AGRO & NEGÓCIO

Aumento de ICMS pode interromper retomada econômica do setor produtivo florestal de Goiás

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“A proposta de aumento de ICMS de 3% para 17% vai impactar negativamente o setor de base florestal de Goiás de diversas formas”, é o que afirma o pesquisador de socioeconomia da Embrapa Florestas, José Mauro Moreira. O pesquisador, que já havia publicado um amplo estudo sobre o setor em 2018, recalculou os indicadores econômicos avaliados à época com a inserção da nova alíquota, e concluiu que a retomada do setor de florestas plantadas, que começava a acontecer após crise vivida nos últimos quatro anos, será fortemente impactado. O estudo foi realizado com eucalipto, que é a espécie florestal mais plantada no estado, especialmente para geração de energia. O local de estudo foi a região de Rio Verde, maior polo produtor de madeira para energia de Goiás.

Depois de um período de preços depreciados, o setor vinha, aos poucos, se recuperando, seja pelo aumento da demanda por madeira, em especial cavaco e lenha, seja pela redução da oferta pela não renovação dos plantios no estado. “A minha análise é que a recuperação de preços do setor devido a esse reaquecimento da economia será perdida, em parte ou totalmente, por conta deste aumento no ICMS. A recomposição de caixa que o produtor poderia fazer, altamente necessária para a continuidade na atividade, será redirecionada para o Estado em forma de ICMS”, analisa José Mauro.

O preço mínimo a ser pago pela madeira entregue no cliente, que permita ao produtor pagar todas suas contas e remunerar sua terra e capital investidos no negócio, apresentou uma elevação média de 18,1% em todos os cenários simulados. “Parece pouco mas, para uma cultura sensível a preço, será um tiro mortal para o setor que ainda está em fase de recuperação”, avalia José Mauro. 

Alterando na planilha somente o percentual de ICMS, já é possível ver um impacto direto no valor do produto, mas outros fatores como transporte, colheita, práticas silviculturais, Funrural, imposto de renda, entre outros, se somam na planilha de custos, impactando de forma acumulada. 

Um exemplo importante refere-se ao custo de transporte. Segundo o pesquisador, “o ajuste no preço devido ao aumento do ICMS reduzirá o raio econômico de transporte florestal em aproximadamente oitenta quilômetros. Ou seja, comparado ao que é praticado atualmente, vai reduzir o raio viável de atuação dos produtores pela metade”. 

Como exemplo, o pesquisador atualizou dois cenários: de lenha e cavaco entregues a 50 km do local do plantio, e estratificou o quanto cada item representa na composição do valor final do produto. No caso da lenha, a alíquota a 17% vai aumentar o custo total com ICMS/Funrural de R$ 3.000/ha (R$ 3,9/st) para R$ 10.844/ha (R$ 14,2/st), ou seja, um aumento de 364% neste item de custo na composição do valor final a ser pago ao produtor florestal. Seguindo a mesma lógica, o impacto é de 361% no cavaco, de R$ 3.479/ha (R$ 3,9/mcav) para R$ 12.576/ha (R$ 14,2/mcav) (veja gráficos).

 

Composição de custo – Cavaco (analisado por unidade de produto)

 

Composição de custo – Cavaco (analisado por área)

 

Composição de custo – Lenha (analisado por unidade de produto)

 

Composição de custo – Lenha (analisado por área)

Fonte: Embrapa

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Ministério faz alerta para conter entrada de praga quarentenária da bananeira no Brasil

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Produtores de banana e demais envolvidos na cadeia produtiva da fruta, foram alertados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para reforçarem a atenção na ocorrência de sintomas de Fusarium oxysporum f. sp. cubense Raça 4 Tropical (Foc R4T), considerada a maior ameaça para a bananicultura mundial.  A doença já chegou à Colômbia e esta semana o Serviço Nacional de Sanidade Agrícola do Peru (Senasa) confirmou a ocorrência de foco da doença no país.

Diante da ameaça, o Mapa  emitiu alerta de emergência fitossanitária em todo o Brasil, reforçando a importância da realização das articulações necessárias junto aos órgãos estaduais de sanidade vegetal, associações de produtores, órgãos de assistência técnica, pesquisa e outros, visando evitar prejuízos aos bananicultores nacionais, no caso de sua eventual introdução no país. 

O governo recomenda a ampla divulgação do Comunicado Técnico nº 149 elaborado pela Embrapa Amazônia Ocidental, com a participação de técnicos do Ministério, onde constam orientações atualizadas sobre a praga, identificação dos sintomas, cuidados a serem observados durante o levantamento e as providências nas eventuais suspeitas de ocorrências no país.

Em caso de identificação de sintomas característicos da praga, os produtores, responsáveis técnicos, extensionistas ou pesquisadores devem comunicar imediatamente os Serviços de Sanidade Vegetal nas Superintendências Federais de Agricultura do Ministério da Agricultura ou nas Agências Estaduais de Defesa Agropecuária nos seus respectivos estados.

De acordo com o Mapa, apesar de identificada na província de Sullana, próximo à fronteira do Peru com o Equador e longe da fronteira com o Brasil, “é necessário reforço nas ações de vigilância e prevenção para impedir seu ingresso no país”.  Reconhecida como quarentenária, a praga consta na lista de prioridades do governo para a prevenção e vigilância fitossanitária.

O  Ministério a Agricultura informa, ainda, que já está realizando tratativas com os demais países integrantes do Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave), para tornar viáveis ações coordenadas em nível regional, e reforça a proibição do transporte de material vegetal (frutos, folhas, mudas de banana), solo e até mesmo material artesanal (bolsas, chapéus, entre outros) produzidos com folhas ou fibras de bananeira.

Cuidados redobrados – O Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) alerta aos bananicultores sobre a importância de que não sejam adquiridos materiais de propagação de banana de origem desconhecida, uma vez que essa tem sido uma importante via de disseminação da praga nos países em que ocorre atualmente.

O procedimento correto é contactar, o mais breve possível, a Superintendência Federal de Agricultura no estado que tomará providências como a coleta de amostras e envio ao laboratório oficialmente credenciado pelo Ministério da Agricultura para a identificação do agente e adotar medidas de mitigação para evitar a disseminação do patógeno para outros plantios.

Tendo em vista que não existem cultivares resistentes à raça tropical 4, os produtores devem atentar para a proibição de importação de mudas de bananeira e helicônia de países onde a praga ocorre, principalmente da Colômbia.

Uma vez que os agentes causais da murcha-de-Fusarium podem permanecer no solo por mais 30 anos, os produtores de banana só devem utilizar mudas de origem segura e comprovada, preferencialmente produzidas in vitro, visando minimizar os riscos de introdução de pragas na área de produção.

Caso durante os tratos culturais do plantio, o produtor observe sintomas que indiquem a presenta das pragas descritas no trabalho, ele não deve utilizar as ferramentas de manejo (facão, Lurdinha, ferro de cova etc.) em outras plantas antes de realizar a desinfestação dos apetrechos com hipoclorito de sódio.  

Fonte: Embrapa

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