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Artigo: Pesquisa brasileira avança em estudos sobre proteínas alternativas

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Autoras: Janice Lima, Caroline Mellinger, Ilana Felberg e Melicia Galdeano – pesquisadoras da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ)

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, estão trabalhando no desenvolvimento de novos produtos e ingredientes alimentícios para atender indústrias na produção dos análogos de produtos de origem animal, ou seja, com características sensoriais similares de textura, sabor e aparência, buscando requisitos de conveniência, praticidade e saudabilidade dos consumidores. No momento, o feijão carioca, o grão-de-bico e a lentilha são as leguminosas em estudo. A equipe já tem resultados interessantes para a proteína do feijão e espera que, em até dois anos, todos os resultados já estejam alcançados.

Os análogos de produtos de origem animal, também conhecidos como plant-based – ou à base de plantas – são produtos que visam os consumidores vegetarianos, veganos e flexitarianos, e têm apresentado rápido crescimento de mercado. Segundo dados da agência Euromonitor, nos últimos cinco anos, o país registrou um crescimento anual de 11,1% nas vendas de produtos substitutos da carne animal e as projeções são de um crescimento de 40% ao ano, para os próximos cinco anos. Hoje, existem vários ingredientes no mercado voltados para o desenvolvimento de produtos plant-based. O desafio é selecionar os ingredientes que atendam às necessidades do fabricante, como preço e disponibilidade, e as expectativas do consumidor com relação à nutrição e saudabilidade.

Outra importante questão de cunho científico a ser respondida está relacionada ao valor biológico das proteínas de pulses, especialmente se comparadas a produtos lácteos ou ao ovo, alimentos que contêm proteínas de alto valor nutricional. Informações sobre a digestibilidade e a bioacessiblidade de ingredientes e produtos são importantes para direcionar o desenvolvimento de novos produtos.

Diversificação de fontes vegetais

A soja foi, até pouco tempo atrás, a principal matéria-prima nacional para produção de proteínas vegetais na forma de concentrados, isolados e texturizados proteicos. No entanto, o mercado vem demandando outras fontes de proteínas vegetais, dando início a uma nova geração de ingredientes proteicos destinados à indústria de alimentos, quer para consumo interno ou para abastecimento do mercado internacional.

Nesse contexto, os pulses são as matérias-primas vegetais escolhidas como alternativas por apresentarem alto teor proteico que, em geral, varia de 20% a 38%. Os pulses são as sementes comestíveis secas de plantas da família das leguminosas e apresentam um papel importante para a nutrição e saúde humana e para a segurança alimentar global, sendo a ervilha, o feijão, a lentilha e o grão-de-bico os principais representantes.

Seguindo essa tendência, a indústria nacional vem utilizando concentrado proteico de ervilha para ser incorporado em produtos de panificação, bebidas proteicas, suplementos alimentares e em iogurtes e derivados tipo lácteos. No entanto, essa demanda por ingredientes e produtos vegetais proteicos diversos trouxe desafios de caráter tecnológico, sensorial e de ordem nutricional para o setor produtivo. As pesquisas vêm avaliando se as rotas tecnológicas usualmente aplicadas para a soja se ajustam às outras fontes agrícolas, especialmente aquelas produzidas no Brasil.

Do concentrado, pode-se obter também as proteínas vegetais texturizadas (PVT), ingredientes considerados de grande importância, principalmente na indústria de análogos cárneos que são produtos que se assemelham em aparência e textura à carne, mas são feitos à base de plantas. As PVT conferem textura que se assemelha à da carne e são usadas como extensores ou substitutos de carne em diversos produtos como por exemplo embutidos (salsichas, mortadelas), almôndegas, bolos de carne e hambúrgueres.

Fonte: Embrapa

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Avança cooperação da Embrapa com a República Dominicana

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Parceria vai englobar pesquisas para prevenção e controle da Peste Suína Africana e florestas

Em visita à Embrapa no dia 25/11, o Ministro do Meio Ambiente da República Dominicana, Orlando Jorge Mera, reforçou o interesse do país em firmar cooperação com a Embrapa em duas áreas principais: florestas e controle e prevenção da Peste Suína Africana (PSA). Ele estava acompanhado do Ministro Conselheiro da Embaixada da República Dominicana no Brasil, Marino Castillo e foi recebido pela diretora de Inovação e Tecnologia, Adriana Martin, e pelo pesquisador e assessor da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento, Alexandre Amaral.

O Ministro visitou a Embrapa Florestas no dia anterior, 24/11, e ficou muito interessado em intercambiar material genético para o desenvolvimento de pesquisas na área florestal, especialmente com foco na parte de recuperação de áreas degradadas. Segundo Mera, a República Dominicana ainda possui 42% de área florestal nativa, mas alguns países vizinhos, como o Haiti, tem apenas 1%.

Além disso, a República Dominicana é um dos poucos dos 32 países do Caribe que possui um banco genético expressivo de sementes. “Um dos nossos principais interesses nessa cooperação é capacitar os nossos técnicos e pesquisadores na Embrapa, considerando a expertise da Empresa nessa área”; pontuou. O Ministro acrescentou ainda que a parceria vai beneficiar não apenas a República Dominicana, mas as nações vizinhas.

Na verdade, essa já é a segunda reunião entre autoridades diplomáticas e governamentais do país caribenho com a diretoria da Embrapa. Na primeira, quando o diretor de P&D, Guy de Capdeville, visitou a Embaixada, foi combinada a realização de um workshop conjunto entre os dois países para discutir as linhas de cooperação. O workshop, que acontecerá de forma virtual e vai reunir especialistas dos dois países, ainda não tem data definida, mas já está em fase final de organização, como garantiu Alexandre Amaral.

A discussão da cooperação entre Brasil e República Dominicana deve abranger, pelo menos, cinco áreas prioritárias, que são: plantios florestais, patologias de bananas, fruticultura tropical, tecnologia reprodutiva em ruminantes e a definição de um modelo de pesquisa e desenvolvimento da agropecuária para o país caribenho, baseado no do Brasil. Mas, no momento, a prioridade é o desenvolvimento de ações pontuais para controle da PSA. Na ocasião, o diretor destacou a expertise da equipe da Embrapa Suínos e Aves nesse sentido, especialmente a partir de vacinas e protocolos sanitários para evitar que a doença se dissemine no país e nas Américas, inclusive no Brasil onde é considerada erradicada.

Leia mais em Embrapa vai ajudar República Dominicana no controle da peste suína africana

Visita à Embrapa Florestas

Antes de visitar a Sede, na quarta-feira, 24/11, o Ministro e sua equipe estiveram na Embrapa Florestas, onde a conversa foi sobre cooperação em pesquisas com Pinus caribaea, espécie florestal nativa na República Dominicana, introduzida no Brasil e cultivada pelo setor de base florestal para produção de madeira para serraria e resina. Na República Dominicana, essa espécie é utilizada também para proteção ambiental. “Nossa cobertura florestal é de 42%. Nossa missão é trabalhar e aumentar a capacidade florestal para garantir o recurso água, que é de vital importância para o presente e futuro do país”, salientou o Ministro.

O Chefe Geral da Embrapa Florestas, Erich Schaitza, acredita na possibilidade de cooperação. “Temos muito conhecimento em plantios florestais, podemos ajudá-los em vários aspectos tecnológicos. Eles têm materiais selvagens que poderiam ser introduzido e enriquecer a base genética de materiais já usados aqui”.

Se houver interesse empresarial, essa cooperação pode ser feita também com integração e alinhamento aos trabalhos realizados pelo Funpinus, que é um fundo cooperativo que envolve a Embrapa Florestas e empresas florestais que trabalham em conjunto para o melhoramento genético de pínus para uso em serrarias e resinagem.

Além da reunião, o Ministro e sua equipe visitaram o Laboratório de Entomologia Florestal da Unidade, onde conheceram o programa de controle à vespa-da-madeira, principal praga de pínus no Brasl; e um plantio de um híbrido de Pinus caribaea com Pinus elliottii implantado no campo experimental da Unidade há cerca de 30 anos.

Fonte: Embrapa

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