incidentes, a escola era pública; em 15% escolas privadas; e 19% sem informação na publicação.

A presença de armas de fogo em escolas é um fenômeno multicausal que tem entre as principais motivações casos relacionados a brigas e ameaças dentro das escolas (45%), aceitação cultural e social das armas de fogo e exibicionismo (36%), bullying (10%) e suicídio (3%).

Feridos e mortos

O Brasil é o país com o maior número de feridos por arma de fogo dentro das escolas, com 37 pessoas feridas. Em seguida, vem o México, com 10 feridos, e a Argentina, com quatro. No total, foram registradas 62 feridos, resultado de 27 dos 41 incidentes com disparos. Ou seja, em 65% do total de incidentes foi registrado ao menos um ferido.

A quantidade de mortos dentro das escolas também foi maior no Brasil, com 20 óbitos, seguido pelo México (7) e Peru, Argentina e Costa Rica – cada um com uma morte. No total, foram 36 óbitos, sendo 30 estudantes. Os demais eram ex-alunos, docentes e auxiliares.

Foram identificados ao menos 4 tiroteios entre o total de incidentes analisados, sendo três deles no Brasil: no município de Suzano (SP), em março de 2019; em Goiânia, em outubro de 2017; e em Realengo (RJ), em abril de 2011. O quarto tiroteio foi em Monterrey, no México.

Perfil

Sobre o perfil dos portadores de arma de fogo em escolas, foram contabilizados 105 estudantes, dos quais 92% eram do sexo masculino e 8% do sexo feminino. Dos estudantes homens, 60% dos envolvidos nos incidentes com armas de fogo tinham entre 13 e 18 anos. “Outro achado que é parte dessa pesquisa é que existe uma grande quantidade de estudantes do sexo masculino envolvidos. Vemos a presença do fator de masculinidade com as armas de fogo”, disse Murcia. Ele acrescentou que a arma de fogo pode ser usada como um símbolo de poder e de autoridade.

Segundo a Unlirec, a presença e uso de armas em escolas se explica também pelo seu fácil acesso e proliferação nos países da região. Em, ao menos 25 casos, a procedência das armas tinha relação direta com as casas dos estudantes. “Isso é muito importante porque o estudante agora está passando mais tempo em casa do que na escola. Devemos levar em conta as medidas de armazenamento e fazer com que isso faça parte da legislação do controle de arma”, avaliou Murcia.

A Gerente de Projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, cita que, no caso específico do Brasil, em relação à proteção do acesso a armas de fogo por crianças e adolescentes, há a previsão do crime de omissão de cautela. “O proprietário é responsável por manter essa arma longe do alcance de crianças e adolescentes, mas [o mecanismo] é bastante frágil. Com as regras atuais, basta o proprietário declarar ter um local seguro para essa guarda, não existe uma especificação mais clara do que seria esse local, uma fiscalização física, nada disso”, disse Natália.

Para o combate e prevenção dos incidentes com armas de fogo em escolas, Natália elencou a necessidade de cuidado com difusão de terror e cuidado com propostas de militarização; o desafio policial na deep web e também com aplicativos mensagem e no combate a tráfico de armas; identificar alunos em sofrimento psíquico (agressividade, automutilação, depressão, entre outros) e a identificação de onde a rede falhou em casos anteriores.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Geral

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