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Acesso aberto e o dinamismo do conhecimento em cenários futuros são temas da segunda edição do Radar Solos

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Como garantir que o conhecimento científico, a partir de políticas voltadas à disponibilização de dados primários, contribua com a longevidade e a utilidade futura da pesquisa, e o que fazer para que os resultados sejam mais rápidos e acompanhem a dinâmica dos cenários em transformação? Para os pesquisadores, é preciso estar conectado e atento às demandas de um futuro desafiador e incerto, e ao mesmo tempo ser capaz de antever as soluções e nortear os caminhos da ciência.

Na segunda edição da publicação Radar Solos, lançada durante as comemorações de aniversário da Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ), dia 28 de maio, estes e outros temas foram destaques da série que se propõe a mapear tendências e identificar direcionamentos aos desafios da prospecção.

Para o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Pedro Machado, é fundamental que haja mais rapidez na disseminação dos resultados dos avanços da pesquisa, impactada especialmente pelo desnivelamento entre países. No contexto da bioeconomia, por exemplo, ele considera que os espaços de negociação multilaterais – como as convenções-irmãs da ONU (Clima, Biodiversidade e Combate à Desertificação) – possuem velocidade própria difícil de ser acelerada. “Mesmo assim, as convenções ditam as tendências e iniciativas complementares como a 4 por 1000 – Carbono do Solo para a Segurança Alimentar e Mudança do Clima ou a TWI 2050 – The World in 2050, que buscam apoiar as convenções na implementação bem sucedida dos objetivos”, comentou.

Segundo ele, a pesquisa científica – com seus avanços juntamente com os  indicadores de sinais e tendências na sociedade que interage com os recursos naturais – podem ajudar os tomadores de decisão (governantes, executivos etc) a trilhar um caminho mais eficaz para atingir os objetivos. Pedro Machado é autor do artigo Produtos agrícolas de bases sustentáveis: exigências não tão futuras, publicado na segunda edição do Radar Solos.

Sobre o desnivelamento, o pesquisador acredita que dificulte a evolução dos países. “Se por um lado, uns oferecem subsídios elevados, outros mal podem oferecer financiamento a juros mais moderados”, comenta. Na sua opinião, a pesquisa pode contribuir nesse contexto, facilitando o alinhamento direcionado à bioeconomia por meio de projetos de cooperação, que propiciam o que chamou de “confiança mútua”. “Isso tudo reflete – mesmo que não intencionalmente – em maior rapidez nas negociações em espaços multilaterais”, completa.

Disponibilidade de dados

A importância da disponibilidade de dados, na ciência dos solos, foi o tema abordado pelo pesquisador da Embrapa Florestas, George Brown, que assina artigo Open Science, Open Data na Ciência do Solo, em parceria com o pós-doutorando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Willian Demétrio, e com o professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Alessandro Samuel-Rosa. 

De acordo com o pesquisador da Embrapa, que atua na área de fauna edáfica e usa dados de atributos físicos e químicos nas bases de dados e estudos,  o atual estágio de disponibilização ainda é incipiente. “A razão disso é que a maior parte das publicações não fazia essa exigência, que só passou a ser implementada há cerca de 5 ou 10 anos, em algumas revistas, principalmente as associadas à União Europeia (UE)”, explica, ressaltando os órgãos financiadores, como os do Reino Unido ou da própria UE, que precisavam que as publicações relacionadas aos trabalhos financiados fossem publicados em revistas abertas (open acess) e que os dados fossem disponibilizados.

“Os dados muitas vezes são apresentados como médias, às vezes com desvio padrão, às vezes sem desvio padrão, e aí cabe a nós olhar nas figuras e nos gráficos para derivar os valores médios”, comenta. “Na ciência do solo, existem algumas bases de dados mais abertas, bastante interessantes, algumas até da própria Embrapa, outros associados a publicações de pesquisadores que tem a ver, por exemplo, com dados de perfis de solo, dados de estoques de C e/ou nutrientes, ou valores de atributos químicos ou atributos físicos, principalmente em publicações internacionais”, explica. O pesquisador reforça que a disponibilização de dados, apesar de importante, continua sendo rara na maior parte das publicações brasileiras.

Observatório Solos

A publicação Radar Solos, dedicada a identificar sinais e tendências, antecipar impactos e fazer a prospecção de cenários futuros relacionados ao tema, no Brasil e no mundo, é uma iniciativa do Observatório de Solos,  em parceria com a Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) e a Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ), que reúne textos de especialistas da Empresa e representantes dos setores público e privado.

“O objetivo do Radar é estimular o olhar para o ambiente externo e para o novo, e não apenas a partir de tendências (informações consolidadas), mas também da identificação de sinais fracos, informações incertas em estágio embrionário, que podem representar grandes mudanças no futuro”, ressalta a analista Lívia Torres, uma das coordenadoras científicas da publicação. Ela lembra que, além da visão dos pesquisadores da Embrapa, o setor privado também teve participação. “Sabemos da grande importância desses atores na  inovação, no desenvolvimento econômico e pujança da agricultura brasileira. São protagonistas na construção do futuro”, completa.

Entre os temas da segunda edição da publicação, estão A descarbonização da cadeia do alimento começa no campo (pelo vice-presidente de Estratégia da Yara Brasil, Cleiton Vargas); Acumulação de capital na fertilidade dos solos: o caso do Cerrado (pelos pesquisadores da Embrapa, Eliseu Alves, e pesquisador Eliseu Alves (Embrapa) e José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea); Novas aplicações da Ressonância Magnética Nuclear em baixo campo na Ciência do Solo (pesquisador Etelvino Henrique Novotny, da Embrapa Solos); Inovar, Renovar e Rever: a integração do conhecimento como alavanca para o sucesso (Flávio Guanaes Bonini, gerente de Serviços Técnicos da Mosaic Fertilizantes); O protagonismo da cana na era do baixo carbono (Jacyr Costa Filho, presidente do Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp/Cosag); e Melhorias e sustentabilidade nos solos do Cerrado baiano (Júlio Busato, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão – Abapa).

Fonte: Embrapa

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Lavouras de grão-de-bico resistem a fortes geadas ocorridas no centro-sul do Brasil

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Plantas geralmente sensíveis a altas temperaturas ou a frio intenso, as hortaliças podem ter a sua evolução afetada quando expostas a essas ocorrências, umas mais outras menos, a depender da espécie cultivada e também de seu estágio de desenvolvimento. Entre as cultivares de grão-de-bico, desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), a BRS Aleppo, por exemplo, comprovou características importantes de tolerância a condições climáticas adversas, como as geadas que ocorreram recentemente nos estados do Paraná, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

Confira aqui vídeo disponível no site do Inmet com informações a respeito da onda de frio intenso no País nos próximos dias.

O pesquisador Oscar Fontão Jr., da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), explica que o florescimento e o progresso reprodutivo do grão-de-bico são influenciados principalmente por três fatores: disponibilidade de água, comprimento do dia e temperatura, sendo essa última considerada mais importante do que o fotoperíodo. E com relação a essa questão, conforme o pesquisador, as cultivares de grão-de-bico responderam com um bom nível de tolerância. “Em diversos locais do Mato Grosso do Sul, quando houve a ocorrência de geadas durante cinco dias, verificou-se uma perda inicial de flores e vagens, mas as plantas continuaram a florescer”, observa Fontão.

O bom comportamento do grão-de-bico frente a essas condições climáticas adversas também foi observado no Paraná, na região de Uraí, próxima à Londrina, Campo Mourão e Maringá, e surpreendeu o agrônomo Ademir Santini, da empresa SantiniAgro. Segundo ele, as geadas provocaram forte prejuízo na cultura do milho, principalmente, já que o trigo por estar ainda na fase vegetativa – entre a germinação e a floração – não sofreu danos, “e o único cultivo que permanece em condições de campo e não foi afetado pela mudança climática foi o de grão-de-bico”. “Ficou bastante evidente que o grão suportou bem a forte geada”, destaca Santini.

Também no Paraná, dessa vez no oeste do estado, o produtor Airton Cittolin também apontou a ocorrência de geadas bastante severas “como há muito tempo não acontecia na região”, e ressaltou o bom comportamento do grão-de-bico. “Plantamos o grão-de-bico e com 40 a 50 dias de germinação, e mesmo em fase de crescimento suportou bem as geadas”, atestou Cittolin, referindo-se à cultivar BRS Aleppo, que divide a área plantada com a cultivar BRS Toro, que mostrou menor tolerância.

Para o pesquisador e chefe-geral da Embrapa Hortaliças Warley Nascimento, que coordena as pesquisas de melhoramento genético com as leguminosas secas, as chamadas pulses (ervilha, lentilha e grão-de-bico), a resposta positiva da cultivar BRS Aleppo quando submetida a baixas temperaturas pode servir como “fonte para novas pesquisas de melhoramento”. “Podemos utilizar a BRS Aleppo para gerar outras cultivares, uma vez que ela é produtiva, resistente a fungos de solo e com mais essa característica comprovada de tolerância ao frio”, avalia Nascimento.

O pesquisador acrescenta que nessas localidades onde ocorreram fortes geadas, outras culturas que “competiriam” com o grão-de-bico como milho, feijão, gergelim e mesmo o trigo sofreram bastante com a geada, assim essa leguminosa seria uma boa opção entre essas culturas de inverno, com menores riscos. 

Zoneamento Climático

O grão-de-bico foi incluído no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) desenvolvido em conjunto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Embrapa. Até o final do ano, o programa vai apresentar os estudos sobre as culturas de canola, maçã, pêssego, café, abacaxi, grão-de-bico, cana, soja e milho.

Conforme dados divulgados pelo MAPA, o zoneamento tem como objetivo reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos ao possibilitar a identificação pelo produtor sobre a melhor época para o plantio, levando em consideração a região do País, a cultura e os diferentes tipos de solo. Com essas informações, será possível reduzir perdas provocadas por eventos meteorológicos adversos, como os que ocorreram em diversas regiões brasileiras.

Fonte: Embrapa

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