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POLÊMICA

Portaria do GSI nomeia “Fulano” e “Cicrano” para a segurança da Presidência

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O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República publicou, na edição desta segunda-feira (22.06) do Diário Oficial da União (DOU), uma portaria que nomeia militares para cargos de assistência na Secretaria de Segurança Presidencial contendo nomes evidentemente fictícios. O documento oficial traz a designação de um major do Exército chamado “Fulano de Tal” e de um tenente da Polícia Militar do Distrito Federal identificado como “Cicrano de Tal”.

A Portaria nº 172, datada de 19 de junho de 2026, foi assinada por Vinícius Damasceno do Nascimento, diretor do Departamento de Gestão da Secretaria-Executiva do GSI. Além dos dois nomes que compõem expressões populares usadas para designar pessoas indeterminadas, o texto oficial nomeia o primeiro-sargento da Marinha Márcio Adriano de Jesus Leite para a mesma função de assistente, com gratificação de Nível IV.

O erro na grafia — o texto utiliza “Cicrano” em vez do termo correto “Sicrano”, conforme o registro dicionarizado para designar a segunda de três pessoas referidas de forma vaga — reforça a suspeita de que o documento tenha sido publicado sem a devida revisão administrativa.

A portaria oficializa a mudança de gratificações dos militares designados, dispensando-os de suas funções anteriores para assumirem o novo posto junto à segurança do Palácio do Planalto.

Até o fechamento desta reportagem, o GSI e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República não haviam se manifestado sobre a publicação do documento ou justificado a presença de nomes fictícios em um ato administrativo desta natureza. A falha na redação da portaria levanta questionamentos sobre os processos de conferência e controle interno na publicação de atos oficiais no Diário Oficial.

Saiba mais

Os termos utilizados na portaria do GSI possuem origens distintas e são usados na língua portuguesa para designar pessoas sem identificação específica.

“Fulano” deriva do árabe fulān, que significa “pessoa” ou “alguém”, tendo sido incorporado ao português via espanhol. Já “Sicrano” — grafado incorretamente como “Cicrano” no documento oficial — surgiu por derivação popular para indicar o segundo elemento de uma sequência, enquanto “Beltrano”, o terceiro da série, descende de “Beltrão”, um nome próprio comum na Idade Média que acabou perdendo sua especificidade para servir de preenchimento em listagens vagas.

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