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Auxílio emergencial: 3,4 milhões sacam pela última vez nesta sexta; confira

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil

3,4 milhões de brasileiros sacam o auxílio emergencial pela última vez nesta sexta-feira (15)

Chegou a vez de 3,4 milhões de trabalhadores nascidos em julho sacarem os últimos recursos referentes ao auxílio emergencial . Nesta sexta-feira (15), a Caixa Econômica Federal vai permitir a retirada em espécie para este grupo.

Foram creditados R$ 2,4 bilhões para os nascidos em julho dos ciclos 5 e 6. Desse total, R$ 2,16 bilhões são referentes a cotas da extensão de R$ 300. O restante (R$ 214,4 milhões) refere-se a parcelas do auxílio emergencial de R$ 600.

Neste caso, o dinheiro foi depositado em 2 de dezembro (Ciclo 5) e 20 de dezembro (Ciclo 6). Até então, a quantia somente podia ser movimentada pelo aplicativo  Caixa Tem . Vale destacar que o governo não tem intenção de prorrogar o benefício, que deve realmente terminar em 27 de janeiro.

De acordo com o cronograma do Ministério da Cidadania, todos os pagamentos serão encerrados no dia 27 deste mês, quando os 3,3 milhões de trabalhadores remanescentes — nascidos em dezembro — vão retirar o último valor devido.

Sem prorrogação

Apesar dos apelos de muitos parlamentares e economistas, que temem um forte impacto na economia sem o benefício — o que faria aumentar a  pobreza no país —, o governo federal não tem interesse em estender o pagamento, por conta da grande necessidade de recursos.

A ideia da equipe econômica é apenas ampliar o Bolsa Família , com a inclusão de mais 200 mil titulares e um incremento no valor pago aos beneficiários. Ainda assim, a proposta não foi apresentada oficialmente.

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Confira o último calendário do auxílio emergencial

Saques e transferências – ciclos 5 e 6

  • 19 de dezembro: nascidos em janeiro;
  • 19 de dezembro: nascidos em fevereiro;
  • 4 de janeiro de 2021: nascidos em março;
  • 6 de janeiro de 2021: nascidos em abril;
  • 11 de janeiro de 2021: nascidos em maio;
  • 13 de janeiro de 2021: nascidos em junho;
  • 15 de janeiro de 2021: nascidos em julho;
  • 18 de janeiro de 2021: nascidos em agosto;
  • 20 de janeiro de 2021: nascidos em setembro;
  • 22 de janeiro de 2021: nascidos em outubro;
  • 25 de janeiro de 2021: nascidos em novembro; e
  • 27 de janeiro de 2021: nascidos em dezembro.

Bolsa Família

Os titulares do Bolsa Família começarão a receber o benefício de janeiro na próxima segunda-feira (18) — aqueles com Número de Identificação Social (NIS) de final 1. Esse valor já será reduzido, ou seja, as famílias voltarão a sacar o que recebiam antes do auxílio emergencial.

Os depósitos do programa social costumam ser feitos nos últimos dez dias úteis de cada mês e, em janeiro, o pagamento vai até o dia 29 (NIS de final 0).

Pagamento pelo Caixa Tem

No fim de 2020, a Caixa começou a migrar os pagamentos para a poupança social digital. Dessa forma, os beneficiários do Bolsa Família podem, agora, ter acesso aos recursos por meio do aplicativo Caixa Tem.

A vantagem é poder quitar boletos e contas de água, luz e gás; fazer compras com cartão de débito virtual gerado pela internet e com QR Code; ou ainda realizar transferências para outras contas bancárias.

Os beneficiários com NIS de finais 9 e 0 começaram a receber por meio de conta social digital aberta pela Caixa Econômica Federal em dezembro do ano passado. Neste mês, o pagamento pela Caixa Tem será feito aos inscritos com NIS de finais 6, 7 e 8. Os demais terão que esperar fevereiro e março.

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‘A crise energética poderá ter impacto eleitoral em 2022’, diz ex-diretor da ANP

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Crusoé

'A crise energética poderá ter impacto eleitoral em 2022', diz ex-diretor da ANP
O Antagonista

‘A crise energética poderá ter impacto eleitoral em 2022’, diz ex-diretor da ANP

O economista carioca Adriano Pires , de 64 anos, trabalha há mais de quatro décadas com o setor de energia . Em 2001, quando o governo Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a adotar medidas de racionamento, Pires era o diretor da Agência Nacional de Petróleo , a ANP. Desde então, ele acompanha com atenção as oscilações na oferta e na demanda de eletricidade no país. Pelos seus cálculos, o Brasil poderá ter cortes de energia , os temidos apagões, em breve, o que pode afetar a eleição presidencial de 2022. Pires conversou com Crusoé pelo telefone.

Apesar de o Brasil não ter controlado totalmente a pandemia, há uma expectativa de recuperação econômica para este ano. Haverá energia para isso? Essa é uma grande interrogação. Nos países do Hemisfério Norte, principalmente nos Estados Unidos, a economia deve ganhar um forte impulso com o avanço da imunização. No Brasil, teremos a maior parte da população vacinada entre setembro ou outubro. Então, há uma expectativa de retomada. Os bancos estimam um crescimento de cerca de 5% este ano. Mas acho que eles não estão considerando de maneira correta uma possível crise de energia. Até porque ela já está presente de alguma forma. Tanto é que as tarifas de luz têm subido uma barbaridade. A grande vilã da inflação este ano deve ser a conta de energia elétrica. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está dizendo que o nível de água dos reservatórios está em 30%. Em agosto, pode ficar abaixo de 20%. Em novembro, pode chegar a 10%. Se isso acontecer, será algo inédito no setor elétrico brasileiro. Nunca o ONS operou com o nível menor que 15%. É uma situação delicada. Lembre-se que o racionamento de 2001 e 2002 fez com que o PIB nacional caísse dois pontos percentuais.

O Brasil terá racionamento de novo, como aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso? Não dá para cravar isso. O sistema antes era diferente. Naquela época, não havia usinas térmicas ou eólicas, a vento. Também não havia um sistema de transmissão tão robusto como o que existe hoje. De qualquer maneira, mesmo que não tenhamos um racionamento naqueles moldes, existe um risco de apagão. Isso acontece quando é preciso cortar a carga, porque não é possível atender aos picos de demanda de eletricidade. Os apagões, sim, têm chances reais de acontecer. Daqui em diante, nós teremos três meses decisivos, com grandes emoções: agosto, setembro e outubro. Nesse período, o reservatório vai continuar secando. Mesmo se chover bastante, como o nível do reservatório vai estar baixo, o problema deve continuar.


O Brasil tem eleições presidenciais marcadas para o ano que vem… Acredito que a crise energética poderá ter um impacto eleitoral em 2022. A última vez que faltou energia elétrica no Brasil foi no Amapá, no ano passado. Josiel Alcolumbre, irmão do então presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do DEM, perdeu a eleição para a prefeitura de Macapá. As pesquisas diziam que ele ganharia no primeiro turno, mas depois do apagão suas chances diminuíram. Na crise de 2001 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o racionamento foi um dos fatores que ajudou Lula, que era opositor, a vencer a eleição.

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Bolsonaro tem sido muito diferente de Dilma Rousseff ao lidar com a questão energética? A grande diferença entre Dilma e Bolsonaro é que ela fez populismo tarifário. Com a medida provisória 579, ela baixou o preço da energia elétrica na marra, em 20%. Para cumprir a promessa, em 2013, Dilma passou a esvaziar demais os reservatórios de água, que ela dizia ser a energia mais barata. Nós estamos pagando a conta disso até hoje, porque o regime de chuvas tem sido muito ruim desde então. Bolsonaro, por enquanto, não está sendo populista. Ele tem tentado equilibrar a oferta e a demanda, com tarifas muito altas. Até quando vai ser assim, eu não sei. É importante ter em mente que, em 2014, Dilma quase quebrou a Eletrobras e a Petrobras para ter luz e gasolina baratas. Foi com isso que ela se reelegeu.

A culpa da crise de energia é do aquecimento global? O problema é a falta de planejamento estatal. Estamos há vinte anos vivendo de sobressaltos e pesadelos no setor de energia elétrica, porque nossa matriz energética continua muito refém do clima. E, com o aquecimento global, a meteorologia ficou mais imprevisível. A protagonista de todas as crises que tivemos no setor energético é a água, ou melhor, a falta dela. No passado, quem dava confiabilidade à operação de energia eram as usinas com grandes reservatórios. Bastava ampliar a geração nas hidrelétricas que o problema estava resolvido. No governo de Lula, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, proibiu a construção de usinas assim. Ela só permitiu aquelas que são de fio d’água, que não exigem uma grande represa. Mas essas usinas, como a de Jirau, Santo Antonio e Belo Monte, só geram energia quando chove, o que pode ser seis meses por ano. As usinas eólicas só funcionam quando venta. As solares, quando faz sol. Só não tivemos um apagão e racionamento no governo de Dilma Rousseff porque, nos últimos dez anos, o Brasil tem crescido pouco ao ano. E o consumo de energia está atrelado às variações do PIB.

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