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POLÍTICA NACIONAL

Debatedores defendem regulamentação da exploração de energia no mar

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Especialistas reunidos na Comissão de Infraestrutura (CI) nesta terça-feira (16) defenderam a regulamentação da exploração de energia elétrica em alto-mar (offshore). Segundo os participantes, a regulamentação é vista como passo essencial para dar segurança jurídica aos investidores, permitir os estudos nas áreas marítimas e abrir caminho para uma nova frente de geração de energia renovável no Brasil.

Durante a reunião, a diretora da Coalizão Eólica Marinha, Roberta Cox, afirmou que a energia eólica offshore está em expansão no mundo e pode se tornar uma importante fonte de energia para o Brasil nos próximos anos. Porém, ela alertou que levará tempo até que essas usinas injetem energia no sistema elétrico brasileiro.

— A gente tem atualmente uma necessidade de ter a cessão de áreas, a concessão das áreas marinhas, para começar a estudar. Esses estudos vão demorar de três a cinco anos para pegar a licença prévia ambiental, fazer todos os levantamentos, engajar com comunidades. 

Roberta Cox sublinhou que a nova fonte poderá atender ao crescimento da demanda provocado por atividades como data centers, hidrogênio verde, eletrificação da indústria e mobilidade elétrica.

Por sua vez, o engenheiro oceânico Milad Shadman destacou que a modalidade pode impulsionar  a atividade de portos e estaleiros. Ele citou estudos que apontam um potencial de cerca de 96 gigawatts em áreas com condições favoráveis para instalação de parques eólicos. Para Shadman, a geração offshore pode complementar a produção das hidrelétricas e contribuir para a segurança energética do país.

— A experiência acumulada pela indústria offshore de óleo e gás pode servir como uma base para desenvolvimento eólico offshore no Brasil e, com certeza, a curva de aprendizagem aqui vai ser muito mais acelerada e exponencial. Quando a gente fala sobre isso, o Brasil domina o mar.

Representando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diretor Pietro Mendes afirmou que já existem 11 projetos protocolados no órgão, somando potencial superior a 30 gigawatts. Para ele, a principal barreira para o avanço dos investimentos é a falta de regulamentação do marco legal da energia offshore.

— Tem empresa interessada, e por que não está tendo investimento? Porque a gente não tem, ainda, as regras colocadas. Isso é uma coisa que gera em mim uma inquietude muito grande. Eu sei que, na ANP, nós temos um monte de atividade de regulação que não damos conta, mas vendo ali o investidor querendo fazer o investimento, querendo botar dinheiro e você não faz porque não tem os marcos, isso é muito desafiador.

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O secretário de Energia e Economia do Mar do estado do Rio de Janeiro, Thiago Soares, lembrou que há 11 projetos de exploração energética na costa fluminense — que somam mais de 32 gigawatts de capacidade projetada — em fase de licenciamento ambiental no Ibama. Entre as metas do governo estadual está a qualificação de trabalhadores para atuar no setor, como soldadores, eletricistas e técnicos de manutenção, e garantir que parte significativa dos empregos gerados seja ocupada por moradores das regiões beneficiadas.

— O Brasil tem tudo para se tornar uma referência mundial em energia limpa, principalmente o estado do Rio de Janeiro. A transição energética, especialmente a energia eólica offshore, vai gerar desenvolvimento, reduzir o custo da eletricidade e vai ao encontro das metas climáticas da Agenda 2030 da ONU — avaliou.

O presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mario Povia, espera que a energia eólica offshore impulsione o desenvolvimento econômico regional e contribua para a diversificação da matriz energética brasileira, mas também disse que os investimentos dependem de segurança jurídica.

— Sem a adequada segurança jurídica, todos sabemos que o país eleva o risco de capital e acaba por inviabilizar a competitividade da nossa energia. Urge, pois, a definição de normas para a cessão, de áreas de forma individualizada, tanto para as modalidades permanentes quanto também planejadas (…). Está em nossas mãos (…) a regulação e o consequente aproveitamento para o desenvolvimento do futuro desse estratégico setor para a economia nacional.

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A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum, defendeu a rápida regulamentação do marco legal e a realização do primeiro leilão de áreas destinadas à geração offshore. Segundo ela, o desenvolvimento dessa indústria pode fortalecer a chamada “industrialização verde” do país.

— Precisamos aproveitar todo o trabalho que este Congresso Nacional fez, as leis que o Congresso aprovou, para que a gente, de fato, promova essa industrialização. E há uma dependência muito forte da regulamentação e do Poder Executivo (…) e a necessidade de realizarmos ainda este ano (…) o primeiro leilão de cessão de áreas de eólica offshore.

A audiência pública também teve a participação de Alexandre Gross, líder de Infraestrutura e Transição Energética da organização WWF Brasil; Dante Luiz da Ros Hollanda, coordenador de Inovação e Tecnologias Setoriais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Setec/MCTI); e Marcelo Camardelli, secretário-adjunto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul.

O debate foi conduzido pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor de um dos requerimentos de audiência pública. A regulamentação da energia eólica offshore no Brasil depois da sanção da Lei 15.097, de 2025 já foi tema de debate em 7 de abril, quando representantes do governo, da Marinha e do setor privado concordaram com o enorme potencial do país no setor, mas avaliaram que o sucesso dos investimentos depende de boa infraestrutura e regras claras.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Câmara aprova projeto que garante atestado para funcionário que acompanhar criança doente

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que obriga a emissão de atestado para amparar ausência no trabalho de responsável legal de criança menor de 12 anos cuja doença demande assistência direta. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria do deputado Alencar Santana (PT-SP), o Projeto de Lei 4913/25 foi aprovado na forma de substitutivo da relatora, deputada Denise Pêssoa (PT-RS).

Segundo o texto, a emissão do atestado será obrigatória sempre que for recomendado repouso da criança e houver necessidade de acompanhamento direto durante o período de recuperação.

No entanto, o afastamento do ambiente de trabalho não implicará necessariamente uma folga. Sempre que possível, a atividade laboral será realizada por teletrabalho, compensação de jornada e outras formas previstas em lei ou em negociação coletiva.

Além dos dados de identificação, o atestado deverá conter o período recomendado de repouso e a declaração expressa da necessidade de acompanhamento do responsável legal. Caso não haja impedimento ético-médico, também deverá ser descrito o diagnóstico pelo médico assistente da criança.

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Licença
No caso de não ser possível prestar assistência direta indispensável à criança simultaneamente com o exercício do trabalho ou por meio de compensação de horário, uma licença deverá ser concedida por 14 dias, consecutivos ou não, dentro de um período de 12 meses. O início desse período será contado a partir da data do primeiro afastamento concedido.

Durante a licença, serão assegurados a manutenção do vínculo empregatício e os direitos previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Os dias tirados por essa licença não serão considerados falta ao serviço para fins de desconto do salário e contagem de dias de férias a que o trabalhador tem direito pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Mais informações em instantes

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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