POLÍTICA NACIONAL

Advogado de Milton Ribeiro critica prisão e sugere uso de tornozeleira

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Ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso na manhã desta quarta (22) em operação da PF
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso na manhã desta quarta (22) em operação da PF

O advogado Daniel Bialski, que defende o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, reclamou da falta de acesso à investigação e criticou a prisão de seu cliente, determinada pelo juiz federal Renato Borelli. Bialski disse não haver motivos para a prisão, e disse que outras medidas seriam menos invasivas e constrangedoras, como uma prisão domiciliar e o uso de tornozeleira. As declarações foram dadas em entrevista ao canal “Globo News”.

O ex-ministro foi preso na quarta-feira. Nesta quinta-feira, a assessoria de imprensa da Justiça Federal do Distrito Federal informou que o juiz liberou à defesa acesso à investigação. Pela tarde, Milton Ribeiro e os demais presos na operação, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, suspeitos de terem atuados como lobistas no ministério, passarão pela audiência de custódia com o magistrado. Nessa ocasião, será avaliada a necessidade de manter a prisão ou não.

“A prisão é a última alternativa. Se existir algum motivo de risco à investigação, à aplicação da lei, poderia sim, deveria ter aplicado uma prisão domiciliar, entrega do passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, que existe na legislação brasileira, que é muito menos constrangedor e invasivo do que uma prisão”, afirmou o advogado, acrescentando:

“Submeter à prisão, ao cárcere sem um motivo concreto, sem uma necessidade, uma imprescindibilidade latente efetivamente é causa de constrangimento ilegal. É por isso que tenho falado desde o primeiro momento que não se vê, não se enxerga nem se cogita quais seriam os motivos em vez de decretar uma prisão temporário, domiciliar ou outra medida restritiva desde logo decreta a prisão preventiva.”

O advogado disse ainda que R$ 50 mil depositados na conta da mulher do pastor se referem à parte do pagamento de um carro vendido à filha do pastor Arilton em 21 de fevereiro deste ano, e que o negócio é lícito e o documento da transferência foi assinado. Disse também não saber se a venda do carro está sendo investigada ou não. Afirmou ainda desconhecer os motivos da prisão nem saber exatamente quais são as acusações contra o ex-ministro.

Ele avaliou que a prisão parece ser mais política, em razão dos laços entre Milton Ribeiro e o presidente Jair Bolsonaro, de quem ele foi ministro. Bolsonaro é candidato à reeleição. Bialski confirmou ainda ser o advogado de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente da República, mas negou que esteja defendendo MIlton Ribeiro a pedido do governo.

“Eu sou advogado da primeira dama numa queixa-crime e também investigações contra pessoas que fazem acusações, a difamam, praticam calúnias e injúrias contra ela nas redes sociais”, afirmou Bialski, concluindo:

“Quanto eu conheci o ministro, eu era presidente de um clube da comunidade judaica em São Paulo e o conheci num evento, um almoço em homenagem ao ministro porque através de uma lei ele permitiu que as pessoas que professam a religião judaica e os adventistas pudessem pedir substituição de provas no sábado.

Eu o conheci naquela oportunidade e o acabei encontrando em diversos eventos políticos e religioso. Eu recebi na manhã de ontem às 6h05 da manhã um telefonema do ministro, pedindo auxílio, dizendo que a Polícia Federal estava cumprindo um mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão. se eu poderia assumir a causa. A partir daquele momento, em contato com ele e familiares, me tornei advogado dele. Ninguém do governo pediu para defendê-lo. Foi o próprio que me telefonou.”

Em nota à imprensa, o escritório de Bialski informou que foi aprovada liminar no Mandado de Segurança para que os advogados tivessem acesso aos autos e à decisão que decretou a prisão preventiva do ex-ministro.

Confira na íntegra:

“O advogado Daniel Bialski, que exerce a defesa do ex-Ministro Milton Ribeiro vem informar que foi deferida liminar no Mandado de Segurança para que os advogados tivessem acesso aos autos e à decisão que decretou a prisão preventiva de seu cliente. Já em relação ao Habeas Corpus, o desembargador que despachou inicialmente, não conhecendo do pedido formulado, asseverou que era necessária a juntada da decisão da prisão preventiva para que a Corte pudesse examinar a questão da ilegalidade ou legalidade da custódia — decisão esta que só agora a defesa obteve acesso. O pedido não foi negado, como erroneanamente foi noticiado. A defesa, assim, obteve a cópia de decisão atacada, bem como o parecer do Ministério Público Federal de 1º grau — que foi contrário à decretação da prisão preventiva — e as anexou nos autos do Habeas Corpus, pedindo para que agora fosse o pedido examinado e a prisão revogada. Assim, ainda se aguarda a decisão que virá a ser proferida sobre a liminar buscando a liberdade do ministro.

São Paulo, 23 de junho de 2022.”

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POLÍTICA NACIONAL

Márcio França se encontra com Lula mas mantém candidatura a governador

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Ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB)
reprodução: commons – 13/06/2022

Ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB)

O ex-governador  Márcio França (PSB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram nesta sexta-feira para tratar da eleição em São Paulo. Aliados acreditam que França aceitará desistir da sua pré-candidatura a governador nos próximos dias, mas o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que o ex-governador reafirmou ao líder petista a sua intenção de se manter na disputa.

Lula tem se empenhado para reproduzir em São Paulo a aliança firmada com o PSB no plano nacional e que levou Geraldo Alckmin(PSB) a ser indicado para ser o seu vice.

O pré-candidato do PT a governador é o ex-prefeito Fernando Haddad. A saída de França facilitaria o caminho para Lula e Alckmin percorrerem juntos o interior de São Paulo.

“O Márcio me contou que teve uma boa conversa com o Lula, mas disse que mantém a sua candidatura ao governo paulista”, afirmou Siqueira.


A ideia de Lula é que França concorra ao Senado na chapa de Haddad. O GLOBO mostrou nesta sexta-feira que o PSB quer reduzir o número de candidatos a governador do partido para que sobre mais dinheiro para as campanhas de deputados.

Integrantes da direção da legenda acreditam que ter cinco postulantes a executivos estaduais seria o ideal. França não entra nessa conta. O pré-candidato do PSB também não conseguiu até agora partidos aliados, o que dificulta as suas pretensões de concorrer a governador.

Um dos trunfos de França propagados para a eleição de São Paulo é contar com Alckmin como seu cabo eleitoral exclusivo. Mas nesta sexta-feira, o pré-candidato a vice-presidente esteve com Haddad na inauguração de um laticínio do MST, na cidade de Andradina, no interior do estado.

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