AGRO & NEGÓCIO

Artigo – O protagonismo do Brasil na produção mundial de pescado

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  • O Brasil ocupa apenas a 13ª posição na produção de peixes em cativeiro, e é o 8º na produção de peixes de água doce
  • O monitoramento dos estoques pesqueiros indica que as espécies marinhas apresentam contínuo declínio
  • Em 2018, 39 países produziram mais pescado em cativeiro do que pela pesca extrativista. A China lidera o ranking. África, Américas e Europa ainda dependem da pesca extrativista para obter sua produção.

 

Já é tradição para o setor pesqueiro, a publicação bianual do “Estado Mundial da Pesca e Aquicultura” (“The State of World Fisheries and Aquaculture”, disponível aqui. Carinhosamente apelidado de SOFIA, seu conteúdo apresenta dados recentes da estatística pesqueira mundial. A publicação está sob responsabilidade da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), que coleta e organiza relatórios técnicos de diversos países, obtendo um retrato atual sobre a pesca e aquicultura.

Em versões anteriores, o documento baseava-se principalmente na estatística pesqueira, mas hoje trata de assuntos relacionados às mudanças climáticas, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, relações trabalhistas, questões de gênero dentro do setor, segurança alimentar e programas de apoio a países em situação de vulnerabilidade. A versão de 2020 é focada principalmente na sustentabilidade, temática intrinsicamente relacionada ao Brasil que, desde a Eco-92, participa de discussões sobre produção de alimentos com sustentabilidade e preservação ambiental. Porém, os desafios para o avanço desta agenda são imensos, a começar pela conservação de zonas costeiras e recursos pesqueiros, compromisso assumido pelo Brasil e por diversos países do mundo pela Agenda 2030 e reforçado pelo lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Qual o papel do Brasil na produção mundial de pescado?

O Brasil já foi considerado o país com maior potencial para o desenvolvimento da pesca e aquicultura. Hoje, ocupa apenas a 13a posição na produção de peixes em cativeiro, e é o 8º na produção de peixes de água doce. Segundo a FAO, desde 2014 não há estatística pesqueira oficial no Brasil e os dados são obtidos por levantamentos realizados pela instituição e seus parceiros.

No entanto, o SOFIA 2020 pode nos orientar sobre qual direção tomar no cenário da aquicultura e pesca: a retomada de um programa nacional de estatística pesqueira como forma de conhecer nossa capacidade produtiva e seus desafios; maior investimento em pesquisa e tecnologia para tornar a pesca extrativista e a aquicultura mais sustentáveis, eficientes, competitivas, rentáveis e seguras; estabelecimento de políticas para preservação da nossa biodiversidade a fim de garantir a continuidade da vida aquática, das nossas águas e de tudo com que ela se relaciona; e por fim, conscientizar a população da importância do pescado na economia, na saúde, na cultura e na vida Brasileira.

A produção mundial e a importância do pescado na alimentação

Em 2018, foram produzidas 179 milhões de toneladas de pescado no mundo, com valor estimado em US$ 401 bilhões. Dentre os países produtores de pescado, a China ganha destaque e lidera o ranking, sendo responsável por 35% da produção total. Esse montante supera a produção total da Ásia (34%), Américas (14%), Europa (10%), África (7%) e Oceania (1%).

Aproximadamente 87% da produção (156 milhões de toneladas) foi destinada ao consumo humano, o que representa uma mudança significativa no uso do pescado desde a década de 1960, quando boa parte era utilizado na produção de farinha e óleo de peixe. Hoje, esses produtos provêm de subprodutos do processamento do pescado.

Esse melhor aproveitamento reflete no maior consumo per capita de pescado pela população mundial, que chegou a 20,5 kg/pessoa/ano em 2018. O pescado apresenta elevada importância na segurança alimentar de muitas populações. Estima-se que seu consumo represente 17% da ingestão de proteína animal pela população mundial. Em países como Bangladesh, Camboja, Gana, Indonésia, Serra Leoa, Sri Lanka e pequenos países insulares, o produto da pesca extrativista representa até 50% da proteína animal consumida.

Falando em pesca, um dado curioso: após anos de estagnação, a FAO constatou um aumento em 5,4% na captura de espécies marinhas, totalizando 96,4 milhões de toneladas de pescado em 2018. Esse aumento, em parte, foi devido a pesca da anchoveta (Engraulis ringens) em áreas próximas ao Chile e Peru. No entanto, as aparências enganam, pois, o monitoramento dos estoques pesqueiros, indica que as espécies marinhas apresentam contínuo declínio. Em 1974, 90% dos estoques estavam classificados como “biologicamente sustentáveis”. Em 2017, esse percentual caiu para 65,8%, sendo que boa parte desse montante está no limite máximo de captura, podendo entrar em sobrepesca a qualquer momento.

Os maiores “pescadores” globais foram: China (15%), Indonésia (7%), Peru (7%), Índia (6%), Rússia (5%), Estados Unidos (5%) e Vietnã (3%).Em termos de espécies, a principal captura foi de anchoveta (7 milhões de ton.), seguida pelo bagre Alaska pollock (3,4 milhões de ton.) e o bonito (Katsuwonus pelamis, 3,2 milhões de ton.).

A aquicultura, ou produção de organismos aquáticos em cativeiro é composta principalmente por pescado oriundo de águas interiores. Em resumo, 54,4 milhões de toneladas representam a produção de peixes (47 milhões espécies de água doce e 7,3 milhões espécies marinhas); 17,7 milhões são moluscos e 9,4 milhões crustáceos.

As principais espécies produzidas ainda são as carpas (carpa capim – Ctenopharyngodon idellus; carpa prateada – Hypothalmichthys molitrix) e a tilápia nilótica (Oreochromis niloticus). O salmão (Salmo salar) ocupa apenas a nona posição no ranking. Outras espécies também merecem destaque na aquicultura, como o camarão branco do Pacífico (Penaeus vannamei), os moluscos (ostras, vieiras e mariscos), além das algas marinhas como a Laminaria japônica, Euchema spp., Gracilaria spp. e Nori ou Porphyra spp. (usada em sushis), que ganham cada vez mais espaço no setor.  

Com relação às formas de comercialização do pescado, 44% são vendidos vivos, frescos ou resfriados, 35% congelados, 11% processados e 10% curados e salgados. Isso reflete a baixa tecnologia aplicada na conservação e comercialização do pescado, bem como a preferência que países consumidores como Portugal, Japão e Noruega pelo produto na sua forma mais saudável e fresca.

Em termos de continentes produtores, a Ásia é o principal, responsável por 42% da aquicultura mundial, seguida pela África (17,9%), Europa (17,7%), Américas (15,7%) e Oceania (12,7%). Se focarmos na produção de peixes de água doce, a Ásia domina com 89% da piscicultura mundial. Os principais países produtores são: China, Bangladesh, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Noruega e Vietnã.

Vale ressaltar que em 2018, 39 países produziram mais pescado em cativeiro do que pela pesca extrativista. A China lidera esses países, pois principalmente na Ásia essa tendência mostra-se como futuro na produção de pescado. No entanto, África, Américas e Europa ainda dependem da pesca extrativista para obter sua produção.

Fonte: Embrapa

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Trigo no Cerrado é tema de live nesta segunda, 6, na Agrobrasília Digital

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No primeiro dia da Agrobrasília Digital, realizada de 6 a 10 de julho, a Embrapa promove um debate online sobre as oportunidades para o crescimento do trigo na região central do Brasil. A live “Trigo – a vez do Cerrado”, realizada das 13h às 15h, contará com especialistas em genética, cooperativismo, mercado e políticas públicas.

Em 2019, foram cultivados cerca de 200 mil hectares de trigo em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, na Bahia no Distrito Federal. As pesquisas da Embrapa indicam um potencial acima de 2 milhões de hectares aptos ao cultivo de trigo na região, devendo alcançar 1 milhão de hectares com o cultivo no Cerrado até 2025, por meio de um plano de trabalho voltado ao melhoramento genético de cultivares e à transferência de tecnologia.

“Aqui, produzimos um dos melhores trigos do mundo em termos de qualidade industrial para panificação”, ressalta o pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados (DF). Ele vai falar sobre o potencial genético para produção de trigo no Cerrado, destacando as cultivares da Embrapa indicadas para a produção de trigo no Cerrado do Brasil Central e as medidas de manejo desses materiais para alcançar as melhores produtividades e a qualidade industrial, como as melhores épocas de plantio e o controle de pragas e doenças como a brusone, a mais recorrente na região. 

A live também contará com as participações do presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), José Guilherme Brenner; do responsável técnico da entidade, Claudio Malinski; e de Silvio Farnese, diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Eles vão abordar, no contexto do Cerrado, a visão cooperativa sobre a produção de trigo, a perspectiva comercial acerca da produção do cereal e políticas públicas para a expansão da triticultura. A mediação dos debates será feita pelo supervisor de transferência de tecnologia da Embrapa Cerrados, Sérgio Abud.

Acompanhe a live aqui.

A Agrobrasília é uma realização da Coopa-DF, que apresenta uma vitrine de tecnologias para o agronegócio, além de cenário para debates relevantes sobre diversos temas relacionados ao setor produtivo. 
Para saber mais sobre as tecnologias da Embrapa na Agrobrasília 2020, visite o site https://www.embrapa.br/agrobrasilia-2020.

Com informações da Embrapa Trigo

Fonte: Embrapa

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