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40 anos de gratidão a Mato Grosso

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Por José Wenceslau de Souza Júnior

Neste ano, faz 40 anos que Mato Grosso se tornou o meu estado e Cuiabá a minha cidade do coração. Cheguei à capital em 1980, quando meu irmão Lázaro já vivia aqui. Nós dois viemos do município de Patrocínio, Minas Gerais, e decidimos nos tornar sócios em um pequeno negócio de ferragens e materiais de construção.

José Wenceslau de Souza Júnior, na avenida Fernando Correa da Costa, ainda não duplicada, na década de 80

Com apenas 19 anos, eu já tinha muitos planos e sonhos em mente. Lembro que, na época, a avenida Fernando Corrêa era duplicada somente até a UFMT e a nossa empresa, Ferragista Boa Esperança, ficava mais à frente, em um trecho com muita poeira.

No início, nós não tínhamos condições para comprar nem um ventilador, morávamos no fundo da loja e, para dormir, molhávamos o colchão para “refrescar” do calor. O fato de trabalharmos muito durante o dia ajudava bastante, pois chegávamos tão cansados que era fácil dormir, apesar do clima de Cuiabá.

 Fazíamos um pouco de tudo, descarregávamos tijolos, realizávamos entregas…, ou seja, a vida não era fácil, mas éramos felizes porque tínhamos o sonho de vencer nesta terra que nos acolheu. Na época, a cidade sofria com falta de água, então íamos com o caminhão no rio Coxipó e enchíamos caixas de água para nos manter por alguns dias.

 Nos finais de semana, o “point” era ir para Santo Antônio de Leverger, onde as praias lotavam. Para chegar lá, o trajeto era bem congestionado. As pessoas se aglomeravam nas margens do rio Cuiabá, que era limpo, tinha água transparente. Depois de certo tempo, o destino da população cuiabana passou a ser Chapada dos Guimarães, que já recebia muitos turistas.

 Outra lembrança que ficou marcada em minha memória e que me trouxe grandes amigos foi o período que fiz cursinho no Objetivo. Na primeira semana, já fui no sábado comer peixe na casa de um novo amigo. Descobri cedo que a hospitalidade e a alegria do povo cuiabano era uma tradição genuína. E assim, fomos desenvolvendo junto com Cuiabá, os bairros foram se expandindo e muita gente chegando de outros estados.

 Após 15 anos de sociedade com meu irmão, decidimos cada um cuidar do seu próprio negócio e, na época, eu já estava casado com minha esposa, Márcia, e resolvemos abrir nossa loja no bairro Verdão, onde funciona até hoje. Juntos, enfrentamos grandes desafios, e depois vieram os nossos filhos, Paulo, Tiago e Rafael, que até hoje trabalham conosco na empresa, que em breve terá sua terceira filial.

 Com o tempo, os planos foram crescendo e os nossos sonhos se realizando. Na década de 90, o segmento de materiais de construção era bastante desorganizado e eu acreditava na força do associativismo e, assim, participei da fundação da Acomac – Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de MT, pois a ideia sempre foi a de que os comerciantes são parceiros e não concorrentes.

 Esse foi o início do meu envolvimento nas causas associativas. Também vislumbrei a necessidade da criação de um sindicato, o Sindcomac, onde também participei de sua fundação. Com o desenvolvimento de diversas ações para o setor, fomos ganhando credibilidade e, como resultado de todo esse trabalho, acabei assumindo a presidência do Sistema Fecomércio/Sesc/Sena/IPF Mato Grosso.

 Diante de tantas histórias, tenho o maior orgulho e gratidão pelo que eu e minha família construímos nesta terra. E ainda tive a honra de ser homenageado com os títulos de cidadão mato-grossense e cuiabano. Agradeço profundamente por esse estado, essa cidade e todas as pessoas que passaram pelo meu caminho. Com toda certeza, meu coração bate por Mato Grosso.

 José Wenceslau de Souza Júnior é presidente do Sistema Fecomércio, Sesc, Senac, IPF Mato Grosso e comerciante há mais de 40 anos – e-mail: [email protected]

 

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Como identificar alergia a camarão?

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Por Juliano Coelho Philippi 

Como sei se sou alérgico a camarão? Tenho familiares alérgicos, isso quer dizer que também serei? Sei que tenho alergia a camarão, posso fazer exames com contraste? O que fazer em caso de reação grave por alergia alimentar? Estas são as principais dúvidas que os pacientes têm levado ao meu consultório ultimamente.

Antes de responder a esses questionamentos, é importante explicar que os frutos do mar são uma das principais causas de alergia alimentar imediata em adultos e que os casos vêm aumentando ano após ano, tendo o camarão como o principal causador.

Alergia imediata é aquela em que os sintomas aparecem nas primeiras duas horas após a ingestão. Os sintomas mais comuns são coceira, placas avermelhadas e inchaços, principalmente no rosto. Em situações mais graves pode haver náuseas, vômitos, vontade de defecar, tosse, falta de ar, tontura e desmaio. Nestes casos, se a alergia não for tratada a tempo pode levar à morte.

Para realizar o diagnóstico, é necessário buscar os indícios, ainda que leves, de uma reação alérgica. Para tanto, é preciso atenção em fatores associados, como outros alimentos, condimentos utilizados e risco de contaminação do prato com outros alérgenos, o que é comum em restaurantes. Atividades físicas e alguns medicamentos antes do consumo também precisam ser investigados.

Somente após essa investigação, os exames laboratoriais e teste alérgicos poderão ser indicados e seus resultados interpretados. Com isso afirmo: um exame positivo para camarão não é suficiente para dar o diagnóstico de alergia a este alimento. Por outro lado, o diagnóstico dessa alergia pode indicar alergia a outros frutos do mar, e essa condição deve ser identificada.

Vale ressaltar que o desenvolvimento da alergia alimentar é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e principalmente fatores ambientais, como a frequência com que se tem contato com o alimento. Sendo assim, o fato de alguém na família ser alérgico, não indica que você também será. Por outro lado, o fato de você já ter ingerido camarão sem apresentar reação no passado não afasta totalmente o risco de você desenvolver alergia. Normalmente, ninguém nasce com alergia, elas são desenvolvidas ao longo da vida.

Outra informação muito difundida, inclusive entre profissionais de saúde, é a relação entre alergia a camarão e contrastes iodados. Isso é um mito, e essa relação não existe. Quando for realizar um exame e te perguntarem se você é alérgico ao contraste, você só deve responder que sim se apresentou algum sintoma em exame anterior. Em caso de dúvida, converse com o médico responsável pelo procedimento e se certifique de que o local está preparado para tratar uma reação, caso ela ocorra pela primeira vez. Esse preparo é obrigatório.

Finalmente, numa situação em que sinta ou presencie alguém apresentando sinais de reação alérgica grave, com aparecimento de náuseas, vômitos, falta de ar, turvação visual, tontura e ou desmaio, é fundamental a busca de um atendimento médico o mais rápido possível. Nestes casos, eventos fatais só poderão ser prevenidos com o uso de adrenalina ou epinefrina injetável, medicações essa que no Brasil só temos disponíveis para uso hospitalar.

Caso você tenha se identificado com alguma das situações acima, ou conheça alguém que se enquadra, é importante procurar um médico alergista para esclarecer a situação e receber as orientações necessárias.

 Juliano Coelho Philippi é médico alergista e imunologista –[email protected]

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