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Menopausa: quem disse que namorar tem prazo de validade?

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Por Giovana Fortunato

Com a chegada do Dia dos Namorados, é comum vermos campanhas e mensagens voltadas para casais jovens, como se o amor, a paixão e a vida sexual tivessem data para começar e idade para terminar.

Mas a realidade é bem diferente.

Todos os dias, em meu consultório, encontro mulheres que estão vivendo uma das fases mais transformadoras da vida feminina: a menopausa. E, junto com ela, surgem dúvidas, inseguranças e muitos mitos. Um dos mais comuns é a ideia de que o desejo sexual e a vida afetiva chegam ao fim quando a menstruação se despede.

A ciência mostra exatamente o contrário.

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada principalmente pela redução da produção dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Essa mudança pode provocar sintomas físicos e emocionais importantes, como ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade, cansaço, ressecamento vaginal e desconforto durante as relações sexuais.

O problema é que muitas mulheres acreditam que precisam simplesmente aceitar esses sintomas como parte inevitável do envelhecimento.

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Não precisam.

Hoje sabemos que qualidade de vida também é uma questão de saúde. E isso inclui bem-estar emocional, autoestima, relacionamentos saudáveis e uma vida sexual satisfatória, se essa for a escolha da mulher.

O ressecamento vaginal, por exemplo, é uma das queixas mais frequentes após a menopausa. Além de causar desconforto, pode levar à diminuição da intimidade do casal e afetar a autoconfiança feminina. Felizmente, existem tratamentos seguros e eficazes que ajudam a restaurar o conforto e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Outro ponto importante é compreender que o desejo sexual não depende apenas dos hormônios. Sentir-se bem consigo mesma, cuidar da saúde física, manter vínculos afetivos e preservar a autoestima também influenciam diretamente a forma como a mulher vivencia sua sexualidade.

A menopausa não representa o fim da feminilidade, da sensualidade ou do amor. Pelo contrário. Para muitas mulheres, ela pode marcar o início de uma fase de maior maturidade, autoconhecimento e liberdade.

Neste Dia dos Namorados, o convite é para uma reflexão: será que você está cuidando da sua saúde com a mesma atenção que dedica às pessoas que ama?

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Se os sintomas da menopausa têm interferido no seu bem-estar, no seu relacionamento ou na sua qualidade de vida, procure orientação médica. Cuidar da saúde feminina não é apenas tratar doenças. É permitir que cada mulher viva plenamente todas as fases da sua história.

Porque namorar não tem prazo de validade. E a sua qualidade de vida também não deveria ter.

Dra. Giovana Fortunato, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, professora da UFMT.
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Embrapa na Baixada Cuiabana: a força da ciência em favor da agricultura familiar

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Por Irajá Lacerda

A chegada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) à Baixada Cuiabana, em Nossa Senhora do Livramento, representa uma conquista histórica para Mato Grosso. Mais do que a instalação de uma estrutura de pesquisa, trata-se da presença da ciência, da inovação e da tecnologia em uma região que tem vocação produtiva, força social e milhares de famílias que vivem da terra.

Durante minha passagem pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, trabalhei para ampliar a presença da Embrapa em Mato Grosso e para que essa expansão chegasse justamente onde ela mais poderia fazer diferença: perto dos agricultores familiares, dos pequenos produtores, dos assentamentos e das comunidades que precisam de apoio técnico para transformar potencial em renda e dignidade.

A Baixada Cuiabana tem características próprias. É uma região de calor intenso, solos desafiadores, pequenas propriedades, produção diversificada e forte presença da agricultura familiar. Por isso, a vinda da Embrapa para Nossa Senhora do Livramento não é por acaso. Ela dialoga diretamente com a vocação da região e com a necessidade de levar conhecimento para quem produz frutas, mandioca, hortaliças, peixes e tantos outros alimentos que abastecem nossas cidades.

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A Embrapa é um dos maiores patrimônios científicos do Brasil. Foi decisiva para transformar a agropecuária brasileira, modernizar o campo, ampliar a produtividade e mostrar que, com pesquisa e tecnologia, regiões antes desacreditadas poderiam se tornar grandes produtoras. Mato Grosso é prova viva dessa transformação. Quem não se lembra da expressão “Cerrado: nem dado, nem herdado”? A história mostrou o contrário, e a Embrapa teve papel decisivo nesse processo.

Nosso estado já conta com a atuação da Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, referência em sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta. Agora, com a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação da Embrapa na Baixada Cuiabana, damos mais um passo histórico: aproximar a força da pesquisa da realidade dos agricultores familiares e das cadeias produtivas que sustentam a economia local.

O Censo Agropecuário do IBGE mostra que a agricultura familiar representa cerca de 77% dos estabelecimentos agropecuários do país e emprega mais de 10 milhões de pessoas. Em Mato Grosso, dados da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar destacam o protagonismo desse setor em cadeias como leite, mandioca, piscicultura, frutas, hortaliças, mel e banana, atividades diretamente ligadas à vocação produtiva da Baixada Cuiabana.

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Esse suporte pode mudar a vida de muitas famílias. Uma orientação técnica correta melhora a produção, reduz perdas, fortalece a renda, abre novos mercados e ajuda o produtor a permanecer no campo com mais segurança. Para o agricultor familiar, assistência, pesquisa e inovação não são luxo. São instrumentos de sobrevivência, crescimento e dignidade.

Mato Grosso é um gigante do agronegócio, mas também precisa olhar com mais atenção para quem produz em pequena escala e garante alimento na mesa da população. Apoiar a agricultura familiar é cuidar de quem produz, gera renda e mantém viva a força do campo nos municípios. A Embrapa na Baixada Cuiabana representa exatamente isso: inclusão produtiva, inovação e futuro para uma região que tem vocação, trabalho e merece estar no centro das políticas públicas de desenvolvimento.

Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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