BRASIL E MUNDO
Acordo Mercosul-UE pode gerar até R$ 37,8 bilhões em novas exportações
A assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, após anos de negociação, acende uma luz de novas oportunidades para o agronegócio brasileiro. A expectativa é que o tratado impulsione significativamente as exportações do setor, abrindo portas e reduzindo barreiras para produtos que já detêm forte competitividade no mercado europeu.
De acordo com projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o acordo tem o potencial de elevar as exportações brasileiras em até R$ 37,8 bilhões. Uma fatia considerável desse incremento, estimado em uma média anual de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, será absorvida pelo agronegócio. Embora esse valor represente um aumento marginal de aproximadamente 1% sobre o volume atual das exportações anuais do setor, seu impacto será substancial em cadeias produtivas específicas, que hoje enfrentam tarifas ou cotas restritivas.
Cadeias Beneficiadas: Onde o Brasil já é Forte
Os maiores ganhos esperados concentram-se em setores onde o Brasil já se destaca globalmente e que se beneficiarão diretamente da redução gradual ou eliminação de tarifas aduaneiras e da ampliação de cotas:
- Carnes:
- Bovina: Prevê-se a ampliação de cotas com tarifas reduzidas, favorecendo principalmente produtores e frigoríficos focados na exportação premium.
- De Frango: A redução gradual de tarifas deve gerar um ganho de competitividade frente a outros fornecedores.
- Suína: Haverá acesso ampliado ao mercado, apesar das rigorosas regras sanitárias europeias.
- Café: Produtores de cafés especiais e certificados terão benefício direto com a redução tarifária e a facilitação do acesso a nichos de maior valor agregado.
- Frutas: Cadeias como manga, melão, uva e limão, além de frutas processadas, ganharão competitividade com a previsibilidade comercial e a diminuição de impostos de importação. Produtores do Nordeste e Sudeste são os mais cotados para colher esses frutos.
- Produtos Florestais e Celulose: Este é um setor já altamente organizado e exportador, com grande potencial de aumento de volume e redução nos custos de acesso ao mercado europeu.
Desafios e Alertas: Nem Todos os Ganhos São Imediatos
Contudo, nem todos os segmentos do agronegócio brasileiro veem ganhos imediatos. Setores como a vitiviniculturaexpressam preocupação com a potencial concorrência de vinhos europeus, mesmo com as cotas e salvaguardas previstas. Similarmente, o setor de laticínios, apesar da proteção gradual, vislumbra riscos de pressão competitiva sobre os produtores menos capitalizados. Para esses segmentos, a adaptação e políticas de defesa comercial internas serão cruciais.
Redução de Tarifas: O Mecanismo por Trás dos Ganhos
O cerne do acordo reside na redução gradual ou eliminação de tarifas que hoje pesam sobre muitos produtos agroindustriais brasileiros na Europa. Essa medida tem um efeito multifacetado: aumenta a margem de lucro do exportador, melhora a previsibilidade dos contratos e reduz o custo de entrada no mercado europeu. É um ganho estrutural, que se consolidará ao longo dos próximos anos, e não de forma imediata.
Ferramenta Digital para Orientar Exportadores
Para auxiliar produtores e exportadores a navegarem pelas novas oportunidades, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou um painel digital. A ferramenta permite identificar países compradores por produto, consultar tarifas atuais e futuras, acompanhar o cronograma de redução tarifária e analisar a distribuição regional das exportações. Acessível publicamente pelo portal do MDIC, o painel visa orientar desde pequenas cooperativas até grandes tradings.
O Que o Produtor Precisa Saber
O acordo não é uma garantia automática de vendas, mas sim um facilitador. Ele amplia o mercado potencial e reduz os custos de acesso. Os produtores mais organizados, certificados e estruturados para exportação serão os primeiros a capturar esses ganhos. Aqueles focados exclusivamente no mercado interno podem sentir efeitos indiretos, como uma maior concorrência em certos produtos.
Apesar da euforia da assinatura, a plena entrada em vigor do acordo ainda depende da ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos, especialmente na União Europeia – um processo que pode levar anos. Essa realidade reforça o caráter estratégico e de médio prazo do impacto desse histórico acordo no agronegócio brasileiro.
BRASIL E MUNDO
Desvalorização do Bitcoin: Fim da euforia ou ajuste de rota para o “ouro digital”?
Após um período de ascensão meteórica, que viu o Bitcoin atingir picos históricos entre julho e outubro de 2025, a criptomoeda mais famosa do mundo enfrenta agora uma correção significativa. Desde novembro, seu valor tem registrado uma queda constante, levantando questionamentos entre analistas e investidores: trata-se de um revés passageiro ou a confiança no ativo está permanentemente abalada?
Em um lapso de apenas quatro meses, o valor do Bitcoin despencou pela metade, caindo de US$ 122.000 para US$ 61.000 em 6 de fevereiro. Grande parte dos ganhos impulsionados pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca foi evaporada. Embora tenha recuperado ligeiramente, estabilizando-se em torno de US$ 70.000, a volatilidade intrínseca da criptomoeda volta a ser o centro das atenções. “Ele é o centro de gravidade do ecossistema cripto”, define Jézabel Couppey-Soubeyran, economista e professora da Universidade Paris 1, sublinhando que a trajetória do Bitcoin reflete o estado geral do mercado de criptoativos.
A desvalorização não se restringe ao Bitcoin. Outras criptomoedas proeminentes, como Ethereum e XRP, e a maioria das 100 principais moedas virtuais, também registraram quedas nos últimos meses. Para Bruno Biais, professor de Finanças e Economia da HEC Paris, “as criptomoedas são bolhas”, mas isso não as torna necessariamente “ruins, inúteis para a sociedade ou destinadas a desaparecer”. No entanto, ele adverte que o Bitcoin, em particular, é “muito arriscado” e que investidores devem estar preparados para “quedas de preço que podem ser brutais”.
Fatores por trás da queda
O cenário de instabilidade econômica e geopolítica global tem elevado a aversão ao risco nos mercados, e os ativos digitais não são exceção. “Nesse contexto de nervosismo do mercado em relação a ativos de risco, que incluem tecnologia e Bitcoin, muitos investidores estão se desfazendo dessa classe de ativos”, explica Nathalie Janson, professora associada de Economia da Neoma Business School.
A situação é agravada pelos investimentos alavancados, onde investidores buscam lucros expressivos tomando empréstimos para aplicar quantias superiores ao seu capital. Com a queda dos preços, a reação é severa e retroalimenta o ciclo de baixa. “É um círculo vicioso”, observa Jézabel Couppey-Soubeyran. “Com a queda dos preços, investimentos com alto grau de alavancagem podem impulsionar automaticamente ainda mais as vendas de Bitcoin e, assim, retroalimentar a queda dos valores.”
O efeito Trump: da promessa à desilusão
A euforia em torno das criptomoedas foi intensificada pelo ex-presidente Donald Trump. Em uma surpreendente mudança de postura, Trump, que antes criticava as moedas virtuais, declarou em março de 2025 sua intenção de transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”. Essa promessa, aliada a regulamentações mais flexíveis e o convite a figuras proeminentes do setor para a Casa Branca (e até uma estátua dele com um Bitcoin no National Mall, em Washington), fez com que sua eleição fosse recebida com grande esperança pelos defensores das criptomoedas.
“Donald Trump ajudou a impulsionar a bolha”, afirma Xavier Timbeau, diretor do Observatório Econômico Francês (OFCE). No entanto, “a confiança nele acabou”, observa Jean-Paul Delahaye, cientista da computação e professor da Universidade de Lille 1. A prometida “reserva estratégica” de Bitcoin, por exemplo, não se concretizou como esperado, sendo composta apenas por ativos apreendidos ou confiscados.
Em 4 de fevereiro, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, esclareceu no Congresso que, embora o objetivo fosse criar um tesouro público financiado com Bitcoin, o governo não interviria para conter a desvalorização da criptomoeda. Sem apoio governamental, a volatilidade do Bitcoin pode levar investidores a buscar alternativas mais estáveis.
A ascensão das Stablecoins e a mudança de paradigma
Em meio à turbulência, a busca por estabilidade ganha força. A Lei Genius, pioneira nos EUA e em vigor desde julho de 2025, visa regulamentar as stablecoins – criptomoedas cujo valor é atrelado a ativos mais estáveis, como moedas fiduciárias. Essa legislação inaugurou “uma mudança no ecossistema cripto”, segundo Jézabel Couppey-Soubeyran. Longe de substituir o Bitcoin, as stablecoins oferecem uma “porta de entrada para o mundo cripto, porém mais segura e estável”, concorda Ludovic Desmedt, professor de Economia da Universidade da Borgonha.
Paradoxalmente, a ascensão das stablecoins pode ter contribuído para a queda do Bitcoin. Em novembro de 2025, a plataforma Binance registrou um aumento em suas reservas de stablecoins, enquanto suas reservas de Ethereum e Bitcoin despencavam. Essa tendência sinaliza uma ruptura com a narrativa original das criptomoedas, que se propunham como uma alternativa descentralizada à moeda oficial, já que as stablecoins são emitidas por entidades centrais e atreladas a moedas nacionais.
O futuro incerto e o alerta para investidores
A filosofia revolucionária do Bitcoin, imaginada por Satoshi Nakamoto, parece ter sido ofuscada pela especulação massiva. Grandes investidores hoje compram Bitcoin não por adesão ideológica, mas pela perspectiva de lucro. “Quando a BlackRock compra Bitcoins, não é porque desconfia de instituições financeiras ou intermediários, mas sim porque acredita que vai lucrar”, argumenta Bruno Biais.
Apesar da “ideologia do Bitcoin” se dissolver no frenesi capitalista, especialistas não preveem o fim da criptomoeda. “Ele é como uma série de TV de 17 temporadas: temos reviravoltas na trama a cada seis meses ou a cada ano”, brinca Ludovic Desmedt. A atual crise é vista mais como um “estouro de bolha” do que o fim do Bitcoin, que tem se mostrado resiliente a quedas anteriores.
Nathalie Janson lembra que, apesar da acentuada desvalorização, o valor atual do Bitcoin ainda está acima dos patamares atingidos após a crise da FTX, quando o preço despencou 75% antes de se recuperar. Cada queda, no histórico do Bitcoin, nunca o levou abaixo da mínima anterior.
As chances de desaparecimento do Bitcoin são pequenas, mas a desvalorização atual serve como um alerta. “A magnitude da diminuição de preço está provocando vendas forçadas ou por pânico e, sem dúvida, algumas falências, que deixarão detentores de pequenas carteiras arruinados”, prevê Xavier Timbeau.
*Com informações de Jean-Baptiste Breen, da RFI em Paris
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