POLÍTICA NACIONAL

Após adiamento e habeas corpus, Pazuello depõe à CPI da Pandemia nesta quarta

Publicados

em


Após remarcação de seu depoimento à CPI da Pandemia e obtenção de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar em silêncio em perguntas que possam produzir provas contra si, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello depõe nesta quarta-feira (19) à comissão, a partir das 9h.

Terceiro titular da pasta no governo Jair Bolsonaro, Pazuello será questionado sobre sua conduta nos dez meses em que esteve à frente do ministério, em pontos como postura governamental, isolamento social, vacinação, colapso em Manaus e omissão de dados.

Inicialmente, o ex-ministro seria ouvido no dia 5 de maio, mas um dia antes (4) o Comando do Exército informou à CPI que o ex-ministro, general da ativa, estava em quarentena após ter tido contato com duas pessoas com covid-19.

No documento enviado por Pazuello e encaminhado pelo Comando do Exército à CPI, o ex-ministro afirmou que poderia manter a data da audiência, com sua participação ocorrendo de forma remota, ou o depoimento poderia ser adiado. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), optou pelo adiamento.

Na última sexta-feira (14), Pazuello obteve habeas corpus no STF para ficar em silêncio na CPI, com o objetivo de não produzir provas contra si. Porém, ele deverá responder sobre fatos relacionados a terceiros.

— Mesmo com esse habeas corpus que ele conseguiu junto ao STF, eu considero que ele possa falar e que ele fale. Até entendo, de alguma forma, pelos abusos que estamos vendo dentro da comissão, que ele de alguma forma queira se proteger. Espero que ele faça a mesma coisa que os outros depoentes fizeram até hoje: que ele possa responder todas as perguntas para que a gente possa fazer com que a verdade venha à tona — afirmou o senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) garantiu que recebeu com “serenidade e tranquilidade” a decisão do STF. Para o parlamentar, o depoimento de Pazuello não é o único meio de buscar a verdade e a comissão vai continuar seu trabalho de investigação.

Requerimentos

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e os senadores Randolfe, Girão e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) são os autores dos requerimentos de convocação de Pazuello.

Para Renan, os depoimentos dos ex-ministros da Saúde são imprescindíveis para elucidar as providências tomadas pela pasta para enfrentar a pandemia.

Em seu requerimento, o senador Randolfe destaca que, sob gestão de Pazuello, o ministério apresentou um Plano Nacional de Vacinação somente em dezembro de 2020, após exigência do STF.

“Mesmo com a demora, o plano era falho. Apresentava diversos pontos em aberto e foi alvo de críticas de cientistas. A vacinação começou apenas em 17 de janeiro de 2021, com atrasos e revisões dos prazos. No início de março, o então ministro reduziu cinco vezes, em apenas oito dias, a previsão de entrega de vacinas no mês”, afirma o vice-presidente da CPI.

Antecessor

Em depoimento à CPI, o ex-ministro Nelson Teich, antecessor de Pazuello, negou que a presença do general no ministério, como secretário-executivo, tivesse sido imposição do presidente Bolsonaro.

— Eu conversei com ele [Pazuello], ouvi o que tinha para falar, ouvi a experiência… E me pareceu que, naquele momento, em que eu precisava ter uma agilidade muito grande na parte de distribuição, para ajudar no problema de EPIs e de respiradores, ele poderia atuar bem. Agora, o fato de tê-lo nomeado não significa que ele iria continuar caso não “performasse” bem — afirmou. 

Quando questionado posteriormente se Pazuello se mostrava suficientemente qualificado para assumir o Ministério da Saúde, Teich considerou que seria mais adequado alguém com conhecimento maior sobre gestão em saúde.  

A CPI da Pandemia também já ouviu o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o atual titular da pasta, Eduardo Queiroga.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Comentários Facebook
Propaganda

POLÍTICA NACIONAL

Ataques de Bolsonaro à imprensa aumentaram 74% no 1º semestre de 2021, diz ONG

Publicados

em


source
Presidente Jair Bolsonaro
Reprodução: ACidade ON

Presidente Jair Bolsonaro

RIO — Durante os primeiros seis meses de 2021 o número de ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a imprensa aumentou 74% em relação ao segundo semestre de 2020. É o que aponta o novo relatório sobre as violações contra a atividade jornalística da organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF).

A RSF observou uma intensificação dos ataques feitos pelo chefe do Executivo e registrou ao menos 87 ofensivas — um aumento de 74% em relação aos 50 ataques identificados nos primeiros seis meses de 2020.

Além disso, a entidade registrou 331 ataques contra profissionais e veículos jornalísticos no mesmo período que partiram do presidente, seus filhos e membros do atual governo — grupo chamado de “sistema Bolsonaro” pelo relatório. O registro de 2021 representa alta de 5,4% frente aos 314 observados em 2020.

Nesse entorno do presidente, também atacam de forma recorrente a imprensa os três filhos políticos do presidente: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), com 85 ataques; o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), com 83; e o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), com 38.

Completa o ranking dos cinco agressores mais frequentes do jornalismo brasileiro no primeiro semestre de 2021 o ministro Onyx Lorenzoni (DEM-RS), com 18 ataques.

Você viu?

O relatório cita alguns exemplos das declarações consideradas como ataques contra a imprensa. Uma delas foi quando o presidente mandou jornalistas “enfiar as latas de leite condensado no rabo”, quando questionado sobre a polêmica de gastos públicos do governo federal.

Em outra ocasião, Bolsonaro insultou uma jornalista da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, que o questionou sobre ele não estar usando máscara ao chegar ao local de sua visita: “Cala a boca (…) a Globo é imprensa de merda, imprensa podre”, gritou o presidente.

Em julho, a RSF inclui o presidente em sua galeria de “predadores da liberdade de imprensa” ao lado de nomes como o venezuelano Nicolás Maduro e Viktor Orbán da Hungria.

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana