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A COVID-19 e a inércia da ação coletiva

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Por Cassyra Vuolo

A COVID-19 avança em alta escala e sinto-me impotente diante dos dias dramáticos de nossa história enquanto nação.

Notícias de má gestão, de fura-filas, a ausência de diálogo e de ações interinstitucionais têm dificultado, na prática, o combate ordenado do vírus e a melhoria de atendimento aos doentes. 

Somos exemplo mundial de atitudes ruins, ineficazes e contraditórias na pandemia. 

O país que foi sensacional na vacinação de 10 milhões de crianças contra Poliomielite em único dia e 100 mil pessoas de H1N1 em seis meses está desarticulado. 

Falamos demais e agimos pouco. Sem liderança e gestão eficiente, chegamos a míseros 5% de vacinação de toda população. Não respeitamos as medidas básicas sanitárias. 

A ordem de evitar aglomeração e usar máscara é relativizada e subestimada enquanto acabam os leitos nos hospitais, o que torna cruel a morte de 1840 brasileiros nas últimas 24 horas. 

Qual a nossa dificuldade de pararmos de pensar somente no nosso umbigo? Passamos de 250.000 mortos no país e não nos damos conta da dimensão dessa realidade e de suas consequências? Nesta guerra ou vamos sair todos juntos, ou vamos morrer juntos também. 

Sim, vamos morrer uns mais cedo pela COVID-19, outros mais tarde colhendo as consequências do egoísmo, da intolerância, da ganância, da prepotência  da arrogância e da incapacidade de compreensão que o todo sempre será maior que a soma de algumas partes.Lembremos das lições da sociologia: “acontecimentos e fatos sociais são resultados das ações empreendidas em conjunto por todos os indivíduos envolvidos”. Nessa relação de interdependência tudo atinge gregos e troianos.

Quantos mais precisarão morrer para agirmos unidos numa mesma direção? Não sei vocês mas eu decido: Se não precisar sair, ficarei em casa.

Se tiver que sair por extrema necessidade, usarei máscara;

Se tiver que falar, falarei; 

Se tiver que denunciar, denunciarei quantas vezes for preciso;

Se precisar pressionar, pressionarei; 

Se tiver que escrever, escreverei; 

Se tiver que agir, agirei; 

E se puder ajudar, ajudarei a tantos quantos puder. 

E lembrem-se quando tentaram calar a verdade Ele disse: “Se estas pessoas se calarem, as pedras clamarão.” (Lc 20,38) 

Cassyra Vuolo é Secretária de Articulação Institucional e Desenvolvimento da Cidadania do Tribunal de Contas de Mato Grosso

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Mato Grosso é o 4º estado com a maior taxa de mortes por choque elétrico

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Por Walter Aguiar Martins Júnior e Danilo Ferreira de Souza

O estado de Mato Grosso vem registrando aumento significativo no número de acidentes elétricos fatais, enquanto o balanço nacional registrou uma queda conforme os dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica (2019, 2020) da Abracopel – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade.

Em termos absolutos, o estado registrou o número infeliz de 25 mortes por acidentes de origem elétrica no ano de 2019 e 30 mortes no ano de 2020, enquanto o total de mortes no país reduziu sensivelmente de um ano para o outro, conforme a Figura 1.

Fonte: abracopel.org – Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica (2019, 2020). IBGE (2019, 2020). Adaptado

O estado, que ocupou a posição de 5º lugar no ranking da taxa de mortalidade por acidentes com choque elétrico no Brasil em 2019, subiu uma posição no ranking e foi para a 4ª posição, saindo de 0,717 mortes por 100 mil habitantes para 0,851, conforme ilustra a Figura 2. Para o mesmo período apurado, verificou-se a redução da média nacional. Os fatores não ficaram claros, mas acredita-se que com a pandemia, os choques em locais de trabalhos reduziram e os choques domésticos de mantiveram constante.

Fonte: abracopel.org – Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica (2019, 2020). IBGE (2019, 2020). Adaptado

Os acidentes com choque elétrico provocam, anualmente, muitas mortes. Os motivos têm que ver, basicamente, com a negligência dos envolvidos. Na maioria dos casos, a fatalidade poderia ser evitada a partir da combinação do uso correto do Dispositivo Diferencial Residual (DR) adequado e de um sistema de aterramento elétrico. Ou seja, em outras palavras, uma instalação elétrica adequada é vetor fundamental para a redução dos acidentes de origem elétrica.

A maioria dos acidentes de origem elétrica ocorrem por não serem respeitadas as prescrições obrigatórias das normas – “Norma Regulamentadora n.º 10 e ABNT NBR 5410”.

Para elucidar as causas de cada acidente, é necessária análise de profissional perito na área. Entretanto, a partir da observação da maioria dos casos, constata-se que a ausência de alguns elementos centrais, são os responsáveis para grande maioria dos acidentes. Estão citados abaixo algumas perguntas, que se respondidas positivamente, as possibilidades de acidentes de origem elétrica se reduziriam de forma significativa:

a) A residência possui sistema de aterramento elétrico?
b) A residência possui Dispositivo Diferencial Residual (DR) devidamente instalado?
c) Os pontos de tomada da instalação possuem o condutor de Proteção Elétrica? (Condutor verde ou verde/amarelo a ser conectado no pino do meio dos plugues);
d) O plugue de tomada do equipamento eletroeletrônico em uso possui o pino do meio?

Uma residência segura responde SIM para todas as questões. Uma única resposta negativa indica risco à segurança dos usuários desta instalação, haja vista que este conjunto, instalado em conformidade com as normas de instalações elétricas, asseguram o desligamento do circuito elétrico de forma instantânea, no momento que há uma fuga de corrente elétrica (como o choque), evitando que o acidente provoque danos ao indivíduo, podendo provocar a morte.

Muitos usuários, até mesmo orientados por [maus] profissionais eletricistas, não constroem a instalação elétrica de forma segura, a fim de reduzir os custos da obra. Mas uma pergunta se faz necessária: qual o preço de uma vida?

Walter Aguiar Martins Júnior é Engenheiro Eletricista, Diretor Geral da Abracopel-MT e Conselheiro Suplente do CREA-MT.

Danilo Ferreira de Souza é Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho, Professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT.

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